DERMATITE ATÓPICA
DEFINIÇÃO
- Dermatite/ eczema constitucional/ neurodermite disseminada.
- É uma doença inflamatória cutânea crônica de etiologia multifatorial que se manifesta clinicamente pela forma de um eczema (eritema mal definido, edema e vesículas no estágio agudo e, no estágio crônico, por placa eritematosa bem definida, descamativa e com grau variável de liquenificação).
- Tem um curso crônico, com períodos de acalmia e períodos de surto, no qual há um eczema frequentemente associado a asma e/ou rinite alérgica (30%), podendo ou não ter urticária (15%)
FATORES DESENCADEANTES
* Infecção por S. aureus ou por fungos
* Associação com alérgeno alimentares (ainda controverso) ou aeroalegérnos, autoantígenos
* Fatores neuropsiquiátricos (principalmente o estresse).
Tipicamente a criança desenvolve a dermatite atópica nos primeiros meses de vida, que pode ser acompanhada pela sensibilização às proteínas do leite de vaca, ovo ou amendoim, eventualmente manifestando vômitos, diarreia ou anafilaxia relacionados à ingestão destes alimentos, por volta dos 6-12 meses de vida. Este quadro é sucedido pela sensibilização aos aeroalérgenos (ácaros domiciliares, epitélios animais), até que a criança manifeste episódios de sibilância de repetição antes dos dois anos de idade, em geral associados às infecções virais das vias aéreas superiores.
QUADRO CLÍNICO
1. ECZEMA ATÓPICO INFANTIL
- Pode ocorrer do nascimento até o 6º mês, mas normalmente surge a partir do 3º mês de vida.
- Lesões vesico-secretantes-crostosas
- Em regiões malares, podendo permanecer nessa área ou acometer toda a face, couro cabeludo, nuca, dobras antecubitais e poplíteas ou ainda generalizar em casos graves.
- Prurido variável.
- Há muitos surtos, principalmente nos primeiros 2 anos de vida, quando tende a melhorar ou permanecer de forma discreta.
- A complicação mais frequente é a infecção secundária (nunca surge liquenificação).
- A complicação mais grave é contato do eczema com o herpes simples, que pode determinar o eczema herpético ou vacinal (variceliforme de Kaposi → internar e tratar com aciclovir).
DIAGNÓSTICO
- Critérios absolutos:
1. Prurido
2. Localização típica: Adulto: liquenificação nas áreas flexurais, dobras antecubitais, poplíteas e pescoço. Criança: acomete a face; fronte e regiões malares, poupando o maciço centro-facial.
3. Tendência a cronicidade ou recidiva frequente.
TRATAMENTO
Corticoides orais: o seu uso deve ser evitado, por conta dos efeitos colaterais e do efeito rebote, quando retirado.
Antibióticos: indicados em caso de infecção secundária; a preferência é aplicar um antibiograma, mas, de forma geral, pode-se utilizar eritromicina, cefalosporina ou dicloxacilina por 10 dias.
- O tratamento sistêmico com cefalexina está indicado para os pacientes com lesões disseminadas que apresentem sinais clínicos de infecção como exsudato e crostas melicéricas.
- Antibióticos tópicos podem ser utilizados em infecções localizadas.
- Ciclosporina: melhor tratamento nos casos graves.
DERMATITE DE CONTATO POR IRRITANTE (DCI)
DEFINIÇÃO
- Reações agudas ou crônicas a substâncias em contato com a pele.
1. Irritante (DCI): mais comum (80%)
2. Alérgica: só mais comum na face.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
DCI: causado por irritante químico que causa lesão direta nos queratinócitos.
- Ocorre após exposição a agente desencadeante, que é toxico a pele (substancias alcalinas e ácidas que irritam a pele, mas não são capazes de causar queimaduras ou necroses).
- Por irritante primário absoluto: uma única exposição.
- Por irritante primário relativo: vários contatos da substancia com a pele. EX: água, sabonete, produto de limpeza, detergente, poeira, planta.
Obs: luvas podem induzir dermatite de contato por atrito, alergia ao látex e acumulo de umidade repetida.
Obs: dermatite de fraldas dermatite de contato por irritante mais prevalente na faixa etária pediátrica. Causadas por trocas infrequentes ou pelo uso de talco, óleos e desodorante. T: hidrocortisona 1% 2x/dia por 3 dias dermatite leve.
- Local mais comum: mãos, principalmente entre os dedos.
LESÃO
- Aguda: eritema, edema, vesículas, bolhas e exsudação.
- Crônica: liquenificação, hiperceratose e fissuras.
- Prurido discreto ou ausente, sendo substituído por dor ou queimação.
- Lesão causada em alguns minutos/ 48h
DIAGNÓSTICO
- Teste de contato negativo.
TRATAMENTO
- Afastamento da causa: óculos, aventais e luvas. Caso ocorra contato -> lavar com água e solução neutralizante fraca.
- Cremes protetores.
DERMATITE DE CONTATO ALÉRGICA (DCA)
DEFINIÇÃO
- Causada por um alérgeno que desencadeia uma reação de hipersensibilidade tipo 4 (celular ou tardia). Precisa de predisposição do paciente.
MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS
- Células de Langerhans processam o antígeno, apresentam ao linfócito T, prolifera em linfonodos regionais, linfócitos sensibilizados penetram a corrente sanguínea.
- O segundo contato após a sensibilização libera citocinas e desencadeiam o processo inflamatório.
- Sensibilizadores comuns: metais (níquel em joias, botões de calça), conservantes, fragrâncias (perfumes, cosméticos), antibióticos tópicos, componentes das tinturas de cabelo e látex e borracha das luvas
LESÃO
- Aguda: erupções eczematosas bem demarcadas, intensamente pruriginosas, localizada em área da pele que está em contato com o alérgeno.
- Precisa de algumas horas ou dias para aparecer as lesões.
DIAGNÓSTICO
- Teste de contato (Patch-test): positivo, pois há mecanismo imunológico envolvido. Paciente precisa estar na fase inativa da doença, sem uso de corticoides. Geralmente é aplicado no dorso (maior, da pra colocar vários substanciais). Não pode molhar a fita nem se expor ao sol. Desencorajar atividades físicas para suor não descolar. Primeira leitura nas 48h e 2º em 96h.
TRATAMENTO
- Afastamento da causa
- Corticoide tópico/sistêmico: pomadas/ géis de glicocorticoides tópicos (classes I a III). Os glicocorticoides estão indicados nos casos graves e na DCA propagada pelo ar. Prednisona em dose inicial de 70 mg (adultos), com redução gradual em 5 a 10 mg/dia, no decorrer de um período de uma a duas semanas.
- Anti-histamínico sistêmico
DERMATITE SEBORREICA
DEFINIÇÃO
- É uma inflamação crônica da pele, com períodos de melhora e períodos de piora dos sintomas.
ETIOLOGIA
- Há nítida influência hormonal, pois, a secreção sebácea é estimulada por hormônios androgênicos elevados no período puberal, sendo que em lactentes decorrem da ação de andrógenos maternos circulantes.
- É desencadeada por agentes externos, como alergias, situações de fadiga ou estresse emocional, baixa temperatura, álcool, medicamentos, alimentos condimentados, ingestão excessiva de hidratos de carbono, fricção e excesso de oleosidade.
- A presença do fungo PITYROSPORUM ORBICULARE OU MALASSEZIA também pode provocar a doença.
- A doença não é contagiosa e não é causada por falta de higiene. Também não é uma alergia e tampouco perigosa.
QUADRO CLÍNICO
-Acomete lactentes e adultos, pela maior produção sebácea nestas faixas etárias.
LESÕES
- A distribuição das lesões difere da dermatite atópica por acometer região inguinal, axilas, pescoço e couro cabeludo.
- É pouco pruriginosa, e não gera dificuldade para o sono ao lactente. O prurido, quando presente, é discreto, à exceção das lesões no couro cabeludo.
- Lesão: placas eritematosas e escamativas. São maculopapulosas, eritematosas ou amareladas, sem brilho e recobertas por escamas de aspecto gorduroso, que se distribuem pelas áreas seborreicas (couro cabeludo, face, regiões pré-esternal, interescapular, flexuras axilares e anogenitais).
- Adulto: laterais do nariz, dobras nasolabiais, glabelas (face 88%), dobras retroauriculares e couro cabeludo (70%).
- Lactentes: pode se apresentar como escamas grossas gordurosas brancas ou amareladas, aderentes sobre o couro cabeludo, que não afetam os cabelos, de caráter benigno que resolvem espontaneamente (“crosta láctea”). Podem ocorrer manchas eritematoescamosas na face, no tronco em áreas de dobras e nas regiões intertriginosas do pescoço, nuca, axilas, região inguinal e genitoanal (área de fraldas). O prurido é discreto e raramente há infecção secundária.
DIAGNÓSTICO
- É clínico; teste micológico, a biópsia (paraqueratose na epiderme, óstios foliculares e espongiose) e o teste de contato. É mais difícil em pacientes de pele escura.
TRATAMENTO
- Não há tratamento curativo, mas recomenda-se:
Lavagens mais frequentes, interrupção do uso de sprays, gel ou pomadas para o cabelo
Não utilizar chapéus ou bonés
Uso de shampoos: antiproliferativos com antimitóticos e citostáticos, diminuindo a formação de escamas; com cetoconazol à 2%, com ciclopirox à 1% e com sulfeto de selênio e piritionato de zinco.
- As opções de tratamento disponíveis incluem:
Corticosteróides tópicos (hidrocortisona 1%)
Agentes antifúngicos tópicos
Inibidores tópicos de calcineurina: tacrolimus (0,03% e 1%) e pimecrolimus (1%), como alternativa aos corticosteroides tópicos, por possuírem efeitos semelhantes sem os efeitos colaterais daqueles. Podem ser usados uma ou duas vezes por dia.
Creme não esteróide para dispositivos tópicos (2x/dia).
Fototerapia: pode ser uma alternativa.
O tratamento sistêmico é feito quando houver infecção bacteriana ou fúngica, em formas disseminadas ou resistentes (tetraciclina 500mg 2x/dia por 10 dias).
Isotretinoína 1mg/kg/dia pode ser utilizada em casos graves e resistentes.