O que é o choque?
Estado fisiológico caracterizado por redução da perfusão sistémica e hipoxia tecidular devido a entrega inadequada de oxigénio, aumento do consumo, ou incapacidade de utilização tecidular.
Qual é o mecanismo fisiopatológico final comum do choque?
Hipoperfusão tecidular → disfunção celular → metabolismo anaeróbio → acidose láctica → falência orgânica múltipla.
Quais são os determinantes principais da perfusão tecidular?
Débito cardíaco (DC), resistência vascular sistémica (RVS), e pressão arterial média (PAM = DC × RVS).
Quais são os componentes do débito cardíaco?
Frequência cardíaca × volume sistólico (influenciado por pré-carga, contratilidade e pós-carga).
Quais são as fases evolutivas do choque?
Quais são os principais tipos de choque?
Quais os mecanismos fisiopatológicos característicos de cada tipo de choque?
Distributivo: ↓ RVS, DC ↑
Cardiogénico: falência da bomba → ↓ DC, ↑ RVS
Hipovolémico: ↓ volume → ↓ pré-carga e DC, ↑ RVS
Obstrutivo: impedimento mecânico ao enchimento/ejeção.
Quais são as causas de choque distributivo?
Séptico, anafilático, neurogénico, endócrino (crise adrenérgica, mixedema), fármacos vasodilatadores, insuficiência hepática.
Qual o mecanismo fisiopatológico do choque séptico?
Liberação de mediadores inflamatórios → vasodilatação, aumento da permeabilidade capilar, disfunção miocárdica e alteração na extração de O₂.
O que caracteriza o choque séptico?
Hipotensão persistente após fluidos + lactato > 2 mmol/L + necessidade de vasopressores para PAM ≥ 65 mmHg.
Quais são as causas de choque cardiogénico?
Enfarte agudo do miocárdio, disfunção miocárdica séptica, cardiomiopatia dilatada, arritmias (FA, flutter, TV, FV, bradiarritmias), anomalias mecânicas (rutura valvular, septal, aneurisma, dissecção aórtica retrógrada).
Qual o mecanismo do choque cardiogénico?
Falência da bomba cardíaca → ↓ DC → hipoperfusão → ↑ RVS compensatória.
Quais são as causas de choque hipovolémico?
Hemorragia, perdas GI (vómitos, diarreia), queimaduras extensas, perdas para o terceiro espaço (pancreatite, obstrução intestinal).
Qual o mecanismo fisiopatológico do choque hipovolémico?
Perda de volume intravascular → ↓ retorno venoso → ↓ pré-carga → ↓ DC → hipoperfusão tecidular.
Quais são as causas de choque obstrutivo?
Tromboembolismo pulmonar, hipertensão pulmonar grave, pneumotórax hipertensivo, tamponamento pericárdico, pericardite constritiva, síndrome compartimental abdominal.
Qual é o mecanismo do choque obstrutivo?
Obstrução ao enchimento ou ejeção ventricular → ↓ DC apesar de função miocárdica preservada.
O que é o choque combinado?
Coexistência de mais de um tipo de choque (ex.: séptico → distributivo + hipovolémico + cardiogénico).
Quais são os sinais cardinais de choque?
Hipotensão (PAS < 90 mmHg ou PAM < 65 mmHg), taquicardia, taquipneia, oligúria (<0.5 mL/kg/h), alteração do estado mental, pele fria e pálida (exceto distributivo), acidose metabólica e lactato aumentado.
Quais são os achados laboratoriais no choque?
Lactato sérico aumentado, acidose metabólica, creatinina aumentada, transaminases elevadas, coagulopatia.
Qual a abordagem inicial no doente em choque?
Qual é o objetivo geral do tratamento do choque?
Restaurar perfusão tecidular e oxigenação adequadas, corrigir a causa subjacente, prevenir falência multiorgânica.
Tratamento do choque distributivo séptico
Reposição volémica (cristaloides 30 mL/kg), vasopressor (noradrenalina), antibióticos precoces, controlo da fonte infecciosa.
Tratamento do choque anafilático
Adrenalina 0.5 mg IM imediata, fluidos IV, oxigénio, anti-histamínicos e corticosteroides.
Tratamento do choque neurogénico
Fluidos IV, vasopressores (noradrenalina), estabilização da coluna se trauma.