HIV Flashcards

(97 cards)

1
Q

Um homem HSH jovem, com múltiplos parceiros e uso inconsistente de preservativos, busca aconselhamento sobre prevenção do HIV. Ele é soronegativo. Qual estratégia preventiva consiste no uso de antirretrovirais (ARV) antes de uma potencial exposição para reduzir o risco de aquisição do vírus?

A

Diagnóstico: Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).

Fisiopatologia (Step 1): A PrEP utiliza ARVs (como Tenofovir/Emtricitabina) que atingem concentrações teciduais e celulares protetoras antes da exposição ao HIV. Se o vírus entrar, os fármacos já presentes inibem a transcriptase reversa, impedindo a replicação viral e a integração do DNA proviral no genoma da célula hospedeira (linfócitos T CD4+), abortando o estabelecimento da infecção sistêmica.

Manejo (Step 2): A PrEP é indicada para populações com risco substancial de aquisição do HIV, após exclusão rigorosa da infecção aguda ou crônica pelo vírus (teste de 4ª geração ou carga viral). Requer acompanhamento regular (ex: a cada 3 meses) para monitorar a adesão, reavaliar o risco, testar para ISTs e monitorar a função renal (devido ao Tenofovir).

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2
Q

Um profissional de saúde sofre um acidente percutâneo com agulha contaminada por sangue de um paciente sabidamente HIV positivo. Qual é a conduta imediata, qual o prazo máximo para iniciá-la e qual a duração do esquema?

A

Diagnóstico: Iniciar Profilaxia Pós-Exposição (PEP) com antirretrovirais (ARV) imediatamente, idealmente nas primeiras 2 horas, e no máximo em até 72 horas após a exposição. A duração do regime é de 28 dias.

Fisiopatologia (Step 1): A PEP visa interceptar o vírus após a inoculação, mas antes que ele estabeleça uma infecção sistêmica disseminada e reservatórios latentes. Os ARVs bloqueiam a replicação viral localmente (no sítio da inoculação e nos linfonodos regionais), dando ao sistema imune a chance de eliminar o vírus antes da infecção crônica se estabelecer. A janela de 72 horas é crítica, pois após isso a disseminação viral e o estabelecimento de reservatórios são prováveis.

Manejo (Step 2): A indicação da PEP baseia-se na avaliação do risco da exposição (tipo de fluido, tipo de acidente) e no status sorológico da fonte. O profissional exposto deve realizar testes de HIV no momento basal (tempo zero), 6 semanas, 3 meses e, em alguns protocolos, 6 meses pós-exposição. Aconselhamento sobre prevenção (sexo seguro) é mandatório durante o período de acompanhamento.

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3
Q

Um paciente de 30 anos recebe o diagnóstico de infecção pelo HIV. Seus exames iniciais mostram uma contagem de T CD4+ de 650 células/mm³ e uma carga viral de 15.000 cópias/mL. Ele está assintomático. Qual é a recomendação atual para o início da Terapia Antirretroviral (TARV) neste paciente?

A

Diagnóstico: Iniciar a Terapia Antirretroviral (TARV) imediatamente (ou o mais rápido possível), independentemente da contagem de T CD4+ ou da presença de sintomas.

Fisiopatologia (Step 1): A recomendação “Tratar Todas” (Treat All) baseia-se na compreensão de que a replicação viral do HIV é um processo contínuo que causa inflamação crônica, disfunção imune progressiva e depleção de CD4 (mesmo em contagens “altas”). A replicação persistente leva a danos em órgãos-alvo e aumenta a incidência de doenças não definidoras de AIDS (cardiovasculares, renais, hepáticas). A TARV suprime a replicação, reduzindo a inflamação e a morbidade.

Manejo (Step 2): O início imediato da TARV melhora os desfechos clínicos individuais (aumenta sobrevida, reduz doenças secundárias) e tem um benefício de saúde pública (Prevenção como Tratamento - TasP), pois um paciente com carga viral indetectável não transmite o vírus (I=I: Indetectável = Intransmissível). O objetivo é iniciar a TARV idealmente no mesmo dia ou na mesma semana do diagnóstico.

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4
Q

Paciente vivendo com HIV apresenta-se para acompanhamento com exames mostrando contagem de linfócitos T CD4+ de 180 células/mm³. Ele está assintomático e sem história de infecções oportunistas prévias. Qual profilaxia primária para infecção oportunista está indicada neste momento?

A

Diagnóstico: Profilaxia primária para Pneumocistose (infecção por Pneumocystis jirovecii - PCP), tipicamente com Sulfametoxazol-Trimetoprima (SMX-TMP) em dose diária.

Fisiopatologia (Step 1): O Pneumocystis jirovecii é um fungo oportunista. Em indivíduos imunocompetentes, a exposição é controlada. No entanto, quando a imunidade celular (mediada por T CD4+) cai abaixo do limiar crítico de 200 células/mm³, o hospedeiro não consegue mais controlar a replicação do fungo nos alvéolos pulmonares, levando à pneumonia intersticial grave (PCP). A profilaxia suprime o microrganismo antes que ele possa causar doença ativa.

Manejo (Step 2): A profilaxia primária com SMX-TMP é indicada para todos os pacientes com CD4 < 200 células/mm³ (ou <14% do total de linfócitos) ou com história de candidíase orofaríngea. O SMX-TMP também oferece proteção contra a Neurotoxoplasmose (cuja profilaxia primária é indicada se CD4 < 100 e IgG positiva para Toxo). A profilaxia pode ser suspensa quando a TARV reconstituir o sistema imune (CD4 > 200 por pelo menos 3 meses).

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5
Q

Paciente vivendo com HIV, com adesão irregular à TARV, apresenta contagem de CD4 de 80 células/mm³. O exame de sorologia (IgG) para Toxoplasma gondii é positivo. Qual conduta profilática é mandatória neste cenário para prevenir uma complicação neurológica grave?

A

Diagnóstico: Profilaxia primária para Neurotoxoplasmose (Toxoplasmose cerebral), geralmente com Sulfametoxazol-Trimetoprima (SMX-TMP).

Fisiopatologia (Step 1): A sorologia IgG positiva indica infecção latente prévia por T. gondii (presença de cistos teciduais, principalmente no cérebro e músculo). A imunodeficiência celular grave (CD4 < 100) permite a reativação desses cistos latentes. Os taquizoítos liberados causam encefalite necrosante focal, resultando em lesões com efeito de massa e realce anelar vistas na neuroimagem. A profilaxia impede essa reativação.

Manejo (Step 2): A profilaxia é indicada se CD4 < 100 células/mm³ E IgG para Toxo for positiva. O esquema preferencial é SMX-TMP (dose única diária), que neste paciente (CD4=80) já deveria estar em uso para profilaxia de Pneumocistose (indicada com CD4 < 200). Se o paciente for alérgico a sulfa, opções alternativas (ex: Dapsone + Pirimetamina + Leucovorin) são necessárias. A profilaxia é mantida até o CD4 > 200 por pelo menos 3 meses.

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6
Q

Paciente vivendo com HIV (em TARV com esquema baseado em Inibidor de Integrase) é diagnosticado com Tuberculose pulmonar ativa. O esquema padrão para TB (RIPE) inclui Rifampicina. Qual é a principal preocupação farmacocinética ao iniciar este tratamento combinado?

A

Diagnóstico: Interação medicamentosa significativa entre a Rifampicina e diversos componentes da TARV (especialmente Inibidores de Protease e alguns Inibidores de Integrase, como Dolutegravir ou Bictegravir).

Fisiopatologia (Step 1): A Rifampicina é um potente indutor das enzimas do citocromo P450 (CYP450, especialmente CYP3A4) e da UGT1A1 no fígado. Muitos antirretrovirais (ARVs) são metabolizados por essas vias. A indução enzimática pela Rifampicina acelera drasticamente o metabolismo dos ARVs, reduzindo suas concentrações plasmáticas a níveis subterapêuticos, o que leva à falha virológica e risco de desenvolvimento de resistência viral.

Manejo (Step 2): O manejo requer ajuste da TARV. Se o paciente usa Dolutegravir (DTG), a dose do DTG deve ser aumentada (ex: 50mg 12/12h) para compensar a indução pela Rifampicina. Se usar Inibidores de Protease (IP), a Rifampicina é frequentemente contraindicada e deve ser substituída pela Rifabutina (um indutor menos potente). Alternativamente, o esquema de TARV pode ser trocado para um menos suscetível (ex: Efavirenz), se clinicamente apropriado.

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7
Q

Paciente é diagnosticado simultaneamente com HIV (CD4=40) e Tuberculose meníngea. O tratamento para TB (RIPE) é iniciado. Duas semanas depois, a TARV é introduzida. Após 10 dias de TARV, o paciente retorna com febre alta, piora da cefaleia e rigidez de nuca. Qual fenômeno é o mais provável?

A

Diagnóstico: Síndrome Inflamatória da Reconstituição Imune (SIRI), também conhecida como reação paradoxal.

Fisiopatologia (Step 1): A SIRI ocorre quando a TARV é iniciada em um paciente gravemente imunossuprimido (CD4 baixo) com uma infecção oportunista (como TB) concomitante. A TARV restaura rapidamente a função imune (aumento de CD4). O sistema imune “recuperado” reconhece antígenos do M. tuberculosis (mortos ou vivos) e monta uma resposta inflamatória exacerbada contra eles, causando piora clínica paradoxal, apesar do tratamento microbiologicamente eficaz da TB.

Manejo (Step 2): O manejo da SIRI-TB envolve excluir outras causas (falha no tratamento da TB, outra OI). O tratamento é sintomático; a TARV e o RIPE devem ser mantidos. Em casos graves (ex: SIRI neurológica, obstrução de vias aéreas), corticosteroides (ex: Prednisona) são usados para suprimir a resposta inflamatória exacerbada. O momento de iniciar a TARV na coinfecção com TB depende do CD4 (iniciar em <2 semanas se CD4 < 50, mas adiar por 2-8 semanas se TB meníngea, devido ao alto risco de SIRI neurológica fatal).

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Um homem HSH jovem, com múltiplos parceiros e uso inconsistente de preservativos, busca aconselhamento sobre prevenção do HIV. Ele é soronegativo. Qual estratégia preventiva consiste no uso de antirretrovirais (ARV) antes de uma potencial exposição para reduzir o risco de aquisição do vírus?

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Diagnóstico: Profilaxia Pré-Exposição (PrEP).

Fisiopatologia (Step 1): A PrEP utiliza ARVs (como Tenofovir/Emtricitabina) que atingem concentrações teciduais e celulares protetoras antes da exposição ao HIV. Se o vírus entrar, os fármacos já presentes inibem a transcriptase reversa, impedindo a replicação viral e a integração do DNA proviral no genoma da célula hospedeira (linfócitos T CD4+), abortando o estabelecimento da infecção sistêmica.

Manejo (Step 2): A PrEP é indicada para populações com risco substancial de aquisição do HIV, após exclusão rigorosa da infecção aguda ou crônica pelo vírus (teste de 4ª geração ou carga viral). Requer acompanhamento regular (ex: a cada 3 meses) para monitorar a adesão, reavaliar o risco, testar para ISTs e monitorar a função renal (devido ao Tenofovir).

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: Um profissional de saúde sofre um acidente percutâneo com agulha contaminada por sangue de um paciente sabidamente HIV positivo. Qual é a conduta imediata, qual o prazo máximo para iniciá-la e qual a duração do esquema?

A

Diagnóstico: Iniciar Profilaxia Pós-Exposição (PEP) com antirretrovirais (ARV) imediatamente, idealmente nas primeiras 2 horas, e no máximo em até 72 horas após a exposição. A duração do regime é de 28 dias.

Fisiopatologia (Step 1): A PEP visa interceptar o vírus após a inoculação, mas antes que ele estabeleça uma infecção sistêmica disseminada e reservatórios latentes. Os ARVs bloqueiam a replicação viral localmente (no sítio da inoculação e nos linfonodos regionais), dando ao sistema imune a chance de eliminar o vírus antes da infecção crônica se estabelecer. A janela de 72 horas é crítica, pois após isso a disseminação viral e o estabelecimento de reservatórios são prováveis.

Manejo (Step 2): A indicação da PEP baseia-se na avaliação do risco da exposição (tipo de fluido, tipo de acidente) e no status sorológico da fonte. O profissional exposto deve realizar testes de HIV no momento basal (tempo zero), 6 semanas, 3 meses e, em alguns protocolos, 6 meses pós-exposição. Aconselhamento sobre prevenção (sexo seguro) é mandatório durante o período de acompanhamento.

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Um paciente de 30 anos recebe o diagnóstico de infecção pelo HIV. Seus exames iniciais mostram uma contagem de T CD4+ de 650 células/mm³ e uma carga viral de 15.000 cópias/mL. Ele está assintomático. Qual é a recomendação atual para o início da Terapia Antirretroviral (TARV) neste paciente?

A

Diagnóstico: Iniciar a Terapia Antirretroviral (TARV) imediatamente (ou o mais rápido possível), independentemente da contagem de T CD4+ ou da presença de sintomas.

Fisiopatologia (Step 1): A recomendação “Tratar Todas” (Treat All) baseia-se na compreensão de que a replicação viral do HIV é um processo contínuo que causa inflamação crônica, disfunção imune progressiva e depleção de CD4 (mesmo em contagens “altas”). A replicação persistente leva a danos em órgãos-alvo e aumenta a incidência de doenças não definidoras de AIDS (cardiovasculares, renais, hepáticas). A TARV suprime a replicação, reduzindo a inflamação e a morbidade.

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Paciente vivendo com HIV apresenta-se para acompanhamento com exames mostrando contagem de linfócitos T CD4+ de 180 células/mm³. Ele está assintomático e sem história de infecções oportunistas prévias. Qual profilaxia primária para infecção oportunista está indicada neste momento?

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Fisiopatologia (Step 1): O Pneumocystis jirovecii é um fungo oportunista. Em indivíduos imunocompetentes, a exposição é controlada. No entanto, quando a imunidade celular (mediada por T CD4+) cai abaixo do limiar crítico de 200 células/mm³, o hospedeiro não consegue mais controlar a replicação do fungo nos alvéolos pulmonares, levando à pneumonia intersticial grave (PCP). A profilaxia suprime o microrganismo antes que ele possa causar doença ativa.

Manejo (Step 2): A profilaxia primária com SMX-TMP é indicada para todos os pacientes com CD4 < 200 células/mm³ (ou <14% do total de linfócitos) ou com história de candidíase orofaríngea. O SMX-TMP também oferece proteção contra a Neurotoxoplasmose (cuja profilaxia primária é indicada se CD4 < 100 e IgG positiva para Toxo). A profilaxia pode ser suspensa quando a TARV reconstituir o sistema imune (CD4 > 200 por pelo menos 3 meses).

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Paciente vivendo com HIV, com adesão irregular à TARV, apresenta contagem de CD4 de 80 células/mm³. O exame de sorologia (IgG) para Toxoplasma gondii é positivo. Qual conduta profilática é mandatória neste cenário para prevenir uma complicação neurológica grave?

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Diagnóstico: Profilaxia primária para Neurotoxoplasmose (Toxoplasmose cerebral), geralmente com Sulfametoxazol-Trimetoprima (SMX-TMP).

Fisiopatologia (Step 1): A sorologia IgG positiva indica infecção latente prévia por T. gondii (presença de cistos teciduais, principalmente no cérebro e músculo). A imunodeficiência celular grave (CD4 < 100) permite a reativação desses cistos latentes. Os taquizoítos liberados causam encefalite necrosante focal, resultando em lesões com efeito de massa e realce anelar vistas na neuroimagem. A profilaxia impede essa reativação.

Manejo (Step 2): A profilaxia é indicada se CD4 < 100 células/mm³ E IgG para Toxo for positiva. O esquema preferencial é SMX-TMP (dose única diária), que neste paciente (CD4=80) já deveria estar em uso para profilaxia de Pneumocistose (indicada com CD4 < 200). Se o paciente for alérgico a sulfa, opções alternativas (ex: Dapsone + Pirimetamina + Leucovorin) são necessárias. A profilaxia é mantida até o CD4 > 200 por pelo menos 3 meses.

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Paciente vivendo com HIV (em TARV com esquema baseado em Inibidor de Integrase) é diagnosticado com Tuberculose pulmonar ativa. O esquema padrão para TB (RIPE) inclui Rifampicina. Qual é a principal preocupação farmacocinética ao iniciar este tratamento combinado?

A

Diagnóstico: Interação medicamentosa significativa entre a Rifampicina e diversos componentes da TARV (especialmente Inibidores de Protease e alguns Inibidores de Integrase, como Dolutegravir ou Bictegravir).

Fisiopatologia (Step 1): A Rifampicina é um potente indutor das enzimas do citocromo P450 (CYP450, especialmente CYP3A4) e da UGT1A1 no fígado. Muitos antirretrovirais (ARVs) são metabolizados por essas vias. A indução enzimática pela Rifampicina acelera drasticamente o metabolismo dos ARVs, reduzindo suas concentrações plasmáticas a níveis subterapêuticos, o que leva à falha virológica e risco de desenvolvimento de resistência viral.

Manejo (Step 2): O manejo requer ajuste da TARV. Se o paciente usa Dolutegravir (DTG), a dose do DTG deve ser aumentada (ex: 50mg 12/12h) para compensar a indução pela Rifampicina. Se usar Inibidores de Protease (IP), a Rifampicina é frequentemente contraindicada e deve ser substituída pela Rifabutina (um indutor menos potente). Alternativamente, o esquema de TARV pode ser trocado para um menos suscetível (ex: Efavirenz), se clinicamente apropriado.

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Paciente é diagnosticado simultaneamente com HIV (CD4=40) e Tuberculose meníngea. O tratamento para TB (RIPE) é iniciado. Duas semanas depois, a TARV é introduzida. Após 10 dias de TARV, o paciente retorna com febre alta, piora da cefaleia e rigidez de nuca. Qual fenômeno é o mais provável?

A

Diagnóstico: Síndrome Inflamatória da Reconstituição Imune (SIRI), também conhecida como reação paradoxal.

Fisiopatologia (Step 1): A SIRI ocorre quando a TARV é iniciada em um paciente gravemente imunossuprimido (CD4 baixo) com uma infecção oportunista (como TB) concomitante. A TARV restaura rapidamente a função imune (aumento de CD4). O sistema imune “recuperado” reconhece antígenos do M. tuberculosis (mortos ou vivos) e monta uma resposta inflamatória exacerbada contra eles, causando piora clínica paradoxal, apesar do tratamento microbiologicamente eficaz da TB.

Manejo (Step 2): O manejo da SIRI-TB envolve excluir outras causas (falha no tratamento da TB, outra OI). O tratamento é sintomático; a TARV e o RIPE devem ser mantidos. Em casos graves (ex: SIRI neurológica, obstrução de vias aéreas), corticosteroides (ex: Prednisona) são usados para suprimir a resposta inflamatória exacerbada. O momento de iniciar a TARV na coinfecção com TB depende do CD4 (iniciar em <2 semanas se CD4 < 50, mas adiar por 2-8 semanas se TB meníngea, devido ao alto risco de SIRI neurológica fatal).

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15
Q

Um paciente é diagnosticado com HIV-1. O vírus demonstra tropismo inicial por macrófagos (M-trópico). Além do receptor CD4, qual co-receptor o vírus utiliza predominantemente para mediar a entrada na célula hospedeira neste estágio?

A

Diagnóstico: Co-receptor CCR5.

Fisiopatologia (Step 1): O HIV-1 se liga ao receptor primário CD4 (presente em linfócitos T auxiliares, monócitos/macrófagos e células dendríticas). Essa ligação inicial induz uma mudança conformacional na glicoproteína viral (gp120, codificada pelo gene env), expondo um sítio que se liga a um co-receptor de quimiocina. O HIV M-trópico usa o CCR5, enquanto o T-trópico (geralmente mais tardio na doença) usa o CXCR4. A fusão da membrana viral (mediada pela gp41) ocorre após essa dupla ligação.

Manejo (Step 2): O tropismo pelo CCR5 é a base para o uso de uma classe de ARV chamada “antagonistas de CCR5” (inibidores de entrada), como o Maraviroc. Antes de iniciar esta droga, um teste de tropismo viral é obrigatório para confirmar que o vírus do paciente utiliza exclusivamente o CCR5. Se o vírus usar CXCR4 (X4-trópico ou dual-trópico), a droga será ineficaz.

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16
Q

Quais são as três enzimas virais essenciais, codificadas pelo gene pol, que o HIV utiliza para completar seu ciclo replicativo dentro da célula hospedeira e que servem como os principais alvos da Terapia Antirretroviral (TARV)?

A

Diagnóstico: Transcriptase Reversa (TR), Integrase (IN) e Protease (PR).

Fisiopatologia (Step 1): 1) A Transcriptase Reversa (uma RNA-polimerase DNA-dependente e DNA-polimerase RNA-dependente) converte o RNA genômico viral em DNA de fita dupla (cDNA). 2) A Integrase transporta o cDNA para o núcleo e o insere (integra) no genoma da célula hospedeira, criando um “provírus” latente e permanente. 3) A Protease cliva as longas poliproteínas virais (gag-pol) em proteínas estruturais e enzimáticas maduras, permitindo a montagem de novos vírions infecciosos.

Manejo (Step 2): A TARV moderna (HAART) quase sempre combina fármacos que inibem essas enzimas. As classes principais são ITRN/ITRNN (Inibidores da Transcriptase Reversa, análogos ou não de nucleosídeos), INSTI (Inibidores da Integrase - ex: Dolutegravir) e IP (Inibidores da Protease - ex: Darunavir). A supressão de qualquer um desses passos interrompe a produção viral eficaz.

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17
Q

Um paciente de 25 anos apresenta febre, linfadenopatia generalizada, faringite e um rash maculopapular 3 semanas após uma exposição sexual de risco. Testes rápidos de anticorpos são negativos, mas a carga viral (PCR) é >1.000.000 cópias/mL. Por que este paciente tem o maior risco de transmitir o vírus neste momento?

A

Diagnóstico: Infecção Aguda pelo HIV (Síndrome Retroviral Aguda).

Fisiopatologia (Step 1): Esta fase (infecção aguda) é caracterizada por uma replicação viral maciça e descontrolada, antes que o sistema imune adaptativo (anticorpos neutralizantes e resposta de células T citotóxicas) tenha tempo de se desenvolver e conter parcialmente o vírus. A carga viral (viremia) no plasma e nas secreções genitais atinge seu pico absoluto durante esta janela, tornando o indivíduo extremamente infeccioso.

Manejo (Step 2): O risco de transmissão é diretamente proporcional à carga viral. O diagnóstico nesta fase é crucial e depende de testes de antígeno (p24) ou testes de ácido nucleico (PCR/Carga Viral), pois os anticorpos (testes rápidos, ELISA de 3ª geração) ainda estão na “janela imunológica” e podem ser falsamente negativos. O início imediato da TARV (Tratamento como Prevenção - TasP) é recomendado para reduzir a morbidade e a transmissão.

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18
Q

Um casal sorodiscordante (homem HIV+, mulher HIV-) deseja ter filhos. O homem está em Terapia Antirretroviral (TARV) há 2 anos, com Carga Viral indetectável (<50 cópias/mL) nos últimos 18 meses. Qual é o risco de transmissão sexual do HIV para a parceira se tiverem relações sexuais desprotegidas?

A

Diagnóstico: Risco de transmissão sexual zero (Indetectável = Intransmissível; I=I ou U=U).

Fisiopatologia (Step 1): A TARV suprime a replicação viral sistemicamente. Isso reduz a quantidade de HIV não apenas no sangue, mas também nos reservatórios e fluidos do trato genital (esperma). Abaixo do limiar de detecção (<50 cópias), a quantidade de vírus infeccioso livre nas secreções sexuais é nula ou insuficiente para estabelecer uma nova infecção no parceiro, mesmo com exposição repetida.

Manejo (Step 2): O conceito I=I (confirmado por grandes estudos como PARTNER e HPTN 052) é uma pedra angular da prevenção (TasP) e do aconselhamento. A manutenção da adesão rigorosa à TARV pelo parceiro positivo é a estratégia de prevenção mais eficaz para o casal, permitindo a concepção sem risco de transmissão sexual. Aconselhamento sobre adesão é crítico.

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19
Q

Uma gestante vivendo com HIV recebeu TARV adequada durante a gestação e no parto, atingindo carga viral indetectável no terceiro trimestre. Após o nascimento, qual é a orientação no Brasil referente à amamentação e por quê?

A

Diagnóstico: A amamentação está contraindicada. A lactação deve ser inibida (ex: Cabergolina) e o recém-nascido deve receber fórmula láctea.

Fisiopatologia (Step 1): O conceito I=I (Indetectável = Intransmissível) NÃO se aplica cientificamente à amamentação. Embora a TARV reduza a carga viral no leite materno (vírus livre), o HIV pode ser transmitido através de células infectadas (linfócitos) presentes no leite (transmissão célula-a-célula). A carga viral plasmática indetectável não garante a ausência de transmissão por essa via celular.

Manejo (Step 2): Esta é uma exceção crítica ao I=I. A política no Brasil e em países com acesso seguro à fórmula e água potável é a contraindicação absoluta da amamentação para mães HIV+ para eliminar o risco de transmissão vertical pós-natal. A Cabergolina (agonista dopaminérgico) é usada para suprimir a prolactina e inibir a lactação. O RN também receberá profilaxia antirretroviral (ex: Zidovudina) dependendo do risco

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20
Q

Um paciente usuário de drogas injetáveis apresenta-se com fraqueza progressiva e espasticidade em membros inferiores, hiperreflexia e Sinal de Babinski bilateral. A RM da coluna mostra lesões desmielinizantes na medula torácica. O teste para HIV é negativo. Qual outro retrovírus, que compartilha as vias de transmissão do HIV, é a causa provável desta condição?

A

Diagnóstico: Vírus Linfotrópico de Células T Humanas tipo 1 (HTLV-1), causando Paraparesia Espástica Tropical (PET) ou Mielopatia Associada ao HTLV-1 (HAM).

Fisiopatologia (Step 1): O HTLV-1, assim como o HIV, é um retrovírus transmitido por via sexual, parenteral (sangue) e vertical (principalmente amamentação). Diferente do HIV (que é citopático), o HTLV-1 é um vírus “transformador” que infecta cronicamente linfócitos T CD4+, levando à proliferação clonal (causando Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto - ATLL) ou a uma resposta inflamatória crônica no SNC (causando a PET/HAM).

Manejo (Step 2): O diagnóstico é feito por sorologia (ELISA) e confirmado por Western Blot ou PCR. A PET/HAM é uma doença neurológica crônica e debilitante. Ao contrário do HIV, não há terapia antirretroviral curativa ou supressiva universalmente eficaz para o HTLV-1. O manejo da PET/HAM foca em reabilitação e, em alguns casos, imunossupressão (corticosteroides) para reduzir a resposta inflamatória medular.

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21
Q

Um paciente recém-diagnosticado com HIV apresenta contagem de CD4 de 150 células/mm³. A RM de crânio revela múltiplas lesões focais com realce anelar no gânglio da base. O paciente também testa positivo para IgG para Toxoplasma gondii. Qual é a relação entre a alta variabilidade do gene env do HIV e a falha em controlar infecções oportunistas como esta?

A

Diagnóstico: (Conceito-chave) A alta variabilidade do gene env leva à evasão da resposta imune e à destruição progressiva dos linfócitos T CD4+. A Neurotoxoplasmose é uma reativação de infecção latente devido à falha dessa imunidade celular.

Fisiopatologia (Step 1): O gene env codifica a gp120 e a gp41, as glicoproteínas de superfície. Esta região é hipervariável devido à alta taxa de mutação da Transcriptase Reversa (que não tem revisão) e à pressão seletiva do sistema imune. Essa variabilidade constante permite que o HIV evite anticorpos neutralizantes (evasão imune), levando à infecção crônica e à destruição contínua de T CD4+. Quando o CD4 cai < 100-200, a imunidade celular colapsa, permitindo a reativação de patógenos latentes (como o T. gondii).

Manejo (Step 2): A variabilidade do env é o maior desafio para o desenvolvimento de uma vacina eficaz contra o HIV. Clinicamente, o manejo do paciente (com CD4 < 200 e lesões sugestivas de Toxo) requer o início imediato do tratamento empírico para Neurotoxoplasmose (Sulfadiazina + Pirimetamina + Ácido Folínico) e, simultaneamente, o início da TARV (embora o momento exato de iniciar a TARV em relação à OI seja debatido, geralmente é feito precocemente).

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22
Q

Um profissional de saúde pública analisa os dados de HIV no Brasil e nota que, embora a prevalência na população geral seja intermediária (0,8%), o número de novos casos anuais (cerca de 40.000) está estável, não diminuindo. Em quais grupos populacionais a epidemia brasileira está primariamente concentrada?

A

Diagnóstico: A epidemia brasileira é “concentrada” nas populações-chave: homens que fazem sexo com homens (HSH, especialmente jovens), pessoas que usam drogas, profissionais do sexo e pessoas trans.

Fisiopatologia (Step 1): (Adaptação Teórica) A concentração da epidemia em populações-chave ocorre por uma combinação de maior vulnerabilidade biológica (ex: maior eficiência de transmissão em certas práticas) e vulnerabilidades sociais (estigma, barreiras de acesso à saúde, pobreza, discriminação), que aumentam os comportamentos de risco e dificultam a adesão à prevenção e ao tratamento.

Manejo (Step 2): (Adaptação Teórica) As estratégias de saúde pública devem ser direcionadas e priorizadas para essas populações-chave. Isso inclui a expansão de testagem, a oferta facilitada de Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e o engajamento rápido no tratamento (TasP - Tratamento como Prevenção) para suprimir a carga viral da comunidade e interromper a cadeia de transmissão.

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23
Q

Ao discutir a epidemiologia do HIV no Brasil, afirma-se que a epidemia está “estabilizada” com cerca de 40.000 novos casos anuais. Do ponto de vista da saúde pública, por que este cenário é considerado um problema e quais duas estratégias principais são necessárias para reverter este platô?

A

Diagnóstico: (Conceito-chave) “Estabilizada” é problemático porque o objetivo é a diminuição de novas infecções, não a manutenção de um platô elevado. A estabilização indica que as medidas de prevenção atuais são insuficientes para controlar a epidemia.

Fisiopatologia (Step 1): (Adaptação Teórica) Um platô epidêmico (incidência estável) sugere que o Número de Reprodução Básico (R0) da infecção está efetivamente em torno de 1. A falha em reduzi-lo abaixo de 1 deve-se a uma lacuna contínua na prevenção (falha na testagem, falha na adesão à PrEP) e no tratamento (pacientes não diagnosticados ou não suprimidos viralmente), permitindo que a transmissão continue.

Manejo (Step 2): (Adaptação Teórica) Para reduzir a incidência (quebrar o platô), é necessário intensificar as duas principais “armas”: 1) Expansão da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) para indivíduos de alto risco soronegativos e 2) Aprimoramento do “Tratamento como Prevenção” (TasP), garantindo diagnóstico precoce e adesão à TARV para atingir I=I (Indetectável = Intransmissível).

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24
Q

Qual é a estimativa da OMS (dados de ~2016) para o número total de pessoas vivendo com HIV (PVHIV) no mundo e, apesar do número significativo de mortes anuais (cerca de 1 milhão), qual foi a tendência observada na mortalidade relacionada à AIDS entre 2010 e 2016?

A

Diagnóstico: (Conceito-chave) Estima-se 36,7 milhões de pessoas vivendo com HIV no mundo. A tendência observada na mortalidade foi de queda importante (ex: de 1,5 milhão em 2010 para 1 milhão em 2016).

Fisiopatologia (Step 1): (Adaptação Teórica) A queda na mortalidade global, apesar do aumento ou estabilização do número total de PVHIV (prevalência), deve-se ao sucesso da Terapia Antirretroviral (TARV). A TARV impede a progressão da infecção para AIDS, reconstituindo o sistema imune (aumento de CD4) e prevenindo infecções oportunistas e neoplasias que são a causa de morte.

Manejo (Step 2): (Adaptação Teórica) O sucesso na redução da mortalidade depende diretamente da expansão do acesso global à TARV. O desafio de saúde pública é atingir as metas 95-95-95 (95% diagnosticados, 95% em tratamento, 95% suprimidos), pois isso não só salva vidas (reduz mortalidade) como também previne novas infecções (TasP).

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25
Um homem HSH jovem, soronegativo para HIV, relata múltiplas parcerias sexuais e uso inconsistente de preservativo. Ele busca prevenção. Qual estratégia farmacológica, usando a combinação TDF/FTC, é indicada, e qual o seu mecanismo de ação central?
Diagnóstico: Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) com TDF (Tenofovir) e FTC (Emtricitabina). Fisiopatologia (Step 1): TDF e FTC são Inibidores da Transcriptase Reversa Análogos de Nucleosídeo/Nucleotídeo (ITRN). Quando tomados diariamente antes da exposição, eles são fosforilados em suas formas ativas dentro das células T CD4+. Se ocorrer a exposição ao HIV, essas formas ativas são incorporadas no DNA viral nascente pela transcriptase reversa, atuando como terminadores de cadeia e impedindo a transcrição do RNA viral em DNA proviral, efetivamente abortando a infecção. Manejo (Step 2): A indicação da PrEP baseia-se na avaliação de vulnerabilidade (práticas sexuais, histórico de ISTs, uso repetido de PEP). A eficácia é >90% (próximo de 99% em HSH) e depende diretamente da adesão diária para manter níveis protetores do fármaco nos tecidos (ex: mucosa retal, sangue). O paciente deve ser rigorosamente testado para HIV antes de iniciar.
26
Um paciente em uso de PrEP (Esquema TDF/FTC) necessita de monitoramento laboratorial trimestral, incluindo dosagem de creatinina sérica, ureia e avaliação de proteinúria. Qual é a principal toxicidade associada ao componente Tenofovir (TDF) que justifica este acompanhamento rigoroso?
Diagnóstico: Nefrotoxicidade, especificamente disfunção ou tubulopatia do túbulo contorcido proximal (TCP), associada ao Tenofovir Desoproxila Fumarato (TDF). Fisiopatologia (Step 1): O TDF concentra-se nas células do túbulo proximal renal e pode induzir toxicidade mitocondrial. Isso prejudica a reabsorção no TCP, levando à perda de substâncias (fosfatúria, glicosúria, aminoacidúria, bicarbonatúria), conhecida como Síndrome de Fanconi (embora a disfunção leve ou proteinúria sejam mais comuns). A progressão pode levar à lesão renal aguda ou doença renal crônica se não monitorada. Manejo (Step 2): O monitoramento é mandatório. Inclui o cálculo do Clearance de Creatinina (ClCr), dosagem de ureia/creatinina sérica e análise de urina (proteinúria) a cada 3 meses. Se houver queda significativa no ClCr ou desenvolvimento de proteinúria/glicosúria, deve-se considerar a substituição do TDF pelo Tenofovir Alafenamida (TAF), que tem menor toxicidade renal e óssea.
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Paciente em uso de PrEP (TDF/FTC) retorna para consulta de acompanhamento de 3 meses. Ele está assintomático. Quais testes de rastreamento para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) são mandatórios nesta consulta trimestral, conforme as diretrizes de monitoramento?
Diagnóstico: Teste para HIV (ex: teste rápido 4ª geração), Teste para Sífilis (ex: VDRL/RPR ou teste treponêmico) e Teste para Hepatite C (Anti-HCV). Fisiopatologia (Step 1): A PrEP protege apenas contra o HIV. O comportamento de risco (sexo sem preservativo) que justifica a PrEP também aumenta o risco de aquisição de todas as outras ISTs (Sífilis, Gonorreia, Clamídia, Hepatites). O monitoramento trimestral é necessário porque o paciente pode adquirir uma IST e permanecer assintomático. O teste de HIV é repetido para garantir que o paciente não soroconverteu (o uso de PrEP em HIV agudo pode gerar resistência). Manejo (Step 2): O rastreamento deve ser periódico. Testes de HIV, Sífilis e Hepatite C são trimestrais. A pesquisa de Clamídia e Gonococo (em urina ou secreção genital/extragenital) é recomendada semestralmente, ou mais frequentemente se o paciente apresentar sintomas ou úlceras. A função hepática (AST/ALT) também é monitorada trimestralmente.
28
Um paciente HSH inicia PrEP (TDF/FTC) e pergunta se pode parar de usar preservativos, pois "agora está protegido". Qual é a limitação crítica da PrEP que deve ser enfatizada no aconselhamento deste paciente?
Diagnóstico: A PrEP não previne outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) nem Hepatites Virais (A, B, C). Fisiopatologia (Step 1): A PrEP (TDF/FTC) atua especificamente inibindo a transcriptase reversa do HIV. Ela não tem atividade farmacológica contra o Treponema pallidum (Sífilis), Neisseria gonorrhoeae (Gonorreia), Chlamydia trachomatis (Clamídia) ou os vírus das hepatites. O uso de PrEP sem preservativo (prevenção combinada) deixa o paciente totalmente vulnerável a essas outras infecções. Manejo (Step 2): O aconselhamento é mandatório. O uso de preservativos deve ser fortemente encorajado em conjunto com a PrEP (Prevenção Combinada) para proteger contra outras ISTs. Além disso, o paciente deve ter seu status vacinal avaliado e receber imunização para Hepatite A, Hepatite B e HPV, se não for imune.
29
: Um paciente é considerado elegível para PrEP (TDF/FTC) com base em suas práticas sexuais de risco. Quais exames são obrigatórios e devem ser realizados antes do início da medicação para evitar complicações graves?
Diagnóstico: 1) Sorologia para HIV (teste de 4ª geração ou teste rápido) para excluir infecção aguda/crônica. 2) Avaliação da função renal (Creatinina/ClCr). 3) Sorologias para Hepatite B (HBsAg, Anti-HBs). Fisiopatologia (Step 1): 1) Iniciar PrEP em um paciente já infectado pelo HIV (especialmente na fase aguda) é perigoso, pois a biterapia (TDF/FTC) é insuficiente para o tratamento, induzindo rapidamente a seleção de mutações de resistência viral (ex: M184V para FTC), comprometendo esquemas futuros. 2) TDF é nefrotóxico; é preciso ter um baseline renal. 3) TDF/FTC também tratam Hepatite B; se o paciente for HBsAg+, interromper a PrEP no futuro pode causar um flare hepático (reativação) grave. Manejo (Step 2): A exclusão do HIV é a etapa mais crítica. Se o paciente tiver HBsAg positivo (Hepatite B crônica), a PrEP (TDF/FTC) pode ser usada, mas o paciente deve ser aconselhado de que está tratando a Hepatite B e não deve interromper o uso abruptamente sem acompanhamento hepatológico. Se o Anti-HBs for negativo (não imune), o paciente deve ser vacinado para Hepatite B.
30
Um paciente inicia a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e é informado sobre a necessidade de acompanhamento regular. Com que frequência ele deve realizar o teste para HIV e qual a justificativa para essa periodicidade?
Diagnóstico: O teste para HIV (ex: Teste rápido ou sorologia) deve ser realizado trimestralmente, em toda consulta de PrEP. Fisiopatologia (Step 1): O uso de PrEP (TDF/FTC) em um paciente que contraiu o HIV (infecção aguda) é perigoso. Esta biterapia é insuficiente para o tratamento (é sub-terapêutica) e seleciona rapidamente mutações de resistência viral (ex: M184V), comprometendo a eficácia de esquemas antirretrovirais futuros. O teste trimestral visa detectar a soroconversão precocemente, antes que a resistência se estabeleça. Manejo (Step 2): O teste de HIV trimestral é mandatório. Antes de cada nova dispensação da medicação de PrEP, um resultado negativo recente de HIV é necessário. Se o teste for positivo, a PrEP deve ser interrompida imediatamente e o paciente encaminhado para início da Terapia Antirretroviral (TARV) completa.
31
Durante o monitoramento trimestral de um paciente em uso de PrEP, quais exames são realizados para avaliar a potencial toxicidade do esquema TDF/FTC e quais são realizados para rastrear ISTs comuns que podem ser assintomáticas?
Diagnóstico: Monitoramento trimestral para toxicidade renal (Clearance de creatinina, ureia, creatinina sérica, proteinúria) e para rastreio de Sífilis (teste treponêmico ou não treponêmico, como VDRL/RPR). Fisiopatologia (Step 1): O Tenofovir (TDF) pode causar disfunção do túbulo contorcido proximal (nefrotoxicidade), necessitando monitoramento renal rigoroso. A PrEP não protege contra outras ISTs; a Sífilis é rastreada trimestralmente devido ao alto risco de co-infecção e por frequentemente cursar de forma assintomática (ex: sífilis latente), enquanto o paciente mantém o comportamento de risco que indicou a PrEP. Manejo (Step 2): Além do HIV, a função renal e o rastreio de Sífilis são trimestrais. O rastreio de Hepatite C (Anti-HCV) e o monitoramento da função hepática (AST/ALT) também são realizados trimestralmente.
32
Um paciente em PrEP realiza seus exames semestrais (a cada 6 meses), além dos exames trimestrais habituais. Qual rastreio específico para ISTs é tipicamente recomendado nesta periodicidade semestral?
Diagnóstico: Pesquisa de outras ISTs, especificamente Clamídia e Gonococo (infecção por Neisseria gonorrhoeae e Chlamydia trachomatis). Fisiopatologia (Step 1): (Adaptação) Clamídia e Gonococo são ISTs bacterianas de alta prevalência na população que utiliza PrEP. Elas são frequentemente assintomáticas, especialmente em sítios extragenitais (faringe, reto), servindo como reservatórios para transmissão. O rastreio semestral (ou mais frequente, se sintomático) é necessário para diagnóstico e tratamento, quebrando a cadeia de transmissão. Manejo (Step 2): O rastreamento é feito por pesquisa em urina (ex: PCR/NAAT) ou secreção genital, conforme a metodologia disponível. Se o paciente relatar práticas específicas (ex: sexo oral ou anal receptivo), amostras de múltiplos sítios (faringe, reto) devem ser coletadas para aumentar a sensibilidade do diagnóstico.
33
Ao iniciar a PrEP, é fundamental avaliar o status imunológico do paciente para a Hepatite B. Qual é o manejo se o paciente não apresentar soroconversão à vacina (Anti-HBs negativo) e qual a implicação se ele for HBsAg positivo?
Diagnóstico: Se não soroconvertido (Anti-HBs negativo), deve ser vacinado para Hepatite B. Se for HBsAg positivo (infecção crônica), a PrEP (TDF/FTC) também tratará a Hepatite B. Fisiopatologia (Step 1): A Hepatite B (VHB) compartilha vias de transmissão com o HIV. O esquema TDF/FTC usado na PrEP é também um tratamento de primeira linha para VHB crônica. Se o paciente for HBsAg positivo, o início da PrEP é benéfico, mas a interrupção abrupta da PrEP no futuro pode causar uma reativação (flare) grave da Hepatite B, com risco de insuficiência hepática. Manejo (Step 2): O monitoramento da Hepatite B (HBsAg e Anti-HBs) é feito no início e depois "a depender da soroconversão". Pacientes não imunes devem ser vacinados. Pacientes com VHB crônica (HBsAg+) devem ser rigorosamente aconselhados sobre a adesão e os riscos da interrupção do TDF/FTC.
34
Um profissional de saúde sofre um acidente percutâneo com agulha contaminada. O atendimento é considerado uma urgência médica. Qual é o prazo máximo absoluto para iniciar a Profilaxia Pós-Exposição (PEP) e por que o início deve ser o mais precoce possível?
Diagnóstico: A PEP deve ser iniciada o mais precocemente possível, idealmente nas primeiras 2 horas, e no máximo em até 72 horas subsequentes à exposição. Fisiopatologia (Step 1): A eficácia da PEP depende da supressão da replicação viral antes que o HIV estabeleça uma infecção sistêmica disseminada e crie reservatórios latentes (principalmente em linfonodos regionais e células T CD4+). A janela de 72 horas é o limite crítico; após este período, a disseminação viral e a integração proviral provavelmente já ocorreram, tornando a profilaxia ineficaz. Manejo (Step 2): Avaliar o risco da exposição e o status da fonte (teste rápido) imediatamente. Se a PEP for indicada (fonte HIV+ ou desconhecida), iniciar o esquema antirretroviral (ARV) imediatamente. Atrasar o início, mesmo dentro da janela de 72h, reduz a chance de sucesso da profilaxia.
35
Um residente de cirurgia sofre um acidente com bisturi em um paciente com carga viral de HIV sabidamente positiva e detectável. Qual é o esquema antirretroviral (ARV) de primeira linha recomendado para a PEP deste profissional e qual a sua duração?
Diagnóstico: Esquema tríplice: TDF (Tenofovir), 3TC (Lamivudina) e Dolutegravir (DTG), mantido por 28 dias. Fisiopatologia (Step 1): Este esquema (TDF/3TC/DTG) é o mesmo usado no tratamento de primeira linha do HIV. TDF e 3TC são Inibidores da Transcriptase Reversa Análogos de Nucleotídeo/Nucleosídeo (ITRN), que bloqueiam a conversão do RNA viral em DNA. O Dolutegravir é um Inibidor da Integrase (INSTI) que impede a inserção do DNA proviral no genoma da célula hospedeira. A combinação bloqueia o ciclo viral em dois pontos críticos e precoces. Manejo (Step 2): O esquema deve ser iniciado o mais rápido possível (máximo 72h) e a adesão rigorosa por 28 dias é essencial para a eficácia. O profissional deve ser monitorado com sorologias de seguimento (ex: 30 e 90 dias após a exposição) para documentar o sucesso da profilaxia (ausência de soroconversão).
36
Um profissional de saúde sofre um acidente percutâneo com agulha de um paciente HIV positivo. O paciente-fonte faz tratamento rigoroso e possui carga viral indetectável (I=I). Qual é a conduta correta em relação à PEP, e por que o dogma I=I não se aplica neste cenário?
Diagnóstico: A PEP está indicada e deve ser oferecida ao profissional. O conceito I=I (Indetectável = Intransmissível) não é validado para exposições parenterais (acidentes com material biológico). Fisiopatologia (Step 1): O dogma I=I foi estabelecido em estudos de transmissão sexual (exposição em mucosas), onde a carga viral indetectável no plasma correlaciona-se com a ausência de vírus infeccioso nos fluidos genitais. Em uma exposição parenteral (inoculação direta de sangue), o mecanismo é diferente. Assume-se que, mesmo com viremia plasmática indetectável, pode haver vírus em células infectadas circulantes (reservatório) no sangue inoculado, representando um risco teórico, embora baixo. Manejo (Step 2): Por precaução e devido à falta de evidência que valide o I=I para transmissão parenteral (sangue-sangue), a recomendação é oferecer a PEP (TDF/3TC/DTG por 28 dias) mesmo quando a fonte é indetectável.
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No atendimento de um acidente ocupacional com risco para HIV, é obrigatório colher uma sorologia (teste rápido) do próprio profissional acidentado no "momento zero", antes de iniciar a PEP. Qual é a justificativa clínica para este teste imediato no profissional exposto?
Diagnóstico: Estabelecer o status sorológico basal, ou seja, documentar que o profissional era HIV negativo antes da exposição, ou diagnosticar uma infecção prévia desconhecida. Fisiopatologia (Step 1): (Adaptação) Se o profissional já era HIV positivo (mas assintomático e sem diagnóstico prévio), o acidente não é a causa da infecção. Iniciar a PEP (TDF/3TC/DTG) neste caso seria o início do tratamento, e não uma profilaxia. O teste "momento zero" é crucial para a interpretação correta dos testes de seguimento (30 e 90 dias); sem ele, uma soroconversão detectada no seguimento não poderia ser confiavelmente atribuída ao acidente (poderia ser falha da PEP ou infecção prévia). Manejo (Step 2): O teste do profissional no momento zero é fundamental para o aconselhamento e o manejo legal/ocupacional. Se o teste basal for positivo, o profissional é encaminhado para tratamento de HIV, e não para o protocolo de PEP. Simultaneamente, testa-se a fonte para decidir se a PEP será (ou não) iniciada no profissional (se ele for basal negativo).
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Um paciente de 22 anos apresenta febre, faringite, linfadenopatia generalizada e um rash cutâneo maculopapular eritematoso 3 semanas após uma exposição sexual de risco. Qual é a principal hipótese diagnóstica, qual o estado virológico esperado e qual a implicação prognóstica de iniciar o tratamento nesta fase?
Diagnóstico: Infecção Aguda pelo HIV (Síndrome Retroviral Aguda), apresentando-se como uma síndrome mononucleose-like. Fisiopatologia (Step 1): Esta fase (soroconversão) é marcada por uma replicação viral intensa e descontrolada nos tecidos linfoides (especialmente GALT). Isso leva a uma viremia plasmática (carga viral) muito elevada e uma queda transitória, mas significativa, dos linfócitos T CD4+. O paciente é altamente infectante neste período. O início da TARV nesta fase limita o estabelecimento dos reservatórios virais latentes (ex: em células T de memória). Manejo (Step 2): O tratamento antirretroviral (TARV) deve ser iniciado imediatamente. Iniciar a TARV na infecção aguda melhora o prognóstico a longo prazo, pois diminui o tamanho dos reservatórios virais, reduz a inflamação crônica e preserva a função imune, levando a uma progressão mais lenta da doença.
39
Um paciente apresenta uma síndrome mononucleose-like (febre, adenopatia, faringite) após uma exposição de risco. Por que o diagnóstico de infecção aguda pelo HIV é frequentemente perdido, e qual é o método diagnóstico de eleição para confirmar a infecção nesta fase?
Diagnóstico: É perdida pelo baixo índice de suspeição e sintomas inespecíficos. O exame de eleição é a Carga Viral do HIV (PCR-RNA), ou um teste de 4ª Geração (Antígeno p24 + Anticorpo). Fisiopatologia (Step 1): Na infecção aguda, há uma "janela imunológica" onde os testes baseados apenas em anticorpos (testes de 3ª geração) podem ser negativos. A replicação viral (viremia) e a produção do antígeno p24 (proteína do capsídeo) antecedem a soroconversão (produção de anticorpos). Portanto, testes que detectam o RNA viral (PCR) ou o antígeno p24 são necessários para o diagnóstico precoce. Manejo (Step 2): O médico deve ter alta suspeição clínica e investigar ativamente a exposição de risco. Testes rápidos de 3ª geração negativos não excluem infecção aguda. Deve-se solicitar um teste de 4ª geração; se este for positivo (ou se a suspeita for muito alta), a Carga Viral quantitativa deve ser solicitada para confirmação e como base para o tratamento imediato.
40
Um paciente com febre, faringite e adenopatia cervical é suspeito de Infecção Aguda pelo HIV. Quais são os principais diagnósticos diferenciais que mimetizam esta síndrome mononucleose-like e devem ser ativamente investigados?
Diagnóstico: Mononucleose Infecciosa (causada pelo Vírus Epstein-Barr - EBV), Sífilis Secundária (secundarismo sifilítico) e Toxoplasmose aguda (em imunocompetentes). Fisiopatologia (Step 1): (Adaptação) Esses patógenos causam síndromes sistêmicas por mecanismos diferentes: o EBV infecta linfócitos B causando a tríade clássica; o Treponema pallidum (Sífilis) na fase secundária está em disseminação hematogênica, causando sintomas constitucionais e rash; a infecção aguda por Toxoplasma gondii também induz uma resposta imune vigorosa com linfadenopatia. Todos causam sintomas constitucionais (febre, mialgia, adenopatia) similares à viremia do HIV. Manejo (Step 2): O manejo exige a solicitação de testes diagnósticos específicos para diferenciar as condições. Isso inclui sorologias para EBV (Monoteste ou VCA IgM/IgG), testes para sífilis (VDRL/RPR e um teste treponêmico como FTA-ABS) e sorologias para Toxoplasmose (IgM/IgG), além do teste de HIV de 4ª geração.
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Paciente de 28 anos é diagnosticado com Infecção Aguda pelo HIV. Ele apresenta febre alta, artralgia e ulcerações dolorosas em mucosa oral e genitália. Qual é a correlação entre a intensidade dos sintomas na fase aguda e a progressão da doença a longo prazo?
Diagnóstico: A presença de manifestações clínicas mais intensas e prolongadas (ex: > 14 dias) na infecção aguda está associada a uma progressão mais rápida da doença para AIDS (se não tratada). Fisiopatologia (Step 1): A gravidade da síndrome retroviral aguda reflete um "set point" de carga viral mais elevado e uma maior taxa de destruição de células T CD4+ durante a fase inicial da infecção. Uma resposta inflamatória mais intensa e uma maior depleção inicial de CD4 (especialmente no GALT) predizem um controle imunológico menos eficaz do vírus na fase crônica, levando à queda mais rápida do CD4 ao longo dos anos. Manejo (Step 2): Embora a TARV deva ser iniciada em todos, independentemente dos sintomas, a presença de sintomas graves na fase aguda reforça a urgência do início do tratamento para suprimir a replicação viral, reduzir a inflamação e preservar o pool de células T CD4+, visando modificar essa trajetória de progressão rápida.
42
Paciente vivendo com HIV, com adesão irregular à TARV (CD4 ~300), apresenta lesões brancas, verticais, "pilares" ou "corrugadas", fixas (não removíveis à raspagem) na borda lateral da língua. Qual o diagnóstico e o agente etiológico?
Diagnóstico: Leucoplasia Pilosa Oral (LPO). Fisiopatologia (Step 1): A LPO é causada pela replicação descontrolada do Vírus Epstein-Barr (EBV) nas células epiteliais da mucosa oral. A imunodeficiência (queda de T CD4+) falha em manter o EBV em sua fase latente, permitindo sua replicação e causando hiperplasia epitelial e hiperqueratose, que se manifestam como as lesões brancas não removíveis. Manejo (Step 2): A LPO em si é benigna e geralmente assintomática, não requerendo tratamento específico. Sua presença é um forte indicador de imunodeficiência moderada e falha virológica. O manejo foca em (re)iniciar ou otimizar a Terapia Antirretroviral (TARV), o que restaurará a imunidade e levará à resolução das lesões.
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Paciente HIV+ (CD4 < 350) queixa-se de "algodão na boca" e leve odinofagia. Ao exame, observam-se placas brancas, cremosas, pseudomembranosas na mucosa jugal e palato, que são facilmente removíveis à raspagem, deixando uma base eritematosa. Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Candidíase Oral (Orofaríngea), também conhecida como "sapinho" (Thrush). Fisiopatologia (Step 1): Causada por Candida albicans (um fungo comensal). A imunidade celular (T CD4+, especificamente Th17) é crucial para controlar a proliferação de Candida nas mucosas. Com a queda do CD4 (geralmente < 400), a Candida muda de sua forma de levedura para hifas invasivas, permitindo a aderência e invasão superficial do epitélio oral. Manejo (Step 2): Esta é uma infecção oportunista (Categoria B do CDC). O tratamento é feito com antifúngicos tópicos (ex: Nistatina bochechos) ou, em casos mais extensos ou refratários (ou se houver suspeita de extensão esofágica), fluconazol sistêmico (oral). É um sinal claro para iniciar ou reavaliar a TARV.
44
Um paciente em fase de latência clínica do HIV, assintomático, apresenta plaquetopenia crônica e isolada (<50.000/microL) no hemograma de rotina. A medula óssea é normal. Qual é a causa mais provável desta citopenia, listada como manifestação de imunodeficiência moderada?
Diagnóstico: Púrpura Trombocitopênica Idiopática (ou Imune) associada ao HIV (PTI-HIV). Fisiopatologia (Step 1): O HIV induz uma desregulação imune complexa. Um mecanismo é a mimetização molecular; o sistema imune cria anticorpos contra as glicoproteínas do HIV (ex: gp120) que reagem cruzadamente com as glicoproteínas das plaquetas (ex: GPIIb/IIIa). Isso leva à opsonização das plaquetas e sua destruição acelerada no baço (mecanismo autoimune). Manejo (Step 2): A primeira linha de manejo para a PTI-HIV é o início da Terapia Antirretroviral (TARV). A supressão da replicação viral com a TARV reduz a produção de anticorpos anti-plaquetários e frequentemente resolve a plaquetopenia. Em casos refratários ou graves (sangramento), pode-se usar corticosteroides ou imunoglobulina IV, similar à PTI primária.
45
Paciente de 40 anos, sem diagnóstico prévio, apresenta dor intensa seguida de erupção vesicular em base eritematosa, estritamente unilateral, seguindo o dermátomo T8. Ele relata que este é o segundo episódio de "cobreiro" em um ano. A ocorrência de Herpes Zóster recorrente (>=2 episódios) ou multidermatomal é um sinal de qual condição subjacente?
Diagnóstico: Imunodeficiência moderada, indicativa de infecção pelo HIV. Fisiopatologia (Step 1): O Herpes Zóster é causado pela reativação do Vírus Varicela-Zóster (VVZ), que permanece latente nos gânglios da raiz dorsal após a infecção primária (catapora). A imunidade celular T (CD4+ e CD8+) é essencial para manter essa latência. A infecção pelo HIV deprime a imunidade celular, permitindo a reativação e replicação do VVZ no dermátomo. Manejo (Step 2): O manejo agudo do Zóster é feito com antivirais (Aciclovir, Valaciclovir) para reduzir a replicação e a neuralgia pós-herpética. O mais importante é que Zóster recorrente ou em paciente jovem é uma indicação clássica para testagem de HIV. Se positivo, indica-se início imediato da TARV.
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Paciente vivendo com HIV, sem tratamento, apresenta febre persistente (>37.6°C) por mais de um mês e perda de peso inexplicada de 12% do seu peso corporal. Ele também relata diarreia crônica há 6 semanas. Qual é a implicação clínica deste conjunto de sintomas?
Diagnóstico: Manifestações de imunodeficiência moderada (Sintomas Constitucionais ou "Wasting Syndrome"), indicando progressão da doença para AIDS (Categoria C pela definição do CDC se >10% de perda de peso). Fisiopatologia (Step 1): A replicação crônica do HIV induz um estado de ativação imune e inflamação sistêmica (aumento de citocinas pró-inflamatórias como TNF-alfa e IL-6). Essas citocinas causam efeitos catabólicos (perda de peso, febre) e disfunção da mucosa intestinal (diarreia, má absorção), levando à síndrome de emagrecimento. Manejo (Step 2): A presença desses sintomas exige exclusão agressiva de infecções oportunistas (ex: Tuberculose, Micobacteriose atípica, Criptosporidiose) e neoplasias (Linfoma), que podem causar os mesmos sintomas. O tratamento fundamental é o início imediato da TARV para suprimir a inflamação e o suporte nutricional.
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Paciente com HIV e CD4 de 180 células/mm³ apresenta múltiplas lesões cutâneas nodulares, violáceas, friáveis e que sangram facilmente, lembrando o Sarcoma de Kaposi. A biópsia, no entanto, revela proliferação vascular com infiltrado neutrofílico e aglomerados de bacilos (coloração de Warthin-Starry). Qual o diagnóstico e o agente causal?
Diagnóstico: Angiomatose Bacilar. Fisiopatologia (Step 1): Causada pela infecção por bactérias do gênero Bartonella (B. henselae ou B. quintana), frequentemente transmitidas por arranhadura de gato ou piolhos. Em imunossuprimidos (HIV), a Bartonella induz a proliferação de células endoteliais (fator neovascular) de forma descontrolada, mimetizando uma neoplasia vascular. Manejo (Step 2): Diferente do Sarcoma de Kaposi (que responde à TARV), a Angiomatose Bacilar é uma infecção bacteriana que responde dramaticamente a antibióticos. O tratamento de escolha é Doxiciclina ou Eritromicina/Azitromicina por várias semanas. A TARV também deve ser iniciada para restaurar a imunidade.
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Qual é o achado de exame físico mais comum e frequentemente único durante a fase de latência clínica do HIV, e quais são os principais diagnósticos diferenciais para este achado?
Diagnóstico: Linfadenopatia Generalizada Persistente (LGP). Fisiopatologia (Step 1): Durante a fase de latência clínica, o HIV está se replicando ativamente nos linfonodos. Isso causa uma hiperplasia folicular reativa e uma resposta imune crônica dentro do tecido linfóide, levando ao aumento de múltiplos gânglios (geralmente cervicais, axilares, occipitais) que são tipicamente simétricos, móveis e indolores. Manejo (Step 2): A LGP em um paciente HIV+ geralmente não requer tratamento específico, sendo um marcador da infecção crônica. No entanto, o médico deve estar atento a sinais de alarme (crescimento rápido, assimetria, dor, consistência endurecida, sintomas B) que exijam biópsia para excluir diagnósticos diferenciais graves, como Linfoma não-Hodgkin (LNH) ou Tuberculose ganglionar.
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Paciente vivendo com HIV, com adesão irregular à TARV (CD4 ~250), apresenta-se com febre alta, tosse produtiva e dor torácica. É o seu terceiro episódio de pneumonia bacteriana no último ano. Por que a imunodeficiência moderada pelo HIV predispõe a infecções bacterianas graves e recorrentes?
Diagnóstico: Imunodeficiência moderada (Estágio B do CDC), levando a infecções bacterianas graves recorrentes (ex: Pneumonia). Fisiopatologia (Step 1): A infecção pelo HIV não destrói apenas os T CD4+, mas também causa disfunção policlonal de linfócitos B (hipergamaglobulinemia com resposta anérgica) e defeitos na função de neutrófilos e macrófagos. Isso prejudica a imunidade humoral (produção de anticorpos opsonizantes), que é crucial para a defesa contra bactérias encapsuladas (como S. pneumoniae, H. influenzae). Manejo (Step 2): O manejo agudo envolve antibioticoterapia de amplo espectro (conforme o foco) e culturas. O manejo a longo prazo é a prioridade: início ou otimização da TARV para restaurar a função imune (CD4 > 200) e reduzir o risco de recorrência. A vacinação (ex: pneumococo) também é indicada.
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Mulher de 35 anos, diagnosticada com HIV há 5 anos (CD4 atual 300), realiza Papanicolau de rotina que revela NIC III (displasia de alto grau/carcinoma in situ). Qual a relação entre a infecção pelo HIV e este achado?
Diagnóstico: Displasia cervical de alto grau (NIC III) / Carcinoma cervical in situ, associada à coinfecção HIV/HPV. Fisiopatologia (Step 1): A infecção pelo HIV prejudica a vigilância imune celular (mediada por T CD4+ e CD8+) contra o HPV (Papilomavírus Humano). Isso resulta em maior persistência da infecção por HPV de alto risco (ex: tipos 16, 18), menor chance de clearance viral e progressão mais rápida de lesões precursoras (NIC) para câncer invasivo. Manejo (Step 2): Esta é uma condição de imunodeficiência moderada (Categoria B do CDC). O manejo requer colposcopia e biópsia imediata, seguida de procedimento excisional (ex: LEEP/CAF). Mulheres HIV+ requerem rastreio citológico mais frequente (anual, ou semestral se displasia) do que a população geral. A TARV é fundamental para melhorar o clearance do HPV.
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Paciente com HIV avançado, sem tratamento, apresenta fadiga extrema e dispneia aos esforços. Exames mostram Hb de 7,8 g/dL (Anemia < 8) e Neutrófilos de 450 células/µL (Neutropenia < 500), sem causa óbvia (ex: medicações, infecção oportunista aguda). Qual o mecanismo provável?
Diagnóstico: Anemia e Neutropenia crônicas inexplicadas associadas ao HIV (Imunodeficiência moderada/grave). Fisiopatologia (Step 1): O HIV pode causar citopenias por múltiplos mecanismos: 1) Infecção direta de células progenitoras hematopoiéticas na medula óssea; 2) Supressão medular induzida por citocinas inflamatórias crônicas (ex: TNF-alfa); e 3) Produção de autoanticorpos (disfunção imune) contra neutrófilos ou precursores eritroides. Manejo (Step 2): O primeiro passo é excluir outras causas (fármacos como SMX-TMP, deficiência de B12/Folato, infecções oportunistas como Parvovírus B19 [anemia pura] ou CMV, linfoma). O manejo primário é a TARV, que geralmente reverte a supressão medular. Em casos graves de neutropenia (<500), pode-se usar G-CSF (Fator estimulador de colônias de granulócitos).
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Paciente HIV+ (CD4 ~100) apresenta febre, cefaleia e rigidez de nuca. A LCR mostra pleocitose com predomínio de neutrófilos (ou monócitos) e bacilos gram-positivos. A cultura do LCR confirma Listeria monocytogenes. Por que pacientes com HIV têm risco aumentado para esta infecção?
Diagnóstico: Meningite (ou meningoencefalite) por Listeriose, uma infecção oportunista bacteriana. Fisiopatologia (Step 1): A Listeria monocytogenes é um patógeno intracelular facultativo (sobrevive dentro de macrófagos). A erradicação da Listeria depende quase exclusivamente da imunidade celular (linfócitos T ativando macrófagos). Pacientes com HIV, que têm depleção de T CD4+, e outras condições de imunidade celular deficiente (gestantes, transplantados) são altamente suscetíveis. Manejo (Step 2): A Listeriose é uma manifestação de imunodeficiência moderada/grave. O tratamento de escolha é Ampicilina (ou Penicilina G) em altas doses, frequentemente associada à Gentamicina para sinergismo. SMX-TMP é uma alternativa. O tratamento deve ser prolongado (>= 21 dias). A TARV deve ser iniciada ou otimizada.
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Paciente vivendo com HIV (CD4 ~150) queixa-se de dor oral severa, sangramento gengival espontâneo e halitose fétida. O exame revela necrose ulcerativa das papilas interdentais, que parecem "escavadas". Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Gengivite Ulcerativa Necrosante Aguda (GUNA) ou Periodontite Ulcerativa Necrosante (PUN), manifestação de imunodeficiência moderada/grave. Fisiopatologia (Step 1): Esta é uma infecção polimicrobiana (flora fusoespiralar, ex: Prevotella intermedia, espiroquetas) que se torna agressiva e invasiva devido ao colapso da imunidade local e sistêmica (neutropenia funcional, disfunção de T CD4+). A imunodeficiência permite que bactérias comensais causem destruição tecidual rápida (necrose). Manejo (Step 2): O manejo requer antibioticoterapia sistêmica (ex: Amoxicilina + Metronidazol ou Clindamicina) para cobrir anaeróbios, bochechos com Clorexidina e debridamento dentário cuidadoso. A GUNA/PUN é um forte indicador de imunossupressão significativa e exige início/otimização urgente da TARV.
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Paciente HIV+, CD4=80, apresenta dispneia progressiva aos esforços, tosse seca e febre. O Raio-X de tórax mostra infiltrado intersticial bilateral difuso ("vidro fosco"), e o LDH sérico está marcadamente elevado (> 500). Qual o diagnóstico mais provável?
Diagnóstico: Pneumonia por Pneumocystis jiroveci (PCP). Fisiopatologia (Step 1): O P. jiroveci (um fungo) é inalado e permanece controlado pela imunidade celular. Quando o CD4 cai < 200 células/mm³, o fungo se replica nos alvéolos, preenchendo-os com um exsudato espumoso (composto por surfactante, debris celulares e organismos), o que não invade o interstício mas causa uma severa alteração na difusão (V/Q) e hipoxemia. A lesão celular pulmonar extensa justifica a elevação do LDH. Manejo (Step 2): Tratamento de primeira linha é Sulfametoxazol-Trimetoprima (SMX-TMP) em dose elevada por 21 dias. Se o paciente apresentar hipoxemia grave (PaO2 < 70 mmHg ou Gradiente Alvéolo-arterial > 35), é mandatório o uso de corticosteroides (Prednisona) para reduzir a inflamação pulmonar que piora após o início do tratamento (devido à lise fúngica).
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Paciente HIV+, CD4=60, com IgG sérica positiva para Toxo, apresenta início súbito de convulsão focal tônico-clônica e febre. A RM de crânio revela múltiplas lesões com realce anelar, predileção pelos gânglios da base e edema vasogênico. Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Neurotoxoplasmose (Toxoplasmose cerebral). Fisiopatologia (Step 1): Esta é uma reativação de infecção latente. A infecção prévia (indicada pelo IgG+) pelo protozoário Toxoplasma gondii deixa cistos (bradizoítos) latentes no cérebro. A imunodeficiência celular grave (CD4 < 100) permite que esses cistos se rompam, liberando taquizoítos que causam uma encefalite necrosante focal, resultando nas lesões de massa vistas na neuroimagem. Manejo (Step 2): O manejo é o tratamento empírico (sem biópsia) imediato com Sulfadiazina + Pirimetamina + Ácido Folínico (Leucovorin, para prevenir a mielossupressão da Pirimetamina). A melhora clínica e radiológica em 10-14 dias confirma o diagnóstico. A profilaxia primária com SMX-TMP é indicada se CD4 < 100 e IgG positivo.
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Paciente HIV+, CD4=90, queixa-se de dor retroesternal intensa e dificuldade para engolir (odinofagia). A oroscopia revela candidíase oral (placas brancas removíveis, "sapinho"). Qual diagnóstico define esta progressão para uma doença definidora de AIDS?
Diagnóstico: Candidíase Esofágica. Fisiopatologia (Step 1): A Candida albicans (fungo comensal da orofaringe) é controlada pela imunidade celular (Th17/CD4+). Com a queda do CD4 (geralmente < 100), a Candida que causa a infecção oral desce e invade a mucosa esofágica. A invasão das hifas no epitélio causa ulceração e inflamação, levando à dor (odinofagia). A candidíase oral é um preditor desta progressão. Manejo (Step 2): A presença de candidíase oral + odinofagia é suficiente para o diagnóstico clínico e tratamento empírico (Endoscopia não é necessária inicialmente). O tratamento requer antifúngicos sistêmicos (Fluconazol oral) por 14-21 dias, diferentemente da candidíase oral isolada, que pode ser tratada com Nistatina tópica.
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Paciente HIV+, CD4=40, apresenta cefaleia subaguda (2 semanas), febre baixa e confusão mental. Não há déficits focais. A punção lombar revela pressão de abertura muito elevada (>25 cmH2O), pleocitose linfocítica e o Tinta-da-Índia (nanquim) do LCR é positivo. Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Meningoencefalite Criptocócica (Criptococose extrapulmonar). Fisiopatologia (Step 1): Cryptococcus neoformans (levedura encapsulada, inalada do ambiente) dissemina-se do pulmão para o SNC. Sua cápsula polissacarídica (fator de virulência) inibe a fagocitose e causa pouca inflamação (sintomas subagudos). O fungo se acumula nos espaços de Virchow-Robin, obstruindo a reabsorção do LCR e causando hipertensão intracraniana (HIC) grave, que é a principal causa de morte e morbidade (ex: cegueira). Manejo (Step 2): Tratamento em 3 fases: 1) Indução: Anfotericina B + Flucitosina. 2) Consolidação e 3) Manutenção: Fluconazol. O manejo da HIC com punções lombares de alívio seriadas é tão crucial quanto o antifúngico. A TARV deve ser adiada por 2-4 semanas (risco de SIRI fatal).
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Paciente HIV+, CD4=20, relata visão "borrada", "moscas volantes" e perda de campo visual indolor em um olho. A fundoscopia mostra hemorragias e exsudatos brancos perivasculares, descritos como "catchup e queijo" (ketchup and cheese). Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Retinite por Citomegalovírus (CMV). Fisiopatologia (Step 1): É uma reativação da infecção latente por CMV (família Herpes), que ocorre apenas com imunodeficiência celular profunda (CD4 < 50). O vírus se replica na retina, causando necrose de espessura total e vasculite. A progressão da necrose segue os vasos (exsudatos) e causa hemorragia, levando ao descolamento de retina e cegueira irreversível se não tratado. Manejo (Step 2): Urgência oftalmológica. O tratamento é feito com antivirais sistêmicos (ex: Valganciclovir oral em dose alta) ou Ganciclovir (IV ou injeção intravítrea). A TARV deve ser iniciada, mas com cautela, pois a reconstituição imune pode causar Uveíte da Reconstituição Imune (SIRI), piorando a visão.
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Paciente HIV+, CD4=30, apresenta febre diária, sudorese noturna intensa, diarreia aquosa e perda de peso de 15% (Síndrome Consumptiva). Exames mostram pancitopenia e Fosfatase Alcalina (FA) marcadamente elevada. Qual infecção oportunista disseminada é a causa?
Diagnóstico: Infecção disseminada por Complexo Mycobacterium avium (MAC). Fisiopatologia (Step 1): O MAC é uma micobactéria ambiental (não-TB). Em pacientes com CD4 < 50, a infecção (via GI ou respiratória) se dissemina (bacteremia). O MAC se replica dentro dos macrófagos, infiltrando massivamente o sistema reticuloendotelial (fígado, baço, medula óssea), causando a síndrome consuptiva, citopenias (infiltração medular) e colestase (infiltração hepática, elevando FA). Manejo (Step 2): Diagnóstico por hemocultura (crescimento lento) ou biópsia de medula óssea. O tratamento requer terapia combinada (Claritromicina + Etambutol). A profilaxia primária (com Azitromicina semanal) é indicada para todos os pacientes com CD4 < 50 para prevenir esta infecção.
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Paciente HIV+, CD4=150, desenvolve múltiplas máculas ou nódulos violáceos, indolores, na pele (tronco, face) e na mucosa oral (especialmente palato duro). Qual é o diagnóstico desta neoplasia definidora de AIDS?
Diagnóstico: Sarcoma de Kaposi (KS). Fisiopatologia (Step 1): O KS é uma neoplasia vascular (câncer de células endoteliais) causada pelo Herpesvírus Humano tipo 8 (HHV-8). O HHV-8 infecta células endoteliais; a imunossupressão do HIV e a inflamação crônica permitem que o HHV-8 induza a proliferação celular descontrolada (angiogênese) e a transformação maligna, formando as lesões cutâneas e viscerais. Manejo (Step 2): O tratamento de primeira linha para o KS relacionado à AIDS é o início da Terapia Antirretroviral (TARV). A reconstituição imune promovida pela TARV é suficiente para causar a regressão da maioria das lesões (KS leve a moderado). Quimioterapia sistêmica (ex: Doxorrubicina lipossomal) é reservada para doença visceral grave ou extensa.
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Paciente HIV+, CD4=70, apresenta hemiparesia esquerda progressiva, afasia e alterações de comportamento. A RM de crânio revela múltiplas lesões na substância branca, não captantes de contraste, sem edema ou efeito de massa, com aparência "borrada" (desmielinizante). Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Leucoencefalopatia Multifocal Progressiva (LEMP). Fisiopatologia (Step 1): Causada pela reativação do Vírus JC (Poliomavírus JC), um vírus latente no rim ou medula óssea de >50% da população. Na imunodeficiência grave (CD4 < 100), o vírus sofre mutações, atravessa a barreira hematoencefálica e infecta os oligodendrócitos (células que produzem mielina no SNC). A infecção causa a lise dos oligodendrócitos, levando à desmielinização multifocal e progressiva (daí os déficits neurológicos focais). Manejo (Step 2): Não há antiviral específico para o Vírus JC. O único tratamento eficaz é o início imediato da Terapia Antirretroviral (TARV). A restauração da imunidade (aumento do CD4) é a única forma de controlar a replicação do Vírus JC e estabilizar a doença. O prognóstico é reservado, e a TARV pode induzir SIRI neurológica.
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Paciente HIV+, CD4=45, apresenta confusão mental, hemiparesia direita e disartria. A RM de crânio revela uma única lesão grande, periventricular, com captação de contraste irregular e difusa, com restrição à difusão. O LCR é positivo para DNA do EBV. Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Linfoma não Hodgkin de células B Primário do Sistema Nervoso Central (L-PNC). Fisiopatologia (Step 1): Esta é uma neoplasia definidora de AIDS (CD4 < 50), quase universalmente associada à infecção de linfócitos B pelo Vírus Epstein-Barr (EBV). A imunodeficiência celular grave impede o controle do EBV, que induz a proliferação monoclonal e maligna dos linfócitos B dentro do parênquima cerebral. Manejo (Step 2): O L-PNC é o principal diagnóstico diferencial de Neurotoxoplasmose. A detecção de DNA do EBV no LCR (via PCR) é altamente específica e pode evitar a necessidade de biópsia cerebral. O tratamento envolve quimioterapia de alta dose (ex: Metotrexato) e o início da TARV, que é crucial para o prognóstico.
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Paciente HIV+, CD4=180, é diagnosticada com Carcinoma Cervical Invasivo. Por que esta condição, diferentemente da displasia cervical (NIC), é considerada uma doença definidora de AIDS?
Diagnóstico: Carcinoma Cervical Invasivo (Doença definidora de AIDS). Fisiopatologia (Step 1): A imunodeficiência pelo HIV prejudica a capacidade do sistema imune de controlar a infecção persistente por HPV de alto risco (ex: 16, 18). Isso acelera drasticamente a progressão da displasia (NIC), que é uma manifestação de imunodeficiência moderada, para o carcinoma invasivo. O status de "definidor de AIDS" (Categoria C) é dado ao estágio invasivo devido à sua rápida progressão e alta mortalidade nesta população. Manejo (Step 2): O manejo requer estadiamento oncológico completo e tratamento (cirurgia, quimio/radioterapia). O início ou otimização da TARV é mandatório, pois a reconstituição imune pode melhorar a resposta ao tratamento oncológico e o prognóstico geral. Mulheres HIV+ necessitam de rastreio citológico (Papanicolau) mais frequente.
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Paciente HIV+, CD4=90, apresenta diarreia aquosa crônica (> 1 mês), cólicas abdominais e perda de peso. A pesquisa de parasitas nas fezes (com coloração de Ziehl-Neelsen modificada) revela oocistos grandes e elípticos. Qual o diagnóstico e o tratamento?
Diagnóstico: Isosporíase intestinal crônica (agora Cystoisosporiasis), causada por Cystoisospora belli. Fisiopatologia (Step 1): C. belli é um coccídeo intestinal que, em imunodeficiência (CD4 < 200), invade os enterócitos do intestino delgado, causando inflamação, atrofia vilositária e má absorção. Isso resulta em diarreia osmótica/secretória crônica, levando à síndrome consumptiva (doença definidora de AIDS). Manejo (Step 2): Ao contrário da Criptosporidiose (de difícil tratamento), a Isosporíase responde muito bem ao tratamento com Sulfametoxazol-Trimetoprima (SMX-TMP) em dose terapêutica. Após o tratamento, é necessária profilaxia secundária com SMX-TMP em dose baixa até que a TARV eleve o CD4 > 200.
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Paciente HIV+, CD4=30, proveniente de área endêmica de morcegos (ex: Ohio, Centro-Oeste do Brasil), apresenta febre, perda de peso, pancitopenia e hepatoesplenomegalia. O Raio-X mostra infiltrado miliar difuso. Qual micose disseminada é a principal suspeita?
Diagnóstico: Histoplasmose disseminada progressiva. Fisiopatologia (Step 1): Causada pelo fungo dimórfico Histoplasma capsulatum. Na imunodeficiência grave (CD4 < 150), a infecção (primária ou reativada) não é contida nos pulmões e se dissemina pelo sistema reticuloendotelial. O fungo se replica dentro dos macrófagos, infiltrando medula óssea (pancitopenia), fígado e baço (hepatoesplenomegalia). Manejo (Step 2): O diagnóstico é feito pela detecção do antígeno urinário de Histoplasma (alta sensibilidade na doença disseminada) ou cultura/biópsia. O tratamento de indução para doença grave é com Anfotericina B Lipossomal, seguido de terapia de consolidação e manutenção com Itraconazol.
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Paciente HIV+, CD4=190, com história de febre reumática na infância, apresenta dispneia aos esforços, ortopneia e edema de membros inferiores. O Ecocardiograma mostra disfunção sistólica de VE com dilatação. Qual condição de dano direto pelo HIV deve ser considerada?
Diagnóstico: Cardiomiopatia dilatada sintomática associada ao HIV. Fisiopatologia (Step 1): A miocardiopatia associada ao HIV é multifatorial. Pode ser causada pelo dano direto do vírus HIV aos miócitos, pela inflamação crônica sistêmica induzida pela replicação viral, por coinfecções (ex: CMV, Chagas) ou por deficiências nutricionais na síndrome consumptiva. O resultado é a falência contrátil (ICFEr). Manejo (Step 2): Esta é uma manifestação de AIDS (Categoria C). O manejo inclui o tratamento padrão para Insuficiência Cardíaca (IECA/BRA, Beta-bloqueadores, Diuréticos). O componente mais crítico é o início imediato da TARV para suprimir a replicação viral e reduzir o estado inflamatório, o que pode levar à melhora da função ventricular.
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Paciente HIV+, afrodescendente, sem TARV, apresenta edema generalizado (anasarca), proteinúria maciça (10g/dia) e rápida progressão para insuficiência renal. A biópsia renal mostra Glomeruloesclerose Segmentar e Focal (GESF) do tipo colapsante. Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Nefropatia Associada ao HIV (HIVAN). Fisiopatologia (Step 1): A HIVAN é uma complicação grave causada pela infecção direta e replicação do HIV dentro das células renais (podócitos e células epiteliais tubulares), frequentemente em pacientes com alta carga viral e predisposição genética (ex: APOL1). Isso leva ao colapso dos tufos glomerulares, proteinúria nefrótica e fibrose intersticial de rápida progressão. Manejo (Step 2): O tratamento mais eficaz e fundamental para a HIVAN é o início imediato da Terapia Antirretroviral (TARV). A supressão da replicação viral (local e sistêmica) é a única medida que pode interromper a progressão da doença, reduzir a proteinúria e preservar a função renal. IECA/BRA são usados como adjuvantes.
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Paciente HIV+, CD4=150, proveniente de zona rural da América Latina (ex: Minas Gerais), com sorologia positiva para T. cruzi, apresenta convulsões de início recente e febre. A RM de crânio mostra lesões com realce anelar. Qual diagnóstico diferencial de Toxo/Linfoma é mandatório neste cenário?
Diagnóstico: Reativação de Doença de Chagas, com acometimento do SNC (Meningoencefalite chagásica). Fisiopatologia (Step 1): A imunodeficiência celular (CD4 < 200) quebra o equilíbrio da fase crônica da Doença de Chagas. O Trypanosoma cruzi latente volta a se replicar (reparasitemia), causando doença aguda grave. O parasita tem tropismo pelo SNC, formando lesões de massa (chagomas) que mimetizam Toxo/Linfoma, e pelo coração, causando miocardite aguda fulminante. Manejo (Step 2): O diagnóstico é feito pela demonstração do parasita (ex: T. cruzi) no LCR ou sangue, ou por biópsia. O tratamento é com Benzonidazol. A reativação de Chagas é uma condição definidora de AIDS, com alta mortalidade. A TARV deve ser iniciada após a estabilização.
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Paciente com síndrome retroviral aguda (febre, faringite, rash) 3 semanas após exposição de risco. Ele realiza um teste rápido (anticorpos) que resulta negativo. Qual marcador surge mais precocemente e é o teste de eleição para o diagnóstico nesta fase, conforme a curva de marcadores?
Diagnóstico: RNA viral (Carga Viral do HIV por PCR). Fisiopatologia (Step 1): Na infecção aguda, a replicação viral é maciça (viremia), precedendo a resposta imune. O RNA viral (viremia) é o primeiro marcador detectável (após 1-2 semanas). O antígeno p24 surge logo depois (semanas 2-3). A soroconversão (IgM/IgG, detectados por testes rápidos de 3ª geração) só ocorre 3-5 semanas depois. O teste de anticorpo é negativo por estar na "janela imunológica". Manejo (Step 2): A Carga Viral (PCR) deve ser solicitada para confirmar o diagnóstico agudo. O diagnóstico nesta fase é crucial para iniciar a TARV imediatamente, o que reduz o tamanho do reservatório viral e melhora o prognóstico, além de interromper a transmissão (I=I).
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Qual a principal vantagem dos ensaios de 4ª geração (ELISA/rápidos) em relação aos testes de 3ª geração (apenas anticorpos) para o diagnóstico do HIV, e quais marcadores eles detectam?
Diagnóstico: (Conceito-chave) Redução significativa da janela imunológica. Eles detectam simultaneamente o Antígeno p24 (p24 Ag) e os anticorpos anti-HIV (IgM/IgG). Fisiopatologia (Step 1): O Antígeno p24 (proteína do capsídeo viral) atinge níveis detectáveis no plasma (após 2-3 semanas) antes da produção de anticorpos (soroconversão, 3-5 semanas). Ao detectar o p24, os testes de 4ª geração diagnosticam a infecção aguda mais cedo do que os testes de 3ª geração (só anticorpos). Manejo (Step 2): Os testes de 4ª geração são o padrão-ouro para o rastreio. Um resultado positivo (p24 ou Ac) requer confirmação conforme o fluxograma nacional, mas permite um diagnóstico mais precoce, reduzindo o período de janela diagnóstica.
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Paciente assintomático realiza testagem de rotina. O Teste Rápido 1 (TR1) resulta Reagente. O protocolo exige a realização imediata de um segundo teste rápido (TR2) de fabricante/metodologia diferente. O TR2 também resulta Reagente. Qual a conduta?
Diagnóstico: Infecção pelo vírus HIV confirmada. Fisiopatologia (Step 1): (Adaptação) O algoritmo usa dois testes em série para aumentar a especificidade. O TR1 é altamente sensível (captura todos os positivos, mas pode ter falsos-positivos). O TR2 é altamente específico e de princípio metodológico diferente. A positividade em ambos os testes (sensível + específico) confere um valor preditivo positivo altíssimo, suficiente para confirmar o diagnóstico. Manejo (Step 2): O paciente deve receber o resultado (aconselhamento pós-teste), ser notificado, e encaminhado imediatamente para um serviço especializado para avaliação inicial (Estadiamento com CD4/Carga Viral) e início da Terapia Antirretroviral (TARV) o mais rápido possível (idealmente no mesmo dia).
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Paciente realiza testagem rápida para HIV. O Teste Rápido 1 (TR1) resulta Reagente. No entanto, o Teste Rápido 2 (TR2), realizado em seguida, resulta Não Reagente. Qual o status diagnóstico deste paciente e qual o próximo passo obrigatório?
Diagnóstico: Resultado Indeterminado (discordante). O diagnóstico NÃO está confirmado nem descartado. Fisiopatologia (Step 1): (Adaptação) Um resultado discordante pode ocorrer por: 1) Falso-positivo no TR1 (causado por reatividade cruzada); 2) Infecção muito recente (fase aguda/soroconversão), onde o TR1 (talvez mais sensível) detectou p24 ou IgM precoce, mas o TR2 ainda não; ou 3) Infecção por cepa rara ou em "controlador de elite". Manejo (Step 2): O paciente não deve ser liberado com um diagnóstico. É obrigatória a coleta de amostra por punção venosa (soro) para realização de sorologia convencional e/ou testes confirmatórios (ex: Western Blot, Imunoblot) para elucidar o resultado.
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Um paciente realiza um teste rápido para HIV 15 dias após uma exposição sexual de alto risco. O Teste Rápido 1 resulta Não Reagente. O paciente está ansioso. Qual a conduta e a justificativa baseada no fluxograma de testagem?
Diagnóstico: Coletar nova amostra em 30 dias (a partir da exposição) caso a suspeita de infecção persista, pois o paciente está provavelmente na janela imunológica. Fisiopatologia (Step 1): O paciente está na "janela imunológica". O teste rápido (mesmo 4ª gen) pode ser negativo porque os marcadores (p24, IgM, IgG) ainda não atingiram o limiar de detecção. O resultado negativo não exclui infecção aguda. (O RNA viral seria o único marcador positivo neste momento). Manejo (Step 2): O paciente deve ser orientado sobre a janela imunológica e a necessidade de repetir o teste (ex: em 30 dias após a exposição). Se o paciente estivesse sintomático (síndrome retroviral aguda), o teste de eleição seria a Carga Viral (PCR).
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Uma gestante assintomática realiza um teste rápido (TR1) no pré-natal que resulta Reagente, mas o TR2 é Não Reagente, e o teste confirmatório (Imunoblot) é negativo. Quais condições são classicamente associadas a resultados falso-positivos nos testes de rastreio para HIV?
Diagnóstico: (Conceito-chave) Condições que causam reatividade cruzada de anticorpos. Fisiopatologia (Step 1): Os testes de rastreio (ELISA/rápidos) são desenhados para máxima sensibilidade. A reatividade cruzada ocorre quando anticorpos não-HIV (produzidos durante a gestação, doenças autoimunes como Lúpus, infecções como sífilis ou Chagas, ou após vacinação recente) ligam-se erroneamente aos antígenos do teste, gerando um sinal falso-positivo. Manejo (Step 2): A existência de falsos-positivos é a razão pela qual o diagnóstico nunca é dado com um único teste reagente. O fluxograma (TR1 + TR2 ou testes confirmatórios) é desenhado para filtrar esses resultados e garantir a especificidade diagnóstica.
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Paciente é diagnosticado com HIV (anticorpos positivos), mas há 5 anos mantém contagem de CD4 normal (>500) e Carga Viral (RNA) consistentemente indetectável (<50 cópias/mL) sem nunca ter recebido Terapia Antirretroviral (TARV). Como esta condição é chamada e qual o desafio diagnóstico que ela representa?
Diagnóstico: Controlador de Elite (ou Controlador Virológico de Elite). Fisiopatologia (Step 1): (Adaptação) Estes são indivíduos raros (<1% dos infectados) cujo sistema imune (provavelmente respostas de T CD8+ citotóxicos altamente eficazes e fatores genéticos do hospedeiro, como HLA-B*57) consegue suprimir a replicação viral a níveis indetectáveis sem a ajuda de medicamentos. Manejo (Step 2): O desafio diagnóstico é que, com viremia muito baixa, alguns testes podem ser inconclusivos ou falhar (ex: testes baseados em RNA). O início da TARV, mesmo nestes pacientes, é considerado para reduzir a inflamação crônica e o risco de comorbidades não-AIDS, apesar do controle virológico.
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Na primeira consulta de um paciente recém-diagnosticado com HIV, quais são os três exames essenciais para o estadiamento da doença, avaliação do risco de progressão e definição da terapia inicial?
Diagnóstico: Contagem de Linfócitos T-CD4+ (CD4), Carga Viral do HIV (CV-HIV) e Teste de Genotipagem pré-tratamento. Fisiopatologia (Step 1): O CD4 mede o grau de imunodeficiência (o dano ao sistema imune) e o risco de infecções oportunistas. A Carga Viral (RNA viral) mede a taxa de replicação viral, que é o motor da progressão da doença e o principal indicador de transmissibilidade. A Genotipagem detecta mutações de resistência no gene pol (resistência primária), que podem ter sido transmitidas da fonte de infecção. Manejo (Step 2): O CD4 é usado para estadiamento (definindo AIDS se < 200) e para guiar a necessidade de profilaxias primárias (ex: SMX-TMP se CD4 < 200). A Carga Viral serve como baseline para monitorar a eficácia da TARV (objetivo: indetectável). A Genotipagem é crucial para selecionar um esquema de TARV (ex: Inibidores de Integrase, ITRNs) que seja totalmente ativo contra o vírus do paciente, evitando falha terapêutica.
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Por que é mandatório solicitar um perfil lipídico (Colesterol total, HDL, LDL, TG) e Glicemia de jejum na avaliação inicial de um paciente HIV+, antes de iniciar a Terapia Antirretroviral (TARV)?
Diagnóstico: Estabelecer um baseline metabólico, pois tanto a infecção crônica pelo HIV quanto os próprios antirretrovirais (TARV) aumentam o risco de distúrbios metabólicos e risco cardiovascular. Fisiopatologia (Step 1): A infecção crônica pelo HIV é um estado pró-inflamatório sistêmico que, por si só, predispõe à dislipidemia (aumento de TG, queda de HDL) e à resistência à insulina. Além disso, classes de TARV mais antigas (especialmente Inibidores de Protease - IP) e alguns ITRNs (ex: Zidovudina) estão associadas à lipodistrofia e piora do perfil metabólico. Manejo (Step 2): Ter o baseline metabólico permite ao médico 1) Avaliar o risco cardiovascular basal do paciente; 2) Escolher um esquema de TARV com perfil metabólico mais favorável (ex: Inibidores de Integrase e TAF/TDF), caso o paciente já tenha comorbidades; e 3) Monitorar objetivamente o impacto metabólico da TARV ao longo do tempo.
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Na abordagem inicial do paciente HIV+, solicita-se a sorologia IgG para Toxoplasmose. Qual é a lógica clínica deste exame, visto que o IgG apenas indica infecção passada?
Diagnóstico: (Conceito-chave) Estratificação de risco para reativação de Neurotoxoplasmose. Fisiopatologia (Step 1): O IgG positivo confirma que o paciente possui cistos latentes (bradizoítos) do Toxoplasma gondii no cérebro (infecção crônica). A imunidade celular (mediada por T CD4+) mantém esses cistos dormentes. Se o CD4 do paciente cair para níveis críticos (< 100 células/mm³), o sistema imune falha em conter os cistos, permitindo sua reativação (taquizoítos), o que causa encefalite necrosante (Neurotoxoplasmose). Manejo (Step 2): O resultado do IgG guia a profilaxia. Se o paciente tiver CD4 < 100 E IgG positivo, ele tem indicação formal de iniciar profilaxia primária (geralmente com SMX-TMP) para prevenir a reativação. Se o IgG for negativo, o paciente é suscetível (nunca teve contato), não necessita de profilaxia e deve ser orientado sobre prevenção primária (não comer carne crua, evitar contato com fezes de gato).
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O rastreio inicial do HIV+ inclui a Prova Tuberculínica (PT ou PPD) e a Radiografia de tórax, mesmo em pacientes assintomáticos. Qual o objetivo desta dupla abordagem e como ela diferencia o manejo?
Diagnóstico: Rastrear Tuberculose (TB) em suas duas formas: TB ativa (doença pulmonar) e TB latente (ILTB). Fisiopatologia (Step 1): O HIV é o maior fator de risco para reativação de TB latente em TB ativa. O PPD (PT) avalia a resposta imune celular (hipersensibilidade tardia) ao M. tuberculosis. A Radiografia de tórax busca sinais de doença ativa (infiltrados, cavitações, linfonodomegalia). Pacientes com HIV, especialmente com CD4 < 200, podem ter PPD falso-negativo (anergia) mesmo com infecção latente. Manejo (Step 2): Se PPD reator (>= 5mm no HIV) E Raio-X normal, diagnostica-se TB latente (ILTB) e inicia-se a profilaxia (ex: Isoniazida). Se o Raio-X estiver alterado (ou PPD reator com sintomas), a suspeita é de TB ativa; deve-se coletar escarro (BAAR/TRM) antes de iniciar a TARV, devido ao alto risco de Síndrome Inflamatória da Reconstituição Imune (SIRI).
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Por que a avaliação inicial do paciente HIV+ inclui exames de função hepática (AST, ALT, FA, Bilirrubinas) e renal (Creatinina, Exame básico de urina) antes do início da TARV?
Diagnóstico: Para estabelecer um baseline de segurança farmacológica e rastrear coinfecções ou danos de órgãos associados ao HIV. Fisiopatologia (Step 1): 1) Fígado: O fígado é o principal local de metabolismo de muitos ARVs (especialmente Inibidores de Protease e ITRNNs); além disso, o rastreio de Hepatites virais (B e C) é mandatório, pois estas coinfecções são comuns e podem acelerar a cirrose. 2) Rins: O HIV pode causar dano renal direto (Nefropatia Associada ao HIV - HIVAN), e alguns ARVs (notoriamente o Tenofovir - TDF) têm potencial nefrotóxico (tubulopatia proximal). Manejo (Step 2): Se a função renal estiver alterada (ex: ClCr < 60), esquemas contendo TDF são contraindicados ou devem ser ajustados (preferindo o TAF). Se houver hepatopatia grave (cirrose), fármacos com alta hepatotoxicidade (ex: Nevirapina) são evitados. O esquema TDF/FTC, usado na PrEP e na TARV, também trata Hepatite B, sendo importante saber o status do HBsAg.
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A triagem inicial do paciente HIV+ no Brasil inclui sorologias para HTLV I/II e Doença de Chagas (T. cruzi). Qual a justificativa para o rastreio destas duas infecções crônicas?
Diagnóstico: Identificar coinfecções que compartilham vias de transmissão (HTLV) ou que podem ser reativadas de forma grave pela imunodeficiência (Chagas). Fisiopatologia (Step 1): 1) HTLV: É outro retrovírus que compartilha as mesmas vias de transmissão do HIV (sexual, parenteral, vertical) e pode causar doenças neurológicas (Paraparesia Espástica Tropical - PET/HAM) e hematológicas (Leucemia/Linfoma de Células T do Adulto - ATLL). 2) Chagas: A infecção crônica por T. cruzi é controlada pela imunidade celular. A imunodeficiência grave (CD4 < 200) pode causar reativação aguda, levando à miocardite fulminante ou chagomas cerebrais (lesões de massa que mimetizam Neurotoxoplasmose). Manejo (Step 2): Saber o status sorológico basal é crucial. O diagnóstico de coinfecção por HTLV exige monitoramento neurológico e hematológico mais rigoroso. O diagnóstico de coinfecção por Chagas coloca o paciente em alerta máximo para reativação caso o CD4 caia, exigindo início rápido da TARV e monitoramento cardíaco/neurológico.
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Um paciente vivendo com HIV (PVHIV) realiza uma Prova Tuberculínica (PT/PPD) como rastreio para Infecção Latente da Tuberculose (ILTB). Qual é o diâmetro de enduração considerado "reator" (positivo) e por que esse limiar é reduzido?
Diagnóstico: 5 mm ou mais (>= 5 mm). Fisiopatologia (Step 1): O PPD é um teste de hipersensibilidade tardia (Tipo IV), mediado pela resposta de memória dos linfócitos T CD4+ aos antígenos do M. tuberculosis. Pacientes com HIV têm depleção e disfunção dessas células, resultando em "anergia" (uma resposta cutânea diminuída ou ausente, mesmo se infectados). O limiar é reduzido de 10mm (população geral) para 5mm para aumentar a sensibilidade do teste nesta população imunossuprimida. Manejo (Step 2): Se o PPD for >= 5mm, considera-se ILTB. O próximo passo mandatório é excluir TB ativa (rastreio de 4 sintomas + Raio-X de tórax). Se a TB ativa for excluída, o paciente tem indicação de tratamento para ILTB (profilaxia, ex: Isoniazida + Rifapentina).
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Um paciente HIV+, recém-diagnosticado, apresenta CD4 de 180 células/mm³. Ele está assintomático, nega tosse, febre ou perda de peso, e seu Raio-X de tórax é normal. A Prova Tuberculínica (PPD) resulta em 0 mm (não reator). Qual é a conduta em relação à Tuberculose latente (ILTB)?
Diagnóstico: Iniciar tratamento para Infecção Latente de Tuberculose (ILTB), independentemente do resultado do PPD. Fisiopatologia (Step 1): Em pacientes com imunodeficiência moderada a grave (CD4 < 350), o risco de reativação de TB (se houver ILTB) ou de progressão rápida para doença grave (se houver infecção primária) é altíssimo. Além disso, o PPD negativo (0 mm) é provavelmente um falso-negativo devido à anergia (incapacidade de montar uma resposta imune cutânea), não sendo confiável para excluir ILTB. Manejo (Step 2): A diretriz brasileira indica tratamento para ILTB em todos os PVHIV com CD4 < 350, mesmo com PPD/IGRA negativos, desde que a TB ativa tenha sido rigorosamente excluída (Rastreio de 4 sintomas + Raio-X de tórax).
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Paciente HIV+, CD4 de 400 células/mm³, assintomático, com PPD de 3 mm (não reator). Um ano depois, após iniciar TARV, seu CD4 está em 550 células/mm³. O PPD é repetido e novamente resulta em 3 mm. Qual a conduta?
Diagnóstico: Repetir a Prova Tuberculínica (PT) anualmente. Fisiopatologia (Step 1): O PPD < 5 mm é considerado negativo para este paciente (que tem CD4 > 350). A repetição do teste após a reconstituição imune (aumento do CD4 pela TARV) foi importante, pois um PPD negativo inicial poderia ser por anergia, mesmo com CD4 > 350. Como ele se manteve negativo após a reconstituição, assume-se que ele não tem ILTB no momento. Manejo (Step 2): O paciente (CD4 > 350 e PPD < 5mm) não tem indicação de tratamento para ILTB. No entanto, como ele permanece em risco de adquirir TB, o rastreio com PPD deve ser repetido anualmente.
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Paciente HIV+ (CD4=500, PPD=0mm) informa que seu colega de trabalho foi diagnosticado com TB pulmonar bacilífera há uma semana. O paciente HIV+ está assintomático e tem Raio-X de tórax normal. Qual é a conduta, apesar do CD4 alto e PPD negativo?
Diagnóstico: Iniciar tratamento para Infecção Latente de Tuberculose (ILTB) (quimioprofilaxia) imediatamente. Fisiopatologia (Step 1): Este paciente é um contato próximo de um caso bacilífero (fonte de alta exposição). Devido à infecção pelo HIV, seu risco de progredir da infecção primária (que pode estar ocorrendo agora) para TB ativa é muito elevado. O PPD negativo (0mm) é esperado, pois pode estar na janela imunológica da infecção recente por TB (leva semanas para positivar). Manejo (Step 2): A exposição a um contato bacilífero é uma indicação absoluta de tratamento para ILTB em PVHIV, independentemente do resultado do PPD ou da contagem de CD4, após a exclusão de TB ativa (que foi feita com rastreio de sintomas e Raio-X).
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Paciente HIV+, CD4=40, é internado com febre, tosse e perda de peso. A investigação de escarro (BAAR e TRM-TB/Xpert) é negativa. Devido à imunossupressão grave, a equipe suspeita de TB disseminada. Qual novo teste rápido, realizado na urina, pode diagnosticar TB ativa neste cenário?
Diagnóstico: Teste de fluxo lateral para detecção do antígeno Lipoarabionomanano (LF-LAM) na urina. Fisiopatologia (Step 1): O Lipoarabionomanano (LAM) é um glicolipídio da parede celular do M. tuberculosis. Em pacientes com HIV e imunodeficiência grave (CD4 < 100), a TB frequentemente se dissemina (bacteremia) e os bacilos são filtrados pelos rins. O LAM é liberado na urina, tornando-se detectável. Em pacientes com CD4 alto, a doença é contida no pulmão (paucibacilar ou sem disseminação), e o LAM urinário é geralmente negativo. Manejo (Step 2): O LF-LAM é um teste rápido (resultado em 25 min) para diagnóstico de TB ativa (não latente). Sua maior utilidade é em pacientes HIV+ gravemente imunossuprimidos (CD4 < 100-200), hospitalizados, onde os testes de escarro são frequentemente negativos. Um resultado positivo permite o início imediato do tratamento para TB.
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Quais são os quatro sintomas cardinais que devem ser investigados em todas as consultas de um paciente HIV+, cuja presença indica a necessidade de investigação para TB ativa e contraindica o tratamento para TB latente?
Diagnóstico: Tosse (de qualquer duração), Febre, Emagrecimento (perda ponderal inexplicada) e Sudorese Noturna. Fisiopatologia (Step 1): (Adaptação) Esses sintomas sistêmicos (febre, sudorese, emagrecimento) são mediados por citocinas inflamatórias (TNF-alfa, IL-1) liberadas durante a replicação ativa do M. tuberculosis (doença ativa). A tosse reflete o envolvimento pulmonar. A presença de qualquer um deles sugere falha do sistema imune em conter o bacilo. Manejo (Step 2): O rastreio de 4 sintomas é a primeira etapa para diferenciar TB ativa de latente. Se o paciente apresentar qualquer um desses sintomas, o tratamento para ILTB (profilaxia) está contraindicado. O paciente deve ser submetido à investigação diagnóstica para TB ativa (Raio-X de tórax, BAAR, TRM-TB/Xpert).
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Paciente gestante HIV+ (38 semanas) está em TARV e sua Carga Viral (CV) é de 1.500 cópias/mL. Qual é a via de parto indicada e por que ela difere da conduta para uma paciente com CV indetectável?
Diagnóstico: Cesárea eletiva. A via de parto é definida pelo limiar de 1.000 cópias/mL. Fisiopatologia (Step 1): A transmissão vertical intraparto ocorre pela exposição do feto ao sangue materno e secreções genitais no canal de parto. Uma CV > 1.000 cópias/mL indica alto risco de transmissão. A cesárea eletiva (feita antes do rompimento das membranas e do início do trabalho de parto) funciona como uma barreira mecânica, contornando o canal de parto contaminado e reduzindo significativamente o risco de inoculação viral. Manejo (Step 2): A conduta é agendar cesárea eletiva (idealmente 38ª semana). Durante o periparto (iniciado 3h antes da cirurgia), a gestante deve receber Zidovudina (AZT) intravenosa para reduzir ainda mais a viremia. Se a CV fosse < 1.000 cópias/mL, o risco de transmissão seria mínimo, e o parto vaginal (via obstétrica) seria seguro e indicado (e o AZT EV dispensado, se CV indetectável).
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Um recém-nascido (RN) nasceu de mãe HIV+ que não realizou pré-natal e cuja Carga Viral (CV) no momento do parto era desconhecida (>1.000 cópias/mL por presunção). Qual é o esquema profilático antirretroviral (ARV) indicado para este RN?
Diagnóstico: Profilaxia combinada: Zidovudina (AZT) xarope (por 4 semanas) + Nevirapina (NVP) xarope (em 3 doses). Fisiopatologia (Step 1): Este RN é classificado como de "alto risco" para transmissão vertical, pois a mãe estava com replicação viral presumidamente alta (sem TARV). O AZT (ITRN) e a NVP (ITRNN) atuam como uma potente Profilaxia Pós-Exposição (PEP), bloqueando a enzima Transcriptase Reversa em dois sítios diferentes, para impedir que qualquer vírus transmitido durante o parto consiga estabelecer a infecção sistêmica nas células do RN. Manejo (Step 2): A profilaxia deve ser iniciada o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 4 horas de vida. Se a CV materna fosse conhecida e < 1.000 cópias/mL, o RN seria de baixo risco, e a profilaxia seria simplificada, usando apenas AZT xarope por 4 semanas. A amamentação é contraindicada.
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Paciente HIV+ (CD4=40) é diagnosticado com Tuberculose Meníngea e inicia o tratamento com RIPE. A equipe decide adiar o início da TARV por algumas semanas. Qual fenômeno é a principal preocupação ao iniciar a TARV neste cenário de infecção oportunista (OI) neurológica?
Diagnóstico: Risco de Síndrome Inflamatória da Reconstituição Imune (SIRI ou IRIS), especificamente a SIRI paradoxal. Fisiopatologia (Step 1): A TARV, ao suprimir o HIV, permite a rápida recuperação da função dos linfócitos T CD4+ (reconstituição imune). O sistema imune "recuperado" reconhece os antígenos do M. tuberculosis (mortos ou vivos) presentes no SNC e monta uma resposta inflamatória exacerbada. Em um sítio fechado (cérebro), essa inflamação causa edema, vasculite e hipertensão intracraniana, levando à piora neurológica "paradoxal", que pode ser fatal. Manejo (Step 2): O diagnóstico da SIRI é clínico (piora dos sintomas após 4-8 semanas de TARV, com queda da CV e aumento do CD4). Para prevenir a SIRI grave em OIs do SNC (Cripto, TB Meníngea), a TARV é intencionalmente adiada por 2 a 8 semanas, até que o tratamento da OI tenha reduzido a carga antigênica e a inflamação inicial.
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Paciente HIV+ (CD4=60) inicia TARV. Seis semanas depois, com o CD4 subindo para 180, ele apresenta febre, linfadenopatia cervical e infiltrado pulmonar, sendo diagnosticado com Tuberculose. Ele era assintomático antes da TARV. Como é classificado este tipo de SIRI?
Diagnóstico: SIRI "Desmascarada" (Unmasking IRIS). Fisiopatologia (Step 1): A SIRI "Desmascarada" ocorre quando o paciente tinha uma infecção oportunista (OI) subclínica e assintomática (ex: TB paucibacilar) antes da TARV. A imunodeficiência grave (CD4=60) impedia o sistema imune de reconhecer ou reagir à infecção. A TARV restaurou a imunidade (CD4=180), permitindo que o sistema imune "desmascarasse" a infecção ao montar uma resposta inflamatória vigorosa contra ela. Manejo (Step 2): O manejo difere da SIRI Paradoxal (piora de uma doença já tratada). Na SIRI Desmascarada, a TARV deve ser mantida e o tratamento completo para a OI (Tuberculose) deve ser iniciado imediatamente, associado a corticosteroides se a inflamação for grave.
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Paciente HIV+ inicia TARV. Qual é o objetivo virológico do tratamento e o prazo esperado para atingi-lo, e por que a adesão rigorosa é fundamental?
Diagnóstico: (Conceito-chave) O objetivo é atingir a supressão viral (Carga Viral indetectável, <50 cópias/mL) em até 24 semanas (6 meses). Fisiopatologia (Step 1): A adesão rigorosa é crucial porque os ARVs têm meias-vidas curtas. Níveis subterapêuticos (causados por falha na adesão) são insuficientes para bloquear a replicação, mas suficientes para exercer pressão seletiva, permitindo que o vírus (que tem alta taxa de mutação) selecione mutações de resistência. A supressão total (<50 cópias) impede a replicação e, portanto, impede a seleção de resistência. Manejo (Step 2): Atingir a supressão viral (CV indetectável) é o sucesso terapêutico. Isso interrompe a progressão da doença (permite a reconstituição do CD4), reduz a inflamação crônica (diminui risco de eventos não-AIDS) e elimina a transmissão sexual (I=I).
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Paciente HIV+ com contagem de CD4 de 150 células/mm³ precisa viajar para uma área endêmica de febre amarela. Quais vacinas de vírus vivo atenuado estão absolutamente contraindicadas nesta faixa de CD4?
Diagnóstico: Vacinas de vírus vivo atenuado, incluindo Febre Amarela, Tríplice Viral (Sarampo, Caxumba, Rubéola) e Varicela. Fisiopatologia (Step 1): Vacinas de vírus vivo atenuado contêm patógenos enfraquecidos. Em um hospedeiro imunocompetente, elas causam uma infecção subclínica controlada que gera imunidade robusta. Em um paciente com imunodeficiência celular grave (CD4 < 200), o sistema imune é incapaz de controlar a replicação do vírus vacinal, o que pode levar à doença disseminada e fatal (ex: febre amarela viscerotrópica, encefalite por sarampo) causada pela própria vacina. Manejo (Step 2): A vacinação com vírus vivo é contraindicada em pacientes com CD4 < 200. A vacina de Febre Amarela é a mais restritiva, exigindo CD4 >= 350. O manejo correto é focar na TARV, adiar a vacinação até a reconstituição imune (CD4 > 200 para Tríplice Viral, > 300 para Varicela, > 350 para Febre Amarela) e, no caso da viagem, emitir um atestado de isenção de vacinação e focar em medidas de prevenção (repelentes, evitar zonas de mata).
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Paciente HIV+ (CD4=400) é suscetível à Hepatite B (Anti-HBc negativo e Anti-HBs negativo). Como o esquema vacinal para Hepatite B difere para este paciente em comparação com a população geral para otimizar a resposta?
Diagnóstico: Administrar a vacina de Hepatite B em dose dobrada (ex: 40 mcg em vez de 20 mcg), em um esquema especial de 4 doses (nos meses 0, 1, 2 e 6 a 12). Fisiopatologia (Step 1): A infecção crônica pelo HIV causa disfunção dos linfócitos B e exaustão dos linfócitos T, prejudicando a capacidade do paciente de montar uma resposta de anticorpos robusta (soroconversão) após a vacinação. A "resposta vacinal" é mais fraca. O uso de dose dobrada (maior carga de antígeno) e um esquema estendido (4 doses) visa superar essa anergia/disfunção imune para estimular uma resposta de anticorpos protetora (Anti-HBs > 10 mUI/mL) mais eficaz. Manejo (Step 2): O esquema de dose dobrada deve ser iniciado. Após o término do esquema, é fundamental testar a soroconversão (dosar Anti-HBs quantitativo 1-2 meses após a última dose). Se o paciente permanecer não-reator (<10), um segundo ciclo de 3-4 doses dobradas pode ser tentado, ou deve-se focar no aconselhamento de risco.
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Paciente HIV+ com 28 anos, CD4 de 250 células/mm³, está assintomático e suscetível ao sarampo (sem história vacinal). Ele pode receber a vacina Tríplice Viral (MMR)? E se fosse a vacina de Varicela (Catapora)?
Diagnóstico: Sim, ele pode e deve receber a Tríplice Viral (MMR), pois seu CD4 está acima do limiar de segurança (>200 células/mm³). No entanto, ele não deve receber a vacina de Varicela. Fisiopatologia (Step 1): Ambas são vacinas de vírus vivo atenuado. O risco de doença vacinal disseminada está relacionado ao nível de imunodeficiência. Para a Tríplice Viral (MMR), estudos mostraram segurança com CD4 > 200. Para a Varicela, o vírus vacinal (Oka) é considerado mais virulento em imunossuprimidos, exigindo um limiar de segurança mais alto (CD4 >= 300 células/mm³) para garantir que o sistema imune possa controlá-lo. Manejo (Step 2): A conduta é administrar a Tríplice Viral (MMR) agora (2 doses com intervalo). A vacina de Varicela deve ser adiada até que a TARV eleve o CD4 para > 300 células/mm³.
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Paciente HIV+ (CD4=100) comparece para consulta de rotina em abril, durante a campanha nacional de vacinação. Ele pode receber a vacina da gripe (Influenza)? Qual vacina é recomendada?
Diagnóstico: Sim. Ele deve receber a vacina da Influenza (gripe) anualmente, mas exclusivamente a formulação inativada (injetável), que é segura em qualquer faixa de CD4. Fisiopatologia (Step 1): Vacinas inativadas (vírus morto) não contêm organismos vivos e não têm capacidade de replicação, portanto, não podem causar infecção. Elas são seguras em pacientes gravemente imunossuprimidos (CD4 < 200). Embora a eficácia (resposta de anticorpos) possa ser menor com CD4 baixo, algum grau de proteção é crucial, dado o alto risco de complicações graves e morte por Influenza nesta população. Manejo (Step 2): Administrar a vacina da Influenza inativada (intramuscular) anualmente. A vacina de Influenza atenuada (spray nasal, se disponível) é contraindicada. Este paciente (CD4 < 200) também tem indicação formal de vacinação pneumocócica (PPSV23 e/ou PCV13) devido ao alto risco de pneumonia bacteriana invasiva.
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Paciente HIV+ (HSH, CD4=350) é suscetível à Hepatite A (Anti-HAV negativo). Ele também é portador crônico de Hepatite C. Qual a recomendação vacinal para Hepatite A e por que ela é especialmente importante neste paciente?
Diagnóstico: Vacinação para Hepatite A (duas doses, 0 e 6-12 meses). Fisiopatologia (Step 1): A vacina de Hepatite A (vírus inativado) é segura em pacientes HIV+. A importância da vacinação é crítica neste paciente por dois motivos: 1) Fator de risco comportamental (HSH) e 2) Comorbidade (Hepatite C). Em pacientes com hepatopatia crônica preexistente (pela Hepatite C), uma superinfecção aguda pelo vírus da Hepatite A (VHA) pode ser fulminante, pois o fígado já tem reserva funcional diminuída, levando à insuficiência hepática aguda-na-crônica. Manejo (Step 2): A vacinação é fortemente indicada para prevenir a superinfecção aguda. O esquema padrão (2 doses) é recomendado, e a vacina deve ser oferecida a todos os HIV+ suscetíveis, especialmente aqueles com coinfecção por Hepatite B/C ou outros fatores de risco (HSH, usuários de drogas).