Malaria. Flashcards

(43 cards)

1
Q

Paciente masculino, 30 anos, retorna de viagem à região Amazônica há 10 dias. Apresenta picos febris de 40°C, calafrios intensos e sudorese profunda, que ocorrem em ciclos de 48 horas (Febre Terçã). Relata mialgia intensa e mal-estar.

A

Diagnóstico: Malária, provável Plasmodium vivax (Febre Terçã Benigna) ou P. falciparum (Febre Terçã Maligna).

Fisiopatologia (Step 1): Os sintomas cíclicos são causados pela lise maciça e sincronizada de eritrócitos (hemólise) pelo Plasmodium durante a esquizogonia (reprodução assexuada). Esta ruptura libera merozoítos, pigmento malárico (hemozoína) e produtos metabólicos parasitários, que ativam macrófagos e desencadeiam uma resposta inflamatória sistêmica abrupta com liberação de citocinas (TNF-alfa, IL-1). Essas citocinas atuam no hipotálamo, reajustando o termostato corporal e causando o pico febril e os calafrios.

Manejo (Step 2): O diagnóstico padrão-ouro e urgente é o exame parasitológico direto (gota espessa), que permite identificar a espécie do Plasmodium (essencial para diferenciar P. vivax de P. falciparum) e quantificar a parasitemia (indicador de gravidade). Testes rápidos (antígenos) podem ser usados para triagem, mas a gota espessa é fundamental para guiar o tratamento específico (ex: Cloroquina+Primaquina vs. Artemeter+Lumefantrina).

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2
Q

Paciente, 28 anos, gestante (primigesta), em área endêmica, é trazida ao PS com rebaixamento do nível de consciência, febre alta e convulsões. Exames laboratoriais mostram hipoglicemia (45 mg/dL), lactato elevado e a gota espessa revela parasitemia > 10% por Plasmodium falciparum.

A

Diagnóstico: Malária grave (Malária cerebral) por Plasmodium falciparum.

Fisiopatologia (Step 1): O P. falciparum causa doença grave através da citoaderência. As hemácias infectadas expressam proteínas de superfície (ex: PfEMP1) que as fazem aderir ao endotélio vascular da microvasculatura (cérebro, rins, placenta). Isso causa obstrução mecânica, sequestro de parasitas, hipóxia tecidual e disfunção de múltiplos órgãos. A hipoglicemia ocorre pelo consumo aumentado de glicose pelo parasita e pela supressão da gliconeogênese hepática induzida por citocinas.

Manejo (Step 2): Internação imediata em UTI. O tratamento de escolha para malária grave é Artesunato intravenoso (IV) o mais rápido possível. Além da terapia antiparasitária, o manejo exige suporte vital agressivo, incluindo correção da hipoglicemia (glicose IV), controle de convulsões (benzodiazepínicos), hidratação cuidadosa (risco de EAP) e monitoramento rigoroso da função renal e hemodinâmica.

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3
Q

Paciente diagnosticado com malária por Plasmodium vivax através da gota espessa. O paciente está febril, mas hemodinamicamente estável e sem critérios de gravidade. O tratamento prescrito foi Cloroquina por 3 dias e Primaquina por 7 dias. Qual o racional para este regime duplo?

A

Diagnóstico: Tratamento de malária não complicada por P. vivax com cura radical.

Fisiopatologia (Step 1): O P. vivax (e P. ovale) possui formas latentes no fígado chamadas hipnozoítos (originadas dos esporozoítos). A Cloroquina é um esquizonticida sanguíneo, eficaz contra as formas eritrocitárias que causam os sintomas (febre), mas não atua nos hipnozoítos hepáticos. Se apenas a cloroquina for usada, os hipnozoítos podem reativar meses ou anos depois, causando recaídas (relapsos).

Manejo (Step 2): O tratamento visa duas frentes: 1) Cloroquina (por 3 dias) para eliminar as formas sanguíneas (tratar a infecção aguda e os sintomas); 2) Primaquina (por 7 dias) como esquizonticida tecidual para erradicar os hipnozoítos hepáticos (cura radical, prevenindo recaídas). Antes de iniciar a Primaquina, é mandatório dosar a atividade da enzima G6PD, pois este fármaco pode induzir hemólise grave em pacientes deficientes.

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4
Q

Paciente com febre e mialgia pós-viagem à Amazônia. A gota espessa confirma diagnóstico de malária por Plasmodium falciparum com baixa parasitemia (1,5%). O paciente está alerta, sem vômitos, hemodinamicamente estável e com exames laboratoriais normais. Qual a conduta?

A

Diagnóstico: Malária não complicada por Plasmodium falciparum.

Fisiopatologia (Step 1): O P. falciparum evoluiu com resistência generalizada à Cloroquina em muitas regiões, incluindo a Amazônia. Portanto, esquemas baseados em Cloroquina são ineficazes. A terapia combinada baseada em artemisinina (ACT) é necessária para garantir a eliminação rápida do parasita e prevenir a progressão para formas graves, que podem ocorrer rapidamente com o P. falciparum.

Manejo (Step 2): O tratamento de escolha (1ª linha) é a terapia combinada (ACT), sendo o esquema padrão no Brasil a combinação fixa de Artemeter + Lumefantrina por 3 dias (via oral). O paciente deve ser rigorosamente orientado sobre a adesão (tomar as doses com alimento gorduroso para aumentar a absorção da Lumefantrina) e monitorado para garantir a eliminação do parasita, dada a capacidade do P. falciparum de progredir rapidamente para doença grave.

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5
Q

Em um contexto de suspeita de malária (febre intermitente em paciente de área endêmica), por que o exame da gota espessa é considerado o padrão-ouro para diagnóstico e controle de tratamento, mesmo com a disponibilidade de testes rápidos?

A

Diagnóstico: Exame parasitológico direto (Gota Espessa) como padrão-ouro no diagnóstico de Malária.

Fisiopatologia (Step 1): A técnica da gota espessa envolve a lise das hemácias, concentrando os parasitas (formas sanguíneas do Plasmodium) em uma pequena área, o que aumenta significativamente a sensibilidade diagnóstica, permitindo a detecção mesmo em baixas parasitemias. O esfregaço delgado (feito em conjunto) fixa as hemácias, preservando a morfologia parasitária e da célula hospedeira, o que é crucial para a identificação correta da espécie.

Manejo (Step 2): A gota espessa é insubstituível pois fornece três informações críticas que os testes rápidos não oferecem: 1) Diferenciação da espécie (ex: P. falciparum vs. P. vivax, que têm tratamentos e prognósticos distintos); 2) Quantificação da parasitemia (crucial para definir malária grave e monitorar a resposta ao tratamento); e 3) Verificação da cura parasitológica pós-tratamento. A precocidade diagnóstica (pela gota espessa ou teste rápido) é vital para o bom prognóstico.

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6
Q

Paciente com febre, calafrios intensos, tremores, mialgias e mal-estar geral. Qual a base fisiopatológica direta desses sintomas paroxísticos na malária?

A

Diagnóstico: Lise eritrocitária (esquizogonia) e consequente resposta inflamatória sistêmica.

Fisiopatologia (Step 1): Os sintomas são causados pela lise maciça e sincronizada de eritrócitos (hemólise) ao final da esquizogonia eritrocitária. Esta ruptura libera não apenas novos merozoítos, mas também pigmento malárico (hemozoína) e outros produtos metabólicos parasitários. Essas substâncias ativam macrófagos e monócitos, desencadeando uma resposta inflamatória abrupta com liberação de citocinas (TNF-alfa, IL-1), que atuam no hipotálamo e causam o pico febril e os calafrios.

Manejo (Step 2): O diagnóstico de suspeita (febre + epidemiologia) exige a confirmação parasitológica imediata (padrão-ouro é a gota espessa) para identificar a espécie e a parasitemia. O manejo terapêutico visa interromper este ciclo de lise eritrocitária com esquizonticidas sanguíneos (ex: Cloroquina, Artemisininas), aliviando os sintomas e prevenindo a progressão para doença grave.

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7
Q

Paciente foi tratado para malária por Plasmodium vivax há 6 meses na Amazônia. Ele retorna agora com febre e calafrios, negando novas viagens ou picadas de mosquito. Qual é o mecanismo mais provável para este novo episódio sintomático?

A

Diagnóstico: Recaída (Relapso) da malária por reativação de hipnozoítos hepáticos.

Fisiopatologia (Step 1): As espécies P. vivax e P. ovale formam hipnozoítos (do grego hypnos, sono), que são formas parasitárias latentes que permanecem dormentes nos hepatócitos. O tratamento inicial (com esquizonticidas sanguíneos como a Cloroquina) elimina os parasitas circulantes no sangue (que causam a febre), mas não atinge os hipnozoítos. Meses depois, estes podem reativar, reiniciando o ciclo hepático e depois o eritrocitário, causando a recaída.

Manejo (Step 2): Este cenário exige a “cura radical”. O tratamento deve incluir um esquizonticida sanguíneo (para a fase aguda, ex: Cloroquina) e, crucialmente, um esquizonticida tecidual (para os hipnozoítos, ex: Primaquina). Antes de iniciar a Primaquina, é mandatório testar a atividade da enzima G6PD, pois este fármaco pode induzir hemólise grave em pacientes com deficiência desta enzima.

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8
Q

Qual é a forma infectante do Plasmodium injetada no humano pela saliva da fêmea do mosquito Anopheles e qual é o primeiro órgão-alvo onde ocorre o ciclo de reprodução pré-eritrocitário?

A

Diagnóstico: Forma infectante: Esporozoíto. Órgão-alvo: Fígado (Hepatócitos).

Fisiopatologia (Step 1): Após a picada, os esporozoítos (forma infectante) entram na corrente sanguínea, mas desaparecem rapidamente (cerca de 1 hora), pois migram ativamente para os hepatócitos. No fígado, eles iniciam a esquizogonia tecidual (ciclo exo-eritrocitário), um período de reprodução assexuada que dura dias (7-17 dias, dependendo da espécie), formando milhares de merozoítos. Esta fase é assintomática e corresponde ao período de incubação.

Manejo (Step 2): Esta fase hepática silenciosa é o alvo da quimioprofilaxia para viajantes. Drogas profiláticas (ex: Atovaquona/Proguanil ou Primaquina) atuam matando o parasita no estágio hepático, antes que os merozoítos sejam liberados no sangue e causem a doença clínica (febre). O tratamento da doença ativa (fase sanguínea) geralmente não elimina esta fase hepática.

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9
Q

No ciclo de vida do Plasmodium, por que o mosquito Anopheles é considerado o hospedeiro definitivo e o ser humano o hospedeiro intermediário?

A

Diagnóstico: O hospedeiro definitivo é onde ocorre a reprodução sexuada (mosquito), e o intermediário é onde ocorre a reprodução assexuada (humano).

Fisiopatologia (Step 1): O humano desenvolve a reprodução assexuada (esquizogonia) no fígado e nos eritrócitos, produzindo merozoítos (que causam a doença) e gametócitos (formas sexuais). O mosquito, ao picar um humano infectado, ingere os gametócitos. No intestino do mosquito, os gametócitos se fundem (fecundação, reprodução sexuada), formando o zigoto (oocineto), que evolui para oocisto e libera novos esporozoítos, completando o ciclo.

Manejo (Step 2): A compreensão desse ciclo impacta o controle de saúde pública. O tratamento do paciente (hospedeiro intermediário) com drogas gametocitocidas (como a Primaquina, no caso do P. falciparum) é crucial não para curar os sintomas do paciente, mas para interromper a transmissão, impedindo que os mosquitos se infectem e perpetuem o ciclo na comunidade (bloqueio de transmissão).

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10
Q

Paciente, 40 anos, residente em São Paulo (capital), retorna de férias de 15 dias em uma área de ecoturismo no litoral do Espírito Santo (região de Mata Atlântica). Apresenta quadro febril agudo intermitente há 3 dias. Qual é o diagnóstico diferencial infeccioso de notificação compulsória imediata que deve ser considerado?

A

Diagnóstico: Malária, especificamente Malária da Mata Atlântica (provável Plasmodium vivax).

Fisiopatologia (Step 1): Embora 99% dos casos no Brasil sejam na Amazônia, existem focos de transmissão autóctone de P. vivax (possivelmente variante simium) em áreas de Mata Atlântica, onde o vetor (espécies de Anopheles, como A. darlingi ou A. cruzii) se adapta a criadouros locais. A febre no viajante reflete a infecção adquirida pela picada do vetor, seguida do período de incubação (10-17 dias para P. vivax) e o início do ciclo eritrocitário.

Manejo (Step 2): Em áreas extra-amazônicas, qualquer caso suspeito de malária (febre em viajante de área de risco, mesmo Mata Atlântica) é considerado uma emergência epidemiológica e exige notificação compulsória imediata (antes mesmo da confirmação laboratorial). A coleta da gota espessa deve ser feita com urgência para confirmação e início rápido do tratamento, quebrando uma potencial cadeia de transmissão local.

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11
Q

Paciente de 25 anos, garimpeiro, trabalhando no estado do Amazonas, apresenta-se com febre terçã (picos a cada 48h), mialgia e cefaleia. Qual é o agente etiológico mais provável da malária neste cenário epidemiológico brasileiro?

A

Diagnóstico: Plasmodium vivax.

Fisiopatologia (Step 1): Embora a malária por P. falciparum seja a mais grave globalmente, no Brasil, especialmente na região Amazônica, o P. vivax é responsável pela grande maioria dos casos. A febre terçã (a cada 48h) ocorre devido ao ciclo eritrocitário sincronizado. A ocupação (garimpo, agricultura) e a pobreza aumentam o risco de exposição ao vetor (Anopheles darlingi), cujos criadouros são águas limpas e sombreadas, comuns na região.

Manejo (Step 2): O manejo prioritário é a coleta da gota espessa para confirmação de espécie e parasitemia. Se confirmado P. vivax não complicado, o tratamento padrão é Cloroquina (para os sintomas/fase sanguínea) e Primaquina (para os hipnozoítos/evitar recaídas), após afastar deficiência de G6PD. Apesar de considerado “benigno”, o P. vivax no Brasil tem mostrado aumento na frequência de casos graves.

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12
Q

Paciente com febre intermitente pós-viagem à Amazônia. Qual é o exame padrão-ouro para o diagnóstico de malária e quais as três informações cruciais para o manejo que ele fornece, que não são fornecidas pelos testes rápidos?

A

Diagnóstico: O padrão-ouro é a microscopia da Gota Espessa.

Fisiopatologia (Step 1): A técnica da gota espessa lisa as hemácias, concentrando os parasitas e permitindo a detecção em baixas densidades (5-10 parasitas/µL). O esfregaço delgado (feito em conjunto) preserva a morfologia, permitindo a identificação da espécie exata e do estágio evolutivo do parasita.

Manejo (Step 2): As informações cruciais que os testes rápidos não fornecem são: 1) Diferenciação de todas as espécies (ex: P. vivax de P. malariae); 2) Quantificação da densidade da parasitemia (essencial para definir malária grave e monitorar resposta terapêutica); 3) Identificação de estágios (ex: gametócitos) e uso para controle de cura pós-tratamento.

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13
Q

Paciente com malária inicia quadro com tremor generalizado e calafrios intensos (15-60 min), evoluindo para temperatura de 41°C com cefaleia e vômitos, e terminando com sudorese intensa. Como se chama esta tríade e qual seu mecanismo?

A

Diagnóstico: Ataque paroxístico agudo da Malária (sequência: Calafrio -> Febre -> Sudorese).

Fisiopatologia (Step 1): O paroxismo é a manifestação clínica da esquizogonia eritrocitária (lise de hemácias) sincronizada. A lise libera merozoítos e produtos parasitários (ex: hemozoína), ativando uma resposta imune maciça com liberação de citocinas (TNF-alfa, IL-1), que causam o calafrio (vasoconstrição) e a febre (reajuste hipotalâmico). A sudorese é a fase de defervescência.

Manejo (Step 2): O padrão cíclico (ex: Terçã, a cada 48h) pode não estar presente inicialmente (febre intermitente). O manejo é sintomático (antitérmicos) e, o mais importante, início imediato da terapia esquizonticida sanguínea (ex: Artemisininas, Cloroquina) após confirmação diagnóstica, para interromper os ciclos de lise.

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14
Q

Paciente, 25 anos, primigesta, viajando pela primeira vez para área endêmica de malária, é diagnosticada com P. falciparum. Por que este perfil de paciente é considerado de alto risco para malária grave e letalidade?

A

Diagnóstico: Malária em primigesta e primoinfectada (paciente não-imune).

Fisiopatologia (Step 1): Pacientes primoinfectados não possuem imunidade adquirida (anticorpos) contra o parasita. A gravidez, especialmente a primigesta, é um estado de imunossupressão relativa e o P. falciparum tem tropismo pela placenta (sequestro placentário), causando hipóxia fetal e aumentando o risco materno. Crianças também são vulneráveis pela imaturidade do sistema imune.

Manejo (Step 2): Este cenário (gestante, criança ou primoinfectado com P. falciparum) exige vigilância máxima para sinais de gravidade. O diagnóstico precoce e o tratamento oportuno e correto (com esquemas seguros na gestação, ex: ACTs no 2º/3º trimestre) são cruciais para reduzir a letalidade materno-fetal.

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15
Q

Paciente retorna de viagem à Amazônia com febre alta, mialgia e cansaço. O médico suspeita clinicamente de malária. Por que a confirmação laboratorial (Gota Espessa ou Teste Rápido) é mandatória antes de iniciar o tratamento?

A

Diagnóstico: Necessidade de confirmação laboratorial devido à baixa especificidade clínica e diagnósticos diferenciais graves.

Fisiopatologia (Step 1): A malária, especialmente na fase inicial, causa uma síndrome febril aguda inespecífica (febre, mialgia, cefaleia). Esta síndrome é clinicamente indistinguível de outras doenças febris agudas endêmicas, como Dengue, Febre Amarela, Leptospirose e Febre Tifoide, que possuem fisiopatologias e tratamentos completamente diferentes.

Manejo (Step 2): A tomada de decisão para tratar malária NUNCA deve ser baseada apenas na suspeita clínica. É obrigatória a confirmação laboratorial. Iniciar o antimalárico incorretamente expõe o paciente a drogas desnecessárias e, mais perigoso, atrasa o diagnóstico e tratamento da doença correta (ex: antibióticos para Leptospirose), aumentando a morbimortalidade.

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16
Q

Em um posto de saúde remoto na Amazônia, sem microscopista treinado, um paciente chega com febre alta e suspeita de malária. Qual é a ferramenta diagnóstica mais apropriada e qual sua principal limitação?

A

Diagnóstico: Teste Rápido Imunocromatográfico (detecção de antígenos).

Fisiopatologia (Step 1): Os testes rápidos detectam antígenos parasitários (ex: HRP2 para P. falciparum ou pLDH para Plasmodium em geral) através de anticorpos monoclonais em uma fita. É um método rápido (15-20 min) que não exige expertise em microscopia.

Manejo (Step 2): É a ferramenta de escolha em locais sem capacidade de microscopia (Gota Espessa) ou em situações de emergência que exigem um diagnóstico imediato (ex: gravidade). Suas principais limitações são a incapacidade de quantificar a parasitemia (essencial para definir gravidade) e, dependendo do teste, de diferenciar espécies não-falciparum (ex: P. vivax de P. malariae).

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17
Q

Qual é o mecanismo fisiopatológico central, exclusivo do P. falciparum, que explica a falência de múltiplos órgãos (cérebro, rins, pulmões) na malária grave?

A

Diagnóstico: Bloqueio microvascular por sequestro de hemácias parasitadas (Citoaderência).

Fisiopatologia (Step 1): As hemácias infectadas pelo P. falciparum expressam proteínas de superfície (ex: PfEMP1) que as fazem aderir ao endotélio capilar e também a hemácias não infectadas (formação de “rosetas”). Este fenômeno causa obstrução mecânica generalizada da microcirculação, hipóxia tecidual e disfunção orgânica (ex: malária cerebral, insuficiência renal).

Manejo (Step 2): A presença de qualquer disfunção orgânica (ex: prostração, alteração da consciência, dispneia, oligúria, icterícia) em um paciente com P. falciparum define malária grave. O manejo exige internação imediata (UTI) e terapia antiparasitária parenteral (Artesunato IV) para matar rapidamente os parasitas e interromper o processo de sequestro.

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18
Q

Paciente com diagnóstico de malária por P. falciparum apresenta rebaixamento súbito do nível de consciência (coma) e convulsões tônico-clônicas generalizadas. Outras causas de encefalopatia foram descartadas. Qual é o diagnóstico e sua implicação prognóstica?

A

Diagnóstico: Malária cerebral.

Fisiopatologia (Step 1): A disfunção neurológica é causada pelo sequestro maciço de hemácias parasitadas na microvasculatura cerebral. Isso leva à obstrução do fluxo sanguíneo, hipóxia neuronal, aumento da permeabilidade da barreira hematoencefálica e inflamação local, resultando em edema cerebral, coma e convulsões.

Manejo (Step 2): Esta é a principal causa de óbito por malária, com letalidade de 10 a 50% mesmo com tratamento. Exige Artesunato IV imediato, manejo de vias aéreas, controle de convulsões (benzodiazepínicos), correção de hipoglicemia (frequente) e monitoramento intensivo em UTI.

19
Q

Paciente com malária grave por P. falciparum desenvolve taquipneia progressiva (aumento da frequência respiratória) e dispneia, evoluindo para hipoxemia refratária. A radiografia de tórax mostra infiltrado bilateral difuso (edema pulmonar). Qual esta complicação e seu mecanismo?

A

Diagnóstico: Disfunção pulmonar evoluindo para Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo (SDRA/SARA).

Fisiopatologia (Step 1): A SARA na malária (letalidade ~70%) é causada por lesão endotelial difusa nos capilares pulmonares, mediada tanto pelo sequestro de parasitas quanto pela resposta inflamatória sistêmica. Isso leva ao aumento da permeabilidade capilar, extravasamento de fluido rico em proteínas para o alvéolo (edema pulmonar não-cardiogênico) e hipoxemia grave.

Manejo (Step 2): O primeiro sinal é a taquipneia, que habitualmente precede as alterações radiográficas. O manejo envolve Artesunato IV para a infecção e suporte ventilatório em UTI, frequentemente com ventilação mecânica protetora (baixo volume corrente) para SARA.

20
Q

Paciente com malária por P. falciparum apresenta oligúria (débito urinário < 0,5 mL/kg/h) e aumento progressivo da creatinina sérica. Qual é o mecanismo renal mais provável desta complicação?

A

Diagnóstico: Insuficiência Renal Aguda (IRA), mais comumente por Necrose Tubular Aguda (NTA).

Fisiopatologia (Step 1): A IRA na malária grave é multifatorial, mas o componente principal é a NTA. O sequestro de hemácias parasitadas nos capilares peritubulares e glomerulares causa isquemia. Além disso, a hipovolemia (por febre/vômitos) e a hemólise maciça (levando à hemoglobinúria, que é nefrotóxica) contribuem para a lesão tubular.

Manejo (Step 2): O manejo envolve hidratação venosa cuidadosa (evitando sobrecarga, risco de SARA), correção de distúrbios hidroeletrolíticos e acidose metabólica. Se a oligúria/anúria persistir ou houver hipercalemia/acidose refratária, a terapia de substituição renal (hemodiálise) está indicada, além do tratamento específico com Artesunato IV.

21
Q

Quais são os três achados laboratoriais que, quando presentes em um paciente com P. falciparum, são critérios para malária grave e indicam alta mortalidade?

A

Diagnóstico: Hiperparasitemia; Anemia Grave; Acidose Metabólica (Hiperlactatemia).

Fisiopatologia (Step 1): 1) Hiperparasitemia: Indica alta carga de doença e risco de sequestro. 2) Anemia Grave: Multifatorial (hemólise intravascular, sequestro esplênico de hemácias, supressão medular). 3) Acidose Lática: Resultado da hipóxia tecidual (pelo sequestro microvascular) e do metabolismo anaeróbico do parasita, sendo um forte preditor de óbito. Hipoglicemia e insuficiência renal também são critérios graves.

Manejo (Step 2): A presença de qualquer um desses critérios exige tratamento para malária grave com Artesunato IV. O manejo de suporte inclui: transfusão de hemácias (se instabilidade ou Hb muito baixa), correção da hipoglicemia (glicose IV) e monitoramento rigoroso da perfusão e função renal para manejar a acidose.

22
Q

Paciente com malária grave por P. falciparum apresenta trombocitopenia significativa (plaquetas < 50.000) e exames compatíveis com ativação da cascata de coagulação, porém não apresenta sangramento ativo. Esta apresentação é esperada?

A

Diagnóstico: Sim, é uma apresentação comum. Trombocitopenia e estado pró-coagulante são frequentes, mas a ocorrência de eventos hemorrágicos (sangramento clínico) é incomum.

Fisiopatologia (Step 1): A infecção pelo P. falciparum induz um estado pró-trombótico através da ativação endotelial (pelo sequestro de hemácias), ativação da cascata de coagulação e consumo de plaquetas (trombocitopenia). Embora os marcadores de Coagulação Intravascular Disseminada (CIVD) possam estar presentes, o sangramento clinicamente significativo é raro.

Manejo (Step 2): A trombocitopenia isolada, mesmo grave, não é indicação de transfusão de plaquetas. O manejo foca em tratar a infecção subjacente com Artesunato IV, o que reverterá a coagulopatia. A transfusão só é considerada se houver sangramento ativo significativo ou necessidade de procedimento invasivo.

23
Q

Paciente com malária grave por P. falciparum apresenta sudorese fria, confusão mental e glicemia capilar de 35 mg/dL. Quais os dois mecanismos fisiopatológicos principais que causam esta hipoglicemia?

A

Diagnóstico: Hipoglicemia grave (Critério de gravidade da Malária).

Fisiopatologia (Step 1): 1) Consumo aumentado de glicose: O Plasmodium (especialmente P. falciparum em hiperparasitemia) realiza metabolismo anaeróbico, consumindo grandes quantidades de glicose do hospedeiro. 2) Supressão da gliconeogênese: As citocinas inflamatórias (TNF-alfa) liberadas na infecção suprimem a produção hepática de glicose (gliconeogênese).

Manejo (Step 2): Correção imediata com Glicose hipertônica (50%) intravenosa, seguida de infusão contínua de glicose (ex: Glicose 10%) para manter a normoglicemia. A monitorização da glicemia capilar deve ser frequente (a cada 1-2 horas), pois a hipoglicemia é um forte preditor de óbito e pode ser recorrente.

24
Q

Paciente com malária por P. falciparum desenvolve subitamente febre alta, prostração, icterícia e urina escura (cor de “coca-cola”). O laboratório confirma anemia aguda e hemoglobinúria. Qual é esta complicação?

A

Diagnóstico: Febre hemoglobinúrica (“Blackwater fever”), uma complicação da malária grave.

Fisiopatologia (Step 1): Esta é uma síndrome de hemólise intravascular maciça e abrupta. A grande quantidade de hemácias lisadas libera hemoglobina livre no plasma. Quando a capacidade de ligação da haptoglobina é saturada, a hemoglobina livre é filtrada pelos glomérulos (hemoglobinúria), causando a urina escura e sendo diretamente nefrotóxica, podendo levar à Necrose Tubular Aguda (NTA).

Manejo (Step 2): Esta é uma emergência. O manejo inclui Artesunato IV imediato, hidratação venosa vigorosa (para proteger os rins e “lavar” os túbulos da hemoglobina), monitoramento rigoroso da função renal (risco de IRA) e suporte transfusional (hemácias) se a anemia for grave.

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Paciente com malária grave por P. falciparum apresenta-se ictérico (Bilirrubina Total 8.0 mg/dL, direta 2.0, indireta 6.0) e com leve aumento de transaminases. Qual a causa provável desta disfunção hepática?
Diagnóstico: Disfunção hepática (Hepatopatia malárica) e icterícia por hemólise e disfunção hepatocelular. Fisiopatologia (Step 1): A icterícia é multifatorial: 1) Hemólise intravascular e extravascular (no baço) maciça, aumentando a bilirrubina indireta; 2) Disfunção hepatocelular e colestase intra-hepática (redução do clearance) devido ao sequestro de parasitas nos sinusoides hepáticos e hipóxia; 3) Possível insuficiência renal associada, diminuindo a excreção. Manejo (Step 2): O tratamento é o da malária grave (Artesunato IV). A icterícia e a disfunção hepática geralmente se resolvem com o tratamento da infecção subjacente. O manejo é de suporte, monitorando a função hepática e a coagulação (INR), pois falha hepática fulminante é rara.
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Paciente apresenta paroxismos febris (calafrio, febre, sudorese) que ocorrem de forma regular e cíclica, exatamente a cada 72 horas (ex: D1 e D4). Qual espécie de Plasmodium é classicamente associada a este padrão?
Diagnóstico: Malária por Plasmodium malariae (Febre Quartã). Fisiopatologia (Step 1): O padrão de febre é determinado pelo tempo do ciclo de esquizogonia eritrocitária (reprodução e lise das hemácias). Enquanto P. falciparum e P. vivax têm ciclos de 48 horas (Febre Terçã), o P. malariae tem um ciclo de 72 horas. A lise sincronizada a cada 72 horas causa os picos febris característicos. Manejo (Step 2): O diagnóstico é feito pela gota espessa. A malária por P. malariae raramente é grave, mas pode persistir por décadas (infecção crônica) e está associada à síndrome nefrótica (glomerulonefrite por imunocomplexos) em crianças. O tratamento é feito com Cloroquina, pois não há hipnozoítos nem resistência descrita.
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Quais são as duas espécies de Plasmodium que estabelecem formas hepáticas latentes (hipnozoítos) e, portanto, são capazes de causar recaídas (relapsos) meses ou anos após a infecção inicial?
Diagnóstico: Plasmodium vivax e Plasmodium ovale. Fisiopatologia (Step 1): Durante o ciclo exo-eritrocitário (hepático) inicial, esporozoítos dessas duas espécies podem se diferenciar em hipnozoítos (formas "dormentes") em vez de merozoítos. Estes hipnozoítos não são afetados por esquizonticidas sanguíneos (como Cloroquina) e podem reativar semanas, meses ou anos depois, causando uma nova infecção sanguínea (recaída). Manejo (Step 2): O tratamento dessas infecções exige a "cura radical": um esquizonticida sanguíneo (ex: Cloroquina) para tratar a infecção aguda e um esquizonticida tecidual (Primaquina) para erradicar os hipnozoítos hepáticos e prevenir recaídas. A dosagem de G6PD é mandatória antes de usar Primaquina.
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Por que o Plasmodium falciparum está associado a níveis de parasitemia muito mais elevados (hiperparasitemia) e, consequentemente, anemia mais grave, em comparação com o P. vivax ou P. malariae?
Diagnóstico: Maior potencial de replicação e invasão eritrocitária do P. falciparum. Fisiopatologia (Step 1): O P. falciparum é capaz de invadir eritrócitos de qualquer idade (jovens e velhos). Em contraste, o P. vivax invade preferencialmente reticulócitos (hemácias jovens), e o P. malariae invade preferencialmente hemácias senescentes (velhas). A capacidade do P. falciparum de invadir toda a população de hemácias permite uma replicação exponencial muito mais rápida e níveis de parasitemia que podem exceder 20%. Manejo (Step 2): A hiperparasitemia (geralmente >5% em não-imunes) é, por si só, um critério de malária grave. Ela está diretamente correlacionada ao sequestro microvascular e à gravidade da anemia. O tratamento é Artesunato IV, independentemente da presença de outros sintomas.
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Paciente com malária não tratada, após os paroxismos febris cíclicos iniciais, evolui para um estado de febre contínua, prostração intensa e oligúria. Como é chamado este período e o que ele indica?
Diagnóstico: Período Toxêmico, indicando a evolução de malária não complicada para malária grave. Fisiopatologia (Step 1): Ocorre quando a terapêutica específica não é instituída. A replicação parasitária (especialmente P. falciparum) continua de forma descontrolada. O ciclo sincronizado dos paroxismos se quebra (febre contínua) e a carga parasitária crescente leva ao sequestro microvascular (citoaderência) e à falência de múltiplos órgãos (cerebral, renal, pulmonar). Manejo (Step 2): Esta é a janela crítica que o tratamento precoce visa evitar. A presença de febre contínua mais prostração (incapacidade de sentar ou andar) ou qualquer sinal de disfunção orgânica (ex: oligúria, dispneia) sinaliza malária grave, exigindo tratamento imediato com Artesunato IV.
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Paciente diagnosticado com malária por Plasmodium vivax não complicada. O tratamento de primeira linha prescrito foi Cloroquina por 3 dias e Primaquina por 7 dias. Explique o racional fisiopatológico para o uso desta terapia dupla.
Diagnóstico: Tratamento de "Cura Radical" para P. vivax, visando tanto as formas sanguíneas (sintomáticas) quanto as hepáticas latentes (hipnozoítos). Fisiopatologia (Step 1): O tratamento exige duas ações: 1) A Cloroquina é um esquizonticida sanguíneo, que interrompe a esquizogonia eritrocitária (a lise das hemácias), tratando os sintomas agudos (febre). 2) O P. vivax (e P. ovale) forma hipnozoítos (formas latentes) nos hepatócitos. A Primaquina é um esquizonticida tecidual (hipnozoiticida) que elimina essas formas hepáticas, sendo essencial para prevenir recaídas tardias e alcançar a "cura radical". Manejo (Step 2): A Cloroquina é administrada por 3 dias para eliminar a infecção aguda. A Primaquina é dada por 7 dias (esquema curto) para erradicar os hipnozoítos. Antes de iniciar a Primaquina, é mandatório verificar a atividade da enzima G6PD, pois este fármaco pode induzir hemólise intravascular grave em pacientes deficientes.
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Paciente diagnosticado com malária por P. falciparum sem critérios de gravidade. O esquema de escolha é a combinação fixa de Artemeter + Lumefantrina (ACT). Por que a Cloroquina não é utilizada como monoterapia neste caso?
Diagnóstico: Tratamento de malária não complicada por P. falciparum com terapia combinada baseada em artemisinina (ACT), devido à resistência generalizada à Cloroquina. Fisiopatologia (Step 1): O P. falciparum desenvolveu resistência generalizada a esquizonticidas tradicionais, como a Cloroquina (ex: mutações no gene PfCRT que causam efluxo da droga do vacúolo digestivo). A Artemisinina (Artemeter) é um esquizonticida sanguíneo de ação muito rápida que reduz drasticamente a biomassa parasitária gerando radicais livres. A Lumefantrina é um esquizonticida de meia-vida longa que elimina os parasitas remanescentes, prevenindo a recrudescência. Manejo (Step 2): O tratamento é feito com a combinação fixa (ACT) por 3 dias. É crucial orientar o paciente a tomar o medicamento com alimentos gordurosos para aumentar a absorção da Lumefantrina. O uso de terapia combinada é essencial para prevenir o desenvolvimento de nova resistência e garantir a eliminação do P. falciparum, que tem alto potencial de gravidade.
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Quais são os três objetivos farmacológicos distintos necessários para o manejo clínico completo do paciente e o controle epidemiológico da malária?
Diagnóstico: (Conceito-chave) 1. Interrupção da esquizogonia sanguínea; 2. Erradicação de hipnozoítos (cura radical); 3. Bloqueio da transmissão (eliminação de gametócitos). Fisiopatologia (Step 1): (Mecanismo) 1. Drogas esquizonticidas sanguíneas (ex: Cloroquina, Artemisininas) matam os parasitas nos eritrócitos, interrompendo a hemólise e os sintomas (febre). 2. Drogas hipnozoiticidas (ex: Primaquina) matam formas latentes de P. vivax/ovale nos hepatócitos. 3. Drogas gametocitocidas (ex: Primaquina) matam as formas sexuadas (gametócitos) no sangue, impedindo que o mosquito se infecte. Manejo (Step 2): (Implicação prática) Um paciente com P. vivax precisa dos objetivos 1 e 2 (Cloroquina+Primaquina). Um paciente com P. falciparum (não grave) precisa dos objetivos 1 e 3 (Artemeter/Lumefantrina + Primaquina em dose única para transmissão, se indicado). O manejo da malária grave foca exclusivamente no objetivo 1 com terapia IV (Artesunato).
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Um médico no pronto-socorro confirma (pela gota espessa) malária em um paciente febril que retornou da África. Quais são os 5 fatores críticos que o médico deve avaliar antes de definir o esquema terapêutico?
Diagnóstico: (Conceito-chave) Avaliação de fatores de risco do hospedeiro e do parasita para definição do tratamento antimalárico. Fisiopatologia (Step 1): (Mecanismo) A escolha da droga e o manejo dependem de: 1. Espécie do plasmódio (Ex: P. falciparum requer ACTs; P. vivax requer Primaquina); 2. Gravidade (Exige terapia IV - Artesunato); 3. Idade (Toxicidade e posologia diferente em crianças/idosos); 4. Status imune (Primoinfectados têm maior risco de gravidade); 5. Condições associadas (Gestação contraindica Primaquina e exige esquemas específicos). Manejo (Step 2): (Implicação prática) A falha em avaliar qualquer um desses pontos leva a erro terapêutico. O erro mais grave é tratar uma malária grave (ex: paciente prostrado) como não complicada (terapia via oral), ou não tratar P. vivax com Primaquina (garantindo a recaída), ou usar uma droga teratogênica em gestante.
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Paciente, 34 anos, com malária por P. falciparum confirmada na gota espessa, evolui com prostração (incapaz de sentar) e oligúria. Qual é a droga de escolha imediata, sua via de administração e seu principal mecanismo de ação neste cenário?
Diagnóstico: Malária Grave. Tratamento de escolha: Artesunato (IV ou IM). Fisiopatologia (Step 1): Na malária grave (definida pela disfunção de órgão, como prostração ou insuficiência renal), o P. falciparum causa sequestro de hemácias parasitadas na microvasculatura (citoaderência). O Artesunato é um esquizonticida sanguíneo de ação ultrarrápida que gera radicais livres, promovendo a "queda rápida da parasitemia". Isso reverte a obstrução microvascular, restaura a perfusão orgânica e reduz a mortalidade. Manejo (Step 2): Esta é uma emergência médica. O paciente deve ser hospitalizado (preferencialmente UTI). Garantir acesso venoso, coletar exames (incluindo gasometria arterial e lactato) e administrar a primeira dose de Artesunato (2,4 mg/kg IV) o mais rápido possível, com doses subsequentes em 12 e 24 horas.
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Uma gestante de 30 semanas e uma criança de 4 anos são diagnosticadas com malária falciparum. Ambos estão febris, mas alertas, sem vômitos ou prostração. Qual é a conduta correta para estes dois pacientes?
Diagnóstico: Malária em gestante e em criança, ambas consideradas Malária Grave por definição, independentemente dos sintomas atuais. Fisiopatologia (Step 1): Gestantes (imunossupressão relativa e sequestro placentário) e crianças (imaturidade imune e baixa reserva fisiológica) são grupos de altíssimo risco para progressão rápida e fulminante da doença (ex: hipoglicemia, convulsões, anemia grave). A doença nestes grupos não pode ser tratada como "não complicada". Manejo (Step 2): A conduta é a internação hospitalar imediata para ambos. O tratamento não deve ser oral (como Artemeter/Lumefantrina), mas sim parenteral, com Artesunato IV/IM (2,4 mg/kg), seguindo o protocolo de malária grave (doses 0, 12, 24h), para garantir a eliminação rápida do parasita.
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Paciente em posto de saúde remoto é diagnosticado com malária grave (sinais de choque) por P. falciparum. O hospital com Artesunato IV está a 6 horas de distância. O posto dispõe apenas de Clindamicina. Qual a conduta?
Diagnóstico: Malária Grave com indisponibilidade temporária da droga de escolha. Fisiopatologia (Step 1): O Artesunato é a droga de primeira linha absoluta pela sua rápida ação esquizonticida. Na sua ausência total, a Clindamicina (que também tem atividade antimalárica, embora mais lenta) pode ser usada como uma medida de ponte temporária para iniciar a redução da parasitemia, mas não substitui o tratamento definitivo. Manejo (Step 2): A prioridade é transferir o paciente. Enquanto aguarda a remoção ou a chegada do Artesunato, deve-se iniciar a Clindamicina IV como terapia de espera ("ponte"), juntamente com todas as medidas de suporte à vida (acesso venoso, expansão volêmica se chocado, monitoramento). O Artesunato deve ser administrado assim que disponível.
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Paciente recebeu tratamento completo para P. falciparum (ACT) e outro paciente para P. vivax (Cloroquina+Primaquina). Por que o seguimento com lâmina de verificação de cura (gota espessa) é necessário e por que o tempo de seguimento do P. vivax (63 dias) é maior que o do P. falciparum (42 dias)?
Diagnóstico: Monitoramento para detecção de falha terapêutica (recrudescência ou recaída). Fisiopatologia (Step 1): O seguimento do P. falciparum (até D42) visa detectar a recrudescência (falha do esquizonticida sanguíneo, ex: resistência ao ACT). O seguimento do P. vivax (até D63) visa detectar tanto a recrudescência (falha da Cloroquina) quanto, mais importante, a recaída tardia (falha da Primaquina em eliminar os hipnozoítos hepáticos), que podem reativar após 2 meses. Manejo (Step 2): O paciente deve ser orientado a retornar para coleta de gota espessa nos dias programados (ex: 3, 7, 14, 21, 28, 42...). Se a lâmina positivar durante o seguimento, configura-se falha terapêutica, que deve ser notificada à vigilância epidemiológica e tratada com esquema de segunda linha.
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Qual o regime terapêutico de primeira linha (Brasil/SUS) para: 1) Infecção não complicada por P. vivax, 2) Infecção não complicada por P. falciparum, e 3) Malária grave por qualquer espécie?
Diagnóstico: 1) Cloroquina + Primaquina. 2) Artemeter + Lumefantrina (ACT). 3) Artesunato (IV ou IM). Fisiopatologia (Step 1): 1) P. vivax requer um esquizonticida sanguíneo (Cloroquina) e um hipnozoiticida (Primaquina). 2) P. falciparum (não grave) requer terapia combinada (ACT) devido à resistência generalizada à Cloroquina. 3) Malária Grave (falência de órgão) requer terapia parenteral de ação rápida (Artesunato) para interromper o sequestro microvascular. Manejo (Step 2): Os tratamentos para malária não são vendidos em farmácias. Após o resultado positivo da gota espessa, o médico deve acionar a vigilância epidemiológica local (notificação compulsória) para retirar a medicação nos polos de dispensação do SUS e iniciar o tratamento adequado ao paciente.
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Qual é a definição, o objetivo e o mecanismo de ação da Quimioprofilaxia (QPX) da malária, e por que ela não é considerada uma vacina?
Diagnóstico: A QPX é o uso de drogas antimaláricas em doses subterapêuticas, visando reduzir a morbimortalidade por formas graves (especialmente P. falciparum). Fisiopatologia (Step 1): A QPX atua suprimindo a esquizogonia sanguínea (matando parasitas no sangue) ou tecidual (matando no fígado), impedindo que a infecção atinja uma densidade parasitária capaz de causar sintomas. Não é uma vacina porque não induz memória imunológica; a proteção é farmacológica e cessa assim que a droga é suspensa. Manejo (Step 2): A QPX deve ser iniciada antes da exposição (viagem), mantida durante toda a estadia e continuada por um período após o retorno (ex: 1-4 semanas, dependendo da droga), para cobrir o ciclo de vida completo do parasita, incluindo a fase hepática pré-eritrocitária.
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Quais são os horários de maior atividade do vetor da malária (Anopheles) e quais as 3 principais medidas de proteção individual (físicas e químicas) recomendadas?
Diagnóstico: Horário de pico: Crepúsculo (ao pôr do sol e ao amanhecer). Medidas: Barreiras físicas, mosquiteiros impregnados e repelentes químicos. Fisiopatologia (Step 1): O Anopheles tem hábito de picada predominantemente crepuscular/noturno. As medidas visam impedir o contato vetor-hospedeiro neste período. 1) Barreiras: Roupas claras, mangas longas, telas. 2) Mosquiteiros: Impedem o acesso durante o sono. 3) Repelentes (DEET): Interferem nos receptores olfativos do mosquito. Manejo (Step 2): O viajante deve ser instruído a reforçar a proteção ao entardecer, usando roupas adequadas e aplicando repelente DEET nas áreas expostas. Em acomodações, deve-se usar mosquiteiro (preferencialmente impregnado com piretroides) ou dormir em quartos com ar-condicionado ou telas íntegras.
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Por que a quimioprofilaxia (QPX) contra malária NÃO é indicada de rotina para viajantes em território nacional brasileiro (ex: Amazônia)?
Diagnóstico: Não indicação de QPX no Brasil devido ao perfil epidemiológico e rede de saúde. Fisiopatologia (Step 1): A estratégia brasileira se baseia em 3 pilares: 1) Predomínio de P. vivax, para o qual a eficácia da QPX é baixa (não previne recaídas por hipnozoítos); 2) Baixa incidência relativa de P. falciparum (alvo principal da QPX); 3) O risco de eventos adversos graves das drogas profiláticas supera o baixo risco de adoecimento grave. Manejo (Step 2): A estratégia de prevenção no Brasil não é a QPX. A orientação prioritária para viajantes é a proteção contra picadas de insetos e a "profilaxia de diagnóstico": buscar atendimento médico imediato (Gota Espessa) ao primeiro sinal de febre, garantindo diagnóstico precoce e tratamento gratuito e eficaz pelo SUS.
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Um casal planeja viajar para a Amazônia com seus filhos, um de 1 ano e outro de 6 anos. Como deve ser feita a orientação sobre o uso de repelente à base de DEET para estas crianças?
Diagnóstico: O uso de DEET é contraindicado (sem orientação médica) em menores de 2 anos e limitado (concentração e frequência) em crianças de 2 a 12 anos. Fisiopatologia (Step 1): Crianças pequenas (<2 anos) têm maior risco de absorção sistêmica e neurotoxicidade pelo DEET devido à maior área de superfície corporal relativa e imaturidade da pele. Em crianças de 2 a 12 anos, concentrações de até 10% são consideradas seguras, mas a aplicação deve ser limitada para evitar toxicidade cumulativa. Manejo (Step 2): Para o lactente de 1 ano, a prevenção deve focar exclusivamente em barreiras físicas (mosquiteiro no berço/carrinho, roupas protetoras). Para a criança de 6 anos, pode-se usar DEET até 10%, aplicado no máximo 3 vezes ao dia, devendo ser aplicado pelo adulto (nunca pela criança) e evitando mãos, boca e olhos.
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