Prova N1 Flashcards

(94 cards)

1
Q

Análise do Discurso (AD): definição básica

A

A AD estuda como os sentidos são construídos na linguagem e como refletem relações de poder, subjetividade e contexto social; olha para o que é dito, como é dito e o não-dito/pressuposto.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
2
Q

Por que AD é central na Psicologia?

A

Porque a linguagem participa da construção da identidade, media a percepção de si/do outro e orienta diagnóstico, intervenção e terapias.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
3
Q

O que a AD investiga concretamente?

A

Os enunciados em situação: quem fala, para quem, quando, onde, com que finalidade, sob quais regras sociais/ideológicas e quais efeitos de sentido produz.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
4
Q

“Metade de quem fala, metade de quem compreende” (ideia)

A

O sentido resulta do encontro entre a intenção do falante e a leitura do ouvinte; co-construção.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
5
Q

Sujeito na AD francesa

A

O sujeito é “interpelado” pela ideologia e fala a partir de posições; acredita ser origem do dizer, mas é atravessado por memória e formações discursivas.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
6
Q

Discurso e poder (Foucault)

A

Discursos não apenas descrevem o mundo; eles produzem regimes de verdade, normatizam condutas e distribuem quem pode falar/validar saberes.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
7
Q

AD aplicada a diagnósticos

A

Examinar como termos/critério “cortam” a experiência, que vozes legitimam o rótulo e que efeitos produzem (estigma, acesso, adesão).

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
8
Q

AD em prontuário/relato clínico

A

Observar escolhas lexicais (atenuações, modalizações), pronomes (culpa/responsabilidade), metáforas e silenciamentos.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
9
Q

Ethos (Aristóteles) na Psicologia

A

Construção de credibilidade/identidade do terapeuta/pesquisador no discurso (tom, referências, postura ética).

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
10
Q

Pathos (Aristóteles) na Psicologia

A

Mobilização da emoção/empatia para criar vínculo e facilitar ressignificação terapêutica.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
11
Q

Logos (Aristóteles) na Psicologia

A

Estrutura lógica/clareza de argumentos, coerência narrativa e fundamentação em evidências.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
12
Q

Ethos × Pathos × Logos: uso equilibrado

A

Intervenções eficazes combinam credibilidade (ethos), conexão emocional (pathos) e coerência/razão (logos).

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
13
Q

Implicatura/pressuposto (noções úteis)

A

Implicaturas: sentidos sugeridos pelo contexto; pressupostos: conteúdos tomados como dados no enunciado (ambos relevantes para “não-dito”).

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
14
Q

Linguagem como organizadora da subjetividade (AD2)

A

As palavras não são neutras; estruturam cognições/emoções e moldam percepções e comportamentos.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
15
Q

Saussure: signo linguístico

A

Significante (forma sonora/gráfica) + significado (conceito) unidos arbitrariamente; valor depende das relações no sistema.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
16
Q

Saussure: langue × parole

A

Langue = sistema social compartilhado; parole = uso individual na situação; AD olha para a parole situada sem perder o sistema.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
17
Q

Saussure e psicologia do sujeito

A

A identidade se negocia na parole sob regras da langue; o “eu” é co-construído na linguagem.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
18
Q

Marx: base/superestrutura na AD

A

A organização econômica molda ideologias e práticas discursivas; discurso carrega/naturaliza relações sociais.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
19
Q

Ideologia na linguagem (Marx/Pêcheux)

A

Aparece como “evidências” do senso comum (o “natural”); AD desnaturaliza e revela os interesses inscritos no dizer.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
20
Q

Naturalização do sofrimento (AD2)

A

Questão clínica: como mídia, família e instituições transformam sofrimentos em “normais” ou “patológicos” no discurso?

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
21
Q

Vozes institucionais no setting

A

Regulamentos, protocolos e jargões orientam o que se pode dizer no consultório e como se registra a fala do paciente.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
22
Q

Variação linguística (Aula 01)

A

A língua é viva e varia por história, região, grupo social e situação; competência terapêutica inclui reconhecer essas variações.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
23
Q

Língua × Fala (Aula 01)

A

Língua = código abstrato; Fala/Discurso = realização concreta situada. Interpretação clínica precisa da competência linguística e discursiva.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
24
Q

Interpretação não é só “decodificar”

A

Experiências/expectativas ativam inferências; ler é construir hipóteses de sentido (atenção a vieses!).

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
25
Leitura crítica e clínica
Identificar objetivo do texto, tese, evidências, estratégia retórica; distinguir fato, opinião, metáfora e implicaturas.
26
“Os limites da minha linguagem...” (Wittgenstein, ideia)
Quanto melhor dominamos linguagem e gêneros, mais ampliamos possibilidades de compreensão/intervenção.
27
Competência discursiva do psicólogo
Habilidade de ajustar gênero/tom/argumento ao contexto (acolhimento, devolutiva, relatório) sem perder ética e precisão.
28
Gêneros clínicos (exemplos)
Anamnese, evolução, laudo, parecer, relatório para rede; cada um com finalidades, estrutura e efeitos institucionais distintos.
29
Escolhas lexicais e poder
Adjetivos e modalidades (“parece”, “nega”, “refratário”) posicionam o paciente e regulam condutas.
30
Pronomes e responsabilização
“Ele faltou” × “A consulta não ocorreu”: pronomes apagam/acentuam agência; afetam vínculo e leitura institucional.
31
Metáforas na clínica
Metáforas estruturam experiência (“fardo”, “tempestade”); analisá-las é acessar esquemas de sentido.
32
Silenciamentos significativos
O que não aparece (ex.: raça, classe, gênero, sexualidade) pode indicar normas e tabus do campo discursivo.
33
Marcadores de pathos no discurso
Suspiros, pausas, diminutivos/hipérboles, repetições, risos; indicam afeto e orientam intervenção empática.
34
Estratégias de logos em devolutiva
Sumariar, hierarquizar evidências, checar compreensão, explicitar critérios; evita mal-entendidos.
35
Construindo ethos em consulta
Pontualidade, transparência, base científica, linguagem clara; ethos se performa, não só se declara.
36
AD e fake news de saúde
Verificar fontes, quem ganha com a mensagem, emoções acionadas e estratégias de autoridade/simplificação exagerada.
37
Norma culta × adequação contextual
Escrever tecnicamente bem sem perder acessibilidade; adequar registro a público (paciente, equipe, juiz).
38
Erro comum: tomar texto literalmente
Negligenciar ironia, implícitos e gênero; solução: identificar pistas de gênero, objetivo e audiência.
39
Erro comum: “descrever sem interpretar”
Relatar fatos sem analisar efeitos de sentido; AD exige explicitar como escolhas linguísticas produzem efeitos.
40
Passos práticos de análise (roteiro curto)
1) Contexto/condições de produção; 2) Gênero; 3) Vozes/posições; 4) Léxico/recorrências; 5) Não-ditos; 6) Efeitos de poder/subjetividade.
41
Citação vs paráfrase em relatórios
Citar resguarda a voz do paciente (polifonia); parafrasear exige sinalizar recortes e justificá-los.
42
Pressupostos típicos em clínica
“Recaída de novo” (pressupõe recaídas anteriores); “ainda” (supõe expectativa de mudança). Torná-los explícitos evita vieses.
43
Tópicos sensíveis e AD
Quando temas como raça/gênero/classe aparecem, analisar quem pode falar sobre eles e como são legitimados/invalidos.
44
Exemplo AD: “Paciente não aderente”
Perguntar: que vozes definem “aderência”? Que condições materiais/afetivas são silenciadas? Quem se responsabiliza?
45
Exemplo AD: “Impulsivo”
Que contextos acionam o rótulo? Quais metáforas o sustentam? Há alternativas de nomeação menos estigmatizantes?
46
Ética da interpretação
Interpretar é poder; assumir responsabilidade, justificar inferências e abrir espaço para resposta do sujeito.
47
AD e educação em saúde
Reformular instruções em linguagem do paciente, validar afetos (pathos) e sustentar raciocínio (logos) com ethos profissional.
48
AD e redes sociais
Formatos curtos, apelos de pathos e crenças de comunidade; analisar hashtags/memes como gêneros com normas próprias.
49
Langue/parole e intervenção
A intervenção eficaz traduz critérios técnicos (langue da profissão) para a fala situada do paciente (parole), sem perder rigor.
50
Quando usar citação literal
Quando a literalidade é clinicamente relevante (marcadores de pathos/polifonia) ou juridicamente necessária.
51
Quando priorizar síntese analítica
Quando o objetivo é organizar padrões/hipóteses para tomada de decisão com equipe/paciente.
52
Marcos de Foucault úteis
Exclusão (loucura/crime), rarefação do discurso (quem pode falar), procedimentos de controle (exame, confissão) – ferramentas para ler instituições.
53
Categorias diagnósticas como “tecnologias”
Elas classificam e regulam vidas; perguntar “como funcionam” e “a quem servem” evita naturalizações.
54
Posicionalidade do analista
Quem analisa também ocupa lugar social; reconhecer seus próprios pressupostos (evitar “voz de deus”).
55
Relação AD–Psicanálise (ponto de contato)
Ambas tomam o sujeito como dividido e a fala como sintomática; AD enfatiza historicidade/ideologia dos sentidos.
56
Relação AD–Sociolinguística (ponto de contato)
Compartilham atenção a variação e contexto, mas AD foca efeitos de sentido/poder além da descrição de variação.
57
Critérios de boa escrita clínica
Clareza, precisão terminológica, registro de contexto, distinção entre fatos e hipóteses, justificativa técnica sucinta.
58
Revisão rápida: 3 perguntas-chave
(1) Quem fala a partir de qual posição? (2) Com que vozes se articula? (3) Que efeitos de sentido/poder produz?
59
Checklist antes de entregar um texto
Objetivo claro? Público definido? Gênero adequado? Pressupostos checados? Coerência/coesão? Tom ético?
60
Estratégias para ler provas da disciplina
Ler comando antes do texto, mapear gênero/voz, sublinhar marcadores de pathos/logos, identificar condições de produção.
61
“Ler é interpretar o mundo” (Freire, ideia)
Interpretação de texto é prática de cidadania e clínica: amplia autonomia e previne manipulação.
62
Umberto Eco (ideia)
Quem lê com profundidade vive múltiplas vidas; cultivar leitura crítica amplia repertório discursivo e clínico.
63
Einstein (ideia aplicada)
Se não dá para explicar simples, não entendeu o suficiente: priorize logos claro sem perder nuances do pathos/ethos.
64
Exercício de AD em 3 passos (prática)
1) Transcreva um trecho de fala; 2) Marque vozes/pressupostos/metáforas; 3) Escreva 5 linhas de interpretação e 1 de implicação clínica.
65
Diferença entre “opinião” e “análise”
Opinião afirma; análise mostra como o texto constrói o que afirma (recursos linguísticos + contexto + efeitos).
66
Como a AD vê “neutralidade”
Neutralidade absoluta é impossível; transparência metodológica e abertura ao contraditório são a via ética.
67
Quando a AD muda conduta clínica
Quando revela que um “problema de adesão” é um problema de linguagem/posição (ex.: comunicação hierárquica que silencia dúvidas).
68
Resumo-âncora da disciplina
AD = linguagem em contexto + sujeito atravessado por ideologia + análise de formas/gêneros/vozes + efeitos de poder/subjetividade na prática psicológica.
69
Quais são os três principais nomes da Análise do Discurso? Freud
Marx e Saussure.
70
O que Freud fala sobre discurso? Para Freud
o discurso revela o inconsciente. Os lapsos
71
Qual a relação entre discurso e inconsciente em Freud? O discurso não é transparente; no que o sujeito diz
aparecem marcas do inconsciente. “O inconsciente fala”.
72
O que Marx fala sobre discurso? Para Marx
nenhum discurso é neutro: todo discurso é impregnado de ideologia. Ele reflete e reproduz as condições sociais e econômicas.
73
O que significa dizer que todo discurso é ideológico (Marx)? Que a fala carrega visões de mundo dominantes
naturaliza desigualdades e transmite valores de classe sem parecer explícito.
74
O que Saussure fala sobre discurso? Saussure destaca a linguagem como sistema de signos. O sentido se constrói pelas relações entre signos
não por essência fixa.
75
O que é signo para Saussure? O signo linguístico tem duas faces: significante (imagem acústica/palavra) e significado (conceito/ideia).
76
O que é significante? É a forma: som ou sequência de letras que compõem a palavra. Ex.: “cavalo” (sons ou letras).
77
O que é significado? É o conceito/ideia evocada pelo significante. Ex.: “cavalo” → animal de quatro patas usado para montar.
78
O que é langue para Saussure? É o sistema coletivo da língua: o código social
as regras compartilhadas.
79
O que é parole para Saussure? É o uso individual da língua em uma situação concreta. Ex.: cada pessoa falando/escrevendo.
80
O que é alienação (Marx)? É a perda da consciência crítica sobre a realidade social. O sujeito acredita ser livre em seu discurso
mas repete ideologias que o dominam.
81
Quais são os quatro “porquês”? 1) Por que = pergunta direta; 2) Porque = resposta/explicação; 3) Por quê = usado no fim da frase/pergunta; 4) Porquê = substantivo (motivo
razão).
82
Exemplo com “Por que” “Por que você não veio ontem?”
83
Exemplo com “Porque” “Não fui porque estava doente.”
84
Exemplo com “Por quê” “Você não veio
por quê?”
85
Exemplo com “Porquê” “O porquê da ausência foi explicado pelo médico.”
86
Erro comum: uso da vírgula Nunca separar sujeito do predicado: “O aluno
estudou” (errado). Correto: “O aluno estudou”.
87
Erro comum: concordância nominal “As menina bonita” (errado). Correto: “As meninas bonitas”.
88
Erro comum: concordância verbal “Eles vai viajar” (errado). Correto: “Eles vão viajar”.
89
Erro comum: regência verbal “Assistir o filme” (errado). Correto: “Assistir ao filme”.
90
Erro comum: pleonasmo vicioso “Subir para cima”
“entrar dentro” (errado). Correto: apenas “subir” ou “entrar”.
91
Erro comum: ambiguidade “Viu o homem com o telescópio.” (quem tinha o telescópio?). Deve ser reescrito para clareza.
92
Erro comum: acentuação Confundir “há” (verbo haver) com “a” (preposição). Ex.: “Estou aqui há dois dias” (tempo decorrido).
93
Erro comum: uso de porque Usar “porque” em pergunta. Correto: pergunta → “por que”; resposta → “porque”.
94
Resumo central (Freud
Marx e Saussure) Freud → discurso revela o inconsciente. Marx → discurso nunca é neutro