O que é a Enterocolite Necrosante e como ela se diferencia da perfuração intestinal espontânea?
A Enterocolite Necrosante é uma inflamação intestinal grave, multifatorial, que pode levar à necrose do intestino, especialmente em recém-nascidos prematuros.
Diferencia-se da perfuração intestinal espontânea porque esta é localizada, não causa necrose significativa e geralmente está associada ao uso de corticoides ou indometacina.
Quais são os principais fatores de risco para enterocolite necrosante no recém-nascido?
Prematuridade (principal)
alimentação com fórmula,
infecção intestinal,
hipóxia/hipoperfusão,
uso de indometacina,
protetores gástricos,
exsanguinotransfusão,
poliglobulia e persistência do ducto arterioso.
Qual é o único fator comprovado que reduz a incidência de enterocolite necrosante em recém-nascidos?
O leite humano, por conter anticorpos, fatores de crescimento e substâncias protetoras que fortalecem o intestino e equilibram a microbiota, reduz significativamente o risco de ECN.
Como diferenciar a enterocolite necrosante da perfuração intestinal espontânea no recém-nascido?
A ECN geralmente apresenta necrose extensa, ocorre após o início da alimentação (especialmente em prematuros) e envolve íleo terminal e cólon.
Já a perfuração espontânea aparece na primeira semana, é focal, sem necrose difusa e está associada ao uso de corticoides, indometacina ou vasopressores
Quais são os sinais clínicos que indicam enterocolite necrosante em recém-nascidos?
D – Distensão abdominal
O – Observa resíduo gástrico
R – Rectorragia (sangue nas fezes)
B – Barriga dolorosa
I – Íleo paralítico (sem ruídos intestinais)
L – Leite não digerido
I – Irritação periumbilical
S – Sopro (vômito bilioso)
Quais são as principais alterações laboratoriais observadas na enterocolite necrosante neonatal?
T – Trombocitopenia ( mais comum ) Alterações na coagulação (80%)
A – Acidose metabólica
N – Neutropenia
H – Hipo/hiperglicemia
D – Desequilíbrio hidroeletrolítico
E – Elevação da PCR
H – Hemocultura positiva
P – Problema de coagulação
Qual é o papel da radiografia abdominal na enterocolite necrosante e com que frequência ela deve ser realizada?
A radiografia é o principal exame para avaliar a gravidade e evolução da enterocolite necrosante.
Deve ser feita a cada 6–12 horas em casos leves e a cada 4–6 horas em recém-nascidos graves, em projeções anteroposterior e lateral esquerda, para identificar ar nas alças, na veia porta ou no abdom
Quais são os principais achados radiológicos da enterocolite necrosante e quais indicam mau prognóstico qual o patgomonico?
Quais são os três estágios da Enterocolite Necrosante segundo os critérios de Bell?
Estágio I: suspeita clínica, sem alterações radiológicas.
Estágio II: confirmação clínica e radiológica (pneumatose intestinal).
Estágio III: estágio avançado com sinais de choque, peritonite e perfuração intestinal.
Quais são os principais diagnósticos diferenciais da Enterocolite Necrosante e como diferenciá-los?
Resposta:
Sepse com íleo: sem necrose intestinal, predomina infecção sistêmica.
Obstrução intestinal (vólvulo, má rotação, invaginação): bloqueio mecânico, sem pneumatose intestinal.
Perfuração focal espontânea: pequena perfuração sem inflamação difusa, ligada ao uso de corticoides.
Megacólon tóxico/Hirschsprung: distúrbios de motilidade, com atraso na eliminação do mecônio.
Como é feito o tratamento clínico da Enterocolite Necrosante em recém-nascidos?
M – Monitorar sinais vitais
A – Analgesia
S – Suspender alimentação (repouso intestinal)
H – Hidratação e acesso venoso
A – Ajustar desequilíbrios metabólicos
C – Cultivos e antibióticos
Quando e como é feito o tratamento cirúrgico da Enterocolite Necrosante?
A cirurgia é indicada quando há neumoperitônio, piora clínica ou falha no tratamento médico. Antes, o bebê deve ser avaliado com exame físico, laboratoriais e radiografia seriada. As opções são drenagem peritoneal (para instáveis) ou laparotomia com ressecção do intestino necrosado e confecção de ostomia (para estáveis).
Quais são as complicações cirúrgicas mais comuns a curto prazo na Enterocolite Necrosante?
S – Sangramento
I – Intestino curto
I – Infecção da ferida
S – Síndrome compartimental
O – Oclusão por bridas
C – Complicações da ostomia
Prevención
Como funciona o algoritmo de decisão cirúrgica na Enterocolite Necrosante?
Na suspeita, inicia-se tratamento clínico.
Na ECN confirmada, se houver dúvida, realiza-se paracentese: se positiva, cirurgia; se negativa, observação.
Na ECN com perfuração intestinal (neumoperitônio), a cirurgia é imediata.
Recém-nascido prematuro de 32 semanas, peso ao nascer 1.450 g, internado na UTI neonatal. Iniciou alimentação enteral com fórmula há 5 dias. Nas últimas 12 horas apresentou distensão abdominal progressiva, resíduos biliosos, letargia e episódios de apneia.
Ao exame físico:
Abdômen distendido, sensível à palpação.
Ruídos hidroaéreos diminuídos.
Extremidades frias, má perfusão periférica.
SatO₂: 88%, PA: 55/35 mmHg.
Qual seria el posible diagnóstico ?
Qual seria a conduta a seguir ?
Que estúdios solicitaria ?
De acuerdo al cuadro clinico que tratamento deve seguir ?
Por cuantos dias deberia receber tratamento este paciente ?
1️⃣ Qual seria o possível diagnóstico?
Diagnóstico provável:
👉 Enterocolite Necrosante Grau IIb (moderada com comprometimento sistêmico)
Justificativa:
O quadro clínico mostra sinais digestivos (distensão abdominal, resíduo bilioso, dor) e sistêmicos (apneia, letargia, hipotensão), típicos da ECN. A prematuridade e o uso de fórmula láctea são fortes fatores predisponentes.
2️⃣ Qual seria a conduta a seguir?
Conduta imediata:
Suspender alimentação enteral imediatamente.
Descompressão gástrica com sonda orogástrica aberta.
Iniciar antibióticos de amplo espectro (cefotaxima + ampicilina + metronidazol ou amicacina).
Hidratação parenteral rigorosa (120–150 ml/kg/dia) com correção de eletrólitos e acidose.
Oxigenoterapia e monitorização contínua.
Radiografia abdominal seriada (a cada 6–8h).
Justificativa:
O objetivo é controlar a infecção, reduzir o estresse intestinal e prevenir perfuração. A suspensão da dieta evita a progressão da necrose e reduz a produção de gás intestinal.
3️⃣ Que estudos solicitariam?
Exames laboratoriais e de imagem:
Hemograma: leucopenia e trombocitopenia são comuns.
PCR: elevação sugere inflamação sistêmica.
Gasometria arterial: pode mostrar acidose metabólica.
Hemoculturas: para guiar antibioticoterapia.
Radiografia de abdômen: achados típicos:
Pneumatose intestinal (gás na parede intestinal)
Distensão de alças fixas
Níveis ar-líquido
Pneumoperitônio (se perfuração intestinal)
Justificativa:
Esses exames ajudam a confirmar o diagnóstico e a determinar o estágio da doença segundo os critérios de Bell.
4️⃣ De acordo ao quadro clínico, que tratamento deve seguir?
Tratamento médico intensivo:
Antibióticos de amplo espectro por via endovenosa por no mínimo 10–14 dias.
Nutrição parenteral total (NPT) até normalização clínica e radiológica.
Controle de eletrólitos e diurese.
Monitorização respiratória e hemodinâmica.
Se houver piora clínica (perfuração, peritonite, gás livre em cavidade peritoneal ou falha terapêutica após 48–72h):
👉 Encaminhar para cirurgia (drenagem ou laparotomia).
Justificativa:
O manejo é principalmente de suporte. A cirurgia é indicada apenas quando há complicações como perfuração intestinal.
5️⃣ Por quantos dias deveria receber tratamento este paciente?
Tempo estimado de tratamento:
Antibióticos: 10 a 14 dias (casos moderados).
Casos graves com perfuração: 14 a 21 dias.
Nutrição parenteral: até o intestino recuperar função e o RN tolerar dieta oral.
Justificativa:
O tempo depende da gravidade e da evolução clínica. A melhora é avaliada por desaparecimento da distensão, normalização da radiografia e estabilidade clínica.