Fundamentos Flashcards

(90 cards)

1
Q

Quais são os princípios que regem as relações internacionais da República Federativa do Brasil?

A
  • Independência nacional
  • Prevalência dos direitos humanos
  • Autodeterminação dos povos
  • Não-intervenção
  • Igualdade entre os Estados
  • Defesa da paz
  • Solução pacífica dos conflitos
  • Repúdio ao terrorismo e ao racismo
  • Cooperação entre os povos para o progresso da humanidade
  • Concessão de asilo político

Esses princípios estão estabelecidos no Art. 4º da Constituição Brasileira.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
2
Q

Qual é o objetivo da República Federativa do Brasil em relação à América Latina?

A

Buscar a integração econômica, política, social e cultural dos povos da América Latina

Isso visa à formação de uma comunidade latino-americana de nações.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
3
Q

Qual documento internacional os princípios brasileiros refletem em grande parte?

A

Resolução AGNU nº 2625/1970

Este documento aborda temas como a defesa da paz e a não intervenção.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
4
Q

Como Celso de Mello define o Direito Internacional?

A

O conjunto de normas que regula relações externas dos atores que compõem a sociedade internacional.

A sociedade internacional é o meio onde o DIP se desenvolve, conforme a máxima ubi societas ibi jus.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
5
Q

Quais as características da sociedade internacional segundo Celso de Mello?

A
  • Descentralizada
  • Institucionalmente imperfeita
  • Aberta
  • Paritária

A sociedade internacional se distingue da comunidade, que é marcada pela comunhão de valores.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
6
Q

Quais são as três correntes principais do Direito Internacional?

A
  • Direito Internacional de Coexistência (clássico)
  • Direito Internacional de Cooperação
  • Direito Internacional de Solidariedade

Cada corrente tem um foco diferente, desde a sobrevivência e normas negativas até a justiça intergeracional.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
7
Q

Quais são as bases sociológicas do Direito Internacional segundo Celso Mello?

A

A pluralidade de Estados soberanos. “se não existisse uma pluralidade de Estados soberanos, não haveria o DIP e sim um outro direito qualquer, como, por exemplo, um ‘Direito Constitucional Mundial, que corresponderia a um Estado mundial”.

Sem essa pluralidade, não haveria o DIP.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
8
Q

Quais são as duas correntes sobre os fundamentos de obrigatoriedade do Direito Internacional?

A
  • Voluntarismo
  • Objetivismo

O voluntarismo defende que o DIP decorre da vontade dos Estados, enquanto o objetivismo acredita em uma norma maior que fundamenta a obrigatoriedade.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
9
Q

O que defendem os voluntaristas sobre a obrigatoriedade do Direito Internacional?

A

O DIP decorre da vontade dos Estados, podendo ser individual ou coletiva.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
10
Q

Qual o posicionamento de Jellinek sobre o fundamento do DIP?

A

argumenta pela existência da autolimitação da vontade, pela qual os Estados soberanos aceitam autolimitar sua soberania.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
11
Q

Qual o posicionamento de Wenzel sobre o fundamento do DIP?

A

traça a obrigatoriedade a partir da delegação do direito interno, no qual o fundamento está nas próprias Constituições dos Estados

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
12
Q

Qual o posicionamento de Triepel sobre a obrigatoriedade do DIP?

A

argumenta pela vontade coletiva, isto é, que a obrigatoriedade do DIP resulta da fusão de vontades independentes.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
13
Q

Qual o posicionamento de Hall e Oppenheim sobre a obrigatoriedade do DIP?

A

argumentam na mesma linha de Triepel, adotando o conceito de consentimento das nações, com a vontade do grupo como fundamento do DIP

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
14
Q

O que defendem os objetivistas sobre a obrigatoriedade do Direito Internacional?

A

Existem normas superiores que fundamentam a obrigatoriedade do Direito Internacional.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
15
Q

Como Kelsen fundamenta a obrigatoriedade do DIP?

A

Kelsen, com a teoria da norma base, defende que toda norma retira seu fundamento de validade de uma superior. No vértice, está a norma hipotética fundamental, o grund norm.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
16
Q

Como Pillet fundamenta a obrigatoriedade do DIP?

A

Pillet afirma que os Estados possuem direitos fundamentais pelo simples fato de existirem.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
17
Q

Como Anzilotti fundamenta a obrigatoriedade do DIP?

A

Anzilotti afirma que o fundamento do DIP estaria no princípio do pacta sunt servanda, que seria um valor jurídico absoluto.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
18
Q

Como Duguit fundamenta a obrigatoriedade do DIP?

A

Duguit fala que o fundamento do DIP está na solidariedade internacional, a partir de um fato social que se impõe aos sujeitos.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
19
Q

Como Allan Pellet fundamenta a obrigatoriedade do DIP?

A

Allan Pellet afirma que o consentimento é mais relevante que vontade no DIP, dado que as explicações voluntaristas são insuficientes. Um exemplo seriam as normas jus cogens, pelos quais os Estados estão obrigados mesmo sem consentimento ou vontade. Essas normas se aproximariam mais das correntes objetivistas.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
20
Q

O que são normas jus cogens?

A

Normas que obrigam os Estados mesmo sem consentimento ou vontade.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
21
Q

Qual a diferença de jus cogens e obrigações erga omnes?

A

as obrigações erga omnes, embora obrigatórias a todos os Estados enquanto parte do DI geral, podem ser afastadas mediante acordo entre os Estados que não concordam com sua obrigatoriedade, aproximando-se dos postulados defendidos pelos voluntaristas

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
22
Q

O que são os negadores de DIP?

A

Parte das discussões sobre o fundamento da obrigatoriedade do DIP é composta pelo questionamento sobre haver, de fato, essa obrigatoriedade. Esses autores são conhecidos comonegadores do DIP, divididos entreos práticos, como Adolf Rasson, que negam sua existência por completo; e teóricos, que negam sua validade por entenderem que as sanções limitadas, considerando o Direito Internacional como regras morais ou regras de cortesia.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
23
Q

Como são classificadas as sanções no Direito Internacional?

A
  • Lato senso (retorsões ou contramedidas)
  • Strictu sensu (impostas por uma organização internacional)

As sanções tendem a ser descentralizadas na sua aplicação - mesmo quando a decisão é centralizada em uma OI, a aplicação tende a ser descentralizada.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
24
Q

Quais são as duas teorias principais sobre a incorporação de normas de Direito Internacional aos Estados?

A
  • Dualismo
  • Monismo

Dualismo separa os ordenamentos, enquanto monismo entende que eles se cruzam.

How well did you know this?
1
Not at all
2
3
4
5
Perfectly
25
Qual o pensamento de Triepel?
Heinrich Triepel é maior autor da corrente. Para ele, as evidências dessa separação seriam: destinatários distintos - no DI é indivíduo, enquanto no DIP são os Estados; fontes distintas: no DI, é Estado. No DIP, vontade coletiva dos Estados; estruturas distintas: no DI, é desubordinação, no DIP de coordenação.
26
Quais outros autores dualistas são importantes?
Também são autores importantes Jellinek, com a teoria da autolimitação do Estado, e Max Wenkel, com a teoria da delegação do direito interno – a fundamentação do DIP viria da Constituição dos Estados. 
27
O que diz a CVDT sobre a justificativa baseada no direito interno para o inadimplemento de um tratado?
Uma parte não pode justificar as disposições de seu direito interno para justificar inadimplemento de um tratado. ## Footnote Isso reflete o pensamento monista internacionalista.
28
Quais são os atos internacionais na incorporação de tratados?
* Negociados * Adotados * Autenticados * Assinados * Remetidos à aprovação Parlamentar * Aprovados pelo Parlamento * Ratificados pelo Presidente ## Footnote Cada ato tem suas implicações na incorporação e eficácia do tratado.
29
O que a adoção dos tratados implica?
congela o texto do tratado, põe fim à negociação. Depois disso, só pode fazer alterações mínimas (erro de digitação). É feita por unanimidade ou, em uma conferência, por voto favorável de 2/3 dos presentes. A partir do momento da adoção, já se encontramem vigor as cláusulas finais. Nem sempre tem formato específico. Se não tiver, a assinatura congela o momento da adoção.
30
Quem é legitimado para assinar tratados?
São legitimados para assinatura os representantes com plenos poderes - Chefe de Estado, de governo ou MRE. Chefe de missão diplomática pode ADOTAR texto de tratado entre Estado acreditante eacreditado.
31
Como é o processo de aprovação parlamentar de tratados?
são remetidos à aprovação Parlamentar - o Presidente não é obrigado a remeter ao Congresso, exceto nos tratados da OIT. Quando o presidente remete ao Congresso, Câmarados Deputados recebe Exposição de Motivos do MRE e Justificação da Casa Civil. Tratado passará por Comissões temáticas na Câmara e no Senado e, no mínimo, por duas: CRE e CCJ. Pode ser criada Comissão especial. 
32
Como funcionam as ressalvas do Congresso aos tratados?
aprovados pelo Parlamento - O poder Legislativo não pode emendar texto de tratado – a assinatura ocorre depois de adoção, que congela o texto do tratado. Contudo, pode propor ressalvas, que depois serão apresentadas como reservas pelo Presidente. A reserva feita no momento da assinatura tem que ser confirmada na ratificação (justamente porque Parlamento pode retirar reserva). 
33
O que ocorre se as ressalvas do Congresso não forem aceitas?
Caso essas reservas sejam declaradas como incompatíveis com seu objeto e finalidade, elas são consideradas inválidas, e impedem que o consentimento definitivo manifestado pelo Brasil possa continuar a gerar efeitos jurídicos. Consequentemente, não há necessidade de denúncia do tratado em questão, nem de assentimento parlamentar para tal, na medida em que nossa participação no tratado não é possível com reservas inválidas, e o Poder Executivo não pode obrigar convencionalmente o Brasil no plano internacional desrespeitando as ressalvas formuladas pelo Congresso.
34
Como funciona a etapa de ratificação do tratado?
Após ratificação do tratado, presidente promulga por decreto executivo e publica em DO. O STF entende que enquanto não sair no DO, não entra em vigor no plano interno (conforme entendimento consagrado sobre carta rogatória nº 8279 vinda da Argentina).
35
O que é o modelo de aplicabilidade imediata?
Além do modelo brasileiro, há o modelo de aplicabilidade imediata, adotado em países que possuem uma abordagem monista. Nesse modelo, os tratados são incorporados ao quadro das leis nacionais, passando a produzir efeitos jurídicos internamente, sem um ato jurídico especial voltado à incorporação da legislação internacional. É valida, por exemplo, na União Europeia quanto as normas de direito comunitário.
36
Como funcionam os tratados unifásicos no Brasil?
No caso de tratados unifásicos (que não não, necessariamente, acordos executivos), que requerem apenas assinatura ou troca de notas, não há ratificação parlamentar. Com isso, a assinatura tem valor de ratificação e o tratado segue para publicação no DO.
37
Qual o debate já ocorreu sobre acordos executivos no Brasil?
Na década 60, havia debate se o Brasil poderia celebrar acordos executivos. Valadão defendia que Brasil não poderia celebrar esse tipo de acordo, mas prevalece pensamento de Accioly, e o Brasil já celebreu mais de 500 acordos executivos. ## Footnote São, em geral, tratados que não acarretem encargos ou compromissos gravosos. Logo, acordos que interpretam clausulas de tratados vigentes, ou que definem bases para futuramente negociação de tratado.
38
A União pode assinar tratados com isenção de impostos?
Em seu Informativo 476, o STF mencionou julgamento efetuado no RE 229.096/RS, que debatia a possibilidade de a União isentar tributos de competência estadual ou municipal. O STF entendeu que norma se limita a impedir que a União institua, no âmbito de sua competência interna federal, isenções de tributos estaduais, distritais ou municipais, não se aplicando, portanto, às hipóteses em que a União atua como sujeito de direito na ordem internacional.
39
O que determina a jurisprudência do STF sobre a denúncia de tratados?
ADC n.º 39 em 2023 - A denúncia de tratados que demandaram aprovação parlamentar só produz efeitos internos se houver assentimento parlamentar prévio. ## Footnote Isso é conhecido como princípio da simetria.
40
Como funciona a denúncia de tratados que permitam a retirada unilateral?
A denúncia de Convenção da OIT ou de qualquer outro tratado internacional que permita sua retirada unilateral produz efeitos jurídicos nos termos estipulados no próprio tratado (caso esse seja silente nesse sentido, aplica-se a regra codificada no art. 56 da CVDT/69). Por isso, o DIP não exige autorização parlamentar para que o chefe de Estado possa denunciar esses tratados. 
41
Como a Lei n.º 13.810/19 trata das sanções impostas por resoluções do CSNU?
As decisões do Conselho possuem executoriedade imediata no Brasil sem a necessidade de aprovação parlamentar. ## Footnote Isso facilita a implementação de sanções internacionais.
42
Qual é a obrigação do Ministério das Relações Exteriores em relação às resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas?
Publicar as resoluções e designações no Diário Oficial da União em língua portuguesa para fins de publicidade.
43
É permitido a brasileiros descumprir sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas?
Não, é vedado descumprir sanções por ação ou omissão.
44
A vedação de descumprimento de sanções se aplica a quais entidades?
Aplica-se a órgãos dos Poderes da União, Estados, Distrito Federal, Municípios e entidades da administração pública indireta.
45
O que deve ser feito com os ativos de pessoas sancionadas, segundo o art. 9º da Lei nº 9.613?
Cumprir as resoluções do Conselho de Segurança sem demora e sem prévio aviso aos sancionados.
46
Quais sanções devem ser comunicadas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública?
Indisponibilidade de ativos, restrições à entrada ou saída de pessoas e restrições à importação ou exportação de bens.
47
Qual é o prazo para o juiz determinar medidas pertinentes para cumprimento da sanção após o recebimento do pedido?
24 horas.
48
A impugnação da determinação judicial terá efeito suspensivo?
Não, não terá efeito suspensivo.
49
Quais são as razões que podem ser alegadas na impugnação?
* Homonímia * Erro na identificação do requerido ou dos ativos * Exclusão do requerido da lista de sanções * Expiração do prazo de vigência do regime de sanções
50
Quando poderá ser proposta ação revisional da sentença relacionada a sanções?
Quando houver exclusão posterior do requerido da lista de sanções ou outra razão que fundamente a revogação da sanção.
51
O que deve fazer a União em caso de requerimento de autoridade central estrangeira para indisponibilidade de ativos?
Ingressar com auxílio direto judicial.
52
Qual é a função do Ministério da Justiça e Segurança Pública em relação ao requerimento de autoridade central estrangeira?
Verificar se o requerimento está de acordo com os princípios legais e encaminhar à Advocacia-Geral da União.
53
O que deve ser feito se a autoridade central estrangeira informar que não é mais necessária a indisponibilidade de ativos?
Ingressar com ação revisional do que foi estatuído na sentença.
54
O que a União deve fazer ao ser intimada de decisões que decretem medidas assecuratórias de bens?
Adotar providências de designação nacional perante o Conselho de Segurança das Nações Unidas.
55
Quais órgãos devem ser comunicados sobre a decisão de medidas assecuratórias?
* Ministério da Justiça e Segurança Pública * Ministério das Relações Exteriores
56
Qual é o papel dos órgãos reguladores ou fiscalizadores em relação às disposições da Lei nº 9.613?
Editar normas necessárias ao cumprimento das disposições e fiscalizar o cumprimento das medidas de indisponibilidade.
57
Como a lista de ativos indisponibilizados será mantida?
Pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
58
Qual é o procedimento para a solicitação de exclusão de sanções?
Fundamentar a solicitação e encaminhar ao Ministério da Justiça e Segurança Pública.
59
Que despesas podem ser cobertas com a liberação parcial de ativos indisponibilizados?
* Despesas básicas com alimentos, aluguéis, medicamentos * Pagamento de honorários profissionais * Pagamento de taxas relacionadas à administração de ativos
60
As medidas de auxílio direto judicial tramitarão sob que regime?
Segredo de justiça.
61
Qual é o prazo para a impugnação da determinação judicial após a citação?
15 dias.
62
O que deve ser feito se os ativos estiverem sujeitos a deterioração ou depreciação?
Requerer ao juízo competente a alienação dos ativos.
63
Qual é a competência do juiz em relação à liberação parcial de ativos indisponíveis?
A liberação parcial compete ao juiz que decidiu sobre a indisponibilidade ## Footnote O juiz deve intimar a União para comunicação ao Conselho de Segurança das Nações Unidas ou a seu comitê de sanções competente.
64
Como tramitarão as medidas de auxílio direto judicial previstas nesta Lei?
Sob segredo de justiça ## Footnote Isso significa que os detalhes das medidas não serão tornados públicos.
65
O que pode ser requerido ao juízo competente em caso de deterioração ou depreciação de ativos?
A alienação antecipada dos ativos declarados indisponíveis ## Footnote Isso é necessário para a preservação dos valores dos ativos.
66
Qual é o prazo para o interessado se manifestar após a intimação da avaliação dos ativos?
10 (dez) dias ## Footnote O prazo é contado a partir da data da intimação.
67
Qual é o percentual mínimo do valor atribuído pela avaliação que deve ser considerado na alienação dos ativos?
75% (setenta e cinco por cento) ## Footnote Esse percentual refere-se ao valor atribuído pela avaliação dos ativos.
68
O que acontece com a quantia apurada no leilão ou pregão?
Será depositada em conta bancária remunerada ## Footnote Isso garante que os valores gerem rendimento enquanto aguardam a destinação final.
69
Quais valores serão deduzidos da quantia apurada no leilão ou pregão?
Tributos e multas incidentes sobre o ativo alienado ## Footnote Essas deduções são necessárias para cumprir com as obrigações legais.
70
Quem será designada para a administração, guarda ou custódia dos ativos indisponibilizados?
Pessoa qualificada ## Footnote A designação é feita caso necessário para a proteção dos ativos.
71
A quem se aplicam as disposições legais relativas ao administrador judicial?
À pessoa designada para a administração dos ativos ## Footnote Isso garante que a administração siga as normas legais aplicáveis.
72
Quem administrará os ativos financeiros indisponibilizados?
As instituições em que se encontram ## Footnote A administração inclui o bloqueio dos juros e outros frutos civis e rendimentos.
73
Quais entidades o Ministério da Justiça e Segurança Pública comunicará sobre as medidas de indisponibilidade de ativos?
Ministério Público Federal e Polícia Federal ## Footnote A comunicação inclui tentativas de transferência relacionadas às pessoas designadas.
74
Qual é a finalidade da comunicação ao Ministério das Relações Exteriores?
Para conhecimento e comunicação ao organismo internacional ## Footnote A comunicação é feita em cumprimento das resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas.
75
desenvolvimento. conceito ubi societas ibi jus 
No estudo do Direito Internacional Público, o termo sociedade internacional é utilizado para se referir ao meio onde o DIP se desenvolve – expressa pela máxima ubi societas ibi jus revela. Nas Relações Internacionais (RI), esse termo pressupõe uma comunhão de valores entre os atores internacionais. 
76
desenvolvimento. definição de DIP
O direito internacional pode ser definido como o conjunto de normas que regula relações externas dos atores que compõem a sociedade internacional, de acordo com Celso de Mello 
77
desenvolvimento. objetos
Além de diferentes concepções, variam também os objetos. Para a corrente clássica, o Direito Internacional Público tem como objeto a limitação do poder dos Estados e das Organizações Internacionais. Ele é voltado para a regulação dos direitos e obrigações desses sujeitos, com a finalidade de reduzir a anarquia na sociedade internacional e satisfazer interesses comuns dos Estados. A corrente contemporânea, por sua vez, entende que o objeto do DIP é, além de reduzir a anarquia e satisfazer interesses comuns, regula a cooperação internacional e tutela bens jurídicos importantes para a sociedade internacional.
78
desenvolvimento. fundamentos. fragmentação. Koskenniemi
Em 2004, o autor defendeu que o que uma vez foi tratado pela “lei internacional geral”, agora é campo especializado, como “direito do comércio” ou “direitos humanos”, e ainda “direito dos investimentos” ou “direito dos refugiados”, dentre tantos outros. Essa fragmentação pode criar a ideia de regimes contidos em si mesmos que criam problemas de coerência para a lei internacional e passam a falsa impressão de independência do Direito Geral. 
Por isso, Koskenniemi defende a nomenclatura de regime especial de Direito Internacional.
79
desenvolvimento. fundamentos. superação do bilateralismo para a lógica comunitária
O Direito Internacional, tradicionalmente, cria obrigações interpartes. Mesmo em tratados multilaterais, o que se verifica é um conjunto de relações bilaterais recíprocas. 
Essa lógica bilateralista, porém, é insuficiente para explicar a complexidade das relações jurídicas internacionais contemporâneas. Gradativamente, o direito internacional evolui para uma lógica comunitária, em que se consagram interesses comuns e os equivalentes institutos e instituições jurídicas destinadas a protegê-los. 
Esse direito comunitário se inicia com a Carta da ONU que, para Otávio Augusto Drummond Cançado Trindade, é a constituição material da comunidade internacional, e avança com normas de meio ambiente, de direito marinho, de direitos humanos e de responsabilidade agravada nos casos de normas jus cogens. 
80
desenvolvimento. fundamentos. superação do bilateralismo para a lógica comunitária. Parecer Consultivo sobre a construção por Israel de um Muro em Território Palestino Ocupado
No Parecer Consultivo sobre a construção por Israel de um Muro em Território Palestino Ocupado, proferido em 2004, a Corte Internacional de Justiça afirmou que, em vista da importância das obrigações violadas e da gravidade das violações, “todos os estados têm a obrigação de não reconhecer a situação ilícita decorrente da construção de um muro no território palestino ocupado, que inclui o interior e os arredores de Jerusalém Oriental”.
81
desenvolvimento. fundamentos. superação do bilateralismo para a lógica comunitária. opinio iuris comunis
Para Cançado Trindade, a consciência jurídica universal, a opinio iuris comunis, é a verdadeira fonte material do direito internacional
82
desenvolvimento. constitucionalização do DIP. Bardo Fassbender 
Bardo Fassbender defende que a Carta da ONU é uma constitucionalização do DIP, pelos seguintes elementos: a) há momento constitucional, com inauguração de uma nova ordem; b) há um sistema de governança, c) há definição de membros; d) há hierarquia de normas, perenidade e sistema de emendas, e) há denominação de Carta e história constitucional e também, f) há universalidade. 
83
desenvolvimento. constitucionalização do DIP. Alfred Verdross
Em “A constituição da comunidade internacional jurídica”, defendeu que “desde a criação da Sociedade das Nações e da ONU, a comunidade internacional está dotada de um documento constitucional, isto é, de uma constituição no sentido formal”. 
84
desenvolvimento. constitucionalização do DIP. Tomuschat
Tomuschat, afirma que a constituição da comunidade internacional seria formada por normas fundamentais de DIP, às quais todos estariam vinculados, independentemente de consentimento, como o pacta sunt servanda, a igualdade soberana entre os Estados, o art. 38 do Estatuto da CIJ (fontes de DIP), os princípios da soberania, da boa-fé, da não intervenção, da proporcionalidade, da estabilidade das fronteiras
85
desenvolvimento. constitucionalização do DIP. Cançado Trindade
“O argumento se transforma em um ‘leito de Procusto’: procura-se interpretar dispositivos normativos e práticas das Nações Unidas para enquadrá-los em um conceito ideal de constituição”. 
86
desenvolvimento. constitucionalização do DIP. Pierre-Marie Dupuy
Parece um pouco forçada a ideia de não existir Direito Internacional fora da Carta da ONU. Assim, Pierre-Marie Dupuy argumenta que a Carta da ONU é constituição material da sociedade internacional
87
desenvolvimento. constitucionalização do DIP. Haberle e Canotilho
Os autores argumentam haver uma proximação entre direito interno e direito internacional. Peter Habërle fala em Estado Constitucional Cooperativo e Gomes Canotilho fala em Teoria do Constitucionalismo Global. O poder constituinte originário não é mais ilimitado, tendo em vista que tem que observar, ao menos, as normas jus cogens. 
88
desenvolvimento. constitucionalização do DIP. Anne Peters
Para a autora, a globalização, a crescente interdependência dos Estados, e a retirada de temas como direitos humanos, política monetária e segurança humana do domínio reservado dos Estados retirou das constituições nacionais a capacidade de regular a governança política de modo completo. Esse relativo esvaziamento das constituições internas exige, em contrapartida, algum grau de constitucionalização internacional. Por isso, existe uma rede constitucional multissetorial. 
89
desenvolvimento. constitucionalização do DIP. argumentos contrários a ideia de constitucionalização do DIP
·        Ausência de hierarquia entre os órgãos da ONU para a interpretação da Carta.
·        Ausência de um sistema de freios e contrapesos entre os seis órgãos principais.
·        Estrutura executiva descentralizada.
·        Unilateralismo da potência hegemônica (argumento pouco diplomático)
90
desenvolvimento. fundamentos. fragmentação. Anne Peters
As tendências de constitucionalização do DIP são contrárias a sua fragmentação, com o surgimento de regimes especiais e proliferação de soft law.