Categorias funcionais das competências primárias
Há 20 competências primárias que qualquer psicólogo deve ser capaz de demonstrar. Estas podem ser agrupadas em seis categorias funcionais, que se relacionam com atividades profissionais. Estas funções são designadas de:
1. Especificação de Objetivos: estabelecer metas claras e mensuráveis para a intervenção psicológica, baseadas na compreensão das necessidades do cliente ou da população-alvo
2. Avaliação (assessment): recolha sistemática de informações relevantes para entender as questões ou problemas em um contexto social específico, utilizando uma variedade de métodos e técnicas de avaliação
3. Desenvolvimento: processo de criação e implementação de estratégias e programas com base nos resultados da avaliação
4. Intervenção: implementação de técnicas e abordagens psicológicas
5. Avaliação Final (evaluation): avaliar a eficácia e o impacto das intervenções psicológicas realizadas, com o objetivo de fazer ajustes, se necessário, e garantir a melhoria contínua da prática profissional
6. Comunicação: capacidade de transmitir informações de forma clara, precisa e ética, tanto verbalmente quanto por escrito, para clientes, colegas de trabalho e outras partes interessadas, a fim de facilitar a compreensão mútua e a colaboração eficaz
Programa de intervenção: Dimensões - Objetivos
Objetivos das intervenções Psicológicas:
* De natureza remediativa
* De natureza desenvolvimental
* De natureza preventiva
Prevenção obriga à identificação das competências necessárias no futuro e meios para as adquirir; Desenvolvimento envolve alvos saudáveis e promove o desenvolvimento de potencial
Programa de intervenção: Dimensões - Alvos
Intervenção psicológica pode ser realizada a diversos níveis (alvos):
* Individual,
* Grupal (família, amigos, equipa de trabalho),
* Organizacional,
* Comunitário.
Programa de intervenção: Dimensões - Métodos
Métodos das intervenções Psicológicas: estratégias e técnicas utilizadas para alcançar os objetivos do programa e atender às necessidades dos alvos.
Eles podem incluir uma variedade de abordagens psicológicas, como terapia cognitivo-comportamental, intervenções baseadas em habilidades sociais, técnicas de relaxamento, programas de prevenção, entre outros.
Modelo de Intervenção Psicológica (Morril, Oetting & Hurst): informação e dimensões
As funções do conselheiro devem incluir uma ampla gama de intervenções e organizá-las dentro de um “Cubo”. As intervenções de aconselhamento compreendem todas as funções do conselheiro projetadas para produzir mudanças nos clientes, grupos ou instituições.
Dimensões:
a) alvo da intervenção
b) propósito da intervenção
c) Método de intervenção
d) avaliação de necessidades e impacto
Modelo de Intervenção Psicológica (Morril, Oetting & Hurst): (a) Alvo da intervenção
O aconselhamento em grupo geralmente não reflete um esforço para mudar o grupo como uma unidade funcional, mas sim para influenciar indivíduos por meio de métodos de grupo. Intervenções voltadas para grupos, instituições e comunidades que influenciam indivíduos podem ser objetivos diretos em si mesmos. No final, tais intervenções influenciam efetivamente a qualidade de vida do indivíduo, mas o objetivo primordial de uma intervenção pode ser a estrutura do grupo ou as características organizacionais da instituição ou comunidade.
1. Individual. O alvo da intervenção pode ser o indivíduo, geralmente numa base de um para um ou em pequenos grupos. A tentativa é influenciar o indivíduo alterando seu conhecimento, atitudes, perceções, respostas…
2. Grupo Primário. Os grupos primários são unidades fundamentais de organização social que exercem uma forte influência sobre o indivíduo, como a família, casais ou amigos próximos. Eles são caracterizados por associações pessoais íntimas e contínuas, onde a proximidade emocional é mais relevante do que a proximidade física. A intervenção nesse nível visa modificar padrões de comunicação e interação, perceções, estrutura e relacionamentos nos grupos primários do indivíduo, reconhecendo seu impacto significativo no autoconceito e comportamento.
3. Grupo Associativo. São organizações mais estruturadas formadas por membros que compartilham interesses ou necessidades semelhantes. Eles se reúnem de maneira organizada para perseguir esses interesses, como em aulas, clubes ou grupos de governo estudantil. A distinção em relação ao 4º alvo é que os membros se encontram regularmente com outros membros do grupo. Intervenções neste nível visariam modificar objetivos, padrões de comunicação, interações, organização e métodos de alcançar objetivos dentro do grupo associativo.
4. Instituição ou Comunidade. Representam grupos nos quais os membros estão conscientes de sua afiliação, como escolas, cidades, organizações religiosas ou nações. Ao contrário do 3º alvo, eles não exigem necessariamente reuniões físicas. Intervenções nesse nível visam modificar objetivos, comunicações, estruturas de poder, fluxo de informações e sanções dentro dessas entidades.
Modelo de Intervenção Psicológica (Morril, Oetting & Hurst): (b) Propósito da Intervenção
Modelo de Intervenção Psicológica (Morril, Oetting & Hurst): (c) Método de Intervenção
Modelo de Intervenção Psicológica (Morril, Oetting & Hurst): Avaliação de Necessidades (diagnóstico) e Impacto
Os conselheiros são confrontados com decisões de prioridade quanto ao alvo, ao propósito e ao método de intervenção mais eficiente/eficaz. Estas questões destacam a necessidade crítica de avaliação sistemática das necessidades institucionais e individuais para planejar intervenções adequadas e devem ser seguidas por uma avaliação sistemática dos efeitos de quaisquer programas desenvolvidos.
Prevenção: O que sabemos sobre prevenção?
Modelo de Intervenção: Caplan (1964) e a Saúde Mental
Modelo de Intervenção:Prevenção IOM (U.S. Institute of Medicine, 1994)
Medidas de Prevenção Universal
* Projetadas para serem oferecidas a todos num determinado grupo populacional;
* Normalmente administradas a populações que não estão em perigo. Semelhante à intervenção primária
Medidas de Prevenção Seletiva
* Projetadas para pessoas com risco acima da média, de desenvolver distúrbios comportamentais ou emocionais.
* Esse risco pode basear-se no ambiente (ex. baixo rendimento ou conflitos familiares) ou em fatores pessoais (ex. baixa auto-estima, dificuldades na escola).
* Estas características de risco estão associadas ao desenvolvimento de distúrbios específicos, mas não são sintomas do distúrbio em si.
Medidas de Prevenção Indicada
* Direcionados a indivíduos considerados de alto risco de desenvolver distúrbios no futuro, especialmente se aparecerem precocemente sintomas do transtorno.
* Contudo, não atendem aos critérios para um diagnóstico completo de transtorno mental.
O relatório do IOM destaca a promoção da saúde mental como uma área separada e distinta da prevenção, com foco principal na autoestima e no domínio. Termos como competência, autoeficácia e capacitação individual são comumente usados para descrever esses esforços. O IOM define seu foco em relação à prevenção de distúrbios específicos, em vez de aumentar a competência geral.
Outras fases necessárias e importantes - Diagnóstico
Outras fases necessárias e importantes - Avaliação de impacto
O que é um programa?
Ex. Intervenção em Saúde.
Por “programa”, entende-se uma proposta estruturada de intervenção profissional, com base em dados da literatura científica e modelo teórico fundamentado, de modo a atingir objetivos específicos, tanto para a promoção de saúde, quanto para a prevenção de doenças, em todos os níveis (Fernandez-Ballesteros, 2001)
Modelos Sistémicos: Informações
Até a emergência da abordagem sistêmica, prevalecia a aplicação da abordagem clássica, analítica ou cartesiana. Esta concentrou-se no estudo dos elementos em si (partes homogéneas) e nas relações de causa-efeito que orientavam um sistema.
Entretanto surgiu a abordagem sistémica, que estudava a relação de cada elemento com os outros próximos, concentrando-se nas interações entre os elementos e com o funcionamento do sistema como um todo.
As interações entre os elementos do sistema mantém-se independentemente do elemento que seja (mesmo que sejam substituídos). Certas características do sistema não existem em nenhum dos elementos individuais, mas por existir uma interação entre eles.
Os eventos são compreendidos através de uma visão global, partindo do todo para os detalhes, e simulando o seu funcionamento geral, mesmo que não seja detalhado.
O método de validação sistémica é a modelagem, construindo modelos simples que representam comportamentos semelhantes à realidade observada, geralmente através de ensaios e simulações.
Para adotar este paradigma, é crucial entender os objetivos e funções dos elementos que compõem o sistema.
Pressupostos norteadores da abordagem clássica e da abordagem sistémica
Tabela (5)
Teoria Geral dos Sistemas (Bertalanffy) - Informações
A Teoria Geral dos Sistemas (TGS) foi pioneiramente desenvolvida pelo biólogo alemão Ludwig von Bertalanffy para explicar o comportamento de organismos vivos, abordando aspetos científicos e empíricos dos sistemas. Trata-se de uma teoria interdisciplinar aplicada nas mais diversas áreas do conhecimento humano e podendo ter diferentes alvos: indivíduo, grupo, organização, comunidade…
Naquela altura, as diferentes ciências não interagiam, eram estudadas de forma independente; Bertalanffy foi o primeiro a sugerir utilizar os vários sistemas para produzir resultados;
TGS- Sistemas
De acordo com Bertalanffy é o “conjunto de unidades em inter-relações mútuas”.
Um sistema caracteriza-se por um conjunto de elementos dinamicamente relacionados entre si, desempenhando uma atividade ou função para atingir um objetivo comum.
Um sistema é um todo organizado com elementos interdependentes e que opera num ambiente específico que o condiciona.
TGS- características dos sistemas
Características dos sistemas:
De forma geral, todos os sistemas apresentam quatro características:
1. Propósito ou objetivo: Todo sistema tem um ou alguns propósitos ou objetivos. Não podemos trabalhar sem um propósito, senão o sistema corre o risco de não existir.
2. Globalismo ou totalidade: Qualquer estimulação em qualquer unidade do sistema afetará todas as demais unidades.
3. Entropia: A entropia é a tendência dos sistemas para desintegração, desgaste e aumento da aleatoriedade. Conforme a entropia aumenta, os sistemas se degradam, desintegram e desaparecem.
4. Homeostasia: equilíbrio dinâmico alcançado pela autorregulação dos sistemas, mantendo variáveis dentro de limites mesmo diante de estímulos externos. Isso é feito através de mecanismos de feedback que restauram o equilíbrio perturbado, sendo a comunicação a base desse processo.
TGS - tipos de sistemas
Sistemas Fechados: não ocorrem trocas com o meio e portanto tendem à morte por entropia positiva (tendência para um sistema se degradar/desintegrar/desaparecer);
Sistemas abertos:
* Ocorre interação com o ambiente: As interações entre o sistema e o ambiente envolvem trocas de energia ou informação, chamadas de input e output. Os canais que conduzem essas trocas são chamados de canais de comunicação
* Equifinalidade (as trocas podem ser diferentes mas a finalidade é a mesma) e entropia negativa – importação de energia exterior;
o Interdependência;
o Totalidade: funcionamento global do sistema – todas as partes participam no seu funcionamento
o Sinergia: efeito final é superior à soma das partes
TGS - características dos sistemas abertos
Características dos sistemas (abertos):
1. Totalidade maior que a soma das partes, com características próprias.
2. Interdependência entre as partes.
3. Relação e integração hierárquica entre sistemas e subsistemas.
4. Autorregulação e controlo exercido pelo sistema para manter o equilíbrio.
5. Influência recíproca com o meio exterior através de energia e informação.
6. Capacidade de adaptação às mudanças do meio exterior.
7. Alcançam objetivos por meio de diferentes modos.
TGS - ideias básicas aplicadas ao contexto organizacional
Ideias básicas da TSG aplicadas ao contexto organizacional:
1. Homem Funcional: Os papéis são mais enfatizados do que as pessoas em si, e a interação entre eles é vital para a produtividade da empresa.
2. Conflitos de Papéis: As pessoas agem de acordo com os papéis que representam, gerando potenciais conflitos quando as expectativas não são atendidas.
3. Equilíbrio Integrado: Qualquer ação em uma unidade da empresa afeta todas as outras, exigindo uma resposta unificada do sistema a estímulos externos.
4. Estado Estável: A empresa busca manter uma troca de energia constante com o ambiente, alcançando estabilidade através de condições iniciais e diferentes meios
TGS - Katz & Kahn e a perspetiva sistémica de uma organização
(aplicaram a teoria geral dos sistemas a uma organização): input, transformação, output, retroalimentação – elementos de uma organização
* Sistemas como ciclo de eventos: conjunto de transações com o ambiente. As transformações resultam do funcionamento e das transações internas do sistema.
Retroalimentação: são os inputs de informação, feedback (negativo) e processo de codificação