Na avaliação de um paciente com “tontura”, qual a importância clínica de diferenciar a sensação (rotatória, desequilíbrio, escurecimento visual) e o início (súbito, progressivo)?
Diagnóstico: É o passo inicial crucial para classificar a síndrome vestibular. “Rotatória” sugere vertigem verdadeira (disfunção vestibular). “Escurecimento visual” sugere pré-síncope (hipoperfusão cerebral). “Desequilíbrio” sugere disfunção cerebelar ou proprioceptiva. O “início súbito” sugere causas agudas (VPPB, neuronite, AVC), enquanto “progressivo” sugere causas crônicas (ex: tumor, neuropatia).
Fisiopatologia (Step 1): Vertigem (rotatória) implica uma assimetria de inputs do sistema vestibular (periférico ou central). Pré-síncope (escurecimento) implica hipoperfusão cerebral global transitória (ex: hipotensão ortostática, arritmia). Desequilíbrio (instabilidade) implica falha na integração proprioceptiva ou na coordenação motora (ex: cordão posterior, cerebelo).
Manejo (Step 2): A diferenciação da sensação direciona o exame físico. “Rotatória” exige avaliação do sistema vestibular (ex: HINTS, Dix-Hallpike). “Escurecimento visual” exige avaliação cardiovascular (ex: medida de PA ortostática, ECG). “Desequilíbrio” exige avaliação neurológica focada (ex: Romberg, testes cerebelares).
Paciente de 68 anos, diabético, queixa-se de “tontura” há vários meses, com início progressivo. Ao ser questionado, ele nega sensação rotatória, mas descreve “desequilíbrio”, “como se estivesse pisando em nuvens” ou “dentro de um barco”, que piora muito no escuro ou ao fechar os olhos no banho. O exame mostra Romberg positivo. Qual o diagnóstico sindrômico e a causa provável?
Diagnóstico: Ataxia Sensorial, provavelmente secundária à polineuropatia diabética (disfunção do cordão posterior).
Fisiopatologia (Step 1): O diabetes mellitus crônico causa desmielinização e perda axonal das fibras nervosas longas e de grande diâmetro, que são responsáveis pela propriocepção (percepção da posição articular) e vibração. Essas vias ascendem pelo cordão posterior da medula. Sem esse input, o paciente torna-se dependente da visão para manter o equilíbrio (daí a piora no escuro e o Romberg positivo).
Manejo (Step 2): O diagnóstico é clínico e confirmado por eletroneuromiografia (mostrando neuropatia axonal sensitivo-motora distal). O manejo foca no controle glicêmico rigoroso (HbA1c) para retardar a progressão e na fisioterapia para reabilitação do equilíbrio e prevenção de quedas.
Paciente de 70 anos, hipertenso e com fibrilação atrial (em uso irregular de anticoagulante), apresenta-se com “tontura” de início súbito e intenso há 1 hora. Ele descreve uma sensação rotatória (vertigem) constante, incapacidade de andar (lateropulsão) e associada a disartria e diplopia. Qual a etiologia mais provável baseada no início súbito e sintomas associados?
Diagnóstico: Vertigem Central, causada por um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico em fossa posterior (ex: território vertebrobasilar, PICA ou AICA).
Fisiopatologia (Step 1): A oclusão arterial (ex: por um cardioembolismo da FA) causa isquemia aguda dos núcleos vestibulares no tronco cerebral e/ou cerebelo. A disfunção súbita dessas estruturas centrais causa a vertigem. Os sintomas associados (“D’s” da vertigem central: Disartria, Diplopia, Dismetria) ocorrem pelo envolvimento de tratos e núcleos de nervos cranianos adjacentes no tronco cerebral.
Manejo (Step 2): Emergência neurológica. Ativação imediata do protocolo AVC. O exame HINTS (Head Impulse, Nystagmus, Test of Skew) é crucial; um Head Impulse Test (HIT) negativo (normal) em um paciente com vertigem aguda é paradoxalmente um sinal de alarme para causa central. A neuroimagem de escolha é a Ressonância Magnética com difusão, pois a TC de crânio tem baixa sensibilidade para AVC de fossa posterior nas primeiras horas.
Paciente de 28 anos relata “tontura” que ela descreve como “escurecimento visual” e “sensação de quase desmaio”. Os episódios são breves, ocorrem exclusivamente ao levantar-se rapidamente da cama ou de uma cadeira. Nega sensação rotatória ou desequilíbrio. Qual o diagnóstico mais provável e o teste diagnóstico inicial?
1000 mL de sangue nas extremidades inferiores. Em indivíduos normais, o barorreflexo compensa (aumentando FC e RVP). Na hipotensão ortostática, essa resposta falha, levando a uma queda no retorno venoso, débito cardíaco e, consequentemente, hipoperfusão cerebral global transitória, causando os sintomas de escurecimento visual e pré-síncope.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é feito pela aferição da pressão arterial e frequência cardíaca em decúbito e, em seguida, após 1 e 3 minutos em posição ortostática. O teste é positivo se houver queda >20 mmHg na PA sistólica ou >10 mmHg na PA diastólica. O manejo inicial inclui medidas não farmacológicas (aumentar ingestão de sal/água, meias de compressão, levantar-se lentamente).
Paciente descreve múltiplos episódios de “tontura rotatória” de início súbito, que duram menos de 60 segundos e são invariavelmente desencadeados por movimentos específicos, como deitar na cama ou virar para o lado direito. Nega sintomas auditivos ou neurológicos. Qual o diagnóstico e o mecanismo?
Diagnóstico: Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB) do canal posterior direito.
Fisiopatologia (Step 1): Canalitíase. Otocônias (cristais de carbonato de cálcio) do utrículo se deslocam e flutuam livremente no canal semicircular posterior (o mais comum, devido à sua posição dependente da gravidade). Quando o paciente move a cabeça no plano desse canal (ex: ao deitar), as otocônias se movem, arrastando a endolinfa e estimulando inadequadamente a cúpula, enviando um sinal falso de rotação ao cérebro.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é confirmado pela Manobra de Dix-Hallpike à direita, que reproduzirá a vertigem e mostrará um nistagmo rotatório (torsional) com latência e fatigabilidade. O tratamento não é medicamentoso, mas sim mecânico, através de manobras de reposicionamento canalicular (ex: Manobra de Epley) para mover as otocônias de volta ao utrículo.
Paciente relata múltiplos episódios de vertigem rotatória intensa de início súbito. O fator desencadeante é invariavelmente uma mudança postural, especificamente ao deitar ou virar na cama. Cada crise dura apenas “segundos” (menos de 1 minuto) e cessa se ele permanecer imóvel. Qual o diagnóstico mais provável?
Diagnóstico: Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB).
Fisiopatologia (Step 1): Canalitíase. A presença de otocônias (debris de carbonato de cálcio) deslocadas, geralmente no canal semicircular posterior, causa o sintoma. A mudança postural (gatilho) move essas otocônias pela endolinfa, estimulando a cúpula e criando um sinal neural de rotação (vertigem). O sintoma dura segundos porque, uma vez que o paciente fica parado, as otocônias assentam pela gravidade e o estímulo cessa.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é confirmado pela Manobra de Dix-Hallpike, que reproduzirá a vertigem e o nistagmo rotatório característico. O tratamento de escolha é mecânico, através de Manobras de Reposicionamento Canalicular (ex: Manobra de Epley), que visam reposicionar as otocônias de volta ao utrículo.
Paciente feminina, 40 anos, descreve crises de vertigem rotatória que duram de “minutos a horas” (tipicamente 2 a 4 horas). Os episódios são associados a zumbido flutuante e plenitude aural no ouvido esquerdo. Ela relata que os episódios parecem ser desencadeados por “privação de sono” ou períodos de alto estresse. Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Doença de Ménière.
Fisiopatologia (Step 1): Hidropsia endolinfática. Há um aumento da pressão da endolinfa no labirinto membranoso, embora a causa exata seja desconhecida. Acredita-se que rupturas periódicas dessa membrana causem a mistura da endolinfa (rica em K+) com a perilinfa (rica em Na+), levando a uma disfunção tóxica aguda dos receptores vestibulares e cocleares, explicando a duração de “horas” e os sintomas auditivos concomitantes (zumbido, plenitude, hipoacusia).
Manejo (Step 2): O manejo crônico visa reduzir a frequência das crises. A 1ª linha inclui restrição dietética de sódio (< 2g/dia) e uso de diuréticos (ex: hidroclorotiazida). O manejo agudo da crise envolve supressores vestibulares (ex: meclizina, diazepam) e antieméticos. A privação de sono e o estresse (gatilhos) devem ser abordados.
Paciente chega ao PS com uma crise de vertigem rotatória intensa e constante, com náuseas e vômitos, que começou “há 2 dias” e não cessa. Ele relata piora com qualquer movimento da cabeça e nega sintomas auditivos ou neurológicos focais. Teve um quadro gripal há uma semana. Qual o diagnóstico provável baseado na duração (dias)?
Diagnóstico: Neuronite Vestibular (Neurite Vestibular).
Fisiopatologia (Step 1): Inflamação, provavelmente pós-viral (ex: reativação de HSV-1), do nervo vestibular (NC VIII). Isso causa uma hipofunção vestibular unilateral aguda e persistente. O desequilíbrio tônico entre o lado saudável (enviando sinais) e o lado doente (hipoativo) é interpretado pelo cérebro como movimento rotacional constante. A crise dura “dias” porque leva tempo para o SNC iniciar a compensação central para essa nova assimetria.
Manejo (Step 2): O manejo é primariamente de suporte com supressores vestibulares (ex: meclizina, ondansetrona) nas primeiras 48-72h. Um curso curto de corticoides (ex: prednisona) pode ser usado se iniciado precocemente para reduzir a inflamação. O mais importante é suspender os supressores após a fase aguda e iniciar a reabilitação vestibular (fisioterapia) para promover a compensação central.
Paciente com história de enxaqueca relata episódios de vertigem que duram “horas”. Os episódios são frequentemente desencadeados por “períodos prolongados de jejum”, certos “alimentos” (como chocolate ou vinho tinto) ou “privação de sono”. A vertigem pode ou não vir acompanhada de cefaleia, mas quase sempre vem com fotofobia e fonofobia. Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Migrânea Vestibular (Enxaqueca Vestibular).
Fisiopatologia (Step 1): Considerada um equivalente de aura enxaquecosa. A disfunção central (provavelmente envolvendo hiperexcitabilidade neuronal, canais iônicos e liberação de CGRP) afeta os núcleos vestibulares no tronco cerebral. Os gatilhos clássicos da enxaqueca (jejum, sono, alimentos) diminuem o limiar para a disfunção neuronal, ativando as vias vestibulares centrais e causando vertigem, mesmo sem dor.
Manejo (Step 2): O manejo é idêntico ao da enxaqueca. O primeiro passo é a identificação e evitação rigorosa dos gatilhos (jejum, alimentos específicos, privação de sono). Se as crises forem frequentes, institui-se profilaxia com propranolol, amitriptilina ou topiramato.
Paciente de 75 anos queixa-se de “tontura” ao ficar de pé. Ao ser questionado, ele nega vertigem rotatória, mas descreve “escurecimento visual” e “sensação de quase desmaio” que dura “segundos” e ocorre exclusivamente após a “mudança postural” de sentado ou deitado para a posição ortostática. Qual o diagnóstico e o mecanismo?
Diagnóstico: Pré-síncope devido à Hipotensão Ortostática.
Fisiopatologia (Step 1): Ao levantar-se, a gravidade causa represamento de sangue nos membros inferiores, diminuindo o retorno venoso e o débito cardíaco. A “mudança postural” é o gatilho. No idoso, a resposta barorreflexa (que deveria aumentar a FC e a RVP) é frequentemente ineficaz (disautonomia). A consequente hipoperfusão cerebral transitória causa os sintomas de pré-síncope (escurecimento visual), que duram “segundos” até a autorregulação cerebral ou o reflexo se normalizar.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é feito pela aferição da PA ortostática (queda >20 SBP ou >10 DBP em 3 min). Deve-se revisar medicações (ex: anti-hipertensivos). O manejo inicial foca em medidas não farmacológicas: hidratação adequada, aumento da ingestão de sal, meias de compressão e manobras de contrapressão (ex: cruzar as pernas).
Paciente refere “tontura” que ele descreve como uma sensação de desequilíbrio e instabilidade “como se estivesse num barco”, presente quase todos os dias “há meses”. Ele nega vertigem rotatória. Os sintomas são piores quando está em pé ou andando, e exacerbados por ambientes visualmente complexos (ex: supermercado) ou privação de sono. Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Tontura Postural-Perceptual Persistente (PPPD), também conhecida como Vertigem Fóbica.
Fisiopatologia (Step 1): É um distúrbio funcional crônico. Frequentemente é desencadeado por um evento vestibular agudo (como VPPB ou neuronite) que já se resolveu. Ocorre um mau ajuste do processamento central: o cérebro permanece em estado de “alerta máximo”, adotando uma estratégia de controle postural de alto risco (aumentando a rigidez) e tornando-se excessivamente dependente de estímulos visuais, o que leva a uma sobrecarga sensorial (piora em supermercados). A privação de sono exacerba essa hipersensibilidade central.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de temporalidade (crônico, >3 meses) e gatilhos (postural, visual). A base do tratamento é a Reabilitação Vestibular (fisioterapia) para dessensibilizar o sistema e reajustar o processamento visual-vestibular. ISRS (ex: Sertralina) em baixas doses são a primeira linha farmacológica, pois atuam como neuromoduladores centrais da ansiedade e da percepção sensorial.
Paciente de 65 anos, diabético e hipertenso, apresenta-se com vertigem rotatória aguda, de início súbito, associada a sintomas neurológicos: visão dupla (diplopia), disartria e “marcha de base alargada” (ataxia). Qual a localização (central ou periférica) e a etiologia mais provável da lesão?
Diagnóstico: Vertigem de origem Central, causada por um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico em fossa posterior (tronco cerebral ou cerebelo).
Fisiopatologia (Step 1): A oclusão de uma artéria da circulação posterior (ex: vertebral, basilar, PICA) causa isquemia em estruturas do tronco cerebral e/ou cerebelo. A lesão afeta simultaneamente: 1) Núcleos vestibulares (vertigem); 2) Núcleos de nervos cranianos como o VI (diplopia) ou IX/X (disartria); e 3) Estruturas cerebelares ou seus tratos (ataxia/marcha de base alargada). A presença de sintomas neurológicos focais é o sinal de alarme para uma causa central.
Manejo (Step 2): Emergência neurológica. Ativar imediatamente o protocolo AVC. O exame HINTS (Head Impulse, Nystagmus, Test of Skew) é a ferramenta de cabeceira para confirmar a suspeita central (um Head Impulse Test negativo é um sinal de alarme). A neuroimagem de escolha é a Ressonância Magnética com difusão, pois a TC de crânio tem baixa sensibilidade para infartos de fossa posterior nas primeiras horas.
Paciente de 48 anos descreve crises recorrentes de vertigem rotatória intensa, com duração de 2 a 4 horas. Durante as crises, ele apresenta um conjunto de sintomas otológicos: zumbido flutuante, hipoacusia neurosensorial (perda auditiva) e “sensação de ouvido cheio” (plenitude aural), todos no ouvido esquerdo. Nega sintomas neurológicos. Qual o diagnóstico?
Diagnóstico: Doença de Ménière.
Fisiopatologia (Step 1): Hidropsia endolinfática. Ocorre um aumento na pressão da endolinfa (fluido rico em K+) dentro do labirinto membranoso. Acredita-se que rupturas periódicas dessa membrana causem a mistura da endolinfa com a perilinfa, levando a uma despolarização tóxica e disfunção aguda tanto dos receptores cocleares (causando os sintomas otológicos) quanto dos receptores vestibulares (causando a vertigem).
Manejo (Step 2): O diagnóstico é clínico. O manejo crônico de primeira linha é a modificação do estilo de vida, principalmente restrição dietética rigorosa de sódio (< 2g/dia) e uso de diuréticos (ex: hidroclorotiazida) para tentar reduzir a hidropsia. Crises agudas são manejadas com supressores vestibulares (ex: meclizina) e antieméticos.
Paciente de 30 anos apresenta quadro agudo de vertigem constante há 24 horas, com náuseas e vômitos. Associado ao quadro, ele relata início súbito de hipoacusia e zumbido intenso no ouvido direito. Teve um resfriado forte na semana anterior. Ao exame, não apresenta sintomas neurológicos focais. Qual a diferença diagnóstica entre este quadro e o de uma Neuronite Vestibular?
Diagnóstico: Labirintite (ou Neuronite Vestibular com comprometimento coclear).
Fisiopatologia (Step 1): A Neuronite Vestibular pura é uma inflamação (provavelmente pós-viral) restrita ao nervo vestibular, causando vertigem sem sintomas auditivos. A Labirintite, por outro lado, é uma inflamação de todo o labirinto (estruturas vestibulares e cocleares) ou do nervo vestibulococlear (NC VIII) completo. O envolvimento coclear (ou do ramo coclear do nervo) explica a presença dos sintomas otológicos agudos (hipoacusia, zumbido).
Manejo (Step 2): O manejo é de suporte (supressores vestibulares e antieméticos na fase aguda). Um curso de corticosteroides (ex: prednisona) é frequentemente prescrito para reduzir a inflamação e tentar melhorar a recuperação auditiva. A audiometria é necessária para documentar a perda auditiva.
Paciente de 55 anos relata “tontura” de início progressivo há 6 meses. Ele descreve mais como desequilíbrio do que vertigem rotatória. Associado, apresenta hipoacusia neurosensorial progressiva e zumbido constante, ambos apenas no ouvido esquerdo. Nega episódios agudos de vertigem ou sintomas neurológicos motores/sensitivos. Qual o diagnóstico diferencial mandatório?
Diagnóstico: Schwannoma Vestibular (Neurinoma do Acústico).
Fisiopatologia (Step 1): Tumor benigno (Schwannoma) crescendo a partir das células de Schwann do nervo vestibulococlear (NC VIII), tipicamente no ângulo ponto-cerebelar. O crescimento lento do tumor comprime progressivamente as fibras do ramo coclear (causando hipoacusia e zumbido unilaterais) e do ramo vestibular (causando desequilíbrio). A vertigem rotatória aguda é rara, pois a perda vestibular lenta permite a compensação central.
Manejo (Step 2): Qualquer hipoacusia neurosensorial unilateral ou assimétrica requer investigação para excluir uma lesão retrococlear. O exame padrão-ouro é a Ressonância Magnética de crânio (com gadolínio) focada nos meatos acústicos internos. O tratamento depende do tamanho do tumor e dos sintomas, variando de observação seriada a radiocirurgia ou ressecção cirúrgica.
Paciente relata crises breves (segundos) de vertigem rotatória desencadeadas por mudança postural. A anamnese dirigida é negativa para quaisquer sintomas neurológicos (diplopia, fraqueza, ataxia) ou sintomas otológicos (zumbido, hipoacusia, plenitude aural). Por que a ausência total desses sintomas associados reforça o diagnóstico de VPPB?
Diagnóstico: Vertigem Posicional Paroxística Benigna (VPPB).
Fisiopatologia (Step 1): A VPPB é uma desordem mecânica (canalitíase), onde otocônias estão deslocadas dentro de um canal semicircular. A lesão é puramente periférica e restrita ao órgão vestibular, sem afetar a cóclea ou o nervo coclear (explicando a ausência de sintomas otológicos). Por não ser uma lesão do SNC, não há absolutamente nenhum sintoma neurológico associado.
Manejo (Step 2): A ausência de sintomas neurológicos ou otológicos (“vertigem pura posicional”) permite focar o exame na Manobra de Dix-Hallpike para confirmar o diagnóstico. O tratamento é a Manobra de Epley, não sendo indicadas medicações. A presença de qualquer sintoma neurológico ou otológico associado deve levantar suspeita para outro diagnóstico que não VPPB.
Paciente masculino, 70 anos, apresenta-se no PS com vertigem rotatória aguda e contínua de início súbito há 3 horas, associada a instabilidade de marcha e náuseas. Seus antecedentes pessoais incluem Hipertensão Arterial (HAS), Diabetes Mellitus (DM) tipo 2 e Tabagismo. Por que esses antecedentes são cruciais na avaliação deste paciente?
Diagnóstico: Os antecedentes (HAS, DM, tabagismo) são fatores de risco cardiovascular maiores que aumentam drasticamente a suspeita de uma causa Central para a vertigem, especificamente um Acidente Vascular Cerebral (AVC) isquêmico de fossa posterior (território vertebrobasilar).
Fisiopatologia (Step 1): A aterosclerose, acelerada pela HAS, DM e tabagismo, causa estenose e formação de placas nas artérias vertebrais ou basilar. A ruptura de uma placa ou a hipoperfusão em uma artéria estenosada (ex: PICA, AICA) leva à isquemia dos núcleos vestibulares no tronco cerebral e/ou do cerebelo, mimetizando uma síndrome vestibular periférica, mas sendo uma emergência neurológica.
Manejo (Step 2): Este paciente não deve ser presumido como tendo uma causa periférica (ex: neuronite). A presença de fatores de risco cardiovascular exige uma avaliação de “código AVC”. O exame HINTS (Head Impulse, Nystagmus, Test of Skew) é a ferramenta de cabeceira mais sensível; um Head Impulse Test negativo (normal) na presença de vertigem aguda é um forte indicador de AVC central. A neuroimagem de emergência (idealmente RM com difusão) é mandatória.
Paciente feminina, 42 anos, refere episódios recorrentes de vertigem rotatória ou sensação de instabilidade (“tontura de barco”), com duração de 30 minutos a 72 horas. Os episódios são frequentemente associados a fotofobia e fonofobia, mas nem sempre à cefaleia. Ela tem um antecedente neurológico de “enxaqueca com aura” diagnosticada desde a adolescência. Qual o diagnóstico mais provável para a vertigem?
Diagnóstico: Migrânea Vestibular (Enxaqueca Vestibular).
Fisiopatologia (Step 1): O antecedente neurológico de migrânea é a chave. Acredita-se que a vertigem seja um “equivalente de aura” ou uma manifestação central da enxaqueca, causada por uma disfunção neuronal transitória (ex: depressão alastrante cortical, disfunção de canais iônicos) que afeta os núcleos vestibulares no tronco cerebral ou suas conexões centrais, mediada por neuropeptídeos como o CGRP.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é clínico (baseado nos critérios de Lempert) após exclusão de outras causas. O manejo é análogo ao da enxaqueca: 1) Identificação e evitação rigorosa de gatilhos (ex: privação de sono, jejum, alimentos específicos). 2) Se as crises forem frequentes, instituir terapia profilática (ex: propranolol, amitriptilina, topiramato).
Paciente de 78 anos, em tratamento de Hipertensão Arterial com Losartana, Anlodipino e Hidroclorotiazida, queixa-se de “tontura” crônica. Ao ser questionado, ele nega vertigem rotatória, mas descreve “escurecimento visual” e “quase desmaio” que ocorrem exclusivamente ao levantar-se da cadeira. Qual a etiologia mais provável baseada no uso de medicamentos?
Diagnóstico: Pré-síncope secundária à Hipotensão Ortostática iatrogênica (induzida por medicamentos).
Fisiopatologia (Step 1): A combinação de múltiplos anti-hipertensivos (IECA/BRA, bloqueador de canal de cálcio, diurético) causa vasodilatação sistêmica e depleção de volume. Isso sobrepuja o barorreflexo (que já é menos eficaz no idoso), impedindo a vasoconstrição compensatória adequada ao ficar de pé. A resultante hipoperfusão cerebral global transitória causa os sintomas de pré-síncope.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é confirmado pela aferição da pressão arterial ortostática (queda >20 mmHg na sistólica ou >10 mmHg na diastólica após 3 minutos em pé). O manejo requer revisão e ajuste (desprescrição) dos medicamentos, como reduzir a dose do diurético ou espaçar os horários dos vasodilatadores.
Paciente de 65 anos, internado há 10 dias por endocardite bacteriana, sendo tratado com Gentamicina. Ele começa a se queixar de “tontura” severa, que ele descreve como instabilidade de marcha e “oscilopsia” (sensação de que o ambiente “pula” quando ele move a cabeça). A audiometria é normal. Qual o mecanismo da tontura induzida por este medicamento?
Diagnóstico: Vestibulotoxicidade bilateral por aminoglicosídeo (Gentamicina).
Fisiopatologia (Step 1): Aminoglicosídeos são ototóxicos. Especificamente, a Gentamicina (e a Estreptomicina) é preferencialmente vestibulotóxica, enquanto a Amicacina é mais cocleotóxica. A droga se acumula na endolinfa e destrói seletivamente as células ciliadas dos receptores vestibulares (cúpulas e máculas), levando a uma hipofunção ou arreflexia vestibular bilateral. A perda do reflexo vestíbulo-ocular (RVO) causa a oscilopsia.
Manejo (Step 2): Interromper a droga imediatamente, se possível, embora a lesão seja frequentemente irreversível. O monitoramento dos níveis séricos do fármaco é crucial para prevenção. O tratamento para a condição estabelecida não é medicamentoso, mas sim focado em Reabilitação Vestibular (fisioterapia) intensiva, para treinar o paciente a usar estratégias substitutivas (visuais, proprioceptivas) para o RVO perdido.
Paciente de 69 anos, com antecedente de um “AVC prévio” (isquêmico, lacunar) há 3 anos e Fibrilação Atrial crônica em uso irregular de anticoagulante, procura o PS com vertigem rotatória aguda, diplopia e dismetria no membro superior direito. Por que o antecedente de AVC prévio e a FA são tão relevantes?
iagnóstico: Alta probabilidade de AVC isquêmico recorrente (provavelmente cardioembólico, devido à FA), afetando a fossa posterior (tronco cerebral/cerebelo).
Fisiopatologia (Step 1): O AVC prévio e a FA colocam o paciente na categoria de mais alto risco para um novo evento. A FA não controlada permite a formação de trombos no apêndice atrial esquerdo, que podem embolizar para a circulação posterior (artérias vertebrais/basilar). A isquemia afeta o cerebelo (causando dismetria) e os núcleos dos nervos cranianos no tronco (causando diplopia e vertigem).
Manejo (Step 2): Emergência neurológica. O antecedente de AVC prévio e a FA significam que qualquer sintoma neurológico novo, incluindo vertigem central (vertigem + diplopia/dismetria), deve ser tratado como AVC recorrente até prova em contrário. A conduta é “código AVC”, neuroimagem imediata (RM) e avaliação urgente da anticoagulação e elegibilidade para terapia de reperfusão.
Paciente feminina, 50 anos, relata episódios súbitos de vertigem rotatória intensa, durando cerca de 30 segundos. Os episódios são desencadeados especificamente ao virar-se na cama ou ao olhar para cima para pegar um objeto em uma prateleira. Nega hipoacusia ou zumbido. O exame físico é normal, exceto pela manobra de Dix-Hallpike, que reproduz os sintomas.
Diagnóstico: Vertigem Paroxística Posicional Benigna (VPPB).
Fisiopatologia (Step 1): Canalitíase. Otocônias (descritas como “cristais” de carbonato de cálcio) deslocam-se do utrículo (onde detectam aceleração linear) e migram para um canal semicircular (mais comumente o posterior). Quando a cabeça se move no plano desse canal (o gatilho posicional), a gravidade move essas otocônias, que arrastam a endolinfa e estimulam inadequadamente a cúpula, enviando um sinal errôneo de rotação ao cérebro.
Manejo (Step 2): O diagnóstico é confirmado pela Manobra de Dix-Hallpike (que induz nistagmo rotatório, com latência e fatigabilidade). O tratamento não é farmacológico, mas sim mecânico, através de Manobras de Reposicionamento Canalicular (ex: Manobra de Epley), que visam guiar as otocônias de volta ao utrículo.
Paciente masculino, 35 anos, previamente hígido, apresenta-se com início agudo de vertigem rotatória constante e severa, náuseas e vômitos há 48 horas, com intolerância a qualquer movimento da cabeça. Teve uma infecção de vias aéreas superiores há 10 dias. Ao exame, apresenta nistagmo horizontal espontâneo que é suprimido pela fixação visual. A audiometria é normal e o Head Impulse Test é positivo.
Diagnóstico: Neurite Vestibular (Neuronite).
Fisiopatologia (Step 1): Inflamação (provavelmente pós-viral, associada à reativação do HSV-1) do nervo vestibular (ramo superior do NC VIII). Isso causa uma hipofunção vestibular unilateral aguda (“desligamento” de um labirinto). O cérebro recebe sinais tônicos normais do lado saudável, mas sinais drasticamente reduzidos do lado afetado. Essa assimetria de sinal é interpretada como movimento rotacional constante. A audição é poupada.
Manejo (Step 2): O manejo é de suporte. Para os sintomas agudos (primeiras 24-72h), prescrever supressores vestibulares (ex: meclizina, diazepam) e antieméticos. Um curso curto de corticosteroides (ex: prednisona) pode acelerar a recuperação. É crucial suspender os supressores após a fase aguda e iniciar a Reabilitação Vestibular (fisioterapia) para promover a compensação central.
Paciente feminina, 45 anos, relata episódios recorrentes de vertigem rotatória incapacitante, cada um durando de 3 a 5 horas. Associado a cada episódio, ela relata zumbido flutuante, hipoacusia neurosensorial de baixa frequência e uma sensação de “ouvido cheio” (plenitude aural) no ouvido direito.
Diagnóstico: Doença de Ménière.
Fisiopatologia (Step 1): Hidropsia endolinfática. Ocorre um distúrbio na homeostase da endolinfa (fluido rico em potássio) dentro do labirinto membranoso, levando ao seu acúmulo e aumento da pressão. Acredita-se que rupturas periódicas desta membrana distendida causem a mistura da endolinfa com a perilinfa (rica em sódio), levando a uma disfunção tóxica aguda dos receptores cocleares (audição) e vestibulares (equilíbrio), explicando a tríade clássica de sintomas episódicos.
Manejo (Step 2): O manejo visa reduzir a frequência das crises. A 1ª linha de manejo crônico envolve modificações no estilo de vida, principalmente restrição dietética rigorosa de sódio (< 2g/dia) e uso de diuréticos (ex: hidroclorotiazida). Casos refratários podem ser tratados com injeções intratimpânicas de corticoides ou gentamicina (ablação química).