Quando a paracentese é “diagnóstica”? (3)
Ascite de início recente;
Mudança do padrão de uma ascite já conhecida (piora/melhora inesperada);
Suspeita de infecção/peritonite.
Quando a paracentese é “terapêutica”? (2)
Ascite já conhecida com objetivo de alívio de sintomas; desconforto respiratório/distensão importante.
Qual achado no líquido ascítico fecha peritonite bacteriana espontânea?
Neutrófilos > 250 células/mm³ no líquido ascítico.
Como é calculado o gradiente albumina soro–ascite (GASA) e para que serve?
Diferença entre albumina sérica e albumina do líquido ascítico;
Ajuda a separar ascite por hipertensão portal vs causas não portais.
Como interpretar GASA > 1,1 g/dL? (2)
Sugere hipertensão portal; em geral cirrose/causas portais.
Como interpretar GASA < 1,1 g/dL? (3)
Sugere doença peritoneal/não portal;
Pensar em:
- Carcinomatose;
- Tuberculose peritoneal;
- Pancreatite/ Síndrome nefrótica (baixa oncótica).
Quais são contraindicações absolutas “práticas” para paracentese? (4)
Abdome agudo com indicação cirúrgica;
Instabilidade grave não manejada;
Coagulopatia grave por coagulação intravascular disseminada;
Sinais de hiperfibrinólise (ex.: petéquias difusas com sangramento).
Quais são as contraindicações relativas (ou situações que exigem ajuste/ultrassom)? (6)
Infecção/celulite no local;
Distensão de bexiga não esvaziada;
Distensão importante de alças (risco de perfuração);
Gestação; cirurgia abdominal prévia (aderências);
Plaquetopenia importante/coagulopatia relevante (individualizar).
Qual preparo obrigatório antes de puncionar para reduzir complicações? (3)
Esvaziar bexiga;
Posicionar paciente em decúbito dorsal;
Monitorizar (pelo menos sinais vitais).
Materiais essenciais da paracentese (padrão prova prática) (10)
Equipamento de proteção individual + campo fenestrado estéril;
Degermante e solução alcoólica;
Anestésico;
Agulhas (calibres para anestesia);
Jelco 14;
Three-way;
Seringa 10–20 mL;
Equipo (se drenagem terapêutica);
3 Frascos para amostras + coletores para drenagem;
Kit de pequena cirurgia/pinças + fixação/curativo.
Quais são os 3 coletores clássicos na paracentese diagnóstica e seus volumes?
20 mL para bioquímica;
20 mL para cultura;
60-100 mL para citometria/citologia oncótica.
Qual é o melhor local (1ª escolha) e por quê?
Quadrante inferior esquerdo (ponto “inverso de McBurney” => NÃO FALAR ISSO NA PROVA);
Evita vasos epigástricos inferiores e o sigmóide é mais móvel (menor risco de perfuração).
Como localizar o ponto no quadrante inferior esquerdo (maneira prática)?
Traçar linha entre cicatriz umbilical e crista ilíaca ântero-superior esquerda;
Dividir em 3 partes e puncionar no ponto mais lateral.
Qual é a 2ª escolha de sítio de punção?
Linha média, no ponto médio entre cicatriz umbilical e sínfise púbica (com cuidado para vasos/colaterais e bexiga).
Qual é a 3ª escolha?
Quadrante inferior direito; maior risco porque o ceco é menos móvel → idealmente guiado por ultrassom.
Quais locais você deve evitar para punção? (4)
Cicatriz cirúrgica (aderências);
Massa palpável;
Área com celulite/infecção;
Veias visíveis/colaterais importantes.
Por que “lateralizar” o ponto de punção ajuda?
Ajuda a fugir dos vasos epigástricos inferiores que passam posteriores ao reto abdominal.
Qual é a técnica em “Z” e por que é usada? (2)
Traciona a pele (≈2 cm) antes de puncionar e mantém tração durante a entrada;
Reduz vazamento ao “desalinhar” o trajeto pele–peritônio.
Como fazer anestesia local no passo a passo? (4)
“Botão” anestésico inicial;
Avançar infiltrando em planos;
Alternar aspirar e injetar para não injetar intravascular;
Anestesiar todo o trajeto até peritônio (ponto mais doloroso).
Como é a punção com Jelco 14?
Técnica em “Z”;
Introduzir perpendicular (≈90°) aspirando;
Ao obter retorno de líquido, parar de avançar agulha;
Retirar agulha e avançar apenas o cateter;
Conectar o three-way.
Quando você pode “soltar” a tração da pele na técnica em Z?
Após retorno do líquido e estabilização do cateter no espaço peritoneal.
Quando parar a drenagem?
Interromper se sintomas aliviarem ou se houver instabilidade.
Quando repor a albumina na paracentese de grande volume?
Quando retirar mais de 5 litros.
Qual a dose prática de albumina na reposição pós-paracentese de grande volume?
Aproximadamente 6–10 g por litro retirado.