O Poder Judiciário pode controlar o ato administrativo de heteroidentificação de candidatos que concorrem às vagas reservadas a pessoas pretas e pardas em concurso público, para garantia de contraditório e ampla defesa
Certo.
Conforme o destacado Tema 1420, embora o Judiciário não possa rever os critérios de avaliação da banca, ele pode e deve controlar a legalidade do ato administrativo de heteroidentificação para garantir direitos fundamentais como o contraditório e a ampla defesa.
O Poder Judiciário exerce um controle de legalidade sobre o ato, sem invadir o mérito administrativo (sem “substituir a avaliação da banca”). A anulação do ato se dá por vício de procedimento, como a falta de motivação e a não garantia da ampla defesa, exatamente a situação descrita no enunciado. A decisão judicial, nesse caso, anula o ato viciado e, em geral, determina que a Administração realize um novo procedimento de heteroidentificação, desta vez de forma regular.
Nos casos em que havia ocupação tradicional indígena ou renitente esbulho na data da promulgação da Constituição, os títulos de propriedade de não indígenas são nulos, assistindo aos ocupantes de boa-fé o direito à indenização unicamente pelas benfeitorias úteis e necessárias.
(Correto). Foi o que decidiu o STF no Tema 1.031 da Repercussão Geral: “IV – Existindo ocupação tradicional indígena ou renitente esbulho contemporâneo à promulgação da Constituição Federal, aplica-se o regime indenizatório relativo às benfeitorias úteis e necessárias, previsto no § 6º do art. 231 da CF/88;
O procedimento de demarcação é regido por legislação especial, afastando a incidência da lei geral de processo administrativo. O decreto presidencial homologatório da demarcação reveste-se de presunção de legitimidade e força autoexecutória, permitindo à Administração Pública promover a desintrusão independentemente de prévia autorização judicial
O processo de licitação observará as seguintes fases, em sequência:
O processo de licitação observará as seguintes fases, em sequência:
No processo de licitação, poderá ser estabelecida margem de preferência para
São modalidades de licitação
Paulo, Delegado de Polícia no Estado do Piauí e chefe de uma unidade policial, foi designado para responder cumulativamente pela Chefia de outra unidade da Polícia Civil. Nos termos do Decreto nº 22.223/2023, ele somente terá direito a perceber a Gratificação por Acumulação de Chefia de Unidade Policial se permanecer no exercício cumulativo pelo período mínimo de:
De acordo com o art. 64, §2º, do Decreto nº 22.223/2023, o período mínimo de acumulação para que haja o pagamento da gratificação é de 10 dias, sendo que o valor da gratificação será calculado proporcionalmente ao tempo de acumulação exercido.
À luz das disposições da Lei Complementar nº 37/2004 e da Lei Complementar Estadual nº 318/2025 (Estatuto da Polícia Civil do Estado do Piauí), analise as afirmativas a seguir:
I – A polícia judiciária é constituída exclusivamente pelos cargos de Delegado de Polícia e Oficial Investigador de Polícia.
II – Os símbolos da Polícia Civil são o hino, a bandeira, o brasão e o distintivo.
III – Os policiais civis não poderão residir fora do município sede da unidade policial em que prestarem serviço, salvo se houver autorização superior.
Está correto o que se afirma em:
Sobre o item I: O item está correto. A Lei Complementar Estadual nº 318/2025 alterou diversos dispositivos da Lei Complementar nº 37/2004, que dispõe sobre o Estatuto da Polícia Civil do Estado do Piauí. O art. 10, parágrafo único, agora estabelece que a polícia judiciária é constituída pelos cargos de Delegado de Polícia e Oficial Investigador de Polícia. Portanto, o item I está correto. É importante não confundir com outros dispositivos da referida lei. O art. 9 especifica que a Polícia Civil é composta pela polícia judiciária e pela polícia técnico-científica. Assim, os cargos da Polícia Civil incluem tanto os da polícia judiciária (delegado de polícia e oficial investigador de polícia) quanto os da polícia técnico-científica (perito oficial criminal), conforme a nova redação do art. 6.
Sobre o item II: O item está incorreto. O art. 79 estabelece como símbolos da Polícia Civil: o hino, abandeira e o brasão. O distintivo não está mencionado no artigo, portanto, não deve ser considerado um símbolo oficial.
Sobre o item III: O item está incorreto. O art. 77 estabelece que os policiais civis são obrigados a residir no município sede da unidade policial em que prestam serviços. Eles podem ser se afastar do município após prévia autorização superior, mas não para residir fora dele. Portanto, a afirmação de que precisam de autorização superior para residir fora do município é equivocada.
Gabarito: D
João, delegado de polícia, durante seu dia de folga, foi filmado conduzindo sua arma funcional de forma ostensiva em um bar. O ocorrido foi comunicado à Corregedoria da Polícia Civil. Considerando que essa situação configura uma infração prevista na Lei Complementar nº 37/2004 (Estatuto da Polícia Civil do Estado do Piauí), qual será a punição aplicável a João?
A alternativa correta é letra C, que prevê a suspensão de até 90 dias. Isso se fundamenta nos dispositivos da Lei Complementar nº 37/2004, que estabelecem as regras sobre as condutas do policial civil.
De acordo com o Art. 58, é proibido ao policial civil conduzir arma de forma ostensiva, exceto quando estiverem em serviço (inciso XXXIV).
O Art. 66 da mesma lei determina que a suspensão será aplicada nos casos de infração ao disposto no art. 58, VI a XXXIV, de reincidência das outras faltas punidas com advertência e de violação das demais proibições que não tipifiquem infração sujeita a penalidade de demissão, não podendo exceder de 90 (noventa) dias.
Dessa forma, João, ao ter cometido uma infração com a exposição de sua arma em condições inadequadas, está sujeito à penalidade de suspensão por um período de até 90 dias, conforme previsto na legislação.
O Conselho Superior de Polícia Civil é um órgão com atribuições consultivas, opinativas e de assessoramento, constituído por membros natos e eleitos. Conforme a Lei Complementar nº 37/2004, presidirá o Conselho Superior de Polícia Civil o:
GABARITO ALTERADO EM DECORRÊNCIA DE RECURSO!!
Resposta ao recurso: Alteração do gabarito.
O recurso alega que a redação do art. 71, inciso I, alínea “a” da Lei Complementar nº 37/2004, mencionada no enunciado da questão, foi alterada pela Lei Complementar nº 277/2023, de modo que o Conselho Superior de Polícia Civil passou a ser presidido pelo Delegado-Geral da Polícia Civil, e não mais pelo Secretário da Segurança Pública.
Após a análise do recurso, verificou-se que a argumentação apresentada está correta. Dessa forma, a alternativa considerada correta no gabarito preliminar encontra-se desatualizada frente à legislação vigente. Assim, o recurso merece ser deferido, e o gabarito oficial da questão deve ser retificado, passando a constar como resposta correta a alternativa “A” – Delegado-Geral da Polícia Civil.
Conforme Lei nº 14.735/2023 (Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis), são princípios institucionais básicos a serem observados pela polícia civil, EXCETO.
A
Controle de legalidade dos atos policiais civis;
B
Atuação imparcial na condução da atividade investigativa e de polícia judiciária;
C
Observância de caráter técnico, científico e jurídico na análise criminal da investigação policial;
D
Continuidade investigativa criminal;
E
Livre convencimento técnico-jurídico do delegado de polícia;
O gabarito da questão é a alternativa C, que apresenta uma diretriz, e não um princípio, a ser observada pela polícia civil, conforme estipulado no Art. 5, inciso II, da Lei nº 14.735/2023 (Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis).
As demais alternativas referem-se a princípios institucionais básicos que devem ser observados pela Polícia Civil, de acordo com o Art. 4º, incisos VIII, IX, XI e XII.
Gabarito: C
Sua gestão como governador do Piauí na segunda metade do século XX foi caracterizada por uma intensa modernização do estado, com a realização de grandes obras de infraestrutura em Teresina, como o Estádio Governador Alberto Tavares Silva (Albertão) e a Avenida Potycabana. A descrição refere-se a:
A) João Pereira Caldas: Primeiro governador da Capitania do Piauí, sendo responsável pela instalação da capital em Oeiras.
B) Gonçalo Botelho de Castro: Bandeirante que desbravou o território piauiense, contribuindo para o processo inicial de colonização e povoamento.
C) Domingos Dias da Silva: Figura ligada à expansão da pecuária no período colonial, sendo um dos grandes proprietários de fazendas na região.
D) Alberto Silva: Governador do século XX, cuja gestão foi marcada por um forte investimento em obras de infraestrutura e modernização do estado, sendo, portanto, essa a alternativa correta.
E) Coelho Netto: Renomado escritor piauiense e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras, representando o estado no cenário cultural nacional.
Gabarito: D
Na história do Brasil, em seu período conhecido como Regência (1831 a 1840), diversas revoltas ocorreram por todo o país, atingindo, inclusive, o Piauí. Dentre esses movimentos, podemos afirmar CORRETAMENTE que o Piauí foi afetado de forma mais efetiva pela:
A Balaiada foi uma revolta social que ocorreu no Maranhão entre 1838 e 1841, enquadrando-se perfeitamente no Período Regencial (1831-1840). Devido à longa fronteira entre os dois estados, o conflito se expandiu e afetou diretamente o Piauí. Grupos de rebeldes (os balaios) atravessaram o Rio Parnaíba e chegaram a tomar cidades piauienses importantes como Parnaíba e Campo Maior, o que exigiu uma forte reação do governo piauiense para contê-los.
As outras alternativas estão incorretas pelos seguintes motivos:
● A) Cabanagem: Ocorreu na província do Grão-Pará (atuais Pará e Amazonas) e não teve impacto direto no Piauí.
● B) Batalha do Jenipapo: Embora tenha sido um evento militar de extrema importância para o Piauí, ocorreu em 1823, durante o processo de Independência do Brasil, portanto, antes do Período Regencial.
● C) Farroupilha: Foi uma revolta ocorrida na província do Rio Grande do Sul, no extremo sul do país, sem qualquer relação com o Piauí.
● E) Sabinada: Aconteceu na província da Bahia e ficou restrita àquele território.
Gabarito: D
Considerando a diversidade de biomas no Piauí, analise as afirmativas a seguir:
I. O Cerrado, um tipo de savana com árvores de troncos retorcidos, ocupa a porção sul do estado, localizada entre os rios Parnaíba e Gurguéia.
II. A porção sudeste do Piauí está sob o domínio da Caatinga, uma vegetação adaptada a longos períodos de estiagem, composta por árvores baixas, arbustos e cactáceas.
III. A Mata dos Cocais, rica em palmeiras como babaçu e carnaúba, é encontrada no extremo norte do estado, enquanto a vegetação Litorânea, com seus manguezais, ocupa a porção noroeste na divisa com o Maranhão.
Está correto o que se afirma em:
Assinale a alternativa que associa CORRETAMENTE um estado vizinho ao Piauí com sua respectiva fronteira natural.
A Convenção Americana sobre Direitos Humanos estabelece regras precisas para a composição e o funcionamento de seus dois órgãos de supervisão, a Comissão e a Corte Interamericana.
Com base exclusivamente nas disposições da Convenção sobre a organização desses órgãos, assinale a afirmativa correta.
A
A eleição dos membros da Comissão Interamericana e dos juízes da Corte Interamericana segue o mesmo procedimento, sendo ambos eleitos pela Assembleia Geral da OEA pelo voto da maioria absoluta dos Estados Partes da Convenção, a partir de listas de candidatos propostas pelos governos.
B
O mandato dos membros da Comissão é de quatro anos e o dos juízes da Corte é de seis anos, sendo permitida uma única reeleição para ambos. Contudo, a regra que impede a presença de mais de um nacional do mesmo Estado aplica-se apenas à composição da Corte.
C
A Comissão Interamericana comparecerá em todos os casos submetidos à Corte, e um juiz que seja nacional de um Estado Parte no litígio deverá se declarar impedido, sendo substituído por um juiz ad hoc indicado pelo Estado adversário para garantir a paridade de armas.
D
Os membros da Comissão são eleitos a título pessoal e representam todos os membros da Organização dos Estados Americanos, enquanto os juízes da Corte, também eleitos a título pessoal, são escolhidos em votação secreta apenas pelos Estados Partes na Convenção.
E
Tanto a Comissão quanto a Corte elaboram seus respectivos estatutos e os submetem à aprovação da Assembleia Geral da OEA. Todavia, enquanto a Corte possui um serviço de secretaria próprio, estabelecido e dirigido por ela mesma, a secretaria da Comissão é vinculada à Secretaria-Geral da OEA.
De acordo com a jurisprudência do Supremo Tribuna Federal, analise as assertivas a seguir:
I. É constitucional lei estadual que impõe a obrigatoriedade de adaptação de percentual de carrinhos de compras para transporte de crianças com deficiência ou mobilidade reduzida.
II. É constitucional norma estadual que estabelece regras sobre a suspensão do fornecimento dos serviços de energia elétrica e de água por inadimplência do usuário
III. É constitucional lei estadual de iniciativa do Poder Executivo local que durante sua tramitação foi objeto de emendas legislativas - com pertinência temática e sem aumento de despesas –, as quais modificaram a natureza do projeto de lei ordinária para lei complementar.
I – CORRETA: A assertiva está correta, pois assim decidiu o Supremo Tribunal Federal: É constitucional lei estadual que impõe a obrigatoriedade de adaptação de percentual de carrinhos de compras para transporte de crianças com deficiência ou mobilidade reduzida. STF. Plenário. RE 1.198.269/SP, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 09/06/2025 (Repercussão Geral – Tema 1.286) (Info 1181).
II – INCORRETA: A assertiva está incorreta, pois conforme decidiu o Supremo Tribunal Federal: É inconstitucional norma estadual que estabelece regras sobre a suspensão do fornecimento dos serviços de energia elétrica e de água por inadimplência do usuário. STF. Plenário. ADI 7.725/TO, Rel. Min. André Mendonça, julgado em 26/05/2025 (Info 1180).
III – CORRETA: A assertiva está correta, pois assim decidiu o Supremo Tribunal Federal: É constitucional lei estadual de iniciativa do Poder Executivo local que, durante sua tramitação, foi objeto de emendas legislativas que modificaram a natureza do projeto de lei ordinária para lei complementar, desde que essas emendas tenham pertinência temática e não impliquem em aumento de despesas. STF. Plenário. ADPF 1.092/SE, Rel. Min. André Mendonça, redator do acórdão Min. Gilmar Mendes, julgado em 17/06/2025 (Info 1182).
Gabarito: D
Seguindo o entendimento do Supremo Tribunal Federal, analise as assertivas elencadas a seguir:
I. É inconstitucional norma de Constituição estadual que possibilita o pagamento de parcela indenizatória a parlamentares convocados para sessões legislativas extraordinárias.
II. A Lei nº 12.830/2013 se limita à disciplina da investigação criminal conduzida pelo delegado de polícia e a sua interpretação no sentido de restringir a competência investigativa do Ministério Público ou de outras autoridades administrativas é inconstitucional.
III. É constitucional norma de Constituição estadual que deixa de prever a perda do cargo de governador e de vice-governador que se ausentem por mais de quinze dias, ainda que não haja autorização da Assembleia Legislativa.
I – CORRETA: A assertiva está incorreta, uma vez que assim decidiu o Supremo Tribunal Federal: É inconstitucional — por violar o princípio da simetria federativa (arts. 27, § 2º; e 57, § 7º, CF/88) — norma de Constituição estadual que possibilita o pagamento de parcela indenizatória a parlamentares convocados para sessões legislativas extraordinárias. STF. Plenário. ADI 6.857/SP, Rel. Min. Cristiano Zanin, julgado em 03/06/2025 (Info 1180).
II – CORRETA: Apesar da polêmica sobre o tema, especialmente quando estamos diante de um concurso para delegado de polícia, não podemos esquecer ou deixar de estudar o entendimento fixado pelo Supremo Tribunal Federal: A Lei nº 12.830/2013 se limita à disciplina da investigação criminal conduzida pelo delegado de polícia e a sua interpretação no sentido de restringir a competência investigativa do Ministério Público (art. 129, I, VI e IX, CF/88) ou de outras autoridades administrativas é inconstitucional. STF. Plenário. ADI 5.043/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, julgado em 31/03/2025 (Info 1171)
III – INCORRETA: A assertiva está incorreta, pois caminha no sentido contrário ao que decidiu o Supremo Tribunal Federal: É inconstitucional — por violar o princípio da simetria (art. 25, CF/88; e ADCT, art. 11) e os princípios constitucionais sensíveis (art. 34, VII, CF/88) — norma de Constituição estadual que deixa de prever a perda do cargo de governador e de vice-governador que se ausentem, sem autorização da Assembleia Legislativa, por mais de quinze dias. STF. Plenário. ADI 7.463/DF, Rel. Min. André Mendonça, julgado em 19/05/2025 (Info 1178).
Gabarito: C
A competência concorrente é um instituto do Direito Constitucional brasileiro que se refere à possibilidade de mais de um ente federativo (União, Estados e Distrito Federal) legislarem sobre determinados assuntos. Assinale a alternativa que apresenta a matéria de competência concorrente:
A
0.56%
Nacionalidade, cidadania e naturalização
B
55.15%
Direito tributário, financeiro, penitenciário, comercial e urbanístico
C
1.95%
Serviço postal
D
8.64%
Trânsito e transporte
E
33.7%
Produção e consumo
A – INCORRETA: A alternativa está incorreta, pois legislar sobre “nacionalidade, cidadania e naturalização” é uma hipótese de competência privativa da União, nos termos do artigo 22, inciso XIII, da CF|
B – INCORRETA: A alternativa está incorreta, pois apesar da legislação sobre direito tributário, financeiro, penitenciário e urbanístico ser competência concorrente entre União, Estados e Distrito Federal (art. 24, inciso I, da CF), o direito comercial é competência privativa da União, conforme artigo 22, inciso I, da CF). Veja que neste caso a alternativa trocou o direito econômico (competência concorrente) pelo direito comercial (competência privativa).
Mnemônico para decorar a competência concorrente:
Tri (tributário)
Fi (financeiro)
Pen (penitenciário)
Ec (econômico)
U (urbanístico)
TriFiPenEcU
C – INCORRETA: A alternativa está incorreta, pois legislar sobre “serviço postal” é uma hipótese de competência privativa da União, nos termos do artigo 22, inciso V, da CF|
D – INCORRETA: A alternativa está incorreta, pois legislar sobre “trânsito e transporte” é uma hipótese de competência privativa da União, nos termos do artigo 22, inciso XI, da CF|.
E – CORRETA: A alternativa está correta, devendo ser assinalada, pois conforme o artigo 24, inciso V, da CF, a matéria de “produção e consumo” é de competência legislativa concorrente entre União, Estados e Distrito Federal.
Gabarito: E
É constitucional — e não afronta iniciativa privativa do chefe do Poder Executivo (art. 61, §1º, II, ‘a’ ou ‘c’, da CF/88) nem constitui omissão que estabeleça hipótese de patente inconstitucionalidade — a Lei nº 12.030/2009, de iniciativa parlamentar, que estabelece normas gerais sobre perícias oficiais de natureza criminal.
CERTO.
A Lei nº 12.030/2009 é constitucional. O Supremo Tribunal Federal (Plenário, ADI 4.354/DF, Rel. Min. Dias Toffoli, j. 07/11/2024 – Informativo 1158) entendeu que o diploma legal estabelece normas gerais sobre perícias oficiais de natureza criminal, assegurando autonomia técnica, científica e funcional aos peritos criminais, bem como a exigência de concurso público e formação específica. Por se tratar de norma geral, e não de lei que cria cargos ou disciplina regime jurídico, não há vício formal ou material.
Em 2025, Luan, homem transexual que já havia retificado seu registro civil para constar nome e gênero masculinos, procurou o posto de saúde municipal para realizar exames ginecológicos de rotina. O sistema eletrônico do SUS, no entanto, bloqueou o agendamento, informando que “usuários do gênero masculino não podem realizar consultas com ginecologistas”. Luan formalizou reclamação na Ouvidoria, mas o servidor responsável respondeu que “o sistema segue o sexo do documento e não há previsão legal para exceções”.
Inconformado, Luan ingressou com ação judicial, sustentando violação aos direitos fundamentais, requerendo que o Ministério da Saúde e o Município promovam as adequações necessárias para garantir o acesso integral e sem discriminação.
Com base na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e nos princípios constitucionais aplicáveis, assinale a alternativa correta.
A
O pedido deve ser julgado improcedente, pois o Ministério da Saúde não pode criar exceções ao critério biológico de atendimento médico, sob pena de violar o princípio da legalidade administrativa.
B
O pedido deve ser julgado improcedente, pois a identidade de gênero se sobrepõe ao sexo biológico, sendo legítima a limitação do atendimento com base nas características fisiológicas do registro civil.
C
O pedido deve ser julgado procedente, pois o STF reconhece que o direito à identidade de gênero integra a dignidade da pessoa humana e impõe ao Estado o dever de ajustar suas políticas de saúde às necessidades biológicas e à identidade de gênero autodeclarada.
D
O pedido deve ser parcialmente procedente, apenas para permitir o uso do nome social de Luan no sistema, mas sem obrigar a realização de consultas ginecológicas, pois estas se restringem a mulheres no registro civil.
E
O pedido deve ser julgado procedente, para garantir atendimento digno o STF determinou que os documentos oficiais e sistemas públicos passem a incluir o termo “transgênero”, como condição necessária para assegurar o atendimento igualitário e o reconhecimento da identidade de gênero.
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar a ADPF 787/DF (Rel. Min. Gilmar Mendes, Pleno, julgado em 17/10/2024, Info 1155), fixou importante precedente sobre a proteção dos direitos fundamentais das pessoas trans e travestis.
A Corte reconheceu que o direito à identidade de gênero é manifestação da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III, CF) e que o Estado tem o dever de garantir políticas públicas de saúde baseadas tanto nas necessidades biológicas quanto na identidade autodeclarada do indivíduo, afastando práticas administrativas discriminatórias.
Nesse sentido, o STF determinou que o Ministério da Saúde adote providências administrativas e tecnológicas para assegurar o acesso integral de pessoas trans e travestis ao SUS, permitindo que realizem exames, consultas e procedimentos médicos compatíveis com suas características físicas e gênero declarado, ainda que o sistema eletrônico utilize dados cadastrais diferentes do sexo biológico.
O Tribunal destacou que a igualdade material (art. 5º, caput, CF) exige tratamento diferenciado para a efetiva inclusão de grupos vulneráveis, e que a negação de acesso à saúde pública por critérios cadastrais constitui violação direta aos direitos fundamentais à saúde (art. 6º e art. 196, CF) e à personalidade.
A decisão, portanto, não impôs a criação de novos termos ou categorias como “transgênero” em documentos oficiais, mas ordenou a reestruturação administrativa dos sistemas de saúde para garantir atendimento digno, inclusivo e não discriminatório.
Por isso, a alternativa C é correta, pois reflete com precisão o conteúdo e o alcance do julgado: o reconhecimento da identidade de gênero como expressão da dignidade humana e a obrigação do Estado de ajustar suas políticas públicas para efetivar o acesso igualitário à saúde.
Exemplo prático: Um homem trans que já tenha alterado seu registro civil para o gênero masculino, mas que mantenha útero e ovários, deve ter o direito de realizar consultas e exames ginecológicos normalmente, mesmo que o sistema o identifique como “masculino”. Da mesma forma, uma mulher trans que ainda possua próstata deve poder consultar-se com um urologista, sem que o sistema ou servidores públicos questionem sua identidade de gênero.
Precedente:
“O Estado deve assegurar o acesso de pessoas transexuais e travestis às políticas públicas de saúde, de forma compatível com suas necessidades biológicas e com sua identidade de gênero, cabendo ao Ministério da Saúde adotar todas as providências administrativas e tecnológicas necessárias à efetivação desse direito.” (STF – ADPF 787/DF – Rel. Min. Gilmar Mendes – Plenário – julgado em 17/10/2024 – Info 1155).
Gabarito: C
Com base nas diversas classificações doutrinárias das Constituições, analise as assertivas a seguir:
I – Constituição normativa: há perfeita sintonia entre o texto constitucional e a conjuntura política e social do Estado, de forma que a limitação ao poder dos governantes e a previsão de direitos à população sejam estritamente observadas e cumpridas.
II – Constituição nominativa: não é capaz de reproduzir com exata congruência a realidade política e social do Estado, mas anseia chegar a esse estágio; seus dispositivos ainda não são dotados de força normativa capaz de reger plenamente os processos de poder, almejando-se, contudo, alcançar no futuro a perfeita sintonia entre texto (Constituição) e contexto (realidade).
III – Constituição-moldura: nesta concepção a Constituição é só a moldura de um quadro vazio, funcionando como limite à atuação do legislador ordinário, que não poderá atuar fora dos limites previamente estabelecidos. Dessa forma, a preocupação da jurisdição constitucional seria, tão somente, a de verificar se o legislador agiu dentro dos contornos da moldura constitucional, isto é, se o “desenho” legislativo está dentro do quadro ou se extrapolou as bordas previamente definidas.
IV – Constituição suave: caracteriza-se por conferir ao texto constitucional certa maleabilidade que permite acompanhar as oscilações da realidade fática, admitindo constantes releituras e reinterpretações permanentes para melhor acompanhar as mutações sociais.
V – Constituição-lei: diferencia as normas constitucionais das demais, situando-as em plano de superioridade valorativo que as torna cogentes para legisladores e indivíduos. A atuação do legislador fica significativamente abreviada, reduzida a interpretar as normas constitucionais e a efetivá-las.
Está correto o que se afirma em:
A constatação da inequívoca hierarquia normativa entre as normas constitucionais e as demais, justifica a realização do controle de constitucionalidade. A instituição desse instrumental teórico de fiscalização da constitucionalidade dos diplomas é, pois, o que impede que o ideal da supremacia constitucional se torne mera retórica.
A efetivação do controle desenlaça-se na conclusão de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade do ato submetido à comparação (análise de compatibilidade) com o texto constitucional. Caso a percepção final seja pelo antagonismo e contrariedade do ato normativo inferior frente aos vetores constitucionais, estaremos diante da inconstitucionalidade.
Com base nas classificações da inconstitucionalidade no sistema constitucional brasileiro, analise as seguintes assertivas:
I – Tem-se inconstitucionalidade formal, também denominada nomoestática, quando o vício decorre da inobservância do processo legislativo constitucionalmente previsto ou da incompetência do órgão que editou o ato.
II – A inconstitucionalidade material, também intitulada nomodinâmica, ocorre quando o conteúdo da norma é incompatível com o texto da Constituição.
III – Configura-se inconstitucionalidade por omissão quando a inércia estatal impede a efetivação de norma constitucional que depende de atuação legislativa ou administrativa para produzir plenamente seus efeitos.
IV – No Brasil, admite-se a inconstitucionalidade superveniente, quando uma norma constitucional posterior torna incompatível lei anterior, impondo sua retirada do ordenamento.
V – A inconstitucionalidade consequencial (por arrastamento) é também conhecida como inconstitucionalidade reflexa, ocorre quando há entre duas normas uma relação de dependência (uma principal e outra acessória) sendo que a declaração de inconstitucionalidade da principal enseja a declaração de inconstitucionalidade da acessória, ainda que o pedido tenha se limitado à norma principal. Isso porque não faz sentido retirar do ordenamento a norma principal, deixando a norma secundária (dependente da primeira) que, sozinha, não possui nenhum sentido normativo.
Está correto o que se afirma em:
ü Inconstitucionalidade formal, também intitulada NOMODINÂMICA, quando o vício que afeta o ato inconstitucional decorre da inobservância de algum rito do processo legislativo constitucionalmente fixado ou da incompetência do órgão que o editou.
ü Inconstitucionalidade material o conteúdo da norma é contrário ao conteúdo consti-tucional. Também intitulada NOMOESTÁTICA, deriva daquelas situações em que há incongruência entre o previsto na lei e aquilo que dispõe o texto constitucional.
Tem-se a inconstitucionalidade por omissão quando a nefasta letargia dos Poderes Públicos impede a efetivação de uma norma constitucional que, para produzir com plenitude seus efeitos, depende de uma atuação estatal.
Na inconstitucionalidade superveniente, o parâmetro (norma constitucional) é sempre posterior ao objeto (lei). No Brasil, ao contrário de outros países (Portugal, por exemplo) não se reconhece a inconstitucionalidade superveniente.
A inconstitucionalidade poderá, também, ser indireta (ou mediata), subdividindo-se em:
(i) inconstitucionalidade reflexa (ou oblíqua) - é aquela na qual o vício é decorrente do desrespeito a uma norma infraconstitucional interposta entre o ato que se questiona e a Constituição; (ii) inconstitucionalidade consequencial (ou por arrastamento, por atração ou por reverberação normativa) - ocorre quando há entre duas normas uma relação de dependência (uma principal e outra acessória) sendo que a declaração de inconstitucionalidade da principal enseja a declaração de inconstitucionalidade da acessória, ainda que o pedido tenha se limitado à norma principal. Isso porque não faz sentido retirar do ordenamento a norma principal, deixando a norma secundária (dependente da primeira) que, sozinha, não possui nenhum sentido normativo.
Gabarito: C