O que é abdome agudo?
Abdome agudo caracteriza-se por uma dor abdominal, de origem abdominal, súbita ou insidiosa que leva o doente a procurar atendimento hospitalar. Essa dor é ATRAUMÁTICA. Pode precisar de tratamento cirúrgico ou não.
Alguns autores relatam tempo de duração de horas a no máximo 7 dias.
Outros autores relatam tempo de evolução menor que 8h.
O que é um falso abdome agudo
O falso abdome agudo caracteriza-se por uma dor abdominal de origem não abdominal. Exemplos:
Causa torácica:
Causa neurológica:
Desordem psiquiátrica
Quais os tipos de dor abdominal?
A cavidade peritoneal é revestida pelo peritônio, uma membrana serosa derivada do mesênquima que possui uma extensa rede capilar sanguínea e linfática, com função protetora por meio da exsudação, absorção e formação de aderências.
A membrana peritoneal divide-se em visceral e parietal.
O peritônio visceral é inervado pelo SN autônomo. As fibras são do tipo C, não mielinizado, com velocidade de 0,5 a 2,0 m/s/ São sensíveis a distensão, isquemia, tração, compressão e torção e conduzem uma dor difusa, de inicio lento e duração longa. Apresenta componente emocional e manifestações sistêmicas (náuseas, vômitos, sudorese, diminuição da PA e FR. É portanto, mal localizada, originando-se da distensão e contração das vísceras.
Já o peritônio parietal é inervado pelo SN cerebroespinhal, o mesmo da musculatura da parede abdominal. Apresentam maiores quantidades de nociceptores, com fibra do tipo A delta, mielinizado, com velocidade de 12 a 30 m/s. São estimuladas por agentes irritantes ( conteúdo gastrintestinal, urina, bile, suco pancreático, sangue, pus) e substâncias ( bradicinina, serotonina, histamina, prostaglandina e enzimas proteolíticas). Portanto a dor é bem localizada, de curta duração e com fraco componente emocional. Piora com movimento de tosse e pode acarretar contratura muscular, que é reflexa à inervação comum do peritônio parietal e da musculatura abdominal. (DOR SOMÁTICA)
O que é a lei de Stokes?
“Toda vez que a serosa que envolve uma musculatura lisa sofre irritação, está entra em paresia ou paralisia”—-relação com evolução de quadros de processo inflamatório com o desenvolvimento de óleo paralítico.
Por que algumas patologias de origem abdominal, como a apendicite, apresentam dor referida em determinados locais do abdome?
O trato gastrointestinal se origina do intestino anterior, médio e posterior, tendo cada segmento vascularização e inervação próprias; o intestino anterior compreende desde a orofaringe, até o duodeno, dando origem a pâncreas, fígado, árvore biliar e baço; o intestino médio origina o duodeno distal, jejuno, íleo, apêndice, colo ascendente e dois terços do colo transverso e, finalmente, o intestino posterior dá origem ao restante do colo e reto até a linha pectínea. De fato, a dor abdominal localizada no epigástrio teria sua origem em alguma víscera oriunda do intestino anterior; a dor abdominal localizada na região periumbilical poderia corresponder a vísceras derivadas do intestino médio e a dor abdominal localizada no hipogástrio poderia decorrer de processo patológico de alguma víscera derivada do intestino posterior.
Quais as características do abdome agudo inflamatório?
Quais as principais patologias de abdome agudo inflamatório?
Quais os exames mais utilizados no diagnóstico de um abdome agudo inflamatório?
Quais as características de abdome agudo perfurativo?
O que deve ser feito quando há suspeita forte de perfuração e não se observa pneumoperitônio?
Deve-se insuflar ar através de sonda nasogástrica e observar a presença de ar ao exame. Ou no caso de laparotomia exploratória deve-se fazer esse processo após administrar soro fisiológico na cavidade abdominal, de modo que quando o ar for injetado, bolhas serão formadas, confirmando o diagnóstico de abdome agudo perfurativo.
Qual a divisão das perfurações e quais suas características?
Podem ser divididas em perfurações altas (gastroduodenal e delgado proximal) e baixas (delgado distal e cólon).
Nas perfurações mais baixas de delgado, a dor abdominal é mais discreta e os sinais de irritação peritoneal são menos exuberantes, mas originam quadros sépticos mais precoces, em função da flora bacteriana local.
Perfurações do delgado proximal comportam-se como as gastroduodenais, com dor abdominal intensa e grande irritação peritoneal. Perfurações do intestino grosso traduzem manifestações clínicas e peritoneais intensas, com evolução rápida para peritonite fecal, devido ao conteúdo altamente infectado desse segmento.
Qual o tratamento do abdome perfurativo?
Cirúrgico
Quais as causas mais comuns de perfuração?
Quais exames mais utilizados para o diagnóstico de abdome agudo perfurativo?
Diagnóstico laboratorial:
Como é definido o abdome vascular/isquêmica?
Redução súbita do fluxo sanguíneo em determinada parte ou em todo o intestino de tal intensidade que não seja possível manter sequer o metabolismo basal, havendo consequentemente morte celular e necrose.
Qual a divisão das causas de dor abdominal vascular ?
Quais os fatores de risco para o desenvolvimento de abdome agudo vascular/isquêmico?
> 60 anos
Portadores de doença aterosclerótico
IAM recente
Arritmias cardíacas, em especial fibrilação arterial
Eventos tromboembólicos em outros segmentos do organismo
Baixo débito cardíaco como ICC
Estados hiperdinâmicos com má perfusão periférica, como na sepse
Uso de vasoconstritores
Uso de nutrição enteral, pelo aumento não regulável do consumo de oxigênio
Qual o quadro clínico do abdome agudo vascular/isquêmico?
Quais os exames indicados no abdome agudo vascular/isquêmico?
Qual o tratamento para abdome agudo vascular/isquêmico?
Reanimação agressiva (com correção da volemia, dos distúrbios eletrolíticas e suporte ventilatório), revascularização do intestino (com reversão da isquemia, se possível), além da ressecção dos segmentos inviáveis, quando o infarto já foi estabelecido. Recomenda-se antibiótico de largo espectro, prevenindo as complicações sépticas, já que as lesões isquêmicas facilitam a translocação bacteriana, e considerando que a diminuição da população bacteriana aumenta a tolerância da alça à isquemia.
Vasodilatador (papaverina) deve ser usado em todos os casos de isquemia mesentérica aguda, podendo ser o único tratamento necessário nos casos de isquemia mesentérica não oclusiva.
A abordagem cirúrgica feita por laparotomia visa reestabelecer o fluxo sanguíneo, avaliar a viabilidade do intestino (antes e depois da revascularização) e ressecar segmentos intestinais inviáveis, procurando sempre evitar a Síndrome do intestino curto.
Quais as causas de abdome agudo obstrutivo?
Quais classificações diferenciam as causas mecânicas de abdome agudo obstrutivo?
Qual a característica da obstrução intestinal mecânica simples?
As principais alterações fisiológicas do intestino com obstrução mecânica, porém com suprimento de sangue intacto, são o acúmulo de líquido e gás acima do ponto de obstrução e a alteração da motilidade intestinal, que, somados, levam a alterações sistêmicas importantes.
O movimento de líquidos entre a luz intestinal e o sangue ocorre de duas maneiras: absorção (movimento de líquido da luz intestinal para o sangue) e secreção (movimento de líquido do sangue para a luz intestinal). Após 48 horas de obstrução intestinal, o movimento de líquido é predominantemente do sangue para a luz intestinal, aumentando muito a quantidade de líquido no intestino obstruído. O mesmo fenômeno acontece com o sódio e o potássio.
O principal componente do acúmulo de líquido na alça intestinal obstruída é o aumento de secreção. Acredita-se que a distensão abdominal aumenta a secreção de prostaglandina, que, por sua vez, produz um aumento na secreção intestinal.
Caso a obstrução não se resolva, esses segmentos proximais também ficam distendidos e com a circulação e a absorção comprometidas.
A parede intestinal pode ficar bastante edemaciada a ponto de perder líquido através da serosa para a cavidade peritoneal. A quantidade de líquido e eletrólitos perdidos na parede intestinal e na cavidade peritoneal depende da extensão, da congestão venosa e edema e do tempo de obstrução. A perda mais óbvia de líquidos e eletrólitos é através do vômito ou do débito da sonda nasogástrica.
Assim que a obstrução ocorre, o peristaltismo intestinal aumenta como resposta do intestino a fim de resolver a obstrução. Após algum tempo, o peristaltismo contínuo é substituído por períodos intermitentes de peristaltismo aumentado, intercalados com períodos de acalmia.
Quais as características da obstrução com estrangulamento?
Denomina-se obstrução com estrangulamento a obstrução intestinal associada ao comprometimento da irrigação sangüínea. A compressão dos vasos do mesentério é a causa da interrupção do suprimento de sangue ao intestino, acarretando isquemia e necrose. Essa situação é mais freqüente na obstrução por aderências, hérnias ou volvo. À compressão das veias e à dificuldade do retorno venoso soma-se o problema do acúmulo de líquido e gás já descrito, levando a pequenos sangramentos na luz intestinal e na parede das alças. O segmento de intestino necrosado libera substâncias tóxicas na cavidade peritoneal e na luz do intestino.