No estudo dos materiais do cotidiano percebe-se que eles se apresentam na forma de substâncias e/ou misturas.
Essas misturas podem ser classificadas quanto o aspecto visual.
Apresentando 1 aspecto visual chamamos de homogêneas, mais de 1 aspecto de heterogêneas.
Essa classificação foi trabalhada na aula de classificação dos materiais (substâncias e misturas).
As misturas homogêneas (1 aspecto visual) podem também ser chamadas de soluções.
Ex.: Solução de soro fisiológico.
As misturas heterogêneas (mais de um aspecto visual) são também conhecidas como dispersões.
Ex.: Gelatina, Sangue, água barrenta
Nas soluções há o material a ser dissolvido e o material que realiza a dissolução, para cada um desses materiais damos um nome diferenciado.
A substância a ser dissolvida damos o nome de soluto.
A substância que realiza a dissolução (aonde o soluto será dissolvido) damos o nome de solvente.
Para as dispersões a nomenclatura é diferenciada: nas dispersões utilizamos os termos disperso e dispersante ou dispergente.
Para as soluções, podemos classificar o soluto e o solvente a partir do estado de agregação.
Mesmo estado de agregação:
Soluto estará em menor quantidade e Solvente em maior quantidade.
Estados de agregação diferentes:
Soluto é o material a ser dissolvido e Solvente o material que irá dissolver o soluto.
Nas dispersões o Disperso é o material disseminado no Dispersante.
Uma dificuldade no estudo de soluções é diferenciar uma Solução “verdadeira” de um Colóide.
Uma técnica utilizada para realizar essa diferenciação é conhecida como Efeito Tyndall.
Essa técnica se baseia no espalhamento da luz.
Classificação das Soluções:
Uma das formas de classificação das soluções baseia-se na quantidade dos materiais misturados.
Soluto será o material em menor quantidade.
Solvente será o material em maior quantidade
Classificação das Soluções:
As soluções podem ser classificadas quanto a quantidade de material dissolvido.
Nessa classificação as soluções são chamadas de:
Saturada;
Insaturada e
Supersaturada
Essa classificação se baseia na quantidade de material dissolvido.
Nesse caso temos que saber qual a quantidade máxima de soluto que pode ser dissolvido.
Essa quantidade máxima é conhecida como Coeficiente de solubilidade.
C.S. é a quantidade necessária de uma substância para saturar uma quantidade de solvente, em determinadas condições de temperatura e pressão
Nesse caso temos:
Solução saturada: Solução onde, a quantidade de soluto dissolvido é igual ao coeficiente de solubilidade.
Solução insaturada: Solução onde, a quantidade de soluto dissolvido não atingiu o coeficiente de solubilidade.
Solução supersaturada: Solução onde, a quantidade de soluto dissolvido ultrapassou o coeficiente de solubilidade.
O coeficiente de solubilidade varia com a temperatura.
A dissolução do material pode ser endotérmica ou exotérmica.
Endotérmica: no gráfico sobe
Exotérmica: no gráfico desce
Para se preparar uma solução supersaturada é necessário variar a temperatura.
Situação 1
T = 20 ºC Sistema heterogêneo
—-> AQUECE
Situação 2
T = 50 ºC Sistema homogêneo
—-> RESFRIA
Situação 3
T = 20 ºC Sistema homogêneo
—-> ADICIONA O CRISTAL
Situação 4
T = 20 ºC Sistema heterogêneo
Concentração de Soluções
Sabemos que uma certa quantidade de soluto pode ser dissolvido em certa quantidade de solvente.
Medir a quantidade de material dissolvido é de extrema relevância para o estudo das soluções.
Essa quantidade dissolvida pode ser expressa de diversas formas, isto é, em diversos tipos de medidas de concentração.
Ex.: Teor de álcool no vinho: ≈ 14%
Em geral, usamos o termo Concentração para medirmos a relação entre Soluto e Solvente numa solução.
Para o que vamos estudar, foi adotado a seguinte convenção:
Índice 1, para quantidades relativas ao soluto;
Índice 2, para quantidades relativas ao solvente e
Sem índice, para quantidades relativas a solução
Existem várias formas de se medir a concentração, a que vamos estudar são as seguintes:
Concentração comum (C);
τFração em massa, Título ();
Fração em mol (X);
Concentração molar, molaridade (Cm) e
PPM (partes por milhão)
Concentração comum (C):
Indica a quantidade, em gramas, de soluto existente em 1 litro de solução.
m1 indica a massa do soluto. (gramas)
V indica o volume da solução. (Litro)
M¹ massa de soluto
C = —- ——-> C = ————————— ( unidade g/litro)
V. Volume da solução
Exemplo:
Foi pesado 20 g de NaOH e adicionado a um balão volumétrico de 500 mL. Completou-se o volume do balão até a marca. Qual a concentração, em g/L, dessa solução?
m1 = 20 g
V = 500 mL ou 0,5 L
M¹ 20
C = —- C = —— = 40 g/L
V. 0,5
Fração em massa, Título (Ŧ):
É a relação entre a massa do soluto e a massa da solução. Não há unidade de medida para o título.
M soluto
Ŧ = —————
M solução
M solução = M soluto + M solvente
Temos = M soluto
Ŧ = ————————————
M soluto + M solvente
Relação entre a Concentração comum e o Título:
M soluto. | t.m solução
Ŧ = ————— | C = ——————-
M solução. | V solução
M¹ | C = ---- | C = t.d V. |
Com d em g/L
Com g em g/cm³, temos:
C = 1.000.d. ŧ = 10.p.d
Sendo :
D = densidade da solução = massa da solução (g)
volume da solução (Cm ³)
T = título
P = porcentagem em massa ( p = 100 . ŧ)
Fração em mol (X):
É a relação entre o número de mols do soluto e o número de mols da solução.
A fração molar não possui unidade de medida.
xª = N a. N a. N b
——————— —> X a = ———— ; ———-
N a + N b + … N total. N total
Concentração molar (Cm):
Indica a quantidade, em mols, de soluto existente em 1 litro de solução.
n indica a quantidade de matéria do soluto. (mol¯¹)
V indica o volume da solução. (Litro)
N soluto. m¹ m¹
M = ——————- —–> n = —— = M = ——-
V solução (L) MM. M M ¹. V
Relação entre Concentração comum, Título e Concentração molar:
m¹
C = ——- m¹ = C.V (l) (L)
V (l)
m¹
M = ————– m¹ = M .V (l) mol (ll)
V (l) mol
Igualando (I) e (II)
C.V (I) = M . V (l) . Mol
C = M . mol
PPM (partes por milhão):
Medida usada para soluções extremamente diluídas.
Relaciona a quantidade de soluto disperso em 1.000.000 de quantidade da solução.
Processos como mistura e diluição de soluções são processos comuns no cotidiano.
São exemplos de diluições que realizamos diariamente:
Adicionar água ao suco de frutas concentrado;
Colocar um pouco de água quente no café “forte” para torná-lo mais “fraco”;
Diluir certas bebidas com água tônica;
Diluir o detergente líquido com água;
Adicionar solvente à tinta para torná-la mais fluida etc.
Normalmente as soluções aquosas de produtos químicos são vendidas em concentrações elevadas.
Porém, em laboratórios, indústrias ou até em casa essas soluções são diluídas antes de serem empregadas.
Esse procedimento evita o peso e o custo do transporte, além de permitir que o próprio consumidor controle a concentração.
Mas afinal, o que é diluição?
Diluição é a ação de diminuir a concentração de certa solução pela adição de mais solvente a mistura. Nesse processo, o volume e a concentração de uma solução são inversamente proporcionais.
É possível estimar qual será a concentração final de um processo de diluição?
Percebe-se que a massa de soluto inicial é igual a massa do soluto final, pois foi adicionado apenas solvente puro.
Utilizando a fórmula de concentração comum podemos deduzir uma expressão que indique a concentração final de uma diluição.
M1. M1
Ci = —– = adição de solvente = cf ——–
V1. V2
Multiplicando cruzado as duas equações, temos:
M1 = Ci x V1 = (1)
M2 = Cf x V2 = (2)
Como a massa do soluto antes e depois da adição de solvente são iguais (M antes = M depois) podemos igualar as equações (1) e (2)
Igualando as duas equações iremos obter a seguinte expressão:
Ci x V₁ = Cf x V₂
Sendo assim, podemos estimar qual a concentração final de uma solução quando realizarmos a diluição de soluções.
Para outras medidas de concentração, podemos chegar a mesma conclusão, por exemplo:
C(m)i x V₁ = C(m)f x V₂
Além da diluição de soluções, o processo de mistura de soluções também é muito abordado em laboratórios e até mesmo no dia-a-dia.
A mistura de café com leite em nossas refeições;
Mistura de tintas de cores diferentes para obter outra tonalidades.
Essas misturas podem ocorrer com o mesmo soluto ou com solutos diferentes.
No caso de solutos diferentes, pode ainda ocorrer reações químicas entre as soluções.
Em qualquer caso, porém, estaremos supondo que o solvente é sempre o mesmo.
Essa consideração será importante pois, só dentro dessa hipótese e que o volume final será igual à soma dos volumes iniciais.
Vamos começar com o caso onde a mistura é realizada com soluções que contém o mesmo soluto.
Veja a representação a seguir:
Misturando a solução 1 com a solução 2 teremos uma solução 3 que terá uma concentração entre 1 e 2.
Em outras palavras, a concentração final é a média ponderada das
concentrações iniciais.
Veja como podemos chegar a essa conclusão:
m3 = m1 + m2
Como vimos anteriormente, m = C x V, então substituindo essa ideia, temos:
C3 x V3 = (C1 x V1) + (C2 x V2)
Isolando a concentração final (C3), teremos:
C3 = C1xV1 +(C2xV2) V3
Logo, a concentração final de uma mistura de solutos idênticos será a média ponderada de suas concentrações.
No caso de soluções de solutos diferentes que reagem entre si, temos o exemplo da reação entre ácido e base.
Havendo reação química, e não simples mistura, esses problemas devem ser resolvidos com o auxílio do cálculo estequiométrico.
Quando os dois solutos entram em reação, podem ocorrer duas situações:
Os dois solutos estão em quantidades exatas para reagir;
Caso contrário, sobrará um excesso do primeiro ou do segundo.
Como trata-se de uma reação entre ácido e base (reação de neutralização), é necessário compreender como ela ocorre.
Nesse tipo de reação, a quantidade de íon hidrônio (H⁺) proveniente do ácido será igual a quantidade de íon hidroxila (OH⁻) proveniente da base.
Quando ocorrer esse caso a reação será uma neutralização total, e a união dos dois íons formará água (H⁺ + OH⁻ → H2O).
Ácido + Base → Sal + Água
HCl + NaOH → NaCl + H2O (HOH)
Essa mistura de soluções de solutos diferentes onde ocorre uma reação química é conhecida como Titulação ou volumetria.
Na titulação o que se faz é medir o volume de uma solução conhecida que reage o a amostra em análise.
Em seguida, a partir do volume medido, determinam-se as quantidades desconhecidas, por meio de cálculos.
A metodologia para esse procedimento é o seguinte:
1º Passo:
Encontrar todos os dados relacionados ao ácido e a base.
2º Passo:
Encontrar o número de mols a partir da relação:
N1
Cm = —–
V
3º Passo
Regra de três entre os coeficientes e o valor encontrado no 2º passo.
No estudo das soluções, a presença de soluto altera o comportamento do solvente.
Quando estudamos substâncias e misturas vimos que, as substâncias possuem propriedades físicas constantes.
Quando alguma impureza (soluto) contamina a substância, altera o valor dessas propriedades físicas.
Os estudos coligativos estão relacionados exatamente com essas mudanças.
Propriedades (Efeitos) coligativos estudam as variações das propriedades físicas pela presença de um soluto em um solvente puro.
Vale ressaltar que, as propriedades coligativas dependem apenas do número de partículas dissolvidas e não de sua natureza.
As propriedades coligativas são as seguintes:
Tonoscopia;
Ebulioscopia;
Crioscopia e
Osmoscopia
Tonoscopia:
Estuda a variação ocorrida na pressão de vapor pela presença de um soluto não volátil em um solvente.
É sabido que qualquer líquido evapora, mesmo antes de atingir a sua temperatura de ebulição.
Isso ocorre pois, em qualquer temperatura, as moléculas estão sempre em movimento.
Algumas moléculas, porém, possuem velocidades maiores do que as outras e, por isso, conseguem “escapar” passando para a atmosfera.
Imagine que iremos realizar o mesmo fato, só que agora em um recipiente fechado.