Pneumo Flashcards

(217 cards)

1
Q

Quais são os sintomas clássicos da pneumonia?

4

A

Febre
Tosse (expetoração mucopurulenta)
Dispneia e polipneia
Dor torácica (pleurítica)

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2
Q

Quais são os achados mais frequentes no exame físico e auscultação pulmonar do doente com pneumonia?

A

Polipneia
Possível cianose
Macicez à percussão
MV diminuídos (normalmente assimétrico)
Crepitações inspiratórias (aberturas dos alvéolos)
Relação inspiração/expiração pode estar normal
Aumento da transmissão vocal (consolidação) - pectoriloquia áfona!!!

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3
Q

Qual é o agente que mais frequentemente causa pneumonia adquirida na comunidade?

A

S. pneumoniae

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4
Q

Quais são alguns dos critérios para hospitalização de um doente com suspeita de pneumonia?

9

A

Polipneia
Hipotensão
Confusão mental
Hipóxia
Comorbilidades descompensadas
Pneumonia multilobar
Derrame pleural
Vómitos (não tem via oral patente)
Sem condições de tratar em ambulatório

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5
Q

Quais são os índices de severidade utilizados para doentes com pneumonia?

A

CURB-65 (mais utilizado)
ISP-PPORT (mais relevante no SU)

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6
Q

O que que o CURB-65 avalia?

A

Confusão mental
Ureia/BUN (>20)
FR (≥30)
TA (sis <90 ou dias ≤60)
Idade (≥65)

Mais de 2 pontos requer internamento; mais de 3 sugere pneumonia severa

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7
Q

Como se trata um doente com pneumonia em ambulatório sem comorbolidades e sem fatores de risco para MRSA ou pseudomonas?

A

Amoxi-clav
Doxicilina
Macrólido

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8
Q

Como se trata um doente internado com pneumonia?

A

Não severo: cefalosporina+macrólido ou fluroquinolona
Severo: cefalosporina+macrólido/fluroquinolona

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9
Q

Como se trata um doente com pneumonia em ambulatório com comorbilidades?

A

beta-lactâmico+macrólido/doxicilina
Fluroquinolona

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10
Q

Quais são os principais exames complementares de diagnóstico numa pneumonia?

A

Rx 2 incidências
Gasimetria
Hemograma - hemoglobina, índices corpusculares, glóbulos brancos e plaquetas
Bioquímica - PCR, função hepática e renal
Exames microbiológicos

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11
Q

Como é feita a circulação de líquido da cavidade pleural?

A

Capilares da pleura parietal leva líquido para dentro da cavidade, que é drenado pelos vasos linfáticos

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12
Q

Qual é a diferença de um transudado e um exsudado??

A

Transudado - por diminuição da pressão oncótica, pobre em proteínas; exemplo: ICC, síndrome nefrótico, falência hepática
Exsudado - rico em proteínas, enzimas e marcadores inflamatórios; exemplo: pneumonia, TEP, tuberculose

Distinguem-se utilizando os critérios de Light

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13
Q

O que é que se deve analisar no líquido pleural recolhido na toracocentese?

A

Aspeto - sanguinulento, quiliforme, purulento ou viscoso
DHL
Proteínas
Glicose
pH
RBC
WBC

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14
Q

O que é Pneumonia Adquirida na Comunidade (PAC)?

A

Infeção do parênquima pulmonar adquirida fora do ambiente hospitalar, geralmente causada por agentes bacterianos, virais ou atípicos

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15
Q

Quais são os fatores importantes na abordagem inicial de um doente com suspeita de pneumonia?

A

História clínica
Antecedentes
Fatores epidemiológicos
Risco individual

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16
Q

O que distingue uma pneumonia comunitária de uma nosocomial?

A

Comunitária - fora do hospital
Nosocomial - desenvolve-se ≥48h após admissão hospitalar

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17
Q

Quais os testes microbiológicos recomendados na pneumonia grave ou internada?

A

Hemoculturas
Exame bacteriológico de expectoração
Pesquisa de antigénios urinários (Legionella e Pneumococcus)
Aspirado endotraqueal se ventilado

Sempre antes da primeira dose de antibiótico

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18
Q

Em que se baseia a escolha empírica do antibiótico inicial para a pneumonia?

A

Agente mais provável
Padrões locais de sensibilidade antimicrobiana

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19
Q

Que fatores aumentam o risco de resistência a S. pneumoniae (DRSP)?

A

Idade avançada
Comorbilidades
Uso recente de antibióticos
Contacto com crianças em creches
Imunossupressão

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20
Q

Quando é indicada terapêutica intravenosa (EV)?

A

Em casos graves, com incapacidade de ingestão oral, vómitos ou internamento

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21
Q

Qual é a duração mínima do tratamento antibiótico?

A

5 dias

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22
Q

De que depende a duração total do tratamento da pneumonia?

A

Do agente etiológico e da resposta clínica do doente

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23
Q

O que caracteriza falência terapêutica da pneumonia?

A

Ausência de melhoria clínica ou agravamento após 72h de tratamento adequado

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24
Q

Quais são critérios de estabilidade clínica na pneumonia?

A

Temperatura ≤37,8°C
FC ≤100 bpm
FR ≤24 cpm
TAS ≥90 mmHg
SaO₂ ≥90%
Ingestão oral
Nível de consciência normal

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25
Quando deve ser repetido o Rx torácico após o episódio de PAC?
Normalmente 4 a 6 semanas após o início do tratamento
26
Quais são os sintomas mais comuns nas doenças pleurais?
Dor torácica pleurítica (agrava com inspiração e tosse) Dispneia Tosse seca Febre (nem sempre)
27
O que se pode observar ao exame físico num derrame pleural?
Possível aumento da TVJ Macicez à percussão Expansão torácica assimétrica (se unilateral) Ausência de frémitos tátil
28
Que achados da auscultação pulmonar são típicos de um derrame pleural?
MV diminuído ou ausente Diminuição da transmissão da vibração vocal
29
Quais são os principais métodos diagnósticos nas doenças pleurais?
Rx pulmonar TC (quantificar derrame) Toracocentese (pode ser guiada por eco)
30
Quais são os achados clássicos do derrame pleural no Rx?
Aumento da opacidade no local do derrame Perda do ângulo costo frénico Sinal de Damoiseau Desvio traqueal para o lado não afetado Desvio da silhueta cardíaca Elevação da árvore brônquica no lado afetado
31
Quais são os critérios de Light?
LDH do líquido (<2/3 do HDL sérico Razão proteína líquido/proteína total sérica (<0,5) Razão LDH líquido/LDH sérico (<0,6) Se positivos favorecem transudado
32
Se o líquido pleural se tratar de um exsudado, o que verificar a seguir?
Células presentes no líquido, pH e glicose para determinar etiologia Linfócitos - neoplasia, tuberculose Neutrófilos - parapneumónico Eosinófilos - parapneumónico, parasita, medicamentos pH <7,2 - neoplasia, complicado Glicose <60 - parapneumónico complicado - drenar
33
Quais são os fatores de risco para desenvolvimento de um derrame pleural parapneumónico?
Idade Aspiração Álcool Refluxo Desnutrição Diabetes
34
O que define a síndrome gripal?
Ocorre na época gripal (setembro a meio de maio) e inclui: Início súbito Pelo menos um dos seguintes sintomas sistémicos: febre/febrícula, mal-estar/debilidade/prostração, cefaleia e mialgias/dor generalizada Pelo menos um dos seguintes sintomas respiratórios: tosse, odinofagia/inflamação mucosa nasal ou faríngea e dificuldade respiratória
35
O que define a infeção respiratória aguda?
Mesma definição do que a síndrome gripal, excluindo os sintomas sistémicos, ou seja: Início súbito Pelo menos um dos seguintes sintomas respiratórios: tosse, odinofagia/inflamação mucosa nasal ou faríngea e dificuldade respiratória
36
Que percentagem das infeções respiratórias altas em adultos são causadas por coronavírus?
10-30%
37
Como é a clínica típica da infeção por corona vírus?
Assintomático ou sintomatologia gripal; alguns casos em crianças dão diarreia; clínica moderada a severa, podendo evoluir para pneumonia severa
38
Quais são os tipos de vírus Influenza?
A, B, C e D (C e D não causam doença em humanos); sofrem mutações frequentes
39
Como é feita a transmissão do Influenza?
Via aérea (inalação) e instalação nas vias aéreas superiores; altamente contagioso
40
Quais são os sintomas mais típicos do Influenza?
Febre Arrepios Tosse seca e não produtiva Odinofagia Mialgias Cefaleias Fadiga
41
Duração média da febre e recuperação na infeção por Influenza?
Febre dura 3-8 dias; recuperação total até aos 10 dias se não houver complicações
42
Quais são as possíveis complicações da infeção por Influenza? | 7
Descamação grave do epitélio bronquial ou alveolar (restando apenas a membrana basal) Doença das membranas hialinas Enfisema alveolar Necrose das paredes alveolares Otite média Paratidite Pneumonia secundária
43
Qual é a abordagem de pacientes com Influenza que requerem cuidados adicionais ou têm apresentações atípicas? | 8 critérios
Internar se: PaO₂ < 60 mmHg com FiO₂ máximo Hipercapnia progressiva Acidose grave (pH < 7,26) Choque séptico Alteração do estado de consciência Pneumonia com pontuação CURB-65 ≥ 4 Pneumonia viral primária Outra falência orgânica além da respiratória
44
Qual é o tratamento do Influenza?
Normalmente apenas tratamento sintomático (autolimitado) Em casos mais graves iniciar terapêutica antiviral (-tadina ou-vir)
45
Como é feita a prevenção contra a infeção por Influenza?
Vacinação dos grupos prioritários/de risco
46
Quais são os grupos de risco que devem ser vacinados contra o Influenza? | 10
Idosos Residentes ou internados por longos períodos em instituições de cuidados de saúde Grávidas >6 meses de idade com comorbilidades Coabitantes e prestadores de cuidados a crianças <6 meses Coabitantes de pessoas em grupo de risco que não possam ser vacinadas ou imunodeprimidas Profissionais de saúde Bombeiros Funcionários de infantários, creches e equiparados Guardas prisionais
47
O que é a tuberculose?
Doença infeciosa transmissível por via aérea causada pela Mycobacterium tuberculosis Afeta principalmente os pulmões, podendo atingir qualquer órgão (extrapulmonar)
48
Quais as zonas do globo mais afetadas pela tuberculose?
Ásia e África, apesar de existir em todo o mundo
49
O que acontece na primoinfeção por tuberculose?
Bactéria entra pelas vias aéreas superiores Fagocitose por macrófagos residentes no pulmão Sobrevivência à fagocitose Proliferação dentro do macrófago Lise do macrófago Resposta mediada por células Th1 Ativação de mais macrófagos a produzir ROS Formação de granulomas para impedir a disseminação da bactéria - complexo de Gohn
50
O que é a tuberculose secundária?
Reativação da infeção latente meses ou anos após a primoinfeção (normalmente nos ápices dos pulmões)
51
Que atingimento pode ter a tuberculose? | 9
Pleural Ganglionar Meníngea Óssea Hepática Peritoneal Renal Cutânea Articular
52
Que manifestações extra pulmonares pode ter a tuberculose? | 5 patologias
Tuberculose miliar Espondilodiscite tuberculosa Pericardite tuberculosa Meningite tuberculosa Tuberculose renal
53
Como abordar um caso de tuberculose?
Determinar a carga da doença Identificar todas as pessoas consideradas contactos próximos (depende da carga da doenças) Determinar tamanho do foco, imunocompetência e virulência para determinar prognóstico
54
Como se confirma o diagnóstico de tuberculose? | critérios
Exame direto positivo + PCR positivo Exame cultural positivo
55
O que se faz quando há suspeita de infeção por tuberculose?
Teste de sensibilidade à tuberculina (falsos positivos se vacinado ou infetado por outras micobactérias) Teste IGRA (positivo confirma infeção tanto ativa como latente) Utilizados para determinar se tratamos ou não
56
Quais são os esquemas de tratamento da tuberculose?
TB ativa - RIPE 4/2: Rifampicina+Isoniazida+Pirazinamida+Etambutol TB controlada - RI 2/4: Rifampicina+Isoniazida
57
Quais são os principais reservatórios de legionella?
Águas sanitárias Termas Depósitos de água Sistemas de climatização Torres de refrigeração Fontes públicas Essencialmente ambientes aquáticos e quentes
58
Quais são os fatores de risco para a infeção por legionella? | 8
Idade Diabetes Tabaco Álcool DPOC Insuficiência cardíaca Insuficiência renal Terapêutica anti TNF alfa
59
Quais são as principais diferenças entre a legionella e a pneumonia? | 4 características
A pneumonia por legionella é: Multilobar/multisegmentar Condensações bem delimitadas Evolução rápida Origem nos brônquios
60
Como é a fisiopatologia da legionella?
Aerossóis entram pelas vias aéres Atingem os alvéolos e infetam macrófagos Multiplicação dentro dos macrófagos e lise dos mesmos Alvéolos preenchidos de exsudado fibrinoso
61
Como é a clínica típica de legionella? | 6 sintomas
Síndrome febril Tosse com expetoração mínima Confusão Cefaleias Diarreia aquosa Bradicardia relativa
62
Quais são os achados imagiológicos de legionella?
Rx: inespecífico; pneumonia lobar, com ou sem derrame, consolidações e opacidades reticulares difusas TC: consolidações uni ou bilaterais, padrão em vidro despolido e derrame pleural
63
Que alterações nas análises laboratoriais podem estar presentes na legionella? | 5 alterações
Hiperleucocitose com linfopenia Transaminases elevadas Hipofosfatémia/hiponatrémia CPK e ferritina elevadas (destruição do músculo esquelético) Hematúria microscópica
64
Como se faz o diagnóstico de legionella?
Teste de antigénio urinário (rápido, mas só 1 sorogrupo) PCR (caro) Cultura (gold standard)
65
Qual é o tratamento de legionella?
Terapêutica empírica: beta-lactâmico+macrólido ou fluoroquinolona Terapêutica dirigida: Fluoroquinolona ou azitromicina
66
Como pode ser descrita a dispneia pelos doentes e o que é que pode indicar?
Aperto/opressão torácica - asma ou EAM Sensação de sufoco - edema pulmonar Incapacidade de respiração profunda e satisfatória - DPOC e hiperinsuflação Respiração pesada - descondicionamento físico
67
Que mecanismos podem estar na base da dispneia?
Inputs sensoriais aparelho respiratório e face -> córtex Integração da informação -> estado psicológico e resposta motora para os músculos da respiração
68
Como pode ser classificada a dispneia?
Escala de BORG - usa a perceção do doente Escala de MRCm - usa uma perceção funcional (DPOC)
69
Quais podem ser as patologias causadoras de dispneia? | 2 tipos de dispneia, 5 no primeiro e 5 no segundo
Aguda: infeções VAS (crianças), insuficiência aguda VE, TEP, pneumonia, pneumotórax (adultos) Crónica/progressiva: DPOC, asma, derrame pleural, fibrose e causas cardíacas
70
Quais são os tipos de causas de dispneia? | 5
Obstrução respiratória Alterações da mecânica respiratória Fibrose Fraqueza da musculatura ventilatória Diminuição da sensibilidade dos quimiorrecetores
71
Como abordar um doente com dispneia? | tanto aguda como crónica; 8
Se inconsciente/instável - ABCDE História clínica Exame físico Rx Espirometria Gasimetria Testes adicionais - TC, pletismografia, ecocardiograma Melhoria do condicionamento físico e re-teste
72
O que é a espirometria?
Exame não invasivo que permite estudar a função ventilatória
73
Qual é a diferença entre volumes pulmonares e débitos respiratórios?
Volumes pulmonares - medidas estáticas, independentes do tempo (VC, VRI, VRE, VR, CRF, CI, CV, CPT)) Débitos respiratórios - medidas dinâmicas que podem ser medidas na espirometria (FEV1, FVC e FEV6)
74
O que é o FEV1?
Volume expiratório máximo no 1º segundo de expiração forçada
75
O que é FVC?
Capacidade vital forçada; volume máximo de ar que é possível mobilizar
76
O que é FEV6?
Volume expiratório máximo nos primeiros 6 segundos de expiração forçada
77
O que é que a pletismografia de corpo inteiro permite medir?
Volume residual Capacidade pulmonar total Ou seja, medidas estáticas
78
Volume corrente (VC)
Volume de ar mobilizado no dia a dia na respiração normal (0,5L)
79
Volume de reserva inspiratória (VRI)
Volume mobilizado numa inspiração máxima (3L)
80
Volume de reserva expiratória (VRE)
Volume mobilizado numa expiração máxima (1,2L)
81
Volume residual (VR)
Volume que permanece nos pulmões após uma expiração máxima (1,2L)
82
Capacidade residual funcional (CRF)
VRE + VR (2,4L)
83
Capacidade inspiratória (CI)
VC + VRI (3,5L)
84
Capacidade vital (CV)
VRE + VC + VRI = VRE + CI (4,7L); volume de ar mobilizado entre uma inspiração máxima e uma expiração máxima
85
Capacidade pulmonar total (CPT)
VRE + VR + VC + VRI = CRF + CI (5,9L); volume total que é possível estar dentro dos pulmões
86
O que são resultados normais da análise da ansa débito-volume?
Valores de FEV1, FVC e FEV1/FVC acima do LIN (limite inferior da normalidade)
87
Para que é que se realiza prova de broncodilatador?
Para verificar se há melhoria da função respiratória após administração do broncodilatador (ex: asma normalmente responde, DPOC normalmente não)
88
Que fármacos se utilizam para realizar a prova de broncodilatador?
Salbutamol Brometo de Ipratrópio
89
Quando é que se considera uma prova de broncodilatador positiva?
Aumento de FEV1 e/ou de FVC superior a 10%
90
Para que é que se realiza a prova de provocação com metacolina?
Para excluir diagnóstico de asma quando a espirometria e prova de broncodilatação são "inconclusivas"
91
Como se caracteriza um padrão obstrutivo na espirometria?
Curva volume-tempo - ascensão mais lenta Ansa débito-volume - PEF (peak expiratory flow) diminuído; concavidade da ansa mais acentuada FEV1 diminuído (não expulsa o ar tão rápido) FVC normal (ou diminuído) FEV1/FVC diminuído
92
Como se caracteriza um padrão restritivo na espirometria?
Curva volume-tempo - menor volume Ansa débito-volume - PEF diminuído; ansa mais a "pique"; ansa em chapéu de bruxa FEV1 normal (ou diminuído) FVC diminuído porque CPT está diminuída (menor complacência) FEV1/FVC normal Pletismografia para confirmar!!!
93
Como se caracteriza um padrão misto na espirometria?
Tudo diminuído (tem características dos 2 padrões); pletismografia para confirmar
94
Que patologias podem apresentar um padrão obstrutivo na espirometria? | 5
DPOC Asma Bronquiectasias Fibrose quística Sequelas de TP
95
Que patologias podem apresentar um padrão restritivo na espirometria? | 2 etiologias, 4 na primeira, 2 na segunda
Parenquimatosas: Sarcoidose Fibrose pulmonar idiopática Pneumoconioses Doença pulmonar intersticial Extra-parenquimatosas: Neuromusculares (fraqueza/paralisia diafragmática, miastenia gravis, síndrome Guillain Barré, etc) Parede torácica (cifoescoliose, espondilite anquilosante, obesidade)
96
Que patologias podem apresentar um padrão misto na espirometria? | 2
Asma em doente lobectomizado Enfisema + fibrose pulmonar
97
Em que é que se baseia a técnica da pletismografia?
Lei de Boyle: o produto da pressão e volume de um gás é constante com temperatura constante A pletismografia é feita em caixa fechada de volume conhecido, analisando-se as alterações na pressão dentro da caixa
98
Quando é que se faz pletismografia?
Sempre que se detetar uma diminuição do FVC na espirometria
99
Que parâmetros são possíveis obter na pletismografia?
Todos os da espirometria Resistência das vias aéreas (Raw) Volume residual (VR) Capacidade pulmonar total (CPT)~ Volume de gás torácico (VTG) Complacência pulmonar Pressão inspiratória máxima (PIM) - força muscular Pressão expiratória máxima (PEM) - força muscular
100
Como se define asma?
Doença heterogénea , caracterizada por inflamação crónica das vias aéreas
101
Quais são os sintomas clássicos da asma?
Tosse Dispneia Pieira Sensação de aperto torácico Estes sintomas variam em intensidade e ao longo do tempo
102
Quais são os possíveis fatores de risco para o desenvolvimento de asma? | de 2 tipos, 4 no primeiro, 7 no segundo
Intrínsecos: Genética Obesidade Género Situação neonatal (pré-termo e baixo peso) Extrínsecos: Alergénios Infeções Ocupação Microbioma Fumo do tabaco Poluição do ar Dieta
103
Fisiopatologia da asma
Inflamação crónica das vias aéreas por um dado estímulo (mediada por Th2 e eosinófilos) Remodeling das vias aéreas Espessamento da mucosa (hipertrofia das glândulas submucosas) Fibrose subepitelial Hipertrofia e hiperplasia do músculo liso Broncoconstrição e diminuição do calibre das vias aéreas Aumento da vascularização
104
Que fenótipos de asma existem? | 6
Asma alérgica - infância, história familiar; inflamação por eosinófilos; boa resposta a corticoterapia inalada Asma não alérgica - adultos; inflamação por neutrófilos e/ou eosinófilos; má resposta a corticoterapia inalada Asma de início tardio - adultos, mais em mulheres pós-menopausa; não alérgica; doses elevadas de corticoterapia inalada Asma com obstrução fixa das vias aéreas - longa evolução com limitação fixa do fluxo aéreo; inflamação por linfócitos Th2 Asma com obesidade - pouco conhecida Asma induzida por aspirina - não alérgica; diminuição Cox -> diminuição PGE2 -> aumento leucotrienos e inflamação -> aumento do edema e muco
105
Como é feito o diagnóstico de asma?
História clínica Exame físico Espirometria
106
Como é a história clínica típica da asma?
Sintomas típicos: tosse seca e persistente, dispneia, pieira e aperto torácico (quantos mais sintomas presentes maior a probabilidade de ser asma) Quadro variável ao longo do tempo; costuma piorar à noite ou após exposição a fumos, vapores, riso, alergénios e exercício (triggers) Melhora com prova de broncodilatação ou terapêutica anti-inflamatória e as medições em cada consulta são muito diferentes
107
Que achados podem existir no exame físico do doente com asma?
Exame físico muitas vezes normal Sibilos expiratórios Hiperressonância Casos graves: taquipneia, taquicardia, cianose, uso de músculos acessórios na respiração
108
Que achados podem existir na espirometria do doente com asma?
Resultado normal ou síndrome obstrutivo (diminuição FEV1) Prova de broncodilatador positiva Peak expiratory flow aumenta após broncodilatador Teste de provocação com metacolina positivo (quando função pulmonar é normal)
109
Qual é o principal diagnóstico diferencial da asma?
DPOC
110
Que tipos de medicação da asma existem?
Medicação de controlo (crónica) Medicação de alívio de sintomas (exacerbações)
111
Qual é a medicação de controlo mais utilizada na asma?
Corticoides inalados (-ona e -ida) LABA (-terol) LAMA (brometo de tiotrópio)
112
Qual é a medicação de alívio de sintomas mais utilizada na asma?
SABA (salbutamol e terbutalina) Anticolinérgicos de curta ação (brometo de ipatrópio)
113
Como pode ser classificada a gravidade da asma?
Grau 1 - apenas tratamento SOS (CI + LABA) sintomas <2x mês Grau 2 - CI baixa dose + SOS com fator de risco para exacerbações Grau 3 - CI + LABA diário em baixa dose + SOS com sintomas diários ou despertares noturnos Grau 4 - CI + LABA diário (média dose + SOS com sintomas diários ou despertares noturnos e função pulmonar reduzida Grau 5 - CI + LABA diário em alta dose + LAMA + SOS com exacerbações agudas ou asma muito mal controlada
114
Como se define imunoterapia específica?
Administração de quantidades crescentes de um alergénio relevante a um doente alérgico, até atingir a dose efetiva capaz de induzir tolerância imunológica ao alergénio casual, com redução dos sintomas associados à exposição subsequente
115
A que se refere o termo doenças do interstício pulmonar (DPI's)?
Conjunto de doenças difusas que afetam o parênquima pulmonar; todas têm em comum a fibrose pulmonar
116
Como podem ser divididas as DPI's? | 6
Relacionadas com o tabaco Pneumonite de hipersensibilidade Relacionada com o tecido conjuntivo Doença pulmonar ocupacional Doença pulmonar medicamentosa Fibrose pulmonar idiopática
117
Como se podem dividir as doenças pulmonares ocupacionais?
Pneumonite de hipersensibilidade - inalação de material orgânico Pneumoconioses - inalação de material inorgânico
118
O que é que deve ser investigado na história clínica das doenças pulmonares ocupacionais?
Exposição a contaminantes específicos Tipo de dispositivos de proteção utilizados Tamanho e tipo de ventilação do local de trabalho Exposição a tóxicos noutros contextos (recreacionais, habitação, etc)
119
Que métodos complementares de diagnóstico se utilizam para as doenças pulmonares ocupacionais?
Rx - não permite diagnosticar; opacidades redondas e pequenas aparecem na silicose ou pulmão do trabalhador de carvão; opacidades lineares aparecem na abestose TC - alta sensibilidade; atençaõ à discrepância entre a clínica e a imagiologia Testes de função pulmonar - normalmente tem padrão restritivo; não permitem diagnosticar Outros, como a broncofibroscopia com lavado broncoalveolar e biópsia
120
Como é a clínica típica de abestose?
História de exposição a abestos Sintomas: tosse irritativa não produtiva e desconforto torácico não específico Exame físico: crepitações inspiratórias bilaterais, hipocratismo digital e expansão torácica diminuída Rx: infiltrados bilaterais difusos com predomínio nas bases + fibrose intersticial TC: fibrose parenquimatosa, placas pleurais e opacidades reticulonodulares Testes de função pulmonar: FVC e capacidade de difusão de CO diminuída Não há tratamento específico
121
Quais são as neoplasias mais associadas a abestose?
Carcinoma do pulmão (todos os tipos histológicos) e mesotelioma maligno (pleural e peritoneal)
122
Que tipos de silicose existem e como se caracterizam?
Aguda - dispneia, tosse e febre; lavagem pulmonar pode abrandar a progressão; corticoesteróides podem ser benéficos Crónica - exposição prolongada ao pó da sílica; assintomáticos ou sintomas de tosse crónica, fadiga, perda de peso e síndrome de Caplan; calcificação de gânglios hilares em casca de ovo
123
Que quadros é que a exposição a berílio pode causar?
Pneumonite aguda Doença pulmonar granulomatosa crónica/beriliose
124
Como é a clínica típica de beriliose?
Muito semelhante à sarcoidose - todos os doentes com sarcodoise devem questionados sobre exposição a berílio Sintomas: granulomas não caseosos que afetam a pele e pulmões, dispneia progressiva e dermatite Imagiologia: infiltrados difusos ou nodulares em Rx (se existentes); nódulos pequenos em TC com aspeto de vidro despolido Testes de função pulmonar: padrão misto ou restritivo Teste de proliferação dos linfócitos ao berílio, berílio nos tecidos e na pele positivos
125
Como é descrito o pulmão do trabalhador de carvão?
Início com antracose (acumulação assintomática do pigmento do carvão), evoluindo para fibrose pulmonar progressiva, observando-se nódulos de tamanho variável no Rx
126
Como se define a DPOC?
Doença heterogénea caracterizada por sintomas respiratórios crónicos (dispneia, tosse, expetoração)
127
Como ocorre a DPOC?
Alterações das vias aéreas (bronquite e bronquiolite) e/ou dos alvéolos (enfisema) de caráter inflamatório que causam obstrução persistente e progressiva
128
Que fatores contribuem para o desenvolvimento de DPOC? | 5
Défice de alfa1-antitripsina Infeções broncopulmonares crónicas e de repetição Exposição da criança pelos pais e in-utero Fumo do tabaco Outros tipos de exposição a fumo
129
O que é que é necessário para obter um diagnósticos de DPOC?
Sintomas crónicos característicos: tosse, expetoração, dispneia, pieira, fadiga, infeções recorrentes do aparelho respiratório inferior Exposição e fatores de risco Testes de função pulmonar sugestivos de obstrução (FEV1/FVC pós bd <0,7)
130
Que achados podemos encontrar no exame físico de um doente com DPOC?
Pieira Sibilos MV globalmente diminuído Sinais de hiperinsuflação pulmonar
131
Como pode ser classificada a DPOC?
Pela % de FEV1 do valor preditivo pós bd: GOLD 1 - FEV1 >= 80% após bd GOLD 2 - FEV1 50-79% após bd GOLD 3 - FEV1 30-49% após bd GOLD 4 - FEV1 <30% após bd Pelo nº de exacerbações no último ano: GOLD A - 0 ou 1 que não leve a internamento; 0-1 mMRC; 0-9 CAT GOLD B - 0 ou 1 que não leve a internamento; >=2 mMRC; >=10 CAT GOLD E - >=2 ou >=1 que leve a internamento; qualquer nível de severidade dos sintomas
132
Que métodos complementares de diagnóstico são úteis na DPOC? | 6
Rx - excluir outras causas de dispneia TC torácica - confirmação precoce de enfisema ou bronquiectasias Volumes pulmonares Oximetria - insuficiência respiratória Biomarcadores Avaliação da atividade física
133
Que fármacos são utilizados no tratamento da DPOC? | 3 classes
Anticolinérgicos (SAMA e LAMA) Agonistas beta-2 (SABA e LABA) Corticoides inalados
134
Como se trata cada grupo GOLD da DPOC?
GOLD A - LABA ou LAMA GOLD B - LAMA + LABA GOLD E - LAMA + LABA e ponderar corticosteroide
135
A que se associa a etiologia do tromboembolismo venoso?
Tríade de Virchow: hipercoaguabilidade, estase e lesão endotelial
136
Que tipos de estados pró-trombóticos existem?
Trombofilias hereditárias: fator V de Leiden, mutação da protrombina, deficiência de proteína C, proteína S e antitrombina Trombofilias adquiridas: cancro, cateter venoso central, cirurgia, trauma, gravidez, contracetivos orais, terapêutica de reposição hormonal e obesidade
137
Como é a fisiopatologia do TEP?
TVP Trombo solta-se Percorre veia cava, aurícula direita, ventrículo direito, circulação arterial pulmonar TEP Aumento do espaço morto - espaço ventilado mas não irrigado Hipoxemia arterial com gradiente A/a aumentado Hiperventilação e taquipneia que levam a hipocapnia Mismatch V/Q causa vasoconstrição pulmonar reflexa - desviar fluxo para vasos não ocluídos Contribui para hipertensão pulmonar ou insuficiência cardíaca direita com diminuição do débito cardíaco
138
Quais são os sintomas de alarme que devem levar à investigação de um possível TEP? | 8
Fadiga Dispneia Dor torácica Tonturas Tosse Diaforese Febre Hemoptises
139
Que fatores da história clínica apontam para um possível TEP? | 7
Cirurgia recente Neoplasia ativa Hemoptises Viagem de longo curso recente TEP/TVP prévio Síncope Tríade de Virchow
140
Que testes/exames/scores ajudam no diagnóstico de TEP? | 3
SCore de Wells D-dímeros Angio TC
141
Que exames podem ser usados para prognóstico de TEP ou em algoritmo de emergência? | 3
Ecocardiograma - despistar patologias que mimetizem TEP Trop I/T - avaliar grau de disfunção miocárdica Pro BNP - avaliação de complicação por IC direita
142
Como é feita a estratificação de risco do TEP?
Score PESI (5 graus de risco) Score PESI simplificado (baixo ou alto risco)
143
Como é que se trata o TEP de alto risco?
Trombólise (alteplase + tenecteplase) Se metástases cerebrais, hemorragia ativa ou cirurgia recente - trombectomia mecânica
144
Como é que se trata o TEP de risco intermédio?
Com complicações cardíacas - trombólise Sem complicações cardíacas - heparina
145
Como é que se trata o TEP de baixo risco?
Anticoagulante oral - NOAC é 1ª linha; em grávidas pode ser varfarina ou heparina bpm
146
Qual é a duração do tratamento anticoagulante?
Universal - 3 meses Se tiver sido TEP grande - 6 meses Se não for identificada a causa - longo termo
147
O qué é ARDS?
Acute Respiratory Distress Syndrome Lesão pulmonar aguda, difusa e inflamatória que leva a uma permeabilidade vascular do pulmão aumentada AKA o pulmão deixa de ser arejado devido a edema - edema agudo do pulmão não cardiogénico
148
Quais são os principais tipos de causas de edema agudo do pulmão? | 4
Cardiogénica Alteração da permeabilidade capilar Insuficiência linfática Causa desconhecida
149
Que patologias podem causar edema agudo do pulmão de causa cardiogénica? | 3
Insuficiência cardíaca Hipoalbuminemia Derrame
150
Que patologias podem causar edema agudo do pulmão por alteração da permeabilidade capilar? | 8
Pneumonia infeciosa Toxinas Aspiração de conteúdo gástrico Pneumonite de radiação aguda Coagulação intravascular disseminada Substâncias vasoativas endógenas Pulmão de choque Pancreatite aguda
151
Que patologias podem causar edema agudo do pulmão por insuficiência linfática?
Complicação pós-transplante Linfangite carcinomatosa Linfangite fibrosante
152
Que patologias podem causar edema agudo do pulmão por causas desconhecidas? | 7
HAPE (High Altitude Pulmonary Edema) Edema neurológico Overdose de narcóticos Eclâmpsia Pós-cardioversão Pós-anestesia Pós-bypass coronário
153
Quais são os sintomas e sinais de ARDS? | 4
Dispneia de progressão rápida Hipoxemia refratária Pulmão em algodão Distensibilidade pulmonar reduzida
154
Quais são as 3 fases da fisiopatologia da ARDS?
1ª fase - fase exsudativa com edema, formação de membranas hialinas e preenchimento dos alvéolos por detritos 2ª fase - fase proliferativa com inflamação intersticial (2/3 semanas) 3ª fase - fase fibrótica com perda de arejamento pulmonar, com possibilidade de recuperação
155
Qual é a parte do pulmão mais arejada?
Anterior
156
Qual é a parte do pulmão mais irrigada?
Posterior, mas, como é menos arejada, existe marcada vasoconstrição (shunt fisiológico)
157
Como é o aspeto radiográfico do pulmão em ARDS? | 5 características
Pulmão branco com vias aéreas cinzentas Padrão em "algodão" difuso e bilateral Sem derrame pleural Silhueta ardíaca normal No início do quadro pode ser normal
158
Quais são os critérios para podermos classificar um doente como estando em ARDS? | 4 critérios
Tempo de início ou agravamento dos sintomas tem de ser menor que 1 semana Tem de ter opacidades pulmonares bilaterais no Rx não explicadas por derrame, atelectasias ou nódulos Não pode ser cardiogénico Classificar gravidade da hipoxemia
159
Como se classifica o grau de hipoxemia em ARDS?
Ligeiro: PaO2/PaCO2 200-300 + PEEP/CPAP>5 Moderado: PaO2/PaCO2 100-200 + PEEP/CPAP>5 Severo: PaO2/PaCO2<100 + PEEP/CPAP>5 Olhar para a tendência do rácio!!!
160
Como abordar um doente em ARDS? | 4
Internamento - cuidados intermédios ou intensivos Ventilação e PEEP - porque não responde a O2; não cura, mas alivia até encontrar e tratar a causa subjacente; cuidado com a pressão do pulmão Decúbito ventral - ar vai para a zona do pulmão mais irrigada, otimizando as trocas gasosas; devem ser virados de vez em quando ECMO - pode ser utilizada quando nada resulta; necessita de avaliação cuidada por equipas dos centro especializados; muitas complicações associadas
161
Em que resultam os distúrbios da ventilação?
Alterações nas medições de PaCO2 (não é eliminado de forma eficiente)
162
Quais são as possíveis complicações da ARDS? | 2 tipos, 2 no primeiro e 4 no segundo
Relacionadas com ventilação mecânica: Barotrauma (atelectotrauma) Pneumonia nosocomial Relacionadas com doença crítica e internamento na UCI: Delírio Trombose venosa e TEP Hemorragia digestive e desnutrição Infeção do cateter venoso central e sépsis
163
Que causas estão por detrás das alterações de PaCO2? | 3
Alterações da produção de CO2 - patologias agudas que aumentem a produção Alteração da "minute ventilation" - relação entre FR e volume corrente alterada Aumento do espaço morto
164
Que estruturas estão envolvidas no ciclo respiratório? | 3
Grupo respiratório dorsal - baro e quimio recetor (nervo vago) Coluna respiratória ventral - determina o ritmo respiratório (nervo frénico e intercostais) Grupo respiratório parafacial - expiração ativa Podem ser controladas de forma voluntária por centros cerebrais superiores e sistema nervoso autónomo
165
O que acontece à ventilação durante o sono?
Resposta atenuada à hipercapnia e hipoxemia -> hipoventilação noturna ligeira (corrige ao acordar)
166
Que fenómenos podem estar associados à hipoventilação? | 3
Diminuição do drive respiratório Redução da competência neuromuscular Aumento da carga respiratória (resistência)
167
O que acontece se houver força muscular normal + impulso respiratório excessivo?
Hiperventilação -> hipocapnia
168
O que é a insuficiência respiratória?
Incapacidade de manter trocas gasosas adequadas
169
Que tipos de insuficiência respiratória existem?
Tipo 1 - parcial; hipoxemia; PaCO2 normal; alteração a nível das trocas Tipo 2 - global; hipercapnia; alterações a nível da ventilação sem conseguir eliminar CO2
170
Que tipos de insuficiência respiratória tipo 1 existem? | 2
Gradiente A/a normal - o problema está em passar para os alvéolos Gradiente A/a aumentado - o problema está em passar para o sangue
171
Que tipos de hipoxemia estão incluídos no gradiente A/a normal? | 2
FiO2 diminuído (altitude) Hipoventilação (pulmão não ventila)
172
Que tipos de hipoxemia estão incluídos no gradiente A/a aumentado? | 3
V/Q mismatch (diminuição da ventilação OU da perfusão) Alteração da difusão (parênquima não permite trocas) Shunt (atelectasia ou shunt intracardíaco)
173
Como se tratam as insuficiências respiratórias do tipo 1? | 2
Oxigenoterapia a várias concentrações dependendo da patologia Tratamento paliativo
174
Que mecanismos de insuficiência respiratória tipo 2 existem? | 2
Por aumento do peso/carga torácica Por diminuição da força respiratória
175
Quais são alguns exemplos de patologias que aumentam o peso/carga torácica? | 3
Patologias da parede torácica Distúrbios da respiração noturna Doenças pulmonares
176
Quais são alguns exemplos de patologias que diminuem a força respiratória? | 3
Doenças neuromusculares Fraqueza muscular Diminuição do drive respiratório
177
Quais são as manifestações da hipoventilação? | 7
Dispneia nas atividades do dia-a-dia Ortopneia Má qualidade de sono Hipersonolência diurna Cefaleias matinais Ansiedade Tosse prejudicada Variáveis de acordo com a gravidade, velocidade de evolução e grau de compensação
178
Como pode ser a fisiopatologia da hipoventilação?
Aumento PaCO2 alveolar - hipercapnia - acidose respiratória - aumento HCO3- Aumento PaCO2 alveolar - hipoxemia - cianose e eritrocitose secundária Hipercapnia + hipoxemia - vasoconstrição pulmonar - hipertensão pulmonar - IC direita
179
Como costuma evoluir o quadro de hipoventilação? | estadios
Estadio assintomático - apenas hipoventilação noturna Estadio sintomático - diminuição da capacidade vital pulmonar; hipercapnia diurna
180
Como é feito o diagnóstico de hipoventilação? | árvore diagnóstica
Suspeita - aumento HCO3 e aumento PaCO2 com pH normal Despistar síndrome de hipoventilação por obesidade (perder peso + CPAP/BIPAP) Despistar apneia obstrutiva do sono (perda de peso + CPAP) Distúrbios do drive respiratório? (síndrome da hipoventilação central; ventilação noturna + estimulação nervo frénico) Doenças neuromuscular?
181
Qual é o tratamento para a hipoventilação?
Ventilação não invasiva noturna (tem critérios para aplicar) Doenças neurodegenerativas - suporte ventilatório contínuo
182
Que tipos de insuficiência respiratória tipo 2 podem existir associadas à DPOC? | 2
Aguda - exacerbação da doença; sinais de dificuldade respiratória e acidemia respiratória; ventilação mecânica Crónica - oxigenoterapia é 1ª linha; pode ser feita ventilação não invasiva se grave
183
O que é a hiperventilação?
Ventilação excessiva em relação às necessidades metabólicas
184
Que sintomas podem surgir com a hiperventilação? | 7
Dispneia Parestesias (hipocalcemia) Tetanismo (hipocalcemia) Cefaleias Tonturas Distúrbios visuais Dor torácica atípica
185
Como é a fisiopatologia da hiperventilação?
Aumento da ventilação alveolar -> descontrolo do drive respiratório -> diminuição PaCO2 -> alcalose respiratória compensada -> dor -> mais hiperventilação Excluir causas agudar como cetoacidose diabética e asma ligeira
186
Qual é o tratamento da hiperventilação? | 3 passos
Acalmar o doente Exercícios de respiração com treino diafragmático Beta-bloqueadores se existirem palpitações ou tremores
187
Que tipos de ventilação não invasiva existem? | 8
Interfaces Arnês Tubuladura Adaptador NBZ Conector O2 Filtro Válvula expiratória Humidificador (melhor tolerância das mucosas)
188
Para que serve a ventilação invasiva?
Reduzir o espaço morto fisiológico e patológico com recurso a via aérea artificial invasiva (tubo orotraqueal ou traqueostomia)
189
O que é uma bronquiectasia?
Dilatação irreversível e anormal da árvore brônquica que produz sintomas respiratórios crónicos
190
Quais são os tipos de broquiectasias existentes? | 3
Cilíndricas - mais comum Varicosa Quística
191
Quais são as possíveis causas de bronquiectasias? | 3
Infeciosa Não infeciosa Idiopática
192
Como podem ser classificadas as bronquiectasias em termos de padrão? | 2 tipos, o 1º com 2 subtipos
Focais - intrínsecas ou extrínsecas (ao pulmão): Intrínsecas - linfadenopatias e tumor Extrínsecas - tumor VA, aspiração corpo estranho, fibrose, atrésia brônquica Difusas - doenças sistémica ou infeciosa
193
Como podem ser classificadas as bronquiectasias em termos do local? | 4
Superiores - fibrose quística; fibrose pós-radiação Médias - infeções por micobactérias não tuberculosas; síndrome dos cílios imóveis/discinético Inferiores - aspiração recorrente (problemas de motilidade); infeções recorrentes por imunossupressão; fibrose terminal Centrais - aspergilose broncopulmonar alérgica; traqueobroncomegalia; síndrome Williams Campbell
194
Que exames complementares diagnóstico são utilizados para confirmar bronquiectasias e a sua possível causa? | 3
Rx TC Broncoscopia
195
Como é a fisiopatologia das bronquiectasias?
Hipótese do ciclo vicioso: Clearence mucociliar reduzida -> maior suscetibilidade a infeção -> inflamação crónica cujos mediadores causam danos nas VA -> estrago diminui a clearence mucociliar
196
Qual é a manifestação clínica mais comum nas bronquiectasias?
Tosse produtiva persistente com expetoração espessa (pode estar associada a dispneia, hemoptise e febre baixa)
197
Quais são os achados no exame físico das bronquiectasias? | 4
Crepitações Sibilos expiratórios Roncos Hipocratismo
198
Como são as exacerbações das bronquiectasias?
Aumento do volume e purulência da expetoração; sintomas típicos de infeção pulmonar
199
Como é feito o diagnóstico de broquiectasia?
Rx - sinal do carril (VA dilatadas sagitalmente); sinal de anel de sinete (círculos com interior transparente) TC tórax - sinal de anel de sinete; brônquios maiores que a artéria (normal é serem do mesmo tamanho)
200
Como se aborda o doente com bronquiectasia?
Focais - broncoscopia para excluir obstrução por massa ou corpo estranho Difusas - análise de etiologia maior (excluir fibrose quística)
201
Que exames se deve pedir para avaliar prognóstico e determinar terapêutica das bronquiectasias?
Testes de função pulmonar - 50% dos doentes têm padrão obstrutivo Exame microbiológico de expetoração - determinar agente infecioso
202
Qual é o tratamento da bronquiectasia? | 4
Infeção - antibioterapia 14 dias Nebulizadores de soro hipertónico/mucolíticos Exercício físico, tosse, cinesiterapia respiratória Controlo de inflamação ou condições sistémicas
203
Como se pode fazer prevenção de bronquiectasias?
Reverter imunodeficiência por administração de gamaglobulinas ou vacinação; cessação tabágica
204
Qual é a causa de bronquiectasia que tem pior prognóstico?
Infeção por Pseudomonas Aeruginosa
205
Quais são as 2 escalas utilizadas para avaliar o prognóstico das bronquiectasias?
Bronchiectasis Severity Index (exacerbações e morte) EFACED score (morte a 5 anos)
206
Quais são os fatores de risco para o desenvolvimento de neoplasia do pulmão? | 6
Tabaco Exposição a asbestos Exposição ocupacional a poeiras Exposição a radiação ionizante Doenças pulmonares concomitantes Predisposição hereditária (história familiar)
207
Por que mecanismos podem ocorrer sintomas de neoplasia do pulmão?
Por lesão primária - sintomas em doença já avançada e até metastizada; invasão ou obstrução de estruturas adjacentes Síndromes para-neoplásicos - sintomas de metastização à distância
208
Que sintomas podem existir na neoplasia do pulmão? | 7
Tosse Hemoptises ou expetoração hemoptica Dor torácica (atingimento da pleura, parede torácica ou mediastino; 50% dos casos) Dispneia Pieira Disfonia Disfagia
209
Como se podem relacionar os sintomas com o tipo de tumor do pulmão? | 2 tipos, 6 no 1º e 3 no 2º
Tumor de crescimento central/endobrônquico: Tosse Hemoptises Sibilos Estridor Dispneia Pneumonite pós-obstrutiva Tumor de crescimento periférico: Dor Dispneia Abcesso
210
Em que neoplasia pulmonar é mais comum existir síndrome para-neoplásico?
Carcinoma pulmonar de células pequenas
211
Quais são as possíveis manifestações do síndrome para-neoplásico? | 2 tipos, 4 no 1º e 4 no 2º
Endocrinológicos - hipercalcemia, hiponatremia, secreção inapropriada da hormona antidiurética e síndrome de Cushing Neurológicos - síndrome Eaton-Lambert, cegueira, encefalite e neuropatia periférica
212
Que subtipos histológicos de neoplasias do pulmão existem? | 2 tipos, 2 no 1º e 3 no 2º
Carcinoma pulmonar não células pequenas - adenocarcinoma e carcinoma epidermoide ou células escamosas Carcinoma pulmonar neuroendócrino - carcinoma pulmonar de células pequenas, carcinoma pulmonar de células grandes e carcinoide
213
Como é feito o diagnóstico de neoplasia do pulmão?
Imagem - Rx ou TC Amostra de tecido - broncoscopia, biópsia brônquica, aspirado brônquico, biópsia transtorácica, etc
214
Em que critérios assenta o estadiamento da neoplasia do pulmão?
Estadiamento anatómico (TNM) Estadiamento fisiológico (capacidade de resistência à terapêutica)
215
Como é feito o estadiamento anatómico?
Tamanho do tumor e envolvimento de estruturas adjacentes - T1 a T4 com subtipos Atingimento ganglionar - N0 a N3 Presença de metástases - M1A, M1B e M1C Veterans Administration Syste - estadiamento do CPPC
216
Como é feito o estadiamento fisiológico da neoplasia do pulmão?
Escala de Zobró (0 a 4) e escala de Karnofsky (100-0) que avaliam a gravidade dos sintomas e autonomia do doente; decidem se vale a pena fazer terapêutica ou se é para passar a cuidados paliativos
217
Quais são as possíveis propostas terapêuticas para a neoplasia do pulmão?
Estadio I ou II - candidatos a recepção cirúrgica ou radioterapia de intuito curativo Estadio III controverso Estadio IV - quimioterapia e tratamento sintomatológico e das complicações