Segundo o princípio da responsabilidade patrimonial, com quais bens o devedor responde para o cumprimento de suas obrigações?
Com todos os seus bens presentes e futuros.
Código de Processo Civil, Art. 789. A regra é excepcionada pelas restrições de impenhorabilidade estabelecidas em lei.
Qual o ideário que a efetividade da execução trabalhista deve traduzir para que se atinja seu êxito?
O máximo resultado plausível no menor tempo possível.
Princípio da Efetividade da Execução Trabalhista. O êxito da execução é alcançado com a materialização da obrigação prevista no título executivo, resultando na entrega do bem da vida ao credor.
Conforme o princípio da humanização da execução, quais bens não poderão ser penhorados, ainda que o objetivo seja a satisfação do direito do credor?
Os bens indispensáveis para a manutenção da dignidade e da subsistência mínimas do devedor e de sua família.
Princípio da Humanização da Execução (ou Princípio da Dignidade da Pessoa do Executado). A aplicação desta regra demanda a observância do princípio da ponderação de interesses entre o credor e o devedor.
Segundo o princípio da natureza real ou da patrimonialidade, sobre o que atuam os atos processuais da execução?
Sobre os bens do devedor inadimplente, e não sobre a sua pessoa.
Princípio da Natureza Real ou da Patrimonialidade. Caracteriza-se pelo conjunto de atos emanados pelo Estado que visam a satisfação do crédito através do patrimônio do devedor.
De acordo com o princípio da execução de forma menos onerosa, se o credor puder promover a execução por vários meios, qual deles o juiz determinará?
A forma que for menos gravosa para o executado.
Princípio da Execução de Forma Menos Onerosa para o Executado. No Processo do Trabalho, a aplicação deste princípio é mitigada, devendo o juiz ponderar os interesses para não prejudicar a satisfação do crédito trabalhista, que possui natureza alimentar e visa à proteção do trabalhador hipossuficiente.
De acordo com o princípio da primazia do credor trabalhista, qual norma o magistrado deverá utilizar caso haja um conflito entre as que regem a execução?
A norma que for mais favorável ao exequente (credor).
Princípio da Primazia do Credor Trabalhista. A atuação do juiz na execução deve ser pautada pela satisfação do direito do credor, fundamentada na natureza alimentar dos créditos trabalhistas.
De acordo com o princípio da limitação expropriatória, até qual limite os bens do devedor serão atingidos pela execução?
Apenas os bens necessários para a satisfação integral do direito do credor.
Consolidação das Leis do Trabalho, Art. 883. O artigo dispõe que serão penhorados “bens, tantos quantos bastem ao pagamento da importância da condenação, acrescida de custas e juros de mora”.
Qual característica da fase de execução resulta na redução do poder de defesa do executado para não prejudicar a satisfação do direito do credor?
A mitigação do contraditório.
Princípio da Mitigação do Contraditório. Essa limitação ocorre porque a execução parte de um título executivo que já define o titular do direito, restringindo-se a defesa a matérias específicas e limitando a ciência dos atos e a participação processual do executado.
De acordo com o princípio da utilidade, em que situação a penhora de bens não será levada a efeito?
Quando for evidente que o produto da execução dos bens encontrados será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução.
Código de Processo Civil, Art. 836. Este princípio impede que a execução seja utilizada apenas para prejudicar o executado, exigindo que os atos processuais tenham como escopo a satisfação concreta e útil do direito do credor.
Conforme o princípio da especificidade, quando não for possível conceder a tutela específica, o que o juiz deve buscar assegurar?
A obtenção do resultado prático equivalente ao adimplemento.
Código de Processo Civil, Arts. 497 e 536. Para efetivar a tutela específica ou o resultado prático equivalente, o juiz pode determinar medidas como imposição de multa, busca e apreensão, remoção de pessoas e coisas e desfazimento de obras.
Segundo o Art. 789-A da CLT, no processo de execução, de quem é a responsabilidade pelas custas e quando devem ser pagas?
A responsabilidade é sempre do executado e as custas são pagas ao final.
Princípio da Responsabilidade das Despesas Processuais pelo Executado. Este encargo é atribuído ao devedor por ter dado causa à instauração da fase executória.
Conforme o princípio da disponibilidade, qual faculdade o exequente possui no processo executivo?
A faculdade de desistir de toda a execução ou de apenas algumas medidas executivas.
Código de Processo Civil, Art. 775. A efetivação da desistência pode depender da concordância do executado, especialmente se a defesa apresentada (embargos) discutir o mérito da dívida e não apenas questões processuais.
Segundo o princípio da função social da execução trabalhista, para além da satisfação do crédito, qual deve ser a preocupação constante do processo?
A entrega da prestação jurisdicional de forma célere, justa e razoável, respeitando-se a dignidade da pessoa do exequente e do executado.
Princípio da Função Social da Execução Trabalhista. Este princípio eleva a execução a um instrumento de pacificação social, equilibrando a efetividade para o credor com o respeito ao devedor.
Conforme o Art. 889 da CLT, quais preceitos são aplicáveis subsidiariamente aos trâmites e incidentes do processo de execução trabalhista?
Os preceitos que regem o processo dos executivos fiscais para a cobrança judicial da dívida ativa da Fazenda Pública Federal.
Consolidação das Leis do Trabalho, Art. 889. Essa aplicação subsidiária ocorre naquilo em que as normas da execução fiscal não conflitarem com as disposições do Título X da CLT, que trata da execução trabalhista.
Em caso de lacuna na CLT ao disciplinar a fase de execução trabalhista, qual é a ordem de aplicação subsidiária das normas?
1º) Lei de Execução Fiscal (Lei nº 6.830/80); 2º) Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015).
Art. 889 da CLT. A aplicação do Código de Processo Civil ocorre apenas se a Lei de Execução Fiscal for omissa ou incompatível com o processo do trabalho.
A regra geral de aplicação subsidiária da Lei de Execução Fiscal antes do CPC é absoluta na execução trabalhista? Forneça um exemplo.
Não. A própria norma celetista pode impor a aplicação direta do CPC, como ocorre com a ordem preferencial de bens à penhora, que segue o art. 835 do CPC por determinação do art. 882 da CLT.
Instrução Normativa nº 39/2016 do TST, Art. 3º, XVI. A IN 39/2016 elencou diversas hipóteses de aplicação direta do CPC ao Processo do Trabalho, flexibilizando a regra geral de subsidiariedade.
Quais são os dois requisitos cumulativos que toda execução depende para ser iniciada?
1º) O inadimplemento do devedor; 2º) A existência de um título executivo judicial ou extrajudicial.
A ausência de qualquer um destes requisitos impede o início da fase ou do processo de execução, pois o título confere a exigibilidade da obrigação e o inadimplemento demonstra a necessidade da coerção estatal.
Quais são os títulos executivos judiciais previstos no âmbito do processo do trabalho?
Consolidação das Leis do Trabalho, Art. 876. Os títulos executivos judiciais são aqueles formados no bojo de um processo perante o Poder Judiciário.
De que forma a Justiça do Trabalho deve proceder para executar as contribuições sociais decorrentes das sentenças que proferir e dos acordos que homologar?
A execução será feita de ofício.
Consolidação das Leis do Trabalho, Art. 876, Parágrafo único. A execução de ofício abrange as contribuições sociais previstas no art. 195, I, ‘a’, e II, da Constituição Federal, relativas ao objeto da condenação.
Segundo a Súmula 368 do TST, como se define a competência da Justiça do Trabalho para a execução das contribuições previdenciárias?
A competência limita-se às sentenças condenatórias em pecúnia que proferir e aos valores, objeto de acordo homologado, que integrem o salário de contribuição.
TST, Súmula 368, I. O mesmo item reafirma a competência da Justiça do Trabalho para determinar o recolhimento das contribuições fiscais (Imposto de Renda).
De quem é a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e fiscais em uma condenação judicial trabalhista?
A responsabilidade pelo recolhimento é do empregador, mas isso não exime o empregado da responsabilidade pelo pagamento de sua quota-parte.
TST, Súmula 368, II. A culpa do empregador pelo atraso no pagamento das verbas remuneratórias não transfere a ele o ônus de arcar com a parte da contribuição que é devida pelo trabalhador.
Qual é a metodologia de cálculo para os descontos previdenciários devidos pelo empregado em ações trabalhistas?
O cálculo deve ser feito mês a mês, aplicando-se as alíquotas correspondentes a cada período e respeitando o teto do salário de contribuição.
TST, Súmula 368, III. Este método de cálculo busca reconstituir a situação tributária como se os pagamentos tivessem sido feitos na época correta.
Para os serviços prestados até 4 de março de 2009, qual é o fato gerador das contribuições previdenciárias em créditos trabalhistas reconhecidos em juízo?
O fato gerador é o efetivo pagamento das verbas ao credor.
TST, Súmula 368, IV. A mora se configura a partir do dia dois do mês seguinte ao da liquidação da sentença.
Para o trabalho realizado a partir de 5 de março de 2009, o que se considera o fato gerador das contribuições previdenciárias?
O fato gerador é a data da efetiva prestação dos serviços.
TST, Súmula 368, V. Nesta hipótese, os juros de mora incidem desde a prestação dos serviços, e a multa é aplicada após o fim do prazo de citação para pagamento.