Em um lactente de 2 meses com bronquiolite que precisa de oxigênio e desenvolve desconforto moderado, ingesta oral reduzida e oligúria, qual é a melhor conduta?
Iniciar reposição de fluidos intravenosos de manutenção. Explicação: A bronquiolite viral não necessita de antibióticos nem broncodilatadores. A redução da ingesta e da diurese indica desidratação, portanto devem-se administrar líquidos de manutenção para evitar hipovolemia. O salbutamol e antibióticos são inadequados porque a bronquiolite é viral e broncodilatadores não mostram benefício; apenas manter a prescrição ignoraria a desidratação.
Lactente com bronquiolite em cateter nasal 2 L/min apresenta SpO2 90%. Qual o próximo suporte respiratório adequado?
Iniciar oxigenoterapia em cateter nasal de alto fluxo a 2 L/kg/min. Explicação: O alto fluxo nasal melhora a oxigenação e reduz a necessidade de intubação na bronquiolite moderada. Máscara de não-reinalação ou Venturi fornecem FiO2 não controlada e causam desconforto; cateter simples de alto fluxo não fornece pressão; 2 L/kg permite fluxo e umidificação adequados.
Uma criança de 3 anos com exacerbação grave de asma está em corticoterapia sistêmica. Qual tratamento adicional deve ser administrado?
Nebulização com beta-agonista de curta duração associado a brometo de ipratrópio. Explicação: A combinação de salbutamol e anticolinérgico inalados promove broncodilatação e é de primeira linha. Beta-agonistas intravenosos ou ventilação não invasiva são reservados para falha do tratamento inalatório. BiPAP é usado apenas em insuficiência respiratória após inalação.
Ao alta de um lactente internado por exacerbação de asma, como deve ser feita a prescrição de corticoide inalatório de manutenção?
Prescrever corticoide inalatório em baixa dose. Explicação: Crianças com exacerbações frequentes necessitam terapia controladora contínua. Baixas doses de corticoide inalatório reduzem a inflamação das vias aéreas. Beta-agonista de longa ação não deve ser usado isoladamente ou em menores de 6 anos e antileucotrieno é segunda linha. Suspender a profilaxia aumenta risco de recaída.
Lactente de 10 meses tosse após aspirar amendoim, apresenta estridor, cianose mas mantém ventilação. Qual conduta inicial?
Manter a criança calma e preparar broncoscopia rígida urgente; não realizar manobras de desobstrução. Explicação: Os sinais de obstrução parcial incluem tosse eficaz e entrada de ar; intervenções como manobra de Heimlich, tapotagem dorsal ou ventilação com máscara podem transformar em obstrução completa. O tratamento definitivo é remover o corpo estranho por broncoscopia sob controle.
Uma menina com encefalopatia crônica severa e pneumonias recorrentes está sendo avaliada para cuidados paliativos. Quando esses cuidados são apropriados?
Ela é elegível desde agora. Explicação: Cuidados paliativos são indicados para crianças com condições crônicas ameaçadoras à vida para melhorar qualidade de vida, independentemente da expectativa de morte. Não se limitam ao final da vida ou à concordância com abreviação terapêutica. A equipe deve introduzir suporte paliativo precocemente.
Lactente saudável de 2 meses, amamentado exclusivamente, apresenta hemoglobina 9,8 g/dL e VCM 77 fL. O que fazer?
Apenas observar sem tratamento. Explicação: A anemia fisiológica do lactente ocorre aos 2–3 meses quando a hemoglobina atinge nadir. O bebê é assintomático e cresce normalmente; não é necessária suplementação de ferro ou investigação. A anemia se resolve espontaneamente.
Menino de 8 anos em quimioterapia apresenta febre e odinofagia, mas está estável. Qual a conduta inicial adequada?
Internar e iniciar antibiótico intravenoso de amplo espectro (ex.: cefalosporina de 4ª geração) após coletar culturas. Explicação: A febre neutropênica é emergência oncológica; mesmo pacientes estáveis requerem antibióticos IV direcionados a gram-negativos. Antibióticos orais ou antivirais ambulatoriais são insuficientes. A terapia imediata reduz risco de sepse.
Criança de 5 anos inconsciente com pele avermelhada, mucosas secas, midríase e retenção urinária. Qual a síndrome tóxica?
Intoxicação anticolinérgica com bloqueio muscarínico. Explicação: A síndrome anticolinérgica apresenta hipertermia, pele seca, pupilas dilatadas, taquicardia, íleo e retenção urinária. Intoxicação por opioide cursa com miose e depressão respiratória; hemorragia intracraniana causa déficits focais.
Lactente de 7 meses com derivação ventrículo-peritoneal apresenta irritabilidade, sonolência e aumento do perímetro cefálico; imagem mostra cateter no lugar mas hidrocefalia persistente. O que isso indica?
Disfunção do shunt causando hipertensão intracraniana apesar do posicionamento correto. Explicação: Um shunt bem posicionado pode falhar por obstrução ou infecção. Sinais clínicos de pressão intracraniana elevada e ventriculomegalia persistente indicam mau funcionamento que necessita avaliação neurocirúrgica.
Após púrpura de Henoch‑Schönlein, quais exames devem ser monitorados nos meses seguintes?
Função renal e urinálise para detectar hematúria ou proteinúria. Explicação: A nefropatia é a complicação mais grave da vasculite IgA; monitorar creatinina e exame de urina detecta envolvimento glomerular tardio. Hemograma, ASO, ecocardiograma ou complementos não são seguimento de rotina.
Recém-nascido a termo de cesárea após polidrâmnio está apneico com frequência cardíaca 50 bpm após secagem e estimulação. Qual o próximo passo?
Ventilar com pressão positiva por máscara facial usando técnica C-E. Explicação: FC <100 bpm após medidas iniciais indica ventilação; intubação é para ventilação ineficaz; compressões torácicas só se FC mantiver <60 bpm após ventilação adequada. Cateterismo umbilical não é imediato.
Neonato com história de polidrâmnio apresenta salivação excessiva e cianose ao tentar mamar. Como confirmar atresia de esôfago?
Introduzir sonda orogástrica e fazer radiografia de tórax e abdome para visualizar a sonda enrolada no coto proximal. Explicação: A radiografia após tentativa de passar sonda mostra falha em chegar ao estômago e pode mostrar bolhas de ar sugerindo fístula distal. Estudos contrastados têm risco de aspiração e não são necessários inicialmente.
Prematuro filho de mãe diabética apresenta convulsões com cálcio baixo. Como tratar?
Administrar gluconato de cálcio 10% intravenoso (0,8 mL/kg) com monitorização cardíaca. Explicação: Hipocalcemia neonatal precoce é comum em prematuros e filhos de diabéticas e pode causar convulsões. O cálcio IV corrige rapidamente a hipocalcemia sintomática. Bolo de fluidos ou magnésio não tratam hipocalcemia.
Recém-nascido de gestante com VDRL em ascensão (1/32) apresenta VDRL 1/8 e LCR alterado. Qual conduta?
Tratar com penicilina cristalina intravenosa por 10 dias. Explicação: Titulação materna em ascensão e anormalidades no neonato sugerem sífilis congênita/neurosífilis. A penicilina IV atinge níveis adequados no LCR. Penicilina benzatina em dose única ou procaína IM são insuficientes; não tratar arriscaria progressão.
Criança de 5 anos com encefalopatia e diarreia permanece hipotensa após primeiro bolo de cristalóide e tem hipernatremia. Qual conduta imediata?
Realizar novos bolos de solução isotônica até estabilizar hemodinamicamente. Explicação: Em choque séptico ou hipovolêmico, é necessário repetir bolos de cristalóide; a correção da hipernatremia é feita após estabilização. Soluções hipotônicas ou via oral são inadequadas no choque.
Após estabilização de criança com hipernatremia (Na 160 mEq/L), como corrigir o sódio?
Calcular o déficit de água livre e repor gradualmente em 48–72 horas (por exemplo, via gastrostomia) monitorando o sódio. Explicação: Correção rápida pode causar edema cerebral; a redução controlada (no máximo 10–12 mEq/L/dia) é essencial. O líquido deve ser dado por via enteral se possível; soluções hipotônicas IV são usadas se via oral indisponível.
Criança de 2 anos em crise convulsiva sem acesso venoso. Qual medicação e via devem ser usadas?
Administrar midazolam por via intramuscular ou intranasal. Explicação: Quando o acesso IV não está disponível, midazolam IM/IN é eficaz e seguro. Diazepam não é recomendado IM por absorção errática; vias intraóssea ou retal são alternativas secundárias.
Após controle da convulsão, a criança permanece taquicárdica, com perfusão periférica lenta e suspeita de sepse. Qual a conduta?
Administrar bolo de cristalóide (20 mL/kg de Ringer lactato) e iniciar antibióticos de amplo espectro imediatamente. Explicação: Trata-se de choque séptico inicial que requer reposição de volume e antibióticos precocemente. Flumazenil reverte benzodiazepínicos mas não trata sepse. Intubação sem sedação é inadequada.
Criança pequena com convulsões recorrentes, vômitos e alteração do sensorium após episódio febril necessita de qual investigação?
Realizar punção lombar para avaliação do líquor. Explicação: Convulsões febris complexas (prolongadas, múltiplas, exame neurológico anormal) podem indicar meningite ou encefalite; a punção lombar é indicada. EEG ou exames virais isoladamente não excluem infecção do SNC.
Deve-se administrar ibuprofeno profilático antes das vacinas de 2 meses para prevenir febre e dor?
Não; antitérmicos profiláticos são desaconselhados porque não previnem eventos adversos e podem reduzir a imunogenicidade das vacinas. Explicação: Use antitérmicos apenas após surgirem sintomas. A evidência mostra que a premedicação não reduz reações febris e pode diminuir a resposta de anticorpos.
Aos 9 anos, uma garota apresenta mama e aréola aumentadas sem contornos distintos. Qual seu estágio de Tanner e situação do crescimento?
Estágio M3 de Tanner, correspondente ao pico de estirão de crescimento. Explicação: A mama e aréola aumentadas sem separação indicam M3; a menarca ocorre por volta do M4. A velocidade de crescimento aumenta no M3. No M2 há apenas broto mamário.
Menino de 9 anos com volume testicular <4 mL e ausência de pelos pubianos. Em que estágio de Tanner ele se encontra?
Estágio G1P1 (pré-púbere). Explicação: O aumento testicular >4 mL marca início da puberdade. Ausência de aumento e de pelos indica que ele não iniciou a puberdade, o que é normal aos 9 anos.
Quais vacinas os gêmeos de 9 anos devem receber agora e quais aos 11 anos?
Aplicar vacina HPV agora e programar vacina meningocócica ACWY aos 11 anos. Explicação: A vacina contra o HPV é indicada a partir dos 9 anos. O reforço contra meningococo ACWY é administrado aos 11. Aplicar ACWY aos 9 ou adiar o HPV não é recomendado.