Agente etiologico
a espécie mais importante é a M. tuberculosis, conhecida como bacilo de Koch (BK)
caracteristicas do mycobacterium tuberculosis
é fino, ligeiramente curvo e mede de 0,5 a 3 μm. É um
bacilo álcool-ácido resistente (BAAR), aeróbio, com parede celular rica em lipídios (ácidos
micólicos e arabinogalactano), que lhe confere baixa permeabilidade, reduz a efetividade da
maioria dos antibióticos e facilita sua sobrevida nos macrófagos
É mais comum em locais que consomem
leite e derivados não pasteurizados ou não fervidos de rebanho bovino infectado; pessoas que
residem em áreas rurais e profissionais do campo (veterinários, ordenhadores, entre outros).
M. bovis
EPIDEMIOLOGIA
urbanização crescente e desordenada; desigualdade na distribuição
de renda; moradias precárias e superlotação; insegurança alimentar; baixa escolaridade;
dificuldade de acesso aos serviços públicos.
*** POPULAÇÃO VULNERÁVEL:
HIV
morador de rua
indígenas
presos
FISIOPATOLOGIA
a infecção ocorre a partir da inalação de perdigotos contendo bacilos (gotículas de Flugge)
expelidos pela tosse, fala ou espirro da pessoa com tuberculose ativa das vias aéreas
(pulmonar ou laríngea)
têm potencial para alcançar os alvéolos pulmonares, onde poderão ser fagocitados
por macrófagos e, se conseguirem sobreviver, alcançar via sistema linfático os gânglios
regionais.
posteriormente, por via hematogênica, poderão atingir diversos órgãos, produzindo lesões
a distância da via respiratória. Poucas semanas depois, ocorre uma resposta imune específica
mediada por linfócitos que ativa os macrófagos, levando à formação de granulomas com
necrose
A maioria dos indivíduos imunocompetentes consegue deter a multiplicação dos
bacilos no local de inoculação primária com poucos ou nenhum sintoma, havendo resolução
do processo, porém essa lesão pode permanecer por muitos anos com bacilos viáveis e
consideramos esse indivíduo como portador de infecção latente pelo Mtb (ILTB)
quase 90% dos casos de tuberculose são da forma
pulmonar
o resultado da infecção em um indivíduo imunocompetente que anteriormente não foi
exposto depende do desenvolvimento da imunidade antimicobacteriana mediada por
células T. Essas células T controlam a resposta do hospedeiro às bactérias e também resultam no
desenvolvimento de lesões patológicas, como granulomas caseosos e cavitação
Resumo da fisiopatologia
IFN-γ estimula a produção de NO
o IFN-γ mobiliza os peptídeos
antimicrobianos (defensinas) contra as bactérias
Por fim, o IFN-γ estimula a
autofagia, um processo que sequestra e, em seguida, destroi as organelas danificadas e
as bactérias intracelulares, como M. tuberculosis
maior fator de risco para
a progressão da doença ativa
HIV
Outras formas de imunossupressão (glicocorticoides, inibidores do TNF e transplantes)
também estão associadas a aumento do risco, assim como insuficiência renal e desnutrição
3 Tipos de tuberculose pulmonar
primária
pós primaria ( secundaria)
miliar
sintomas clássicos:
tosse persistente seca ou produtiva, febre vespertina, sudorese noturna
e emagrecimento, podem ocorrer em qualquer das 3 apresentações.
TB pulmonar primária:
normalmente ocorre em seguida ao primeiro contato do indivíduo com o bacilo e, por isso,
é mais comum em crianças.
→ manifestações clínicas podem ser insidiosas, com o paciente apresentando-se irritadiço,
com febre baixa, sudorese noturna e inapetência. Nem sempre a tosse está presente. O exame
físico pode ser inexpressivo.
TB pulmonar pós-primária ou secundária:
pode ocorrer em qualquer idade, mas é mais comum no adolescente e no adulto jovem.
Tem como característica principal a tosse seca ou produtiva
nos casos em que a tosse é produtiva, a expectoração pode ser purulenta ou mucoide, com
ou sem sangue. A febre vespertina, sem calafrios, não costuma ultrapassar os 38,5°C;
sudorese noturna e anorexia são comuns
exame físico: fácies de doença crônica e emagrecimento, embora indivíduos com bom
estado geral e sem perda do apetite também possam ter TB pulmonar. A ausculta pulmonar
pode apresentar diminuição do murmúrio vesicular, sopro anfórico ou mesmo ser normal
TB miliar:
aspecto radiológico pulmonar específico, que pode ocorrer tanto na forma primária quanto
na forma secundária da TB. É uma forma grave da doença, que é mais comum em pacientes
imunocomprometidos (pessoas infectadas com HIV em fase avançada de imunossupressão).
a apresentação clínica pode ser aguda ou subaguda, com maior frequência em crianças e
em adultos jovens. De uma forma mais incomum, a TB miliar apresenta-se como doença
crônica (idosos) ou mesmo febre de origem obscura. Os sintomas como febre, astenia,
emagrecimento e tosse ocorrem em 80% dos casos.
exame físico: pode mostrar hepatomegalia (35% dos casos), alterações do sistema nervoso
central (30%) e alterações cutâneas do tipo eritemato-máculo-pápulo-vesiculosas (incomum).
TUBERCULOSE EXTRAPULMONAR epidemio e quais os 6 tipos
as apresentações extrapulmonares da TB têm seus sinais e sintomas dependentes dos
órgãos ou sistemas acometidos. Sua ocorrência aumenta em pacientes coinfectados pelo HIV,
forma mais comum de TB extrapulmonar em pessoas não infectadas pelo HIV. Ocorre
mais em jovens e cursa com dor torácica do tipo pleurítica
→ a tríade astenia, emagrecimento e anorexia ocorre em 70% dos pacientes, e febre com
tosse seca, em 60%. Eventualmente, simula pneumonia bacteriana aguda. Nos pacientes com
maior tempo de evolução dos sintomas pode ocorrer dispneia
a hemoptise não é uma sintomatologia obrigatoriamente presente
líquido pleural:
características de exsudato, predomínio de linfócitos e baixo rendimento
tanto da pesquisa de BAAR (<5%) quanto da cultura (<15%); níveis elevados de adenosina
deaminase (ADA) no líquido pleural têm sido aceitos como critério diagnóstico
pode ter derrame pleural ao raio x
a cultura para TB do escarro induzido é positiva em até 50% dos pacientes
consequência da ruptura de uma cavidade tuberculosa para o espaço pleural e, por isso,
além de líquido no espaço pleural, muitas vezes há pneumotórax secundário à fístula
broncopleural
Diferentemente do que ocorre na TB pleural, o rendimento da baciloscopia direta e da cultura
para TB no líquido do empiema tuberculoso é alto
empiema: presença de pus na cavidade pleural
Febre, dor torácica e dispneia estão
presentes na maioria dos casos (febre é o sintoma mais frequente). Prostração, diminuição do
murmúrio vesicular, macicez à percussão do hemitórax afetado compõem o restante do
quadro clínico. No hemograma, o número de leucócitos costuma elevar-se a 15.000, com
desvio para a esquerda.
→ forma mais frequente de TB extrapulmonar em pessoas vivendo com HIV (PVHIV) e em
crianças, sendo mais comum abaixo dos 40 anos.
cursa com aumento subagudo, indolor e assimétrico das cadeias ganglionares cervicais
anterior e posterior, além da supraclavicular. Em PVHIV, o acometimento ganglionar tende a
ser bilateral, associado com maior comprometimento do estado gera
diagnóstico: obtido por meio de aspirado por agulha e/ou ressecção ganglionar, para
realização de exames bacteriológicos e histopatológicos.
responsável por 3% dos casos de TB em pacientes não infectados pelo HIV e por até 10%
em PVHIV. A meningite basal exsudativa é a apresentação clínica mais comum e é mais
frequente em crianças abaixo dos seis anos de idade. Clinicamente, pode ser subaguda ou
crônica (sinais e sintomas com duração superior a quatro semanas).
forma subaguda de TB meningoencefálica
cursa com cefaleia holocraniana, irritabilidade, alterações de
comportamento, sonolência, anorexia, vômitos e dor abdominal associados à febre, fotofobia
e rigidez de nuca por tempo superior a duas semanas.
podendo-se evidenciar sinais de hipertensão intracraniana.
forma crônica:
o paciente evolui várias semanas com cefaleia, até que o acometimento de
pares cranianos faz o médico suspeitar de meningite crônica. Ocorre doença pulmonar
concomitante em até 59% dos casos.
Outra forma de TB do sistema nervoso central é a forma
localizada (tuberculomas). Nessa apresentação, o quadro clínico é o de um processo
expansivo intracraniano de crescimento lento, com sinais e sintomas de hipertensão
intracraniana
tem apresentação clínica subaguda e geralmente não se associa à TB
pulmonar, embora possa ocorrer simultaneamente com a TB pleural. Os principais sintomas
são dor torácica, tosse seca e dispneia. Muitas vezes, a dor não se manifesta como a dor
pericárdica clássica. Pode haver febre, emagrecimento, astenia, tontura, edema de membros
inferiores, dor no hipocôndrio direito (congestão hepática) e aumento do volume abdominal
(ascite). Raramente a TB pericárdica evolui com sinais clínicos de tamponamento cardíaco
mais comum em crianças
ou em pessoas entre a quarta e a quinta década de vida
Atinge mais a coluna vertebral e as
articulações coxofemoral e do joelho, embora possa ocorrer em outros locais
A TB de coluna
(mal de Pott) é responsável por cerca de 1% de todos os casos de TB e até 50% de todos os
casos de TB óssea. Ela afeta mais comumente a coluna torácica baixa e a lombar
seu quadro clínico apresenta-se com a tríade dor lombar, dor à palpação local e sudorese noturna.