EPH Flashcards

(646 cards)

1
Q

O que a guarnição deve fazer ao chegar à cena?

A

Avaliar os riscos inerentes e decorrentes do evento, confirmando a segurança da cena antes do atendimento.

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2
Q

Qual é o principal objetivo da avaliação primária?

A

Identificar e corrigir condições clínicas com potencial risco à vida em curto prazo.

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3
Q

CONCEITOS IMPORTANTES

A
  • HIPOTERMIA: CONDIÇÃO EM QUE А TEMPERATURA CORPORAL CENTRAL DO INDIVÍDUO CAI ABAIXO DO NÍVEL CONSIDERADO NORMAL.
  • FEBRE: AUMENTO NA TEMPERATURA CORPORAL CENTRAL ACIMA DО INTERVALO NORMAL.
  • HIPERTENSÃO: CONDIÇÃO DE PRESSÃO SANGUÍNEA ELEVADA.
  • CHOQUE: FALHA GRAVE NA CIRCULAÇÃO CAUSANDO DESEQUILÍBRIO ENTRE A OFERTA E A DEMANDA DE NUTRIENTES A NÍVEL CELULAR
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4
Q

Qual sequência de prioridades é usada na avaliação primária?

A

XABCDE:
X (eXsanguination) – Hemorragias exsanguinantes;
A (Airway) – Abertura da via aérea e estabilização da coluna cervical;
B (Breathing) – Ventilação;
C (Circulation) – Circulação;
D (Disability) – Estado neurológico → ECG-P;
E (Exposition) – Exposição e ambiente → ALICA.

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5
Q

X → HEMORRAGIAS EXANGUINANTES

A
  • Hemorragia exsanguinante (hemorragia externa grave);
  • IDENTIFICAR E CONTROLAR SANGRAMENTOS EXTERNOS GRAVES;
  • COMPRESSÃO DIRETA (USO PRIORITÁRIO), PREENCHIMENTO DE FERIDA, TORNIQUETE.
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6
Q

A → ABERTURA DAS VIAS AÉREAS + ESTABILIZAÇÃO DA CERVICAL

A
  • ESTABILIZAR A COLUNA CERVICAL (COLAR CERVICAL OU ESTABILIZAÇÃO MANUAL);
  • MANOBRAS DE ABERTURA DAS VIAS AÉREAS:
    > CHIN LIFT: INCLINAÇÃO DA CABEÇA + ELEVAÇÃO DO QUEIXO (CASOS CLÍNICOS);
    > JAW THRUST: TRAÇÃO DE MANDÍBULA (TRAUMA);
  • OBSTRUÇÃO PARCIAL É RESPIRAÇÃO RUIDOSA = VIA AÉREA DEFINITIVA (SAV).
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7
Q

B → Boa ventilação

A
  • EXPOR O TÓRAX DO PACIENTE E AVALIAR O PADRÃO RESPIRATÓRIO, SIMETRIA DA EXPANSABILIDADE TORÁXICA E SINAIS DE ESFORÇO RESPIRATÓRIO;
  • OBSERVAR POSICIONAMENTO DA TRAQUEIA, A PRESENÇA OU NÃO DE TURGÊNCIA JUGULAR E A SATURAÇÃO PERIFÉRICA (SE MENOR QUE 94%, OFERECER 02 SUPLEMENTAR);
  • SE FR<10 RPM, REALIZAR VENTILAÇÃO ASSISTIDA (BOLSA-VÁLVULA-MÁSCARA).
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8
Q

Quando oferecer oxigênio suplementar?

A

Quando SpO₂ ≤ 95% ou houver dificuldade respiratória, a um fluxo de 10 a 15 L/min por máscara facial.

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9
Q

Quais sinais indicam obstrução parcial da via aérea?

A

Respiração ruidosa, que pode evoluir para obstrução total.

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10
Q

C → CIRCULAÇÃO

A
  • VERIFICAR SINAIS VITAIS (FC, FR, PA E TEMPERATURA), SINAIS DE CHOQUE;
  • IDENTIFICAR E CONTROLAR HEMORRAGIAS INTERNAS OU EXTERNAS MENOS GRAVES.
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11
Q

Qual é o primeiro sinal de choque?

A

Taquicardia.

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12
Q

D → DISFUNÇÕES NEUROLÓGICAS

A

AVALIAR O NÍVEL DE CONSCIÊNCIA POR MEIO DA ESCALA DE COMA DE GLASGOW (ECG-P).

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13
Q

Qual escala é usada para avaliação do nível de consciência?

A

Escala de Coma de Glasgow (ECG-P).
Pontuação mínima 1 e máxima 15. Sendo, grave <8, moderado de 9 a 12 e leve de 13 a 15.
Obs.: Deve-se subtrair da ECG a reatividade da pupila (-2, -1 e 0).

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14
Q

ECG-P Abertura Ocular?

A

1- Abertura ocular espontânea = 4;
2- Abertura ocular ao estímulo sonoro = 3;
3- Abertura ocular ao toque físico = 2;
4- Ausência de abertura ocular, mesmo após estímulo = 1;
5- Não testável por algum fator impeditivo = NT.

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15
Q

ECG-P Resposta Verbal?

A

1- Resposta adequada relativamente ao nome, ao local e à data (orientada) = 5;
2- Resposta não orientada, mas comunicação coerente (confusa) = 4;
3- Palavras isoladas inteligíveis = 3;
4- Apenas gemidos = 2;
5- Ausência de resposta audível, sem fatores de interferência = 1;
6- Não testável por algum fator impeditivo = NT.

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16
Q

ECG-P Resposta Motora?

A

1- Obedece a comandos motores de forma satisfatória = 6;
2- Localiza estímulo de pressão = 5;
3- Demonstra interação por meio da flexão normal de membros superiores = 4;
4- Tendência a flexão involuntária de membros superiores (decorticação → Hemisfério Cerebral) = 3;
5- Tendência a extensão (descerebração → Mesencéfalo e ponte) de membros (padrão anormal) = 2;
6- Ausência de movimentos dos membros superiores/inferiores, sem fatores de interferência = 1;
7- Não testável por algum fator impeditivo = NT.

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17
Q

ECG-P Reatividade Pupular?

A

1- Não reagente = -2;
2- Reagente unilateral = -1;
3- Reagente bilateral = 0.

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18
Q

E → EXPOSIÇÃO DA VÍTIMA + CONTROLE DE TEMPERATURA

A
  • PRIORIZAR A QUEIXA PRINCIPAL DA VÍTIMA (MNEMÔNICO ALICIA), CONTROLE DE AMBIENTE E PREVENÇÃO DE HIPORTERMIA;
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19
Q

No item E (Exposição), qual mnemônico é utilizado para investigar dor?

A

ALICIA;
A – Aparecimento: “Como começou essa dor?” ou “o que aconteceu?”
L – Localização: “Onde está doendo (especificamente)?”
I – Intensidade: “De 0 a 10, qual a intensidade da sua dor?” (vide – Escala de dor)
C – Cronologia: “Desde quando está doendo?”
I – Incremento: “Tem algum fator que faça piorar essa dor”?
A – Alívio: “Tem alguma posição que melhore essa dor?”

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20
Q

Escala de Dor (Intensidade)

A

Leve → 0, 1 e 2;
Moderada → 3, 4, 5, 6, e 7;
Intensa → 8, 9 e 10.

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21
Q

Qual medida deve ser tomada para prevenir hipotermia?

A

Cobrir o paciente com cobertor térmico logo após a avaliação e tratamento.

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22
Q

O que é a avaliação secundária no APH?

A

A avaliação secundária é uma etapa complementar à avaliação primária. Nela é possível verificar possíveis alterações que não foram constatadas na avaliação primária, principalmente quanto às alterações de mucosas, pele, assimetrias morfológicas e instabilidade hemodinâmica.

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23
Q

Como é realizado o exame físico na avaliação secundária?

A

Na avaliação secundária é realizado um exame físico crânio-caudal detalhado, permeado principalmente na inspeção, na palpação, nos sinais vitais e na anamnese, buscando alterações que na avaliação primária não trouxeram riscos ao paciente, mas que podem evoluir desfavoravelmente.

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24
Q

Onde e quando a avaliação secundária pode ser realizada?

A

Ela pode ser realizada na cena de emergência ou durante o transporte, conforme a gravidade do estado clínico do paciente. Esta etapa não deve atrasar a decisão de transporte, principalmente em pacientes graves.

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25
Como deve ser feita a investigação de lesões adicionais?
As lesões adicionais são investigadas utilizando-se o exame físico, que deve ser realizado no sentido crânio-caudal ou céfalo-podálico.
26
O que deve ser observado na inspeção e palpação da cabeça e pescoço?
Deve-se inspecionar os olhos, verificar a simetria das pupilas, inspecionar e palpar nariz e orelhas, observar se há saída de fluidos ou hematoma retroauricular.
27
Como deve ser feita a inspeção e palpação do tórax?
Inspecionar ferimentos, deformidades ou anormalidades estruturais; palpar costelas, esterno e clavículas procurando deformidades e crepitações; comparar clavículas bilateralmente; pressionar ombros; realizar palpação em toda a extensão do tórax, inclusive região peitoral e inferior.
28
Quais são os passos da palpação abdominal na avaliação secundária?
Palpar todos os quadrantes abdominais com movimentos circulares, usando a cicatriz umbilical como ponto de referência. Não realizar a palpação quando houver objeto encravado no local.
29
Como deve ser avaliada a pelve e a genitália?
Realizar pressão bilateral gradual latero-medial na pelve, somente uma vez. Se houver crepitação ou dor, comunicar o médico da regulação e estabilizar a pelve. Também deve-se pressionar as vestes para investigar sangramentos ou priapismo em homens.
30
O que deve ser avaliado nos membros superiores e inferiores?
Inspecionar e palpar cada membro quanto a dor, deformidades, ferimentos e crepitações. Avaliar pulso radial e pedioso bilateralmente, perfusão, sensibilidade e motricidade.
31
Como deve ser realizado o exame do dorso em pacientes traumatizados?
Deve ser feito durante a manipulação em prancha rígida, com o paciente em decúbito lateral, devidamente estabilizado. Palpar regiões proximal, medial e distal e alinhar membros e eixo do corpo. O rolamento deve ser realizado sobre o lado não lesionado, de forma sincronizada entre os socorristas.
32
Como é feita a avaliação da temperatura corporal no APH?
Avaliar sinais físicos (tremor, tontura, pele quente ou fria, calafrio). A temperatura axilar (Tax) considera febre > 37,7 ºC e hipotermia < 35 ºC. Em hipotermia, usar manta térmica e evitar exposição desnecessária. Em febre, o corpo responde com vasodilatação e sudorese. - Leve (32-35°C): tremores, palidez, confusão leve. - Moderada (28-32°C): diminuição importante da consciência, bradicardia, rigidez muscular. - Grave (< 28°C): ausência de tremores, inconsciência, risco elevado de arritmias e parada cardíaca.
33
Como deve ser medida a frequência cardíaca?
Localizar o pulso radial, pressionar a artéria contra o rádio e contar. Se regular, contar por 30 segundos e multiplicar por dois. Se irregular, contar por 1 minuto e avaliar a irregularidade. Comparar os pulsos bilateralmente.
34
VARIAÇÕES ACEITÁVEIS DA FREQUÊNCIA CARDÍACA (BPM)
Neonato: 120 a 160 e x̄ 140; 1 a 12 meses: 80 a 140 x̄ 120 1 a 2 anos 80 a 130 x̄ 110 3 a 6 anos 75 a 120 x̄ 100 7 a 12 anos 75 a 110 x̄ 95 Adolescentes e adultos 60 a 100 x̄ 80
35
Quais são os passos para medir a frequência ventilatória?
Identificar fatores de risco, observar o ciclo respiratório completo, contar por 30 segundos e multiplicar por dois se regular; se irregular, contar por 1 minuto. Observar profundidade, ritmo e simetria da expansão torácica.
36
VARIAÇÕES ACEITÁVEIS DA FREQUÊNCIA RESPIRATÓRIA (IRPM)
Neonato: 30 a 60 Lactente: 30 a 50 Pré-escolar (2 anos): 25 a 32 Criança: 20 a 30 Adolescente: 16 a 19 Adulto: 12 a 20 Obs.: IRPM → Incursões Respiratórias Por Minuto.
37
Quais são os níveis de Pressão arterial de oxigênio e de dióxido de carbono?
- PaO2: 80% a 100%; → acima de 100% hiperóxia; → abaixo de 80% hipóxia. -PaCO2: 35% a 45%. → acima de 45% alcalose (↑PH 7,45); → abaixo de 35% acidose (PH↓ 7,35).
38
Distúrbios metabólicos
- Bicarbonato de sódio (HCO3): 22 a 26; - Excesso de base (BE): -2 a +2.
39
Como deve ser medida a pressão arterial?
Selecionar manguito adequado, posicionar o braço na altura do coração, inflar até desaparecer o pulso radial e mais 30 mmHg, usar estetoscópio na fossa cubital e proceder à deflação a 2-3 mmHg/s. O primeiro som indica pressão sistólica e o desaparecimento do som indica pressão diastólica.
40
Classificações das ambulâncias
- Tipo A (ambulância de transporte): Remoção simples sem risco de vida; - Tipo B (ambulância de suporte básico): com risco de vida conhecido ou desconhecido; - Tipo C (ambulância de resgate): locais de difícil acesso com equipamento de salvamento; - Tipo D (ambulância de suporte avançado): alto risco de emergência com cuidados médicos intensivos; - Tipo E (aeronave de transporte médico): aeronave com asa rotativa ou fixa com equipamento médico; - Tipo F (embarcação de transporte médico): veículo motorizado aquaviário, via marítima ou fluvial.
41
VALORES DE REFERÊNCIA PARA PRESSÃO ARTERIAL
Normal: PAS ≤120 mmHg e PAD ≤80 mmHg; Hipertensão: PAS ≥ 140 mmHg e PAD 90 mmHg; Considerar estado de choque: PAS ≤90 mmHg ou PAM ≤65 mmHg
42
Como calcular PAM?
PAM= PAS+(2.PAD)/3.
43
Qual é o objetivo da anamnese no APH?
Coletar informações sobre o evento e as condições do paciente no momento, bem como a história prévia.
44
Como deve o socorrista chamar o paciente durante a anamnese?
Chamar pelo nome ou pela forma que ele solicitar.
45
Como devem ser feitas as perguntas na anamnese?
Devem ser claras e objetivas, evitando linguagem técnica em excesso.
46
Qual mnemônico pode orientar a anamnese?
SAMPLA: Sintomas; Alergias; Medicações; Passado médico e Prenhez; Líquidos e alimentos; Ambiente. (Emergência clínica ou traumática) Obs.: direcionando as perguntas para o histórico de saúde.
47
Que informações devem ser coletadas sobre sintomas?
Quais os sintomas relatados e qual a queixa principal do paciente.
48
O que perguntar sobre alergias?
Perguntar por alergias, principalmente a medicamentos.
49
Que perguntas fazer sobre medicações?
Se o paciente faz uso de medicações atualmente.
50
O que investigar no passado médico e prenhez?
Histórico médico condizente com a queixa atual, cirurgias recentes, possibilidade de gravidez, comorbidades prévias.
51
Por que investigar líquidos e alimentos ingeridos?
Porque podem aumentar o risco de vômito e aspiração.
52
Como deve ser monitorado o paciente durante o atendimento?
Reavaliar continuamente as condições clínicas e a efetividade das manobras, registrar todas as informações na ficha e repassar ao médico regulador e à equipe médica do hospital.
53
Tipos de Choques?
os tipos de choque mais comuns são: hipovolêmico, cardiogênico, obstrutivo (esses três têm em comum a vasoconstrição) e distributivo. 1- Choque Hipovolêmico: Este tipo ocorre devido à diminuição do volume de sangue ou fluidos corporais, seja por perda de sangue (hemorrágico) ou por outras causas como queimaduras graves ou desidratação severa (não hemorrágico). 2- Choque Cardiogênico: É causado pela incapacidade do coração de bombear sangue suficiente para o corpo, geralmente devido a problemas no próprio músculo cardíaco, como infarto agudo do miocárdio. 3 -Choque Distributivo: Caracteriza-se por uma má distribuição do fluxo sanguíneo devido a vasodilatação excessiva, comumente associada a infecções graves (choque séptico), reações alérgicas graves (choque anafilático) ou lesões neurológicas (choque neurogênico). 4- Choque Obstrutivo: Surge quando há obstrução física ao fluxo sanguíneo, como em casos de embolia pulmonar maciça, tamponamento cardíaco ou pneumotórax hipertensivo.
54
O que é o traumatismo cranioencefálico (TCE)?
É uma lesão causada por uma força física externa que pode lesionar os ossos do crânio, o encéfalo, os vasos sanguíneos, o couro cabeludo ou as meninges, podendo levar a comprometimento funcional ou dano anatômico.
55
Quais são as principais causas do TCE?
Acidentes de trânsito, quedas, agressões, perfuração por arma de fogo e arma branca.
56
Qual é o foco do atendimento pré-hospitalar no TCE?
Garantir fornecimento adequado de oxigênio e nutrientes ao cérebro, além de identificar rapidamente pacientes com risco de pressão intracraniana elevada e herniação.
57
Quais são as categorias de lesões no TCE?
Lesões primárias e secundárias.
58
O que caracteriza as lesões primárias em TCE penetrante?
Ocorrem no momento do trauma devido ao impacto direto do projétil ou arma branca no tecido encefálico.
59
Como ocorrem as lesões primárias em traumatismos fechados?
Resultam da movimentação cerebral associada à energia cinética, sem contato direto com o conteúdo intracraniano, podendo causar ruptura de veias e lacerações do parênquima.
60
O que são lesões secundárias no TCE?
Processos de lesão contínuos ativados pela lesão primária que podem durar horas, dias ou semanas, causando dano progressivo.
61
Quais sinais indicam suspeita de TCE na avaliação inicial?
Alteração pupilar, hematoma retroauricular (Sinal de Battle), hematoma periorbital (“olhos de guaxinim”), Tríade de Cushing, sangramento ou saída de líquor/ duplo halo (epistaxe → nariz / otorragia → ouvido), náuseas, vômitos, alteração do nível de consciência, fala desconexa, amnésia temporária (concussão), dor localizada e alteração visual.
62
O que é a Tríade de Cushing?
Redução da frequência cardíaca (bradicardia), hipertensão e alteração da frequência respiratória (bradipneia), indicando aumento da pressão intracraniana.
63
Como é calculada a pressão de perfusão cerebral (PPC)?
PPC = pressão arterial média (PAM) − pressão intracraniana (PIC). O aumento da PIC ou redução da PAM diminui a PPC e pode causar hipóxia cerebral (↓ níveis de oxigênio) OBS.: Valores normais: -PIC: 10 mmHg; -PPC entre 60-80 mmHg para um bom fluxo sanguíneo cerebral; -PAM entre 70-110 mmHg
64
O que caracteriza o Sinal de Battle?
O hematoma retroauricular, caracterizado pelo acúmulo de sangue no tecido subcutâneo da região posterior da orelha, sugestivo de fratura do processo mastoide.
65
O que significam os “olhos de guaxinim” em TCE?
O hematoma periorbital ou blefaro-hematoma, descrito como “olhos de guaxinim”, refere-se ao acúmulo de sangue no tecido subcutâneo ao redor dos olhos e sugere fratura do assoalho da fossa anterior.
66
Por que é essencial avaliar a função respiratória em TCE?
Porque a hipóxia também pode ser causa de lesão encefálica secundária, sendo essencial avaliar a frequência respiratória, profundidade e efetividade da respiração.
67
É comum que o TCE venha acompanhado por qual condição?
É comum que o TCE venha acompanhado por choque circulatório.
68
Na avaliação da circulação em pacientes com TCE, o que deve ser identificado precocemente?
Na avaliação da circulação, sinais de choque devem ser precocemente identificados.
69
O que a hipotensão sistêmica decorrente do choque pode causar em pacientes com TCE?
A hipotensão sistêmica decorrente do choque causará diminuição do fluxo sanguíneo cerebral, provocando isquemia e hipóxia, agravando assim a lesão encefálica.
70
Quais achados podem ser sinais de fratura da base de crânio e consequentemente de TCE grave?
O sangramento nasal e a otorragia (sangramento pelo conduto auditivo) podem ser sinais de fratura da base de crânio e consequentemente de TCE grave.
71
Qual a consequência de um colar cervical apertado em pacientes com TCE?
O colar cervical apertado pode impedir a drenagem venosa da cabeça, aumentando assim a PIC.
72
Qual é a posição geralmente utilizada para transportar pacientes com TCE?
Geralmente, os doentes com TCE devem ser transportados em decúbito dorsal devido à presença de outras lesões.
73
O que pode ocorrer quando a cabeça é elevada acima de 30 graus em pacientes com TCE?
Embora a elevação da cabeça na maca da viatura (ambulância) ou na prancha longa possa diminuir a PIC, a pressão de perfusão cerebral também pode ser comprometida, principalmente se a elevação da cabeça for superior a 30 graus.
74
Quais são as complicações do TCE?
Hematomas: 1- Epidural; (lobo temporal) 2- Subdural; (Lobos frontal e pareital) 3- Intracerebral; (todos os lobos) 4- Traumatismo Frontobasal
75
CONCUSSÃO X CONTUSÃO
1- CONCUSSÃO: Perda momentânea da consciência (leve); 2- CONTUSÃO: estrutural do cérebro (grave). ↑ PIC
76
O que é o trauma raquimedular (TRM)/Coluna?
O trauma raquimedular (TRM) é uma agressão à medula espinhal que pode ocasionar danos neurológicos, tais como alterações das funções motora, sensitiva e autônoma.
77
Quais são as principais causas de TRM no Brasil?
As principais causas de TRM no Brasil são acidentes automobilísticos (48%), quedas (21%), ferimentos penetrantes (15%), lesões por esportes, principalmente aquáticos (14%) e outras lesões (2%).
78
Como a medula espinhal pode ser afetada pelo TRM?
O trauma raquimedular pode seccionar a medula de maneira irreversível ou até mesmo comprimi-la ou estirá-la.
79
Quais sinais podem indicar uma lesão medular?
I- Lesões na medula espinhal podem resultar em dor no pescoço e nas costas (60% são cervicais; 40% são torácicas e lombares) II- deformidade da coluna; III- paralisia ou dormência nas pernas e/ou braços; IV- dor, parestesia ou perda total da sensibilidade; V- sinais de choque neurogênico; VI- priapismo; VII- disfunção autonômica; VIII- perda ou alteração da sensibilidade ao calor, ao frio, à dor ou ao toque; IX- espasmos musculares e reflexos exagerados; X- dificuldade para respirar ou eliminar secreções; XI- diminuição ou ausência de reflexos tendinosos.
80
Quais são os efeitos de lesões medulares altas, acima de C4?
Em lesões mais altas, acima da C4, importantes alterações respiratórias podem ocorrer porque na região do tronco encefálico está o centro respiratório que envia sinais eferentes à musculatura respiratória. Esses sinais exercem efeito modulatório no coração e pulmões, podendo gerar esforço respiratório excessivo, acionamento da musculatura acessória, ou em situações graves interromper o controle da respiração e levar à parada cardiorrespiratória.
81
O que pode ocorrer em lesões na medula entre C4 e T6?
Quando a lesão ocorre entre a vértebra cervical C4 e a vértebra torácica T6, os pacientes apresentam controle das funções respiratórias, porém não têm regulação da temperatura, da pressão arterial nem controle voluntário de órgãos.
82
Disfunções relacionadas à lesão na medula espinha?
C1 a C5 → Paralisia dos músculos utilizados na respiração e de todos os músculos dos membros superiores e inferiores (tetraplegia). Geralmente ela é fatal; C5 a C6 → Pernas paralisadas; discreta capacidade de flexão dos membros superiores; C6 a C8 → Paralisia dos membros inferiores (paraplegia) e parte dos punhos e das mãos. Os movimentos dos ombros e a flexão do cotovelo estão relativamente preservados; (C8 apenas em crianças) C7 a T1 → Paralisia dos membros inferiores e do tronco; ptose palpebral; ausência de sudorese na fronte (síndrome de Homer); braços relativamente normais; mãos paralisadas; T2 a T4 → Paralisia dos membros inferiores e do tronco; perda da sensibilidade abaixo dos mamilos; T5 a T8 → Paralisia dos membros inferiores e da parte inferior do tronco; perda da sensibilidade abaixo da caixa torácica; T9 a T11 → Pernas paralisadas; perda da sensibilidade abaixo da cicatriz umbilical; T12 a L1 → Paralisia e perda da sensibilidade abaixo da virilha; L2 a L5 → Diferentes padrões de fraqueza e entorpecimento dos membros inferiores; S1 a S2 → Diferentes padrões de fraqueza e entorpecimento dos membros inferiores; S3 a S5 → Perda do controle da bexiga e dos intestinos; entorpecimento no períneo. Obs.: A perda do controle da bexiga e do intestino comum no caso de lesão grave em qualquer ponto ao longo da coluna vertebral.
83
Quais sinais são característicos do choque neurogênico em TRM?
Ao avaliar um paciente com lesão na medula espinhal, o socorrista poderá detectar a presença de um estado de choque neurogênico, pois quando a medula é rompida o mecanismo de controle simpático não mantém o controle dos músculos nas paredes dos vasos sanguíneos abaixo da lesão. As artérias e arteríolas dilatam, produzindo vasoplegia (dilatação periférica) e hipotensão. A pressão arterial é reduzida (pressão arterial sistólica abaixo de 90 mmHg), a pele torna-se quente e seca, e a frequência cardíaca é normal ou bradicárdica.
84
Por que a imobilização completa em colares cervicais e pranchas rígidas pode ser deletéria?
Apesar de amplamente incentivada, por vezes a imobilização completa com colares cervicais e pranchas rígidas tem sido associada a eventos deletérios, tais como aumento da PIC, desconforto, dor e lesões por pressão.
85
Traumatismo torácico – importância?
O traumatismo torácico nos dias atuais assume grande importância devido, em parte, à sua incidência e, por outro lado, pelo aumento da gravidade e da mortalidade das lesões. Isto se deve pelo aumento do número, poder energético e variedade dos mecanismos lesivos, como por exemplo, a maior velocidade dos automóveis, a violência urbana, e dentro desta, o maior poder lesivo dos armamentos, além de outros fatores.
86
Divisão das lesões torácicas?
As lesões de tórax são divididas naquelas que implicam em risco imediato à vida e que, portanto, devem ser pesquisadas no exame primário e naquelas que implicam em risco potencial à vida e que, portanto, são observadas durante o exame secundário.
87
Tipo de Lesão – Aberto?
São, grosso modo, os ferimentos. Os mais comuns são os causados por arma branca (FAB) e os por arma de fogo (FAF).
88
Tipo de Lesão – Fechado?
São as contusões. O tipo mais comum dessa categoria de trauma é representado pelos acidentes automobilísticos.
89
Agentes causais?
FAF, FAB, Acidentes Automobilísticos, Outros.
90
Manifestações clínicas?
Pneumotórax (hipertensivo ou não), Hemotórax, Tamponamento Cardíaco, Contusão Pulmonar, Lesão de Grandes Vasos (aorta, artéria pulmonar, veias cavas), Outros.
91
Trauma direto?
Neste mecanismo, a caixa torácica é golpeada por um objeto em movimento ou ela vai de encontro a uma estrutura fixa. Nesse caso, a parede torácica absorve o impacto e o transmite à víscera. Além disso, nesse tipo de trauma é frequente que o indivíduo, ao perceber que o trauma irá ocorrer, involuntariamente, inspire e feche a glote, o que poderá causar um pneumotórax no paciente. No trauma direto, geralmente, ocorrem lesões bem delimitadas de costelas e mais raramente de esterno, coração e vasos, apresentando um bom prognóstico.
92
Trauma por compressão?
Muito comum em desmoronamentos, construção civil, escavações, etc. Apresenta lesões mais difusas na caixa torácica, mal delimitadas e, se a compressão for prolongada, pode causar asfixia traumática, apresentando cianose cérvico-facial e hemorragia subconjuntival. Em crianças, este mecanismo é de primordial importância, visto que a caixa torácica é mais flexível, podendo causar lesões extensas de vísceras torácicas (Síndrome do esmagamento) com o mínimo de lesão aparente. Em determinadas situações, a lesão do parênquima pulmonar é facilitada pelo próprio paciente (prende a respiração, fecha a glote e contrai os músculos torácicos), aumentando a pressão pulmonar e podendo provocar rompimento do parênquima pulmonar e brônquios.
93
Trauma por desaceleração (contusão)?
Caracterizado por processo inflamatório em pulmão e/ou coração no local do impacto, causando edema e presença de infiltrado linfomonocitário. O paciente terá dor local, porém sem alterações imediatas. Após 24h, poderá apresentar atelectasia ou quadro semelhante à pneumonia. No coração ocorre geralmente diminuição da fração de ejeção e alteração da função cardíaca (insuficiência cardíaca, arritmias graves, etc.). Muito comum em acidentes automobilísticos e quedas de grandes alturas. O choque frontal contra obstáculo rígido causa desaceleração rápida da caixa torácica com movimento dos órgãos intratorácicos, levando a cisalhamento e ruptura da aorta. Em quedas de altura podem ocorrer lesões da valva aórtica.
94
Traumas penetrantes?
É o mecanismo mais comum de traumas abertos. Pode ser causado criminalmente ou acidentalmente por armas brancas, objetos pontiagudos, estilhaços de explosões, projéteis de arma de fogo etc. Armas brancas provocam lesões retilíneas e previsíveis, pela baixa energia cinética. Armas de fogo causam lesões mais tortuosas, irregulares, mais graves e de difícil tratamento.
95
Lesões mais comuns do tórax?
São as lesões mais comuns do tórax e assumem fundamental importância, pois a dor causada por elas dificulta a respiração e leva ao acúmulo de secreção. As fraturas da caixa torácica dividem-se didaticamente em três tipos principais: fraturas simples de costelas, afundamentos e fraturas de esterno.
96
Fraturas simples de costelas?
É a mais comum das lesões ósseas da parede torácica, podendo ocorrer isoladamente ou associada a pneumotórax ou hemotórax. Fraturas dos últimos arcos costais podem se associar à lesão de fígado ou baço e a lesão dos primeiros arcos se associam a traumas graves com possíveis lesões vasculares. Diagnóstico: dor e possível crepitação à palpação do ponto fraturado.
97
Afundamentos (fraturas múltiplas de costelas)?
Estão associadas aos traumatismos mais graves do tórax e frequentemente de outros órgãos. Define-se como fratura múltipla a fratura de dois ou mais arcos costais em mais de um local, determinando perda da rigidez de parte ou todo o envoltório ósseo torácico, fazendo com que essa parte do tórax se mova de forma diferente do restante (movimento paradoxal do tórax).
98
Fraturas do esterno?
São lesões raras, mas de alta mortalidade, devido à ocorrência de lesões associadas (contusão cardíaca, ruptura traqueobrônquica, ferimentos musculares), que devem ser pesquisadas concomitantemente.
99
Pneumotórax (PTX)?
É a presença de ar na cavidade pleural, podendo levar à compressão do parênquima pulmonar e insuficiência respiratória. Pode ocorrer por laceração do pulmão pela compressão aguda do tórax ou por espícula óssea de costela fraturada perfurando o pulmão. Pneumotórax valvulado pode se tornar hipertensivo, causando desvio do mediastino, torção das veias cavas, choque e morte se não tratado rapidamente.
100
Diagnóstico do pneumotórax?
Dispneia (relacionada à compressão do pulmão), abaulamento do hemitórax afetado (mais nítido em crianças), hipertimpanismo à percussão, ausência ou diminuição do murmúrio vesicular. Pneumotórax hipertensivo apresenta sinais de choque com pressão venosa alta (estase jugular).
101
Classificação do pneumotórax?
Aberto x Fechado; Simples x Hipertensivo.
102
Pneumotórax Aberto?
Caracterizado pelo contato do espaço pleural com o meio ambiente, igualando as pressões atmosférica e intratorácica, provocando colapso pulmonar, queda da hematose e hipóxia aguda. Pode ocorrer em acidentes viários com arrancamentos da caixa torácica. Tratamento: curativo quadrangular em três lados, criando efeito de válvula.
103
Pneumotórax Simples?
Etiologia baseada em trauma penetrante e contusão torácica. Diagnóstico: hipersonoridade à percussão, diminuição ou ausência de murmúrio vesicular, complementado pelo Rx mostrando maior radiotransparência do pulmão acometido.
104
Pneumotórax Hipertensivo?
Ocorre por vazamento de ar para o espaço pleural com válvula unidirecional, colapsando o pulmão afetado, deslocando mediastino e traqueia, diminuindo retorno venoso e comprimindo o pulmão oposto. Pode causar óbito rápido devido à hipóxia. Também pode ocorrer após procedimentos em veia subclávia ou jugular. Sinais: dispneia intensa, taquicardia, hipotensão, desvio da traqueia, ausência de murmúrio vesicular unilateral, distensão jugular, hipersonoridade, desvio do ictus e cianose tardia.
105
Hemotórax (HTX)?
Presença de sangue na cavidade pleural devido a lesões do parênquima pulmonar, vasos da parede torácica ou grandes vasos como aorta, artéria subclávia, artéria pulmonar ou coração. Todo paciente com derrame pleural hemorrágico deve ser monitorado como potencial risco. Diagnóstico: choque hipovolêmico, dispneia, propedêutica de derrame pleural, radiografia mostrando linha de derrame ou velamento difuso do hemitórax com paciente deitado.
106
Traumatismos cardíacos?
Os traumatismos cardíacos podem ser divididos em duas condições básicas: tamponamento cardíaco e contusão cardíaca. Presença de líquido na cavidade pericárdica, comprimindo as câmaras cardíacas, promovendo restrição diastólica e colapso circulatório. Nas contusões, a origem pode ser a ruptura cardíaca ou a lesão de vasos sanguíneos cardíacos ou pericárdicos.
107
Diagnóstico do traumatismo cardíaco?
Trauma sobre a região torácica anterior, fácies pletórica, estase jugular e hipotensão arterial (choque com pressão venosa alta), bulhas cardíacas abafadas, pulso paradoxal de Kussmaul (diminuição da amplitude do pulso à inspiração profunda), eletrocardiograma com complexos de baixa voltagem, radiografia de tórax com aumento de área cardíaca (frequentemente não é um grande aumento).
108
Tamponamento cardíaco?
Resulta mais comumente de ferimentos penetrantes, principalmente na perigosa área de Ziedler. Funciona como choque hipovolêmico, com restrição de enchimento das câmaras cardíacas direitas, diminuindo a pré-carga e o retorno venoso, levando à restrição diastólica.
109
Contusão cardíaca e derrame pericárdico?
O trauma contuso pode causar derrame pericárdico de sangue proveniente do coração, dos grandes vasos ou dos vasos pericárdicos. Em casos de esmagamento ou perfurações por pontas ósseas, o quadro é mais grave, com limitação da diástole ventricular e grande déficit da “bomba” cardíaca, mesmo quando a quantidade de sangue derramado é pequena.
110
Tríade de Beck e sinais clínicos?
A suspeita clínica é caracterizada pela tríade de Beck: elevação da pressão venosa central (PVC), diminuição da pressão arterial e abafamento das bulhas cardíacas (este último ausente no tamponamento cardíaco agudo). Podem ocorrer também estase jugular, pulso paradoxal, dispneia, taquicardia e cianose de extremidades, sendo que os dois primeiros sinais podem estar ausentes ou ser confundidos com pneumotórax hipertensivo.
111
Em que se baseia a gravidade dos traumatismos abdominais?
Na possível existência de uma lesão visceral, capaz de produzir alterações graves como peritonites ou hemorragias.
112
Quais complicações imediatas e tardias podem ocorrer nas lesões traumáticas abdominais?
Morte imediata por hemorragias e choque ou morte tardia por infecção.
113
Com quais lesões os traumatismos abdominais geralmente estão associados?
Muitas vezes com lesões torácicas.
114
O trauma abdominal pode ser de quais tipos?
Fechado ou aberto.
115
Quais são exemplos de traumas abdominais fechados diretos?
Lesões por impacto contra o cinto de segurança em acidentes.
116
Quais são exemplos de traumas abdominais fechados indiretos?
Lesões por aceleração/desaceleração em acidentes de trânsito, quedas de altura ou colisões.
117
O que caracteriza o trauma abdominal aberto penetrante?
Penetração da parede abdominal por objetos, projéteis, armas brancas ou esmagamentos, podendo atingir ou não vísceras.
118
O que caracteriza o trauma abdominal aberto perfurante?
Quando há envolvimento visceral, com lesão de víscera oca ou maciça.
119
O que é evisceração?
Saída de vísceras abdominais, como intestino, por ferimentos penetrantes, principalmente por arma branca.
120
O que é a ruptura em dois tempos?
Hemorragia inicialmente contida por uma carapaça, que se rompe horas depois, levando a uma hemorragia fatal, comum em traumatismos do baço.
121
Qual é o sintoma mais evidente nas vítimas de trauma abdominal?
A dor abdominal, causada tanto pelo trauma direto na parede abdominal, como pela irritação do peritônio, devido à presença de sangue ou conteúdo das vísceras ocas que extravasam.
122
Quais são os principais sinais de choque hipovolêmico no trauma abdominal?
Palidez, sudorese fria, pulso rápido e fino ou ausente, cianose de extremidades, hipotensão arterial.
123
Quais sinais indicam lesão abdominal?
Fratura de costelas inferiores, equimoses, hematomas, ferimentos na parede do abdômen, abdômen escavado, evisceração, arroxeamento da bolsa escrotal, sangramento pela uretra, reto ou vagina associados a fraturas da pelve.
124
Qual é a prioridade de tratamento no trauma abdominal?
A hemorragia, por ser causa de morte nas primeiras horas. Nenhum tratamento pré-hospitalar vai contê-la, sendo necessário transporte rápido.
125
Quais medidas devem ser tomadas pelos socorristas para minimizar os danos do estado de choque?
Desobstruir vias aéreas, ministrar oxigênio a 12 ou 15 l/min, elevar membros inferiores, aquecer a vítima, controlar hemorragias externas e imobilizar fraturas, usar calça antichoque quando disponível e autorizada.
126
Como deve ser feito o atendimento em casos de evisceração abdominal?
Limpar as vísceras com soro fisiológico, cobri-las com plástico esterilizado ou compressas úmidas, nunca tentar reintroduzir no abdômen.
127
O que deve ser feito quando objetos permanecem introduzidos no abdômen?
Nunca retirá-los; devem ser cortados, se necessário, e protegidos para não se moverem durante o transporte. A remoção só deve ser feita em centro cirúrgico.
128
Classes do Choque Hipovolêmico (Classe I – Perda leve)
- Perda volêmica: até 15% da volemia total (≈ até 750 mL em um adulto de 70 kg). - Sinais: geralmente mínimos ou ausentes. - PA normal - FC normal ou discretamente aumentada: <100BPM - Perfusão periférica preservada - FR: 14 - 20 -Debito Urinário (ml/h): ≥30 - Estado mental: normal - Comentário: o organismo compensa bem.
129
Classes do Choque Hipovolêmico (Classe II – Perda moderada)
- Perda volêmica: entre 15 a 30% da volemia (≈ 750–1500 mL). - Sinais: já aparecem compensações claras. - FC > 100 bpm (taquicardia) - PA ainda pode estar normal (graças à vasoconstrição) - FR aumentada (20–30 irpm) -Debito Urinário (ml/h): 20-30 - Perfusão periférica comprometida (pele fria, pálida, sudorese) - Estado mental: ansiedade, inquietação - Comentário: o corpo tenta manter pressão e perfusão por mecanismos compensatórios.
130
Classes do Choque Hipovolêmico (Classe III – Perda grave)
- Perda volêmica: entre 30 a 40% da volemia (≈ 1500–2000 mL). - Sinais: descompensação começa a ficar evidente. - FC > 120 bpm - PA começa a cair - FR elevada (30–40 irpm) - Perfusão periférica muito comprometida (pele fria, sudorese intensa, enchimento capilar lento) -Debito Urinário (ml/h): 5-15 - Estado mental: confusão, agitação - Comentário: é necessária reposição volêmica rápida (soro, sangue).
131
Classes do Choque Hipovolêmico (Classe IV – Perda maciça)
- Perda volêmica: mais de 40% da volemia (> 2000 mL). - Sinais: choque descompensado. - FC > 140 bpm (ou até bradicardia terminal) - PA muito baixa (hipotensão grave) - FR > 35–40 irpm (ou irregular, podendo evoluir para apneia) - Perfusão periférica ausente (pele marmórea, fria, cianótica) -Debito Urinário (ml/h): Praticamente ausente -Estado mental: letargia, torpor, inconsciência - Comentário: risco altíssimo de morte, exige reposição volêmica e transfusão imediata, além de suporte avançado.
132
O que são os traumas em extremidades no cenário pré-hospitalar?
Os traumas em extremidades são lesões muito comuns no cenário pré-hospitalar. Fraturas, luxações e entorses ocorrem dependendo da energia envolvida no momento do acidente e nem sempre são fáceis de reconhecer.
133
O que deve ser feito mesmo na suspeita de lesão em extremidades?
Todavia, a simples suspeita de uma lesão já acarreta a necessidade de imobilização, e se houver tempo na cena, realizar o procedimento é necessário, uma vez que os traumatismos podem ser agravados sem a devida estabilização.
134
O que é uma fratura e como pode ocorrer?
A fratura é a ruptura total ou parcial de um segmento ósseo produzida por trauma direto ou indireto, de alta ou baixa energia, que causa lesões médias e graves. Ela pode ocorrer de diversas formas.
135
Como as fraturas geralmente são classificadas?
As fraturas geralmente são divididas de duas formas: expostas (abertas) ou fechadas (internas).
136
O que caracteriza uma fratura exposta?
A fratura exposta ocorre quando a integridade da pele é comprometida. Na maior parte das vezes o osso está exposto ao ambiente. Ainda que o osso tenha retornado de fora para dentro do tecido muscular e da pele, esta ainda será classificada como fratura aberta.
137
Tipos de fraturas
1- transversal: A linha de fratura é perpendicular ao eixo do osso; 2- oblíqua: A linha de fratura ocorre em um ângulo oblíquo em relação ao eixo do osso; 3- espiral: Ocorre um trauma com torção, e a linha de fratura forma um padrão de espiral. 4- em galho verde: O osso se dobra e racha apenas de um lado, comum em crianças devido à flexibilidade dos ossos; 5- cominutiva: O osso se fragmenta em três ou mais pedaços; 6- exposta: O osso quebrado perfura a pele, deixando o osso exposto. É mais suscetível a infecções; 7- deslocamento oblíquo: Os fragmentos ósseos não estão mais em seu alinhamento natural; 8- avulsão: Um pedaço de osso é arrancado por um tendão devido a uma forte contração muscula; 9- segmentada: O osso é quebrado em dois locais separados, criando um pedaço de osso isolado no meio.
138
O que são luxações?
A luxação é o desalinhamento das extremidades ósseas numa articulação, tendo como consequência a perda do contato entre as superfícies articulares.
139
O que é uma entorse?
A entorse é a distensão brusca de uma articulação além do seu grau normal de amplitude (esse efeito pode lesionar os ligamentos daquela região).
140
Quais sinais e sintomas são comuns a fraturas, entorses e luxações?
Dor, edema, deformidade, impotência funcional no membro atingido e alterações motoras, sensitivas e vasculares.
141
Qual é o mnemônico para fraturas e o que significa?
Mnemônico DEDICREF: Dor, Edema, Deformidade, Impotência funcional, Crepitação, Fragmentos ósseos.
142
Qual é o mnemônico para entorses e luxações?
Mnemônico DEDI: Dor, Edema, Deformidade, Impotência funcional.
143
Quais lesões associadas a fraturas requerem atenção especial?
Quantidade de ossos lesionados, hemorragia interna, fratura exposta, amputação traumática, síndrome compartimental e síndrome de esmagamento são algumas que necessitam de atenção.
144
Quais fraturas podem causar grandes hemorragias internas?
Uma fratura de pelve ou uma fratura bilateral de fêmur já são suficientes para levar o paciente a um quadro de choque hipovolêmico.
145
Estimativa de perda interna de sangue associada a fraturas.
1- Arco costal 125 mL; 2- Rádio ou ulna 250-500 mL; 3- Úmero 500-750 mL; 4- Tíbia ou fíbula 500-1000 mL; 5- Fêmur 1000-2000 mL 6- Pelve 1000-maciça mL. Obs.: Tomar como base de parâmetro para comparação que um adulto tem, em média, entre 5.000 mL e 6.000 mL de volume total de sangue.
146
Quais são as Classificações dos ferimentos?
1- Profundidade: superficiais ou profundos; 2- Complexidade: simples ou complicado; 3- Contaminação: limpo ou contaminado; 4- Natureza do agente agressor: Agente física (PAB, PAF) ou químico (solda caustica).
147
O que deve ser feito nas fraturas expostas?
Deve-se realizar o controle de hemorragias, manter o local higienizado, tentar realinhar o membro (sem forçar e sem colocar fragmentos para dentro) e imobilizar com uma tala. Se não for possível alinhar, preencher os espaços vazios ao redor da lesão e imobilizar na posição encontrada.
148
O que deve ser feito em amputações traumáticas?
O socorrista deve aplicar torniquete quando houver sangramento volumoso e ativo. Caso controlado, evitar manipulação excessiva, limpar sujidades, prestar apoio psicológico, procurar o membro após a avaliação primária e acondicioná-lo em gaze umedecida com soro fisiológico dentro de um recipiente com gelo, sem contato direto com o gelo.
149
O que deve ser feito quando um membro está preso na cena?
O socorrista deve solicitar apoio de outras equipes de bombeiro para liberação do membro. Se não for viável, considerar presença de Suporte Avançado de Vida com médico habilitado para amputação em cena.
150
Quais sinais sugerem síndrome compartimental ou de esmagamento?
Além da dor, podem ocorrer parestesias (formigamento, ardência, sensação de agulhadas), ausência de pulso, palidez, paralisia e tempo prolongado do membro preso.
151
O que é rabdomiólise e quais complicações pode gerar?
A rabdomiólise é a destruição muscular intensa com liberação de mioglobina e potássio no sangue, podendo causar insuficiência renal, hipercalemia, arritmias fatais e choque.
152
O que são talas moldáveis?
São talas que podem ser moldadas e ajustadas ao membro, como talas aramadas, a vácuo, de papelão, travesseiros e cobertores. Elas preenchem curvas anatômicas, sendo úteis em tornozelo, punho e ossos longos.
153
O que são talas rígidas?
São talas utilizadas para corpo inteiro ou ossos longos, feitas de madeira, plástico ou metal. Algumas têm ajuste de comprimento. Nesse grupo inclui-se também a prancha rígida longa.
154
O que são talas de tração?
São dispositivos produzidos para manter tração mecânica em fraturas de fêmur. Seu uso é controverso e não recomendado rotineiramente.
155
Qual a sequência A.L.I.C.I.A no atendimento de lesões em extremidades?
A = Aparição; L = Localização; I = Intensidade; C = Cronologia; I = Incremento; A = Alívio.
156
Após expor o membro, o que deve ser feito?
Realizar palpação do membro e verificar pulso, perfusão, sensibilidade e motricidade.
157
Após imobilizar o membro, o que deve ser feito?
Verificar novamente pulso, perfusão, sensibilidade e motricidade.
158
O que o socorrista deve evitar ao testar motricidade em lesão evidente?
Não deve testar de forma imprudente para não agravar. Se optar, deve usar proporcionalidade e solicitar apenas que o paciente tente mover vagarosamente as falanges distais.
159
Qual o potencial da imobilização provisória de membros fraturados, luxados ou com entorses?
Minimizar a dor, restabelecer a função vascular, além de prevenir lesões adicionais e exacerbar agravos já existentes.
160
O que deve ser feito com o membro antes da avaliação e imobilização?
O membro deve ser todo exposto para avaliação e imobilização.
161
Se houver hemorragia associada a uma fratura, qual deve ser a conduta inicial?
Tratar a hemorragia imediatamente e, após concluídos os passos “ABCD”, tratar a queixa principal.
162
Como deve ser escolhido o material de imobilização?
Deve-se escolher o material mais adequado, ajustando cada tipo e tamanho de tala a cada tipo de lesão.
163
O que deve ser inspecionado antes e depois de cada imobilização?
Pulso, perfusão, sensibilidade e motricidade (P.P.S.M.).
164
Quantos socorristas devem realizar a imobilização e qual a função de cada um?
A imobilização deve ser realizada por pelo menos dois socorristas: um realiza a manipulação cautelosa do membro lesionado e o outro faz a imobilização.
165
Quantas tentativas de alinhamento do membro são recomendadas e o que fazer se houver resistência ou dor?
Deve-se tentar alinhar o membro por, no máximo, duas vezes; se houver resistência, dor ou não for possível, imobilizar o membro da forma como ele se apresenta.
166
Quais são os objetivos das tentativas de alinhamento do membro lesionado?
Facilitar uma imobilização mais eficaz; aliviar a dor; diminuir o sofrimento muscular, vascular e nervoso dos tecidos (principalmente dos membros com fratura angulada); melhorar o prognóstico de recuperação; e favorecer o restabelecimento da perfusão.
167
O que não se deve fazer em relação a fragmentos ósseos durante a imobilização?
Não se deve tentar colocar fragmentos ósseos para o interior das lesões. Se durante um alinhamento algum osso retornar espontaneamente para dentro do tecido muscular, não há preocupação, mas não se deve forçar caso haja resistência.
168
Pode-se tentar reduzir luxações e entorses durante o atendimento pré-hospitalar?
Não. Luxações e entorses devem ser imobilizadas na posição encontrada. Se ocorrer redução durante o procedimento, deve-se comunicar o médico da unidade receptora.
169
Como deve ser realizada a pegada por um dos socorristas ao imobilizar um membro?
Deve ser sempre em pinça (C): o polegar ficará em cima e os demais dedos sustentarão o peso do membro e receberão a tala moldável.
170
Qual deve ser a sequência para tensionar e alinhar um membro inferior lesionado?
O membro deve ser primeiro tensionado e alinhado rente ao solo e só depois suspenso.
171
Como deve ser feita a colocação da tala em relação ao membro lesionado?
Deve-se alinhar a tala até a ponta dos dedos, sem que falte ou sobre.
172
Durante a estabilização de um segmento lesionado, o que deve ser imobilizado além do osso fraturado?
Uma articulação acima e outra abaixo do segmento.
173
Em que direção deve ser feito o enfaixamento para fixar a tala?
Sempre do sentido distal para o proximal.
174
Quando é indicado o uso da tala de tração?
Em casos de fratura de diáfise de fêmur no terço médio.
175
Quais são as contraindicações do uso da tala de tração?
Fratura exposta de fêmur; suspeita de fratura pélvica; fratura da epífise distal ou proximal do fêmur; fratura de tíbia ou fíbula; amputação parcial ou total do membro.
176
Como também podem ser chamadas as fraturas do anel pélvico?
De fraturas do anel pélvico, em referência ao formato circular da estrutura.
177
Qual dispositivo é indicado para fraturas pélvicas?
A cinta pélvica.
178
ual recurso pode substituir a cinta pélvica em situações de urgência?
Um lençol limpo e dobrado longitudinalmente, aplicado firmemente sobre a pelve.
179
Como deve ser aplicado o lençol em casos de fratura pélvica?
Deve ser posicionado na altura dos grandes trocânteres, ajustado com firmeza, sem apertar excessivamente o abdome, garantindo estabilização da pelve.
180
Durante a avaliação da pelve, o que não deve ser feito?
Não se deve realizar pressão na região superior da pelve, pois pode agravar o quadro e aumentar o sangramento.
181
Qual a mortalidade associada às fraturas expostas do anel pélvico?
Pode exceder 50%.
182
Qual deve ser a conduta de transporte do paciente com suspeita de fratura pélvica?
O paciente deve ser mobilizado em prancha rígida, com movimentos coordenados e cuidadosos, mantendo estabilização da pelve com cinta ou lençol, evitando movimentações desnecessárias.
183
O que é choque circulatório?
O termo choque circulatório se refere a uma falha grave na circulação, onde há o desequilíbrio entre a oferta e a demanda de nutrientes a nível celular. No choque, uma falha grave em algum componente do sistema circulatório acarreta hipoperfusão sistêmica e, consequentemente, hipóxia podendo evoluir para anoxia (ausência do nível de oxigênio). Comumente, observa-se a falha grave relacionada à disfunção cardíaca, hipovolemia, vasoplegia ou um mecanismo de obstrução.
184
Quais são os tipos principais de choque circulatório?
Choque hipovolêmico, cardiogênico, distributivo e obstrutivo. Obs.: Nos choques hipovolêmico, cardiogênico e obstrutivo ocorre vasoconstrição.
185
Sinais e sintomas do choque
1- Sistema nervoso: alteração do nível de consciência, confusão mental, comportamento estranho, agressividade, desorientação, e agitação; 2- Sistema cardiovascular: Taquicardia, hipotensão, enchimento capilar lento (>2s), pressão de pulso diminuída; 3- Sistema respiratório: Taquipneia, desconforto respiratório, baixa saturação periférica de oxigênio (SpO2); 4- Outros: Sudorese, pele fria e pegajosa; 5- Choque anafilático: tosse, prurido (coceira), edema, rash cutâneo (manchas na pele); 6- Choque séptico: febre (infecção) Pressão de pulso (pressão arterial sistólica-diastólica) diminuída
186
Sinais clínicos de choque
1- Hipovolêmico: PA → normal ou alterada; Temp da pele → fria, úmida e pegajosa; Coloração da pele → pálida e cianótica; Nível de consciência → Alterado; FC → aumentada; Temp de enchimento capilar → >2 seg. 2- Neurogênico: PA → normal ou diminuída; Temp da pele → quente e seca; Coloração da pele → rosada; Nível de consciência → Alerta e orientado; FC → diminuída; Temp de enchimento capilar → <2 seg. 3- Cardiogênico: PA → normal ou diminuída; Temp da pele → fria, úmida e pegajosa; Coloração da pele → pálida e cianótica; Nível de consciência → Alterado; FC → aumentada; Temp de enchimento capilar → >2 seg. 4- Obstrutiva: PA → normal ou diminuída; Temp da pele → fria, úmida e pegajosa; Coloração da pele → pálida e cianótica; Nível de consciência → Alterado; FC → aumentada; Temp de enchimento capilar → >2 seg.
187
Qual é a fisiopatologia geral do choque?
1º difusão metabólica; 2º morte celular (necrose); 3º falência orgânicas múltiplas; 4º Óbito do paciente.
188
Qual é a porcentagem aproximada de sangue em relação ao peso corporal?
Cerca de 7 a 8% do peso. Em um adulto de 70 kg ≈ 5 litros de sangue.
189
Relação entre perda volêmica e fratura
1- fratura de fêmur: Entre 1.000 e 2.000 mL, devido à grande musculatura e vasos calibrosos; 2- fratura de pelve: pode causar perda de até 3.000 mL ou mais de sangue; 3- fratura de tíbia: Entre 500 e 1.000 mL; 4- fratura de úmero: De 250 a 750 mL; 5- atura de antebraço: De 250 a 500 mL; 6- fratura instável de coluna: Pode variar, chegando a mais de 1.500 mL, com extravasamento retroperitoneal. Obs.: fraturas de fêmur e pelve apresentam maior risco de choque hipovolêmico.
190
O que caracteriza o choque hipovolêmico?
É causado pela baixa concentração de volume intravascular.
191
Quais são as subdivisões do choque hipovolêmico?
Choque hemorrágico (endógenas), causado por perda substancial de volume sanguíneo (frequentemente traumático, mas também digestivo); e choque não hemorrágico (exógenas), resultante de intensa perda de líquidos e eletrólitos (diarreia, vômitos, queimaduras).
192
O que caracteriza o choque cardiogênico?
Origina-se no coração, com falha cardíaca grave, infarto agudo do miocárdio extenso ou insuficiência cardíaca. Além de diminuir o retorno venoso e do enchimento das câmaras cardíacas.
193
Quais são os sinais clínicos do choque cardiogênico?
1- Cardiopatia; 2- Hipotensão; 3- Vasoconstrição; 4- Oligúria; (↓ volume de urina) 5- Pressão venosa central elevada; 6- Distensão/Estase das veias do pescoço. (Jugular externa).
194
Qual é o tratamento e o medicamento para os choque cardiogênico?
1- Tratamento: Remoção da causa mecânica (cateterismo cardíaco e angioplastia com stent); 2- Medicamentoso: Opioides (morfina), diuréticos (lasix, furosemida), vasodilatadores (isordil, sublingual), agentes betabloqueadores (atenolol, propanolol).
195
O que caracteriza o choque distributivo?
O sangue é ejetado e retorna ao coração pelos vasos, mas ocorre vasodilatação intensa, comprometendo a circulação efetiva.
196
Quais tipos de choque distributivo são mais frequentes no atendimento pré-hospitalar?
Choque anafilático, choque neurogênico e choque séptico. Obs.: esses choques podem causar alterações em vários sistemas.
197
O que é choque anafilático?
gerado por reação de hipersensibilidade a um agente alergênico, provocando vasodilatação e hipotensão. Pode ser causado por medicações, alimentos ou picadas de insetos. Obs.: Há um aumento de produção de histamina.
198
O que é choque neurogênico?
Ocorre por lesão medular que acarreta perda da inervação da musculatura lisa dos vasos sanguíneos, causando hipotensão abaixo da lesão. Mais comum em trauma, mas também pode ocorrer em induções anestésicas. Obs.: nesse tipo de choque ocorre a perda de controle autonômico (SNA).
199
Fisiopatologia do choque neurogênico?
Diminuição do tônus venoso, da pressão venosa, das pressões de enchimento do coração e do DC. Ou seja, tudo vai tá baixo.
200
Sinais clínicos/manifestações clínicas do choque neurogênico?
1- Lesão neurológica; 2- Taquicardia/Bradicardia (pq tem a perda do controle autonômico); 3- Hipotensão; 4- Vasodilatação; 5- Alteração da PIC.
201
Tratamento e medicamentoso para o choque neurogênico?
1- mudanças de posturais, por causa da PIC, sendo que a cabeça fica mais elevada (semi-fowler 30º a 45º); 2- vasoconstritores, por causa da vasodilatação.
202
O que é choque séptico?
É causado pela presença de microrganismos (bactérias ou fungos) ou suas toxinas na corrente sanguínea, desencadeando intensa resposta inflamatória, vasodilatação e hipotensão. Obs.: causa infecções graves
203
Fisiopatologia do choque séptico?
1- Efeitos vasoativos das endotoxinas: Diminuição da resistência vascular periférica; Aumento do retorno venoso (por causa da febre); Aumento do DC. Estado hiperdinâmico. 2- Bloqueio celular da utilização de O2. (hipoxia, anoxia e necrose) Obs.: o organismo vai compensar as demandas do corpo para manter a homeostase.
204
Sinais clínicos/manifestações clínicas do choque séptico?
1- infecção ativa (febre); 2- taquicardia. 3- PA normal; 4- vasodilatação cutânea; 5- vias do percolo normais; 6- taquipneia.
205
Tratamento e medicamentosos
1- tratamento da infecção (antibioticoterapia); 2- drogas vasoativas; 3- reposição volêmica.
206
O que é choque obstrutivo?
Causado por bloqueio mecânico que aumenta a pós-carga ou limita a capacidade de relaxamento cardíaco. Exemplos: tamponamento cardíaco, pneumotórax hipertensivo e tromboembolismo pulmonar. Alguns autores classificam como cardiogênico de origem extrínseca. Divide-se em trombo (fixo) e embolo (móvel).
207
Qual é o efeito de uma falha grave no sistema circulatório sobre outros sistemas?
A anormalidade em algum sistema orgânico tem o potencial de causar impactos significativos em outros sistemas, gerando hipoperfusão e prejudicando órgãos e tecidos.
208
O que caracteriza o choque endócrino/adrenal?
Deficiência hormonal (cortisol/aldosterona) levando a incapacidade de manter pressão arterial.
209
Quais são os sinais clínicos do choque endócrino/adrenal?
1- Hipotensão refratária; 2- hiponatremia (baixo sódio); 3- hipercalemia (alto potássio); 4- desidratação.
210
Qual é a Tríade do choque?
Falha circulatória → Hipoperfusão → Hipóxia (↓ O2)
211
O que é débito cardíaco (DC) e como é calculado?
É a quantidade de sangue expelida do ventrículo esquerdo, obtida pelo produto do volume sistólico (VS) pela frequência cardíaca (FC): DC = VS x FC. Um adulto saudável tem média de 5 L/min. Obs.: o DC <4000 L/min é considerado baixo.
212
Como o choque afeta o débito cardíaco?
O choque provoca diminuição do débito cardíaco, levando à hipoperfusão e hipóxia sistêmica.
213
Qual é o mecanismo comum de morte celular no choque?
Isquemia que força a célula a substituir o metabolismo aeróbio pelo anaeróbio, produzindo pouco ATP e ácido lático, causando acidemia.
214
Qual é o efeito do ácido lático e da acidemia no organismo?
O ácido lático diminui o pH sanguíneo (normal: 7,35–7,45), e valores abaixo de 6,8 ou acima de 8,0 são incompatíveis com a vida.
215
Como a progressão do choque afeta a microcirculação?
A intensa resposta inflamatória reduz a microcirculação, provoca edema e agrava a depleção de oxigênio celular.
216
Por que o choque circulatório é considerado um círculo vicioso?
Porque a hipóxia agrava a falha circulatória, que piora a hipoperfusão, reforçando ainda mais a hipóxia.
217
O que é homeostase e qual sua relação com o choque circulatório?
A todo momento, o organismo busca manter os processos fisiológicos para a manutenção da vida. A isso se dá o nome de homeostase. Sob qualquer condição adversa, mecanismos de compensação são ativados para tentar equilibrar o sistema orgânico.
218
Quais são as principais características do choque circulatório?
As principais características do choque circulatório são a diminuição do débito cardíaco, da pressão arterial e do débito urinário (oligúria), acidose devido a falta de oxigênio, predominância do metabolismo anaeróbico produzindo bastante ácido lático, taquicardia e taquipneia, ativando mecanismos reflexos compensatórios para manter as funções vitais. Obs.: Mnemônico 2T, 2H e 1S (hipotensão, hipotermia, taquicardia, taquipneia e sudorese)
219
Qual é o efeito do aumento da atividade simpática? (mecanismos compensatórios do choque)
O aumento da atividade simpática eleva a frequência e a contratilidade cardíaca, provoca vasoconstrição de arteríolas e veias, mantém o débito cardíaco e aumenta a pressão arterial por maior resistência vascular periférica.
220
Como a vasoconstrição renal contribui para a pressão arterial?
A vasoconstrição das arteríolas renais provoca diminuição do fluxo sanguíneo renal e ativa o sistema renina-angiotensina-aldosterona, aumentando a reabsorção de sódio e água, ajudando a manter a pressão arterial.
221
Qual é o papel da vasopressina no choque circulatório?
A vasopressina aumenta a retenção de água e atua na manutenção da pressão arterial por meio da vasoconstrição.
222
Que sinais físicos indicam mecanismos compensatórios ativos?
Alteração na qualidade do pulso periférico (inclusive ausência), palidez, aumento do tempo de reenchimento capilar periférico e diminuição do débito urinário. Acidose ativa aumento da frequência e profundidade da ventilação.
223
O que é o Diamante Letal do Trauma (DLT)?
Composto por coagulopatias, acidose, hipotermia e hipocalcemia. Aperfeiçoamento da Tríade Letal do Trauma, incluindo a hipocalcemia.
224
O que é coagulopatia?
Condição em que há falência dos mecanismos de coagulação. O indivíduo sangra e não coagula adequadamente, podendo perder plaquetas e fatores de coagulação.
225
Como a acidose prejudica a coagulação?
O metabolismo anaeróbio aumenta ácido lático, diminuindo o pH sanguíneo e inibindo a atividade de fatores de coagulação e plaquetas, que funcionam melhor com pH normal (7,4).
226
Como a hipotermia influencia a coagulação?
A baixa temperatura corporal diminui a atividade enzimática da cascata de coagulação, podendo ocorrer por sangramento, ambiente frio ou vestes molhadas.
227
Qual a importância do cálcio e o efeito da hipocalcemia?
O cálcio participa da contratilidade muscular, vasoconstrição, hemostasia e coagulação. Hipocalcemia afeta funções orgânicas essenciais, especialmente hemostasia. Pode ser causada por perda sanguínea ou transfusão com citrato.
228
Quais alterações mentais indicam má perfusão cerebral?
Agitação, ansiedade, comportamento agressivo, desorientação e confusão mental. O nível de consciência é um importante indicador de gravidade.
229
Quais técnicas de controle de sangramentos externos são usadas pelo CBMDF?
Pressão direta comum, pressão direta por preenchimento de ferida e torniquetes de membros.
230
Como manter a permeabilidade das vias aéreas?
Aspiração de sangue e secreções, manobra de abertura, preferência por cânulas rígidas de grosso calibre. Se sem equipamento, lateralizar o paciente cuidadosamente.
231
O que avaliar na respiração do paciente?
Inspeção e palpação do tórax, deformidades ou ferimentos, frequência e profundidade da ventilação. Em acidose, há aumento compensatório da ventilação.
232
Quais sinais hemodinâmicos indicam choque circulatório?
Pulso periférico rápido e fraco, pressão de pulso reduzida, pressão arterial baixa, tempo de enchimento capilar lento, palidez, pele fria.
233
Por que não se deve negligenciar a circulação mesmo sem sangramentos externos?
Pode indicar sangramento interno e instabilidade hemodinâmica. Reconhecer precocemente evita atrasos no transporte.
234
Como o nível de consciência evolui durante o choque?
Primeiro sintomas: ansiedade e agressividade; depois desorientação e confusão mental. Pode ser avaliado com a Escala de Coma de Glasgow.
235
Por que expor o paciente durante a avaliação?
Permite visualizar lesões ocultas e garante proteção térmica. Proteja o paciente com mantas, pois hipotermia prejudica coagulação e pode precipitar coagulopatias.
236
O que é o Índice de Choque?
O Índice de Choque vem cada vez mais sendo utilizado como preditor desse sangramento e servindo como auxiliar da decisão sobre a transfusão. O Índice de Choque (IC) é obtido a partir da divisão da frequência cardíaca (FC) pela pressão arterial sistólica (PAS), como visto: IC = FC (batimentos/min) / PAS (mmHg). Assim, um paciente com FC de 95 bpm e PAS 120 mmHg, tem IC de 0,79. Campos-Serra (2018) apontam um IC maior ou igual a 0,8 como indicativo de sangramento. O IC maior que 1 indica lesão importante, como necessidade de transfusão.
237
Quais são os tipos de hemorragias?
1- Hemorragia arterial: coloração do sangue → vermelho vivo e forma de saída sanguínea → jato pulsátil; 2- Hemorragia venosa: coloração do sangue → vermelho escuro e forma de saída sanguínea → contínuo e lento; 3- Hemorragia capilar: coloração do sangue → vermelho médio e forma de saída sanguínea → gotejando pelo ferimento.
238
Técnicas de controle de hemorragia: pressão direta sobre o ferimento
Provavelmente a mais antiga e utilização técnica de controle de sangramentos. Pode ser realizada unicamente com a mão, enluvada, mas preferencialmente deve ser executada com gaze. Panos limpos também devem ser considerados. A pressão deve ser realizada entre 5 e 10 minutos. Caso haja sangramento associado a um objeto encravado, a pressão deve ser realizada nas bordas da ferida, sem que se retire o objeto.
239
Técnicas de controle de hemorragia: preenchimento de ferida
Uma técnica que utiliza a pressão como mecanismo de controle do sangramento, porém realizando o preenchimento da ferida quando ela é cavitária, utilizado, sobretudo, em áreas juncionais como virilha, axila e pescoço. Toda a cavidade da ferida deve ser preenchida com gaze inteiriça. Não é recomendado o preenchimento com gazes comuns soltas. Para essa técnica, dá-se preferência para utilização de gazes com agentes hemostáticos. Nesse caso (agente hemostático), após o preenchimento, exerça forte pressão sobre a ferida por pelo menos 3 minutos.
240
Gazes com agentes hemostáticos
Esses materiais são impregnados de substância que potencializa a hemostasia fisiológica. Existem diversos produtos disponíveis no mercado. No Brasil, devido ao seu custo unitário elevado, está indisponível na maioria dos serviços. Todavia, ainda que não existam estudos disponíveis sobre o custo-efetividade dessa tecnologia, é plausível pensar que um controle de hemorragia mais rápido e efetivo diminuirá custos com transfusão, internação e cuidados intensivos. É um material amplamente utilizado no ambiente de combate, tais como atividades das forças armadas ou policiais, que devido à observação de sua utilidade nesses campos foi também incorporado no APH urbano.
241
Gazes hemostáticas – tipos: Caulim
O caulim é um mineral (silicato de alumínio) que promove a hemostasia por meio da ativação da via de coagulação intrínseca na cascata de coagulação, ou seja, é um ativador de fatores pró-coagulantes. Por agir justamente na cascata de coagulação, acredita-se que não poderia haver utilização de gazes com caulim em pacientes com coagulopatias porque grandes sangramentos levam consigo esses fatores. Porém, não há confirmação dessa hipótese.
242
Gazes hemostáticas – tipos: Quitosana
É um polissacarídeo encontrado em mariscos, como o camarão. Sua ação se dá pela aglutinação de células sanguíneas no local do ferimento, promovendo assim a hemostasia. Diferente do caulim, a quitosana não depende da cascata de coagulação. Importante citar que, independentemente da gaze hemostática utilizada, elas não substituem a necessidade de forte pressão sobre a ferida.
243
Torniquete de membros – recomendações gerais
1. Torniquetes devem ser utilizados em qualquer sangramento exsanguinante em membros, inclusive como primeira técnica adotada. Torniquetes improvisados são contraindicados. 2. O torniquete deve ser aplicado de 5 a 7 cm acima da lesão (4 dedos). Caso não seja possível, aplica-se o mais próximo da raiz do membro. 3. Se inefetivo, recomenda-se um segundo torniquete. 4. Não utilizar sobre articulações. 5. Pode ser usado em crianças se compatível com a circunferência. 6. Profissionais devem ser treinados no modelo da instituição. 7. A aplicação deve ser vigorosa até cessar o sangramento e interromper pulsos periféricos. 8. Avisar que o procedimento é doloroso, mas não interromper. 9. Seguro por 120–150 minutos; priorizar transporte. Não afrouxar no APH urbano. 10. Não reutilizar torniquetes, pois fabricantes não garantem efetividade.
244
O Ácido Tranexâmico (ATX)
O ATX é uma droga antifibrinolítica, ou seja, inibe a fibrinólise (quebra da fibrina). Sempre que formamos coágulo, é necessário que ocorra fibrinólise para sua eliminação. Entretanto, em indivíduos que sangram muito essa fibrinólise pode se tornar exagerada e, com isso, os coágulos formados serão dissolvidos. Isso não é uma resposta desejável em quem está sangrando. A utilização do ATX se explica para que coágulos não sejam instabilizados e se dissolvam. A manutenção desses coágulos previne a perda de mais fatores de coagulação e desenvolvimento de coagulopatia. O Guidance Document for the Prehospital Use of Tranexamic Acid in Injured Patients (Fisher et al, 2016), recomenda a administração do ATX em pacientes com sangramento não compressível (ferimentos penetrantes de tórax e abdômen) ou trauma instável da pelve, associados a FC maior que 120 bpm e PAS menor que 90 mmHg.
245
diferentes locais de saída com sangue
1- Hematêmese = saída de sangue pelo vômito 2- Enterorragia = presença de sangue vivo na evacuação (somente sangue, sem a presença de fezes). A enterorragia é um sinal de hemorragia digestiva grave (intestinal), que pode ter origem em qualquer ponto do trato gastrointestinal. 3- Melena = é o sangue escurecido e digerido que sai pelo ânus junto com as fezes, após ter se misturado ao suco gástrico (bastante fétido). 4- Hematoquezia = presença de sangue vivo nas fezes; 5- Hemoptiase = saída de sangue pela tosse / escarro. Proveniente do pulmão.
246
O que são as queimaduras e quais os principais tecidos que podem ser destruídos?
As queimaduras são lesões causadas por diversos agentes. Elas ocorrem principalmente sobre o revestimento do corpo, podendo destruir não só a pele como também os tecidos internos. Esse fenômeno leva à morte celular, principalmente na região afetada.
247
Quais são as principais funções da pele no corpo humano?
A pele cobre aproximadamente de 1 a 2 metros quadrados de área corporal em um adulto médio. Ela desempenha importantes funções no corpo humano, tais como proteção, termorregulação, sensibilidade, excreção e metabolismo.
248
Quais são as duas camadas da pele e suas características principais?
A epiderme (camada mais externa) é uma região avascularizada e formada por epitélio estratificado. A derme (segunda camada da pele) é a mais espessa (em média dez vezes mais que a epiderme) e é formada por tecido conjuntivo, colágeno e elastina.
249
Quais são os agentes térmicos que podem causar queimaduras?
Agentes térmicos ocasionam queimaduras pelo contato do corpo humano com materiais que apresentam variação excessiva de temperatura. Estes podem ser sólidos, líquidos ou gases superaquecidos. Exemplos: contato com panelas aquecidas, brasas, água fervente, lesão pelo frio.
250
Quais são os tipos de agentes causadores de queimaduras?
Os agentes causadores de queimaduras podem ser: térmicos, químicos, eletricidade (eletrocussão), radioativos, atrito (abrasão) e luz. Mnemônico: TQERAL
251
Insolação X Intermação
1- A insolação é a exposição prolongada ao calor do sol (raios solares), com sintomas como febre, tontura e pele seca. 2- A intermação ocorre devido a ondas de calor ambiental (não diretamente do sol), sem circulação de ar, levando a uma elevação perigosa da temperatura corporal e podendo causar convulsões ou coma.
252
O que caracteriza as queimaduras químicas?
As queimaduras químicas são provocadas por substâncias químicas em contato com a pele, como produtos corrosivos (ácidos, bases, produtos de limpeza concentrados, solventes). Exemplo: soda cáustica.
253
O que caracteriza as queimaduras elétricas e quais riscos adicionais apresentam?
Provocam descargas elétricas no corpo, causando destruição e necrose tecidual interiores pela passagem da corrente elétrica. Há queimadura em um ponto de entrada e saída. Apresentam risco de PCR se a corrente atingir órgãos internos como o coração. Obs.: Vitimas de queimadura elétrica são consideradas grande queimados e queimaduras graves.
254
Quais são os sinais e sintomas causados por choque elétrico?
Inquietação ou perda de consciência, possibilidade de convulsão, dificuldade respiratória, paralisia e fratura de membros, arritmia cardíaca ou PCR, via aérea obstruída, problema de visão.
255
O que caracteriza as queimaduras por agentes radioativos?
São ocasionadas pela exposição a materiais radioativos (Césio 137, urânio, armas nucleares, excesso de sol). Podem causar danos genéticos celulares. Sintomas: tontura, náuseas e vômitos.
256
Como as queimaduras são classificadas quanto à profundidade?
Em três graus: - Primeiro grau (espessura superficial): atingem só a epiderme, com eritema (vermelhidão), hiperemia, edema e dor local. - Segundo grau (espessura parcial): atingem epiderme e derme, com dor, vermelhidão e bolhas/flictenas (superficiais: base rósea/úmida; profundas: base branca/seca). - Terceiro grau (espessura completa): atingem derme, subcutâneo, podendo chegar a músculos e ossos. Pele endurecida, esbranquiçada, semelhante a couro, com perda de sensibilidade, pois acomete os nervos.
257
Classificação de queimaduras pela Sociedade Brasileira de Dermatologia
1- Primeiro grau (espessura superficial) – eritema solar: Afeta somente a epiderme, sem formar bolhas. Apresenta vermelhidão, dor, edema e descama em 4 a 6 dias. 2- Superficial: a base da bolha é rósea, úmida e dolorosa. Profunda: a base da bolha é branca, seca, indolor e menos dolorosa (profunda). A restauração das lesões ocorre entre 7 e 21 dias. 3- Afeta a epiderme, a derme e estruturas profundas. É indolor. Existe a presença de placa esbranquiçada ou enegrecida. Possui textura coreácea. Não reepiteliza e necessita de enxertia de pele (indicada também para o segundo grau profundo).
258
O que são as zonas de lesão tecidual nas queimaduras?
- Zona de coagulação (epicentro): necrose irreversível. - Zona de estase (faixa intermediária): células avariadas com chance de recuperação se tratada. - Zona de hiperemia (periferia): células menos prejudicadas e aumento do fluxo sanguíneo pela inflamação.
259
Qual mnemônico é usado nos casos de queimaduras?
O mnemônico ARDEU: A – Alergias R – Remédios (medicações em uso) D – Doenças prévias e histórico vacinal E – Evento relacionado à lesão U – Última ingesta de líquidos e alimentos
260
Como se calcula a superfície corporal queimada em adulto (SCQ)?
Pela Regra dos Nove, criada por Wallace e Pulaski: - cabeça e pescoço (9%) / face (4,5%) - tronco frente (18%) → tórax (9%) + abdômen (9%); - tronco costas (18%) → escapula (9%) + lombar (9%); - cada membro superior (9%), - cada membro inferior (18%), - região genital (1%). O somatório define a gravidade e orienta o tratamento. Obs.: acima de 50% é considerado grande queimado.
261
Como se calcula a superfície corporal queimada em criança (SCQ)?
- Cabeça: 18% PHTLS ou 21% manual; - Troco: 36% (dorso + ventre); - Cada MS: 9%; - Cada MI: 13,5% PHTLS ou 12% manual; - Região do períneo: 1%.
262
Quais são as consequências hemodinâmicas das queimaduras extensas?
A hipovolemia é causada pela perda de fluidos devido à permeabilidade capilar aumentada e evaporação superficial. Se não tratada, pode levar a choque hipovolêmico.
263
O que é a Fórmula de Parkland e qual sua importância?
A Fórmula de Parkland auxilia no cálculo do volume de solução cristaloide (preferencialmente Ringer) a ser administrado ao paciente com queimaduras de 2º e 3º graus, para manter volume sanguíneo adequado.
264
Qual é a regra geral para cálculo do volume de reposição em queimaduras diversas?
Volume de Reposição = 2mL x SCQ x Peso (kg) (Ringer Lactato), outros 50% nas primeiras 8h após a queimadura e 50% nas 16h seguintes.
265
Qual é a exceção para reposição em queimaduras por eletricidade?
Para queimaduras por eletricidade, o Volume de Reposição = 4mL x SCQ x Peso (kg) (Ringer Lactato), com 50% do volume nas primeiras 8 horas após a queimadura e os outros 50% nas 16 horas seguintes.
266
O que deve ser considerado na reposição volêmica de idosos e pacientes com insuficiência renal ou cardíaca congestiva (ICC)?
Deve-se considerar uma menor hidratação, utilizando 50% da dose preconizada, levando em conta a qualidade da função renal e as condições hemodinâmicas do paciente.
267
Como se calcula a reposição volêmica em crianças menores de 14 anos?
Em crianças menores de 14 anos, o volume a ser reposto é calculado como 3 ml x %SCQ x peso (kg).
268
Como se calcula a reposição volêmica em lactentes e crianças pequenas (<30 kg)?
O volume a ser reposto é: 3 ml x peso (kg) x %SCQ + solução glicosada de manutenção.
269
Grande queimado (gravidade)
1- Queimadura de 1º grau > 50% da SCQ. 2- Queimadura de 2º grau > 25% da SCQ em adultos. 3- Queimadura de 2º grau > 20% da SCQ em crianças. 4- Queimadura de 3º grau > 10% da SCQ. 5- Pacientes com queimaduras elétricas. 6- Queimaduras de 2º ou 3º graus no períneo são consideradas graves e classificam o paciente como grande queimado.
270
Classificação de gravidade - Queimadura leve
- menos de 10% da SCQ de um adulto com queimaduras de 2º grau; - menos de 5% da SCQ de uma criança ou idoso com queimaduras de 2º grau; - menos de 2% da SCQ com queimaduras de 3º grau.
271
Classificação de gravidade - Queimadura moderada
- 10 a 20% da SCQ de um adulto com queimaduras de 2º grau; - 5 a 10% da SCQ de uma criança ou idoso com queimaduras de 2º grau; - 2 a 5% da SCQ com queimaduras de 3º grau; - Suspeita de queimaduras do trato respiratório por inalação de ar quente; - Queimaduras leves em pacientes com doenças que predisponham infecções como imunossupressão, diabetes.
272
Classificação de gravidade - Queimadura grave
- mais de 20% da SCQ de um adulto com queimaduras de 2º grau; - mais de 10% da SCQ de uma criança ou idoso com queimaduras de 2º grau; - mais de 5% da SCQ com queimaduras de 3º grau; - queimaduras elétricas por alta voltagem; - queimaduras comprovadas do trato respiratório por inalação de ar quente; - queimaduras significativas na face, olhos, orelhas, genitália ou articulações. (regiões nobres)
273
Quais critérios definem uma queimadura como grave?
Queimaduras graves incluem: lesão de segundo ou terceiro grau com extensão maior que 20% de SCQ em adultos; maior que 10% em crianças; idade <3 anos ou >65 anos; associadas a violência, maus-tratos ou tentativa de suicídio; decorrentes de politrauma ou doenças prévias; queimaduras das vias aéreas; químicas; elétricas; em áreas especiais (olhos, orelhas, face, pescoço, mãos, pés, região inguinal, grandes articulações e órgãos genitais); queimaduras profundas atingindo ossos, músculos, nervos e/ou vasos.
274
Classificação porcentagem - tamanho das queimaduras
1- pequenas queimaduras: quando atingem menos de 10% da área corporal; 2- médias queimaduras: 10 a 30% da área corporal; 3- grandes queimaduras: quando atingem mais de 30% da área corporal.
275
Quais sinais sugerem inalação de fumaça?
Incêndio em espaço confinado, confusão ou agitação, queimaduras no rosto ou tórax, sobrancelhas e pelos nasais chamuscados, fuligem no escarro, rouquidão, perda de voz ou estridor.
276
Por que o oxímetro de pulso não é confiável na inalação de monóxido de carbono (CO)?
Porque a maioria dos dispositivos não consegue distinguir carboxihemoglobina (ligada ao CO) da oxihemoglobina (ligada ao O₂), podendo mostrar saturação normal mesmo com hipoxemia tecidual grave.
277
Quais condutas iniciais devem ser tomadas no atendimento pré-hospitalar (APH) a queimaduras?
Garantir segurança da cena; suprimir o agente causador; retirar roupas contaminadas com cautela; lavar o corpo do paciente com água em abundância; priorizar abordagem XABCDE; avaliar vias aéreas; proteger feridas; fornecer oxigênio; não aplicar pomadas ou produtos no APH.
278
Como controlar a temperatura corporal e proteger as feridas em pacientes queimados?
Utilizar lençóis ou cobertores aluminizados, proteger feridas do fluxo de ar, não romper bolhas e evitar exposição que possa aumentar a dor ou risco de infecção.
279
Por que queimaduras de pescoço e tórax exigem atenção especial?
Podem levar à obstrução de vias aéreas altas e dificultar a expansão torácica, causando insuficiência respiratória.
280
O que deve ser removido do paciente queimado para evitar agravamento?
Anéis, braceletes, pulseiras, brincos e cintos, pois podem conter calor residual e piorar edema.
281
Como deve ser tratada uma queimadura pequena no APH?
Irrigar a área com soro fisiológico ou água à temperatura ambiente para reduzir hipertermia local.
282
Que queimaduras não devem ser irrigadas no APH e por quê?
Queimaduras de maior extensão e gravidade, devido ao risco de hipotermia e coagulopatia.
283
Como deve ser feito o curativo nas lesões queimadas?
Cobrir com curativo seco, limpo, estéril e não aderente, para evitar infecção e proteger a ferida.
284
Por que não usar água fria ou gelo em queimaduras no APH?
Pode causar vasoconstrição, reduzir aporte sanguíneo local e comprometer a recuperação das zonas de estase e hiperemia.
285
Que produtos não devem ser utilizados no APH em queimaduras?
Pomadas, inclusive antibióticas, ou outros produtos tópicos.
286
Qual é o procedimento para queimaduras por agentes químicos?
Retirar todas as vestes contaminadas utilizando material de proteção e em seguida lavar o local com água abundante por pelo menos 15 minutos, exceto se o agente agressor reagir com água. Toda a extensão lesionada deve ser coberta com curativo seco, limpo, estéril e não aderente.
287
Como proceder em queimaduras químicas que atinjam os olhos?
Lavar abundantemente com água e, em seguida, cobri-los com curativo seco, limpo, estéril e não aderente.
288
Quando deve-se acionar equipe especializada em produtos perigosos em queimaduras químicas?
Considerar o acionamento de equipe especializada em produtos perigosos.
289
Qual é a primeira ação ao lidar com queimaduras por eletricidade?
Avaliar cuidadosamente a cena e gerenciar os riscos. Caso seja necessário, recursos adicionais (equipe de salvamento, empresa de energia) deverão ser acionados. Certificar-se de que não há mais energização antes de abordar a vítima.
290
O que fazer se houver parada respiratória ou cardiorrespiratória em queimadura elétrica?
Nesses casos, iniciar imediatamente manobras de reanimação.
291
Como cobrir ferimentos em queimaduras elétricas?
Cobrir toda a extensão dos ferimentos com curativo seco, limpo, estéril e não aderente.
292
Qual procedimento inicial em queimaduras por agentes radioativos?
Acionar imediatamente a equipe especializada em produtos perigosos. A vítima deverá ser retirada do local de contaminação por pessoal com equipamento de proteção apropriado.
293
O que fazer com as vestes da vítima em queimaduras radioativas?
Fora da área de contaminação, as vestes deverão ser removidas e a irrigação iniciada a fim de se remover qualquer vestígio de material contaminante.
294
Como proceder com as lesões em queimaduras por radioatividade?
Cobrir todas as lesões com curativo seco, limpo, estéril e não aderente.
295
Quais são as similaridades entre as lesões elétricas e o esmagamento?
Nesses tipos de acidentes pode acontecer a liberação de mioglobinas em grandes quantidades na corrente sanguínea, levando a insuficiência renal, a mioglobina é tóxica aos rins, e risco de vida. Surge a mioglobinúria, é evidenciado pela urina com cor de chá ou de refrigerante de cola. Obs.: rabdomiólise, condição em que há destruição das fibras musculares, resultando na liberação de mioglobina na corrente sanguínea.
296
O que é a parada cardiorrespiratória (PCR)?
A parada cardiorrespiratória (PCR) é uma interrupção abrupta da atividade cardíaca de bomba, sendo caracterizada pela ausência de circulação sanguínea capaz de gerar pulso central.
297
Em alguns casos de PCR pode haver atividade elétrica ou até movimento cardíaco?
Sim. Em determinados casos há atividade elétrica e até movimento cardíaco, mas este não é capaz de gerar débito cardíaco.
298
Uma das causas de PCR é a obstrução de vias aéreas por corpo estranho (OVACE). Como o paciente pode se apresentar nessa situação?
O paciente apresenta dificuldade respiratória.
299
Quais são os quatro ritmos possíveis nas PCR?
Fibrilação ventricular (FV), taquicardia ventricular sem pulso (TVSP), atividade elétrica sem pulso (AESP) e assistolia.
300
Quais ritmos são desfibriláveis e apresentam boas taxas de retorno quando tratados precocemente?
Fibrilação ventricular (FV) e taquicardia ventricular sem pulso (TVSP).
301
A AESP e a assistolia são ritmos em que a desfibrilação não é indicada. Qual deve ser o foco da assistência nesses casos?
A assistência deve ser focada na RCP de qualidade, na administração de drogas e na identificação de possíveis causas da PCR.
302
Tratamentos/abordagens para os ritmos de PCR?
1- São problemas de condução elétrica: FV + TVSP → Desfibrilação, RCP e medicamentos (epinefrina, amiodarona ou lidocaína); 2- São problemas de condução circulatória: AESP + assistolia → RCP + medicação + identificação de causa (5H ou 5T) Obs.: na assistolia usa-se apenas epinefrina como medicação. Segundo as diretrizes da American Heart Association (AHA) 2020, em casos de PCR com ritmo não chocável, como assistolia ou atividade elétrica sem pulso, a epinefrina 1mg IV/IO deve ser administrada o quanto antes, idealmente dentro de 5 minutos do início da parada e repetida a cada 3-5 minutos enquanto durar a PCR. Isso aumenta as chances de retorno à circulação espontânea.
303
Quais são as causas reversíveis de PCR?
São os 5H's e 5T's: -Hipovolemia; -Hipóxia; -Hipotermia; -Hidrogênio (acidose); e -Hipo/hipercalcemia; - Tamponamento cardíaco; -Trombose coronariana; -Tromboembolismo pulmonar (TEP); -Tensão do tórax (pneumotórax); e -Tóxicos. Obs.: A Hipoglicemia tmb pode ser considerada uma causa, principalmente em crianças ou bebes.
304
Os 5H's e os 5T's
São as desordens metabólicas e hidroeletrolíticas que podem levar a uma PCR: 1- Hipo: volémia: Perda de sangue ou fluidos. / Reposição volêmica com cristaloides. 2- Hipo: xia: Falta de oxigénio. / Ventilação com via aérea definitiva com O2 a 100%. 3- Hipo: termia: Temperatura corporal demasiado baixa. / Aquecimento. 4- H+: (Acidose): Desequilíbrio ácido-base no organismo. / Bic Na a 84% 1 mlk/Kg. 5- Hipo/: Hipercalemia: Alterações nos níveis de potássio no sangue. / Corrigir. São as causas mais mecânicas ou tóxicas: 1- T: amponamento cardíaco: Acumulação de líquido no saco que envolve o coração. / Pericardiocentese (punção de marfan). 2- T: rombose Coronariana (SCA): Bloqueio de uma artéria coronária devido a um coágulo. / Trombólise se infarto agudo do miocárdio (IAM) com supraprévia a PCR. 3- T: romboembolismo Pulmonar: Coágulo que bloqueia uma artéria pulmonar. / Trombólise, reposição volêmica. 4- T: ensão no tórax (Pneumotórax hipertensivo): Acumulação de ar no espaço pleural que pode comprimir os pulmões. / Descompressão por punção. 5- T: óxicos: Intoxicação por medicamentos, drogas ou outras substâncias. / Reposição volêmica e antídotos.
305
Quais são os seis elos da cadeia de sobrevivência para PCR adulto intra-hospitalar?
1. Reconhecimento e prevenção precoces 2. Acionamento do serviço médico de emergência 3. RCP de alta qualidade 4. Desfibrilação 5. Cuidados pós-PCR 6. Recuperação. (a partir de 2020)
306
Quais são os seis elos da cadeia de sobrevivência para PCR adulto extra-hospitalar?
1. Acionamento do serviço médico de emergência 2. RCP de alta qualidade 3. Desfibrilação 4. Ressuscitação avançada 5. Cuidados pós-PCR 6. Recuperação (a partir de 2020)
307
Qual é a importância do 1º elo (acionamento do serviço médico de emergência)?
É recomendável que a população seja treinada para o reconhecimento rápido da PCR e para acionar os serviços de emergência. No Brasil: 193 (Corpo de Bombeiros Militar) e 192 (SAMU). Os profissionais desses serviços devem estar capacitados para orientar o reconhecimento e o início da RCP por telefone.
308
O que se espera do 2º elo (RCP de alta qualidade)?
Que o indivíduo em PCR receba RCP o mais precocemente possível, seja de um socorrista profissional ou de um leigo. Novas evidências mostram que o risco de danos ao paciente que recebe compressões torácicas sem estar em PCR é baixo. A RCP de qualidade é crucial, recomendando-se dispositivos de feedback audiovisual para avaliar profundidade e retorno do tórax, alguns presentes no DEA.
309
O que representa o 3º elo (desfibrilação)?
FV e TVSP são ritmos desfibriláveis. Em locais de grande circulação de pessoas devem estar disponíveis Desfibriladores Externos Automáticos (DEA), distribuídos em espaços de fácil acesso.
310
O que é realizado no 4º elo (ressuscitação avançada)?
Por meio do Suporte Avançado de Vida (SAV), a equipe pode intervir com recursos invasivos para reverter a PCR ou suas causas.
311
Qual é o objetivo do 5º elo (cuidados pós-PCR)?
Após o retorno espontâneo da circulação, o indivíduo deve receber cuidados especializados para estabilização. O neuroprognóstico deve ser realizado após 72h do retorno à normotermia ideal em ambiente de terapia intensiva.
312
O que envolve o 6º elo (recuperação)?
A recuperação continua após a hospitalização. AHA (2020) recomenda avaliação multimodal, reabilitação e tratamento de prejuízos fisiológicos, neurológicos e cognitivos. Sobreviventes e cuidadores devem receber planejamento de alta, incluindo suporte para ansiedade, depressão, estresse pós-traumático e fadiga.
313
Por que é importante o debriefing após o atendimento de PCR?
Para avaliar a necessidade de suporte emocional dos socorristas, reconhecer fatores de estresse, e analisar o desempenho da equipe.
314
Quais são os elos da cadeia de sobrevivência para PCR pediátrica intra-hospitalar?
1- Reconhecimento e Prevenção precoces; 2- acionamento do serviço; 3- RCP de alta qualidade; 4 -ressuscitação avançada; 5 -cuidados pós-PCR; e 6 -recuperação.
315
Quais são os elos da cadeia de sobrevivência para PCR pediátrica extra-hospitalar?
1- Prevenção; 2- acionamento do serviço; 3- RCP de alta qualidade; 4 -ressuscitação avançada; 5 -cuidados pós-PCR; e 6 -recuperação.
316
Qual é a principal característica da PCR em crianças e lactentes?
A PCR nas crianças e em lactentes é tipicamente o resultado da deterioração progressiva das funções respiratórias e/ou circulatórias, sendo a assistolia e a AESP os ritmos mais frequentemente observados.
317
Por que a prevenção é fundamental na PCR pediátrica?
Porque neonatos, lactentes e crianças pequenas têm maior probabilidade de desenvolver bradicardia causada por hipoxemia. O reconhecimento precoce e a RCP imediata aumentam as taxas de sobrevida.
318
Qual é a importância do 2º elo (acionamento do serviço médico de emergência)?
É recomendável que a população seja treinada para reconhecer rapidamente a PCR e acionar os serviços de emergência (193 – Bombeiros e 192 – SAMU). Os profissionais devem estar capacitados para orientar o reconhecimento e o início da RCP por telefone.
319
O que se espera do 3º elo (RCP de alta qualidade) em crianças e lactentes?
Que a RCP seja iniciada o mais precocemente possível por profissional ou leigo. Apesar da maior frequência de ritmos não chocáveis (assistolia e AESP), recomenda-se o uso do DEA assim que disponível, tanto para monitorar a qualidade da RCP quanto para desfibrilação precoce, com pás de tamanho adequado.
320
O que representa o 4º elo (ressuscitação avançada)?
O Suporte Avançado de Vida (SAV), com recursos invasivos para reverter a PCR ou suas causas.
321
O que envolve o 5º elo (cuidados pós-PCR)?
Após o retorno da circulação, o paciente deve receber cuidados especializados para estabilização. O neuroprognóstico deve ser realizado após 72h do retorno à normotermia em UTI.
322
Como se caracteriza o 6º elo (recuperação) na PCR pediátrica?
Segue os mesmos princípios descritos para a cadeia de RCP do adulto.
323
Relação do tempo e uma PCR
- 10 seg → perda da consciência; - 4 min → acabam as reservas de glicose; - 6 min → depleção severa de ATP e comaça o dano celular; - 16 min → morte cerebral completa. O atedimento deve ser iniciado em 3 minutos.
324
Quais são os sinais clássicos definidores da PCR?
Ausência de resposta, ausência de respiração e ausência de circulação (pulso central).
325
Como se avalia a respiração na suspeita de PCR?
Pela observação da ausência de movimentos respiratórios ou de uma respiração não efetiva (gasping).
326
Como se avalia a circulação na PCR?
Pela palpação (dedos indicador e médio) de artérias centrais em até 10 segundos.
327
Qual artéria deve ser palpada em cada faixa etária?
* Adultos (após a puberdade): pulso carotídeo * Crianças (1 ano até a puberdade): pulso carotídeo * Lactentes (28 dias até 1 ano): pulsos braquial ou femoral
328
Quais procedimentos iniciais devem ser seguidos pela equipe de socorristas na PCR?
1. Gerenciamento de riscos (avaliação da cena) 2. Avaliação do nível de resposta do paciente 3. se inconsciente, acionar o SME (193/192) 4. Posicionar a vítima adequadamente (possibilidade de trauma) 5. Circulação (C), checar o pulso em até 10 seg (a aferição deve ser feita proximal a vítima) 6. Vias aéreas (A), abertura de vias aéreas, sendo usado o método Chin Lift (elevação do queixo), quando não houver trauma, e Jaw Thrust (tração de mandíbula), quando houver trauma. 7. Boa respiração (B), expansibilidade torácica ou gasping. Para a desobstrução de vias aéreas pode-se usar as canula de Guedel. 8. Desfibrilação (D), usa-se no casos de FV e TVSP, pois são os únicas ritmos chocáveis. 9- vítima sem pulso, inicia-se RCP (30x2 em 5 ciclos ou 2 min) 10- Ao final do 5º ciclo ou depois de 2 minutos deve-se chegar o pulso.
329
Quando a RCP não deve ser iniciada?
Quando a vítima apresenta sinais óbvios de óbito: rigidez cadavérica, decomposição corporal e/ou presença de livores.
330
O que é a parada respiratória (PR)?
Situação na qual a circulação está presente, mas o paciente não respira, ou apresenta gasping.
331
Qual é a conduta principal na PR?
A reanimação respiratória apenas com ventilações de resgate.
332
Quais são as ventilações de resgate no adulto durante a PR?
Uma ventilação a cada 6 segundos (10 ventilações por minuto). Ao final, checar novamente respiração e pulso.
333
Quais são as ventilações de resgate em crianças ou lactentes durante a PR?
Uma ventilação a cada 2 a 3 segundos (20 a 30 ventilações por minuto). Ao final, checar novamente respiração e pulso.
334
Quais cuidados devem ser observados na ventilação de resgate?
- Uso obrigatório de dispositivo de barreira (BVM, pocket mask etc.). - Cada ventilação dura 1 segundo. - Evitar hipóxia e hiperventilação. - Comprimir a bolsa em ~50% (600 ml no adulto), suficiente para expansão torácica. - Monitorar SpO₂ (alvo > 94%). - Usar técnica do C e do E (C: vedação da máscara, E: hiperextensão cervical e abertura da via aérea). - Evitar hiperextensão em trauma cervical (usar elevação da mandíbula). - Ventilação em dupla é mais eficaz.
335
Qual conduta adotar se não houver ventilação eficaz mesmo com técnica correta?
Pensar em obstrução de via aérea por queda da língua → usar cânula orofaríngea (somente em paciente inconsciente e sem reflexos de tosse/vômito).
336
Qual o risco associado à PR?
A vítima de PR pode facilmente evoluir para PCR. Deve-se solicitar serviço avançado e DEA o mais breve possível.
337
Como se confirma a PCR?
Pela ausência de pulso carotídeo no adulto.
338
O que deve ser feito imediatamente na PCR?
Iniciar a RCP.
339
Qual é a relação universal de compressões e ventilações na RCP de adultos?
30 compressões : 2 ventilações, aproximadamente 5 ciclos em 2 minutos, independente do número de socorristas.
340
Qual é a relação compressão-ventilação em crianças e lactentes?
15 compressões : 2 ventilações, aproximadamente 10 ciclos em 2 minutos, tanto com um quanto com mais socorristas.
341
Quais são as orientações gerais da RCP de alta qualidade?
- Ritmo: 100 a 120/min - Retorno completo do tórax - Minimizar interrupções (< 10s) - Alternar socorristas a cada 2 min ou antes se cansar - Usar dispositivo de monitoramento de qualidade se disponível - RCP em superfície plana, horizontal e rígida (não em colchões)
342
Qual é a profundidade adequada das compressões?
- Adultos: 5 a 6 cm / 2 a 2,4 polegadas - Crianças: 5 cm / 2 polegadas - Lactentes: 1/3 do diâmetro anteroposterior do tórax / 4 cm / 1,5 polegadas
343
Como realizar as compressões em cada faixa etária?
- Adulto: mãos sobrepostas no esterno inferior - Criança: mãos sobrepostas ou uma mão (dependendo da compleição física) - Lactente: - 1 socorrista: 2 dedos - 2 socorristas: polegares sobrepostos (abraço torácico)
344
Onde localizar as compressões em cada faixa etária?
- Adultos e crianças: metade inferior do esterno - Lactentes: logo abaixo da linha mamilar
345
Como realizar ventilações na PCR com via aérea avançada?
Compressões ininterruptas + 1 ventilação a cada 6 segundos (10 ventilações/min). Após 2 minutos, nova análise de ritmo/pulso/respiração.
346
Qual deve ser a conduta em relação ao DEA em casos de PCR?
Adicionar o DEA o mais rápido possível e seguir seus comandos.
347
Na ausência do DEA, o que deve ser feito durante a RCP?
O pulso deverá ser checado a cada 2 minutos.
348
Como devem ser feitas as ventilações na PCR?
Devem ser realizadas adequadamente, com oxigênio suplementar acoplado ao BVM o mais rápido possível.
349
Quando acionar o Suporte Avançado de Vida em PCR?
Logo que constatada a PCR.
350
Em quais situações a RCP pode ser cessada?
Quando houver sinais de retorno da circulação espontânea, por orientação médica e/ou por exaustão dos socorristas.
351
Quando a RCP é interrompida ao utilizar o DEA?
Apenas ao comando do DEA, sendo obrigatória a checagem de pulso caso ele não identifique ritmo chocável.
352
O que fazer se não houver dispositivo de barreira para ventilação disponível?
Realizar RCP apenas com compressões torácicas durante 2 minutos.
353
Em PCR presenciada, qual é a prioridade?
Acionar o serviço avançado, solicitar um DEA e realizar desfibrilação precoce.
354
Qual o percentual de eventos extra-hospitalares presenciados que apresentam ritmos chocáveis?
Entre 56% e 74%, principalmente fibrilação ventricular (FV).
355
Quanto a cada minuto sem desfibrilação reduz a chance de sobrevivência na FV?
Entre 7% e 10%.
356
Quais as taxas de sobrevida com programas de RCP + DEA precoce realizados por leigos?
Podem alcançar até 85%, sendo 50% a 70% se realizados em 3 a 5 minutos após a PCR.
357
Em PCR não presenciada, qual deve ser a conduta imediata?
Iniciar RCP o mais breve possível; o socorrista só pode sair para buscar apoio após 2 minutos de RCP ou caso haja resposta positiva.
358
Qual a conduta em PCR pediátrica não presenciada?
Realizar 2 minutos de RCP antes de permitir que o DEA analise o ritmo.
359
Em casos de bradicardia < 60 bpm com sinais de hipoperfusão, o que deve ser feito?
O paciente deve ser reanimado.
360
Quando a utilização do DEA é obrigatória?
Tanto em paradas presenciadas quanto nas não presenciadas.
361
Em quais ritmos o DEA indicará o choque?
Fibrilação Ventricular (FV) e Taquicardia Ventricular sem pulso (TVSP).
362
Passo a passo da utilização do DEA?
1. Ligar o aparelho. 2. Em caso de umidade, secar o local onde as pás serão aplicadas. 3. Aplicar as pás sobre o tórax (paraesternal à direita e ápex cardíaco - utilizar a indicação do local de aplicação representado nas pás do DEA). 4. Conectar os cabos das pás ao DEA. 5. O DEA iniciará a análise do ritmo ”não toque no paciente”. 6. Afastar-se do paciente e certificar-se de que ninguém toque a vítima, inclusive o socorrista! Deve-se ter certeza visual e verbal de que ninguém está em contato físico com o paciente. Não se pode realizar RCP enquanto o DEA carrega ou enquanto ele analisa o ritmo. Após a realização do choque, a RCP deve ser reiniciada imediatamente. 7. As compressões de RCP devem ser reiniciadas de imediato.
363
Cuidados pós-PCR?
1- É necessário que se tenha alguns cuidados com o paciente pós-PCR ainda no Atendimento Pré-Hospitalar. Portanto, caso ele retorne à circulação espontânea, é importante: deixar as pás instaladas e não desligar o aparelho até a chegada ao hospital ou até que o suporte avançado assuma o paciente. 2- Colocar o paciente em decúbito lateral esquerdo de segurança. 3- Monitorar constantemente os sinais vitais durante o transporte. 4- Controlar os parâmetros respiratórios do adulto de forma que seja mantido SpO₂ entre 92% e 98% e SpO₂ entre 94% e 99% para crianças e lactentes. 5- Elevar a cabeceira a 30º. 6- Realizar acesso venoso periférico de manutenção. 7- Evitar hipertermia em pacientes. 8- Os pacientes pediátricos devem ser avaliados com relação a convulsões e o estado epiléptico, e qualquer crise convulsiva deve ser tratada.
364
Cadeia de sucesso em intervenção na PCR?
1. Reconhecimento precoce da PCR: a. ausência de pulso carotídeo (adulto) ou presença de Gasping; b. quem não respira pode ter pulso, mas quem não tem pulso não respira. 2. Treinamentos e implementações constantes. 3. Feedback durante a PCR: deve haver interação constante entre a equipe em atuação na PCR. 4. Ênfase na RCP (cinco componentes da RCP de qualidade): a. profundidade adequada da compressão; b. ritmo adequado de compressão (100-120/min); c. minimização das interrupções, maximização do tempo em que as compressões são realizadas durante um evento; d. retorno completo do tórax durante as compressões; e. sem ventilação excessiva. 5. Intervenção o mais precoce possível na PCR. 6. Melhoria dos sistemas de recebimento hospitalar. 7. Cumprimento dos elos da cadeia de sobrevivência. 8. Cuidados pós-PCR eficazes.
365
O que é OVACE e suas consequências?
Diversas causas podem obstruir vias aéreas, mas atenção especial para obstrução por corpo estranho (alimentos, dentes avulsionados, balas, chicletes). Se não revertida rapidamente, pode causar hipóxia, parada respiratória ou cardiorrespiratória.
366
Sinais de OVACE parcial
Vias aéreas estreitas, paciente consegue respirar e falar. Socorrista deve incentivar a tosse para expulsão do objeto.
367
Sinais de OVACE total
Ar não passa, paciente em sofrimento respiratório grave, agitação e, por vezes, cianose. Necessário iniciar manobras de desobstrução imediatamente.
368
Conduta em OVACE – adultos e crianças >1 ano
Manobras de tapotagem (5 tapas entre escápulas) e compressão abdominal (Heimlich), intercalando-as até desobstrução ou inconsciencia. Exceção: gestantes e obesos recebem apenas compressões torácicas.
369
: Passo a passo para adultos/crianças com OVACE
1. Abordagem: perguntar se pode ajudar para identificar obstrução parcial ou total; 2. Estímulo da tosse para expulsão; 3. Tapotagem interescapular: 5 tapas; 4. Compressão abdominal: mão fechada entre xifoide e umbigo, outra sobreposta; 5. Alternar tapas e compressões até desobstrução ou inconsciencia; 6. Inconsciencia: deitar paciente em superfície firme e iniciar 30 compressões; 7. Abrir vias aéreas, verificar objeto visível → remover com dedos em pinça; 8. Se objeto não visível, realizar duas ventilações; revisar técnica se não efetivo; 9. Checar pulso: presente → protocolo PR; ausente → protocolo PCR.
370
Abordagem inicial do lactente
1- Perguntar aos pais/responsável se pode ajudar; observar choro, sons ou padrão respiratório anormal para diferenciar obstrução parcial ou total. 2- Estímulo da tosse no lactente: o movimento da tosse ajuda a exercer pressão e a expelir o objeto ou alimento; 3- Cinco manobras de tapotagem por cinco compressões torácicas: posicionar o lactente de forma que ele fique em decúbito ventral sobre um dos membros superiores do socorrista em uma inclinação de 45º, com a linha da cabeça inferior à linha dos pés. Com a mão livre, de forma aberta, executar os tapas entre as escápulas do paciente. Em seguida, deve haver uma inversão de posição, na qual o lactente deve ficar agora em decúbito dorsal sobre o outro membro do socorrista, mantendo-se a mesma inclinação. Agora, utilizando a mão livre, com dois dedos, comprimir a região do tórax logo abaixo da linha inter mamilar do lactente (evitando-se o processo xifoide); executar cinco compressões torácicas. Essas manobras de tapotagens e compressões devem ser alternadas até que o objeto/alimento seja expelido ou o paciente fique inconsciente; 4- Paciente evolui para inconsciência: deitar o paciente em superfície firme e rígida e iniciar trinta compressões; realizar abertura de vias aéreas e observar a presença do objeto/alimento; caso esteja visível, retirar o objeto pelo canto da boca com os dedos mínimos; 5- Viabilidade de via aérea: caso o objeto não esteja visível, realizar duas ventilações, reposicionando as vias aéreas quando a primeira não for efetiva. Ao reposicionar as vias aéreas, deve-se revisar a técnica de aplicação da ventilação. Caso as ventilações não sejam efetivas, retornar para as compressões citadas anteriormente; 6- Parar quando a ventilação venha a ser efetiva, checar o pulso central; 7- Pulso presente e respiração ausente: iniciar o protocolo de PR; 8- Pulso ausente e respiração ausente: iniciar protocolo de PCR.
371
Quais são as manifestações clínicas mais comuns nas emergências cardiovasculares?
As manifestações clínicas mais comuns nas emergências cardiovasculares são falta de ar (dispneia), fadiga, dor no peito/torácica (precordial), desconforto no peito, palpitações, desmaio, edemas, cianose e alteração da perfusão periférica. Pode haver mais de um sinal ou sintoma, com intensidades diferentes, que irão determinar as intervenções do socorrista.
372
Quais são os principais tipos de alterações cardiovasculares?
Entre os vários tipos de alterações cardiovasculares estão as síndromes coronarianas agudas (SCA), as crises hipertensivas e a insuficiência cardíaca descompensada.
373
O que causa a Síndrome Coronariana Aguda (SCA) e qual sua fisiopatologia mais comum?
A SCA é causada pela diminuição e/ou interrupção do fluxo sanguíneo nas artérias coronárias, geralmente provocadas por placa aterosclerótica. A fisiopatologia mais comum da síndrome coronariana aguda é caracterizada pela ruptura da placa aterosclerótica com exposição do seu conteúdo lipídico à circulação com consequente ativação da cascata de coagulação e formação de trombo. Esse evento trombótico acaba por ocluir o vaso, total ou parcialmente, gerando redução abrupta do fluxo sanguíneo distal à obstrução com consequente sofrimento do músculo cardíaco irrigado por aquele vaso.
374
Quais são as três principais manifestações da Síndrome Coronariana Aguda?
Ela é dividida em três manifestações principais: angina instável, infarto agudo do miocárdio (IAM) sem elevação do segmento ST e infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST.
375
Como diferenciar angina instável de infarto agudo do miocárdio (IAM)?
A diferenciação entre angina instável e IAM é feita pela presença ou não de morte celular em nível miocárdico, sendo o quadro clínico na maioria das vezes indistinguível no ambiente pré-hospitalar. Na angina instável, apesar de haver sofrimento celular (isquemia), não há morte celular. No IAM, além de isquemia, há também morte celular com alteração de marcadores sanguíneos específicos.
376
Qual a diferença entre angina estável e instável e IAM?
1- Angina estável: → Depois de repousar a dor cessa; → Dor precordial grave, opressiva ou em queimação; → A dor irradia para o MSE, pescoço e mandíbula; → Piora com esforço e stress. 2- Angina instável / Angina pectores / Angina pré-IAM: → Depois de repousar a for não cessa; → Angina grave, que aparece em repouso ou com esforço mínimo; → Com o aumento na gravidade e duração da dor torácica; → A dor não responde a finalização do exercício físico. 3- IAM: → Trata-se de uma necrose na região miocárdica; → Dor precordial grave, opressiva, central; → Irradiante ao pescoço e braços; → Duração prolongada; → Sudorese, náusea, dispnéia; → NÃO melhora com nitratos. → Palidez; → Vasoconstricção periférica; → Taquicardia; → Alterações de PA; → Cianose.
377
Alteração de ecg?
- Infarto recente: O eletrocardiograma de um infarto recente pode ocorrer elevação de segmento ST ou inversão de onda T. - Infarto antigo: A onda Q vai estar mais para baixo que o normal. Normalmente a onda Q fica no msm nível da onda S. Esse fenômeno leva o nome de Qpatológico.
378
O que caracteriza o infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST?
No infarto agudo do miocárdio com elevação do segmento ST há alteração eletrocardiográfica típica. Fisiopatologicamente representa obstrução de 100% da luz do vaso afetado e ausência completa de perfusão sanguínea distal à obstrução, acometendo toda a extensão muscular irrigada por aquela artéria (infarto transmural). É um quadro grave com grande risco de evolução desfavorável caso o vaso não seja reperfundido, ou seja, “aberto” em até 12 horas do início do evento agudo, e a cada hora esse risco se multiplica em progressão geométrica.
379
Qual a diferença entre o IAM sem elevação do segmento ST e a angina instável?
No infarto agudo do miocárdio sem elevação do segmento ST e na angina instável a obstrução do vaso não afeta 100% da luz deste. Apesar disso, o tratamento deve ser implementado o mais rápido possível para estabilização do quadro e melhora da perfusão no músculo cardíaco irrigado pela artéria afetada.
380
Como é a dor de origem cardíaca isquêmica?
A dor de origem cardíaca isquêmica é geralmente precordial ou retroesternal, em aperto, peso ou pressão. Pode iniciar-se no repouso, mas muitas vezes precipita-se com o esforço físico. Pode irradiar-se para a mandíbula, o pescoço e o membro superior esquerdo, sendo comumente prolongada (> 20 min). Alguns sintomas de outros sistemas podem estar associados, tais como: dispneia (dificuldade respiratória), sudorese fria, náuseas e vômitos.
381
O que são os “equivalentes isquêmicos” e em quem são mais comuns?
Grande atenção deve ser dada aos sintomas atípicos, conhecidos como “equivalentes isquêmicos”, mais comuns em idosos, diabéticos, mulheres e pacientes com doença psiquiátrica de base. Nestes, a SCA pode manifestar-se como desconforto epigástrico, “azia”, vômitos, tontura, perda de consciência transitória (síncope) e dor mandibular.
382
Como é feita a classificação da dor torácica?
TIPO A – Definitivamente anginosa: Dor ou desconforto precordial ou retroesternal, geralmente precipitada ao esforço físico, podendo irradiar para o ombro ou a face interna dos braços, aliviada por repouso ou aplicação de nitrato. TIPO B – Provavelmente anginosa: Possui a maioria das características da dor definitivamente anginosa, mas não todas. TIPO C – Provavelmente não anginosa: Possui poucas características da dor definitivamente anginosa. TIPO D – Definitivamente não anginosa: Nenhuma característica da dor definitivamente anginosa, mesmo quando localizada na região precordial ou retroesternal.
383
Quais são as classes de angina?
- Classe I: Angina apenas em esforços físicos prolongados ou intensos. Atividades habituais não provocam dor. - Classe II: Angina em esforços moderados, após subir escadas rapidamente ou após refeições. - Classe III: Angina em esforços leves, como andar poucos metros. - Classe IV: Angina em qualquer atividade física ou mesmo em repouso.
384
Quais fatores de risco fortalecem a suspeita de origem cardíaca isquêmica?
A presença de fatores de risco associados – tais como histórico de doença arterial coronariana, tabagismo, diabetes, hipertensão, dislipidemia (alteração nos valores de lipídios), obesidade, idade (homem > 55 anos; mulher > 65 anos) e abuso de drogas/estimulantes – fortalece a suspeita de origem cardíaca isquêmica.
385
Quais sinais e sintomas podem indicar isquemia miocárdica no ambiente pré-hospitalar?
No ambiente pré-hospitalar o socorrista básico pode suspeitar da ocorrência de uma isquemia miocárdica mediante a apresentação de uma condição clínica caracterizada por: - dor ou desconforto torácico em aperto/pressão; - dor que se irradia para o pescoço, a mandíbula, o ombro, o dorso ou os braços; - desconforto torácico associado a indigestão, azia, náusea, vômitos; - dispneia persistente, com ou sem desconforto torácico; - tontura, fraqueza, sensação de desmaio (síncope) ou perda da consciência.
386
Como deve ser tratado, no APH, o paciente com angina instável ou IAM?
Uma vez que no APH não é possível fazer a diferenciação específica entre angina instável e IAM, o socorrista deve prover tratamento semelhante para ambos os casos. - Verificar os sinais vitais (FC, FR, PA, Temp e dor); - Meça a saturação de O2; - Estabeleça um acesso venoso (invasivo); - Obtenha Ecg de 12 derivações; - Faça anamnese e exames físicos; - Obtenha níveis iniciais de marcadores cardíacos séricos → mioglobina: IAM Precoce / Normaliza: 18 a 24 horas; → troponina: IAM tardio / Normaliza: 10 a 15 dias; → CK-MB: Re-infarto precoce / Normaliza: 3 a 4 dias. Obs.: São considerados marcadores bioquímicos de IAM. - Avalie eletrólitos e coagulação (ureia, creatinina, sódio, potássio); - RX de tórax (< de 30 min).
387
Qual deve ser a primeira conduta do socorrista diante de um paciente com dor torácica?
O socorrista deve formar uma impressão geral do paciente e identificar potenciais ameaças à sua vida.
388
Em quanto tempo deve ser realizada a avaliação primária em casos de dor torácica de origem cardíaca isquêmica?
A avaliação primária deve ser realizada em até 10 minutos.
389
Como o paciente deve ser posicionado e tratado emocionalmente durante o atendimento inicial?
O paciente deve ser colocado em repouso, receber suporte emocional e ser mantido calmo para auxiliar no controle da frequência cardíaca e aliviar a dor.
390
Por que é importante o socorrista estar preparado para aplicar suporte básico de vida em casos de dor torácica?
Porque a parada cardiorrespiratória é uma possibilidade iminente, sendo essencial preparo para desfibrilação e suporte básico de vida.
391
Qual deve ser a conduta do socorrista em relação à oxigenoterapia?
Monitorizar a saturação periférica de oxigênio e ofertar 4 L/min caso esteja menor que 90% ou se houver sinais de congestão pulmonar e desconforto respiratório. Evitar oferta excessiva ou prolongada de oxigênio.
392
Por que o retardo no reconhecimento da SCA é grave?
Porque pode agravar a isquemia miocárdica e desencadear choque cardiogênico, no qual cerca de 50% dos pacientes com IAM que evoluem para esse tipo de choque morrem.
393
Qual a posição recomendada para o transporte do paciente com dor torácica?
O paciente deve ser transportado preferencialmente com a cabeceira da maca elevada em 45° (Posição de Fowler).
394
Qual método mnemônico deve ser usado para orientar a coleta de dados na avaliação secundária?
O método SAMPLA (Sintomas, Alergias, Medicações, Passado médico, Líquidos/alimentos, Ambiente).
395
Qual método mnemônico deve ser usado para investigar as características da dor torácica?
O método ALICIA (Aparecimento, Localização, Intensidade, Cronologia, Incremento, Alívio).
396
Qual é o princípio fundamental no atendimento pré-hospitalar à dor torácica de origem cardíaca isquêmica?
O princípio 'tempo é coração', que busca reduzir a necrose miocárdica e suas consequências, garantindo reperfusão rápida.
397
Qual é o tratamento geral imediato para SCA?
- Morfina → opioide; - Oxigênio (4L/min) por cânula nasal; - Nitrato (nitroglicerina SL) → vasodilatador coronariano; - Ácido acetilsalcílico (aspirina) → antiagregante plaquetário; - Betabloqueador (antiarrítmicos, proteção contra infarto): Propanolol, atenolol, ... ; - Clopidogrel (inibe agregação plaquetária de potente ação); - Heparina (anticoagulante). - Estatinas → rediz o nível de LDL (colesterol ruim) Obs.: mnemônico: MONAB-CHE.
398
CARDIOVERSÃO X DESFIBRILAÇÃO
- Desfibrilação: procedimento de emergência que consiste na aplicação de um choque NÃO sincronizado de corrente elétrica ao tórax em lados opostos (FV ou TVSP), o paciente está inconsciente e não aperta o botão de sincronismo (S); - Cardioversão: procedimento que necessita de sincronização, escolhe-se a derivação em que a onda R possui uma maior amplitude (R>T). Ativando o dispositivo sincronismo, disparando o chique de 10 ms. (taquicardia supraventricular, flutter atrial e fibrilação atrial), o paciente pode está consciente ou não e aperta o botão de sincronismo (S). Obs.: A voltagem para ambas as situações é de 200 Joules , mas em crianças e bebês é 1J/kg até 55 Quilos.
399
Pode-se realizar o choque com o DEA em pessoas com marcapasso?
Sim, é possível aplicar um choque elétrico em pessoas com marcapasso, principalmente em emergências com um desfibrilador externo automático (DEA), mas com cuidados importantes. O choque (desfibrilação) pode ser administrado, mas é crucial colocar as pás do DEA a pelo menos 2,5 cm de distância do dispositivo implantado e seguir as instruções do aparelho
400
Pocisão das pás do DEA?
Posição anterolateral (adultos) Pá 1: Coloque no lado superior direito do peito, logo abaixo da clavícula. Pá 2: Coloque no lado inferior esquerdo do peito, abaixo da linha do mamilo e da caixa torácica. Obs.: Certifique-se de que as pás não se toquem, pois isso pode causar um curto-circuito e interferir na eficácia do choque Posição anteroposterior (crianças) Pá 1: Coloque no centro do tórax. Pá 2: Coloque nas costas da criança, na região superior. Obs.: Use pás pediátricas para crianças, quando disponíveis, pois são menores e adequadas para a anatomia delas.
401
O que é insuficiência cardíaca (IC)?
É uma disfunção no coração que acarreta suprimento sanguíneo inadequado para órgãos e tecidos ou só consegue esse suprimento à custa de elevadas pressões de enchimento. A disfunção sistólica menos sangue é bombeada do ventrículo (músculo cardíaco enfraquecido). Na disfunção diastólica menos sangue preenche o ventrículo (músculo cardíaco rígido).
402
Quais são as principais causas de insuficiência cardíaca descompensada?
Ingesta excessiva de sódio, uso inadequado ou baixa adesão à terapia farmacológica, esforço físico excessivo, isquemia miocárdica, arritmias cardíacas, doenças renais, hipertensão sem controle, uso de drogas lícitas e ilícitas.
403
Quais são os principais sinais e sintomas de congestão na IC?
Ortopneia (falta de ar ao deita-se), dispneia (falta de ar), estase jugular, ascite (acumulo de líquido na cavidade abdominal), edema de membros inferiores, ausculta pulmonar com creptos.
404
Quais são os principais sinais e sintomas de má perfusão periférica na IC?
Alteração do nível de consciência (confusão, agitação, sonolência), extremidades frias e cianóticas, enchimento capilar lento, hipotensão, pressão de pulso estreitada.
405
Quais condutas devem ser tomadas pelo socorrista em casos de IC descompensada?
Manter repouso, monitorar nível de consciência, estar preparado para medidas de suporte básico em caso de parada cardiorrespiratória.
406
Qual a importância da monitorização da saturação periférica de oxigênio na insuficiência cardíaca?
A monitorização da saturação periférica de oxigênio é uma medida primordial, uma vez que a congestão pode acarretar dificuldade respiratória e atrapalhar a troca gasosa.
407
Quando deve ser ofertado oxigênio ao paciente com insuficiência cardíaca?
Deve ser ofertado oxigênio caso a saturação esteja menor que 95% ou caso haja sinais de desconforto respiratório.
408
Qual deve ser o objetivo da oxigenioterapia em pacientes com IC?
Utilizar o dispositivo e o fluxo mais adequados, objetivando mais conforto e saturação alvo ≥ 95%.
409
Qual complicação grave pode ocorrer na insuficiência cardíaca e comprometer a sobrevida do paciente?
O choque cardiogênico, sendo um complicador da sobrevida do paciente.
410
Qual a posição recomendada para transporte do paciente com insuficiência cardíaca?
A elevação da cabeceira da maca de transporte em 45° pode trazer conforto respiratório. Caso o paciente prefira outra posição que proporcione conforto respiratório, deve-se respeitar sua escolha.
411
Qual método deve ser utilizado para orientar a obtenção de informações com o paciente ou familiar?
O método mnemônico SAMPLA.
412
IC direita x IC esquerda
1- câmaras afetadas: Esq: : O ventrículo esquerdo. Dir: O ventrículo direito. 2- acúmulo de sangue: Esq: Nos pulmões (congestão pulmonar). Dir: Nas veias sistêmicas (corpo). 3- principais causas: Esq: Hipertensão arterial, infarto do miocárdio e doenças das válvulas mitral ou aórtica. Dir: Geralmente secundária à IC esquerda, mas também pode ser causada por DPOC, hipertensão pulmonar ou embolia pulmonar. 4- sintomas: Esq: : Dispneia, ortopneia, dispneia paroxística noturna, tosse com secreção espumosa, estertores pulmonares. Dir: Edema em membros inferiores, ascite, hepatomegalia dolorosa, turgência jugular, ganho de peso. 5- complicações graves: Esq: Edema agudo de pulmão. Dir: Congestão hepática e aumento do volume abdominal. 6- tratamento: Esq: Diuréticos, vasodilatadores, inibidores da ECA e betabloqueadores. Dir: Diuréticos e tratamento da causa subjacente (ex.: IC esquerda, DPOC, hipertensão pulmonar). Obs.: - IC esquerda → pulmão cheio → sintomas respiratórios - IC direita → corpo cheio → inchaço e congestão
413
Quais são os níveis saudavéis de colesterol?
- Colesterol Total: Menos de 190 mg/dL. - Colesterol LDL ("ruim"): Menos de 130 mg/dL para pessoas com baixo risco cardiovascular, e abaixo de 70 mg/dL para pessoas com alto risco cardiovascular. - Colesterol HDL ("bom"): Mais de 40 mg/dL para homens e mais de 50 mg/dL para mulheres, com o ideal sendo superior a 60 mg/dL para proteção cardiovascular. - Triglicerídeos: Abaixo de 150 mg/dL
414
O que caracteriza uma crise hipertensiva?
Elevação crítica da pressão arterial (PAS ≥ 180 mmHg e/ou PAD ≥ 120 mmHg), podendo ou não estar associada a sinais e sintomas de comprometimento de órgão-alvo.
415
Quais são as três categorias das crises hipertensivas?
- Urgência hipertensiva: PAS ≥ 180 mmHg e/ou PAD ≥ 120 mmHg, sem comprometimento de órgão-alvo. - Emergência hipertensiva: elevação crítica da PA com comprometimento de órgão-alvo (cérebro, coração, rins, múltiplos órgãos, risco materno-fetal). - Pseudocrises hipertensivas (PCH): elevação da PA em hipertensos tratados/não tratados, muitas vezes com fatores emocionais ou dolorosos, geralmente sem comprometimento grave.
416
Quais sintomas podem estar presentes nas crises hipertensivas?
Cefaleia, tontura, alteração visual, dispneia, náuseas, formigamentos nas extremidades, sangramento nasal e dor torácica.
417
Quais emergências devem ser suspeitadas em pacientes com crise hipertensiva?
Acidente vascular encefálico (AVE/AVC) e síndrome coronariana aguda.
418
Qual deve ser a conduta inicial do socorrista em crises hipertensivas?
Manter o paciente em repouso, fornecer suporte emocional, realizar avaliação primária (vias aéreas, ventilação, circulação) e monitorizar a saturação de O2.
419
Qual o critério para suplementar oxigênio em crises hipertensivas?
Caso a saturação esteja < 95%, ofertar oxigenioterapia com a vazão mínima (1–4 L/min com cateter tipo óculos ou 10–15 L/min em máscara) necessária para manter valores acima de 94%.
420
Em quais situações a intervenção medicamentosa pode ser iniciada no APH em crises hipertensivas?
Em viaturas tripuladas por profissionais de saúde e vinculadas a uma central de regulação médica, com posterior avaliação da melhora do quadro.
421
O que é AVC e quais seus principais tipos?
O AVC é uma lesão cerebral decorrente da interrupção do fluxo sanguíneo cerebral ou de hemorragia. Os dois principais tipos são: AVC isquêmico (80% a 85%) e AVC hemorrágico (15% a 20%).
422
O que caracteriza o AVC isquêmico (AVCI)?
Resulta da obstrução de um vaso cerebral por trombo (trombótico) ou êmbolo (embólico), correspondendo a mais de 80% dos casos. Pode causar isquemia e lesão celular.
423
Causas do AVC-E Isquêmico
- Aterosclerose de grandes artérias: Endurecimento das artérias e vasos sanguíneos menores que transportam oxigênio e nutrientes do coração para diferentes partes do corpo. - Causas: Hipertensão arterial, Diabetes millitus, tabagismo, contraceptivos orais, dislipidemias, obesidade, sedentarismo. - Fatores de risco não modificáveis: Idade, Raça (afrodescendentes) e sexo (masculino).
424
embolia cardiogênica
- A embolia cardiogênica ocorre quando um coágulo sanguíneo se forma no coração ou na aorta e se solta, viajando pela corrente sanguínea até bloquear uma artéria em outro local do corpo, mais frequentemente no cérebro, causando um AVC (Acidente Vascular Cerebral) cardioembólico, ou nos pulmões, resultando numa embolia pulmonar. - Condições como fibrilação atrial, doenças valvares, e defeitos cardíacos estruturais, doença do nó sinusal, IAM, endocardite infecciosa são causas comuns dessa condição.
425
O que é o AIT e qual sua importância?
O ataque isquêmico transitório (AIT) é caracterizado por sinais e sintomas de AVC que regridem totalmente em menos de 24h. É um importante fator de risco, pois até 10% evoluem para AVC em 90 dias.
426
O que caracteriza o AVC hemorrágico (AVCH)?
Decorre do rompimento de vasos sanguíneos cerebrais enfraquecidos, com sangramento na superfície ou dentro do cérebro, resultando também em isquemia e lesão celular.
427
Quais são as manifestações clínicas gerais do AVC relevantes para o Atendimento Pré-Hospitalar?
Fraqueza súbita, confusão mental, paralisia e hemiplegia unilateral, cefaleia intensa, sudorese, dispneia, náuseas, episódios de vômitos, alteração visual e distúrbios da fala.
428
Por que o AVC é considerado um evento “tempo-dependente”?
Porque quanto mais rápido o surgimento for reconhecido e o tratamento iniciado, melhor será o prognóstico. Assim como “tempo é coração” na síndrome coronariana aguda, no AVC “tempo é cérebro”.
429
Qual a escala pré-hospitalar mais utilizada no Brasil para avaliação de AVC?
A Escala Pré-Hospitalar de AVC de Cincinnati, traduzida, adaptada e validada para a população brasileira, que pode ser aplicada inclusive por pessoas que não são profissionais de saúde.
430
Quais são os parâmetros avaliados na Escala Pré-Hospitalar de AVC de Cincinnati?
- Paralisia facial / Desvio de rima: paciente mostra os dentes ou sorri; anormal se um lado não se move bem. - Queda do braço / Paresia: paciente fecha os olhos e estende ambos os braços por 10s; anormal se um braço cai ou não se move. - Fala: paciente repete a frase “o Brasil é o país do futebol”; anormal se fala incorreta, com dificuldade ou incapacidade.
431
Qual a sensibilidade da Escala de Cincinnati para identificar AVC?
- 1 variável anormal: 61% - 2 variáveis anormais: 77% - 3 variáveis anormais: 88%
432
Por que a suspeita de AVC não deve ser descartada mesmo que a Escala de Cincinnati seja normal?
Porque, apesar da alta sensibilidade, a especificidade é baixa a moderada, ou seja, pode não identificar todos os casos. Outros sinais e sintomas devem ser considerados.
433
Qual a conduta inicial no APH para pacientes com suspeita de AVC?
Avaliação do paciente priorizando exame primário (estado ventilatório, circulatório e neurológico), monitorização da oximetria, oxigênio suplementar se SpO₂ < 94%, manter jejum e suporte básico de via aérea em caso de rebaixamento de consciência.
434
Como deve ser manejada a pressão arterial em pacientes com AVC?
Em geral, a hipertensão não deve ser reduzida abruptamente, pois beneficia a perfusão cerebral. Só deve ser tratada se PAD > 120 mmHg ou PAS > 220 mmHg.
435
O que é a “janela terapêutica” no AVC isquêmico?
Intervalo de tempo em que terapias de reperfusão cerebral podem ser aplicadas. Para trombólise química, até 4h30min após o início dos sintomas; para trombectomia, até 8 horas.
436
Como deve ser considerado o “início dos sintomas” para definir elegibilidade à trombólise?
Deve-se considerar a última vez em que o paciente foi visto assintomático, informação essencial para regulação médica.
437
Quais terapias de reperfusão podem ser utilizadas no AVC isquêmico?
- Trombólise química: com medicamento trombolítico, até 4h30min após o início dos sintomas. - Trombectomia mecânica: cateter introduzido na artéria obstruída para dissolver ou remover o coágulo, com janela de até 8 horas (incorporada ao SUS em 2021).
438
O que significa o Método Start e quando foi desenvolvido?
Start é um algoritmo de triagem desenvolvido na Califórnia em 1983 e significa: Simples Triagem e Tratamento Rápido (do inglês, Simple Triage and Rapid Treatment). Atualmente é o método mais utilizado no mundo e permite que a triagem dos pacientes seja realizada em até 1 minuto.
439
Desde quando o Método Start é utilizado no Brasil e quais intervenções são permitidas ao socorrista?
O método é fácil de ser entendido e aplicado, sendo utilizado no Brasil desde 1999. O método permite que o socorrista faça intervenções simples no paciente: contenção de hemorragia, abertura de vias aéreas e retirada de possíveis objetos que possam ocasionar obstrução das vias aéreas.
440
Quais intervenções não são permitidas no Método Start?
Considerando que a ideia é avaliar de forma rápida para que mais pessoas possam ser atendidas e os recursos otimizados, demais intervenções não são permitidas enquanto todos os pacientes não forem triados e avaliados pela equipe médica.
441
Qual a sequência de avaliação do Método Start?
O Start segue uma sequência de avaliação baseada nas prioridades de checagem e avaliação de alguns padrões fisiológicos: 1º pacientes que deambulam; 2º frequência respiratória; 3º tempo de enchimento capilar ou presença de pulso radial; 4º estado neurológico.
442
Quais são as quatro prioridades e respectivas cores do Método Start?
1ª prioridade – vermelho (atendimento imediato / choque descompensado) 2ª prioridade – amarelo (paciente pode aguardar/ choque compensado) 3ª prioridade – verde (possível trauma leve / deambula) 4ª prioridade – preto ou cinza (em óbito ou inviável / PCR).
443
Quais dificuldades podem influenciar a triagem no Método Start?
Triar não é uma tarefa fácil e envolve variáveis como: parte emocional, habilidade do socorrista, falta de visibilidade, estresse, condições climáticas desfavoráveis, vítimas não cooperativas, que podem ocasionar erros de triagem.
444
Como a categorização dos pacientes pode ser facilitada?
A categorização pode ser facilitada pelo uso de cartões nas cores vermelha, amarela, verde e preta (cinza). Esses instrumentos são colocados em cada vítima de acordo com a gravidade e podem ser encontrados na bolsa de SCI.
445
O que ocorre na Área de Concentração de Vítimas (ACV)?
Na ACV, os pacientes serão constantemente reavaliados e podem ser reclassificados em caso de piora ou melhora do quadro apresentado, ou caso a equipe identifique alguma falha de triagem.
446
Qual a primeira ação do socorrista segundo o Método Start?
A primeira ação é retirar da zona quente os pacientes que deambulam sem ajuda, chamando-os – “Dirijam-se a mim aqueles que conseguem andar” – e classificando-os como 3ª prioridade, encaminhando-os à Área de Concentração de Vítimas.
447
Como deve ser organizada a lona verde na ACV?
É importante que a lona verde seja colocada distante das demais lonas por uma questão de organização e melhor gerenciamento.
448
Como é avaliada a frequência respiratória no Método Start?
O valor aceitável e considerado ideal é até 30 incursões respiratórias por minuto (IRPM). Pacientes acima de 30 IRPM são classificados como 1ª prioridade.
449
O que fazer se o paciente não respira no Método Start?
Deve ser feita manobra de abertura de vias aéreas, busca por corpo estranho e desobstrução, se necessário. Se voltar a respirar, classifica-se como 1ª prioridade. Se não voltar, classificar como 4ª prioridade.
450
Como é feita a avaliação da circulação no Método Start?
O padrão de tempo de enchimento capilar é de até 2 segundos. Caso acima de 2 segundos ou ausência de pulso radial, classifica-se como 1ª prioridade. Caso adequado, checa-se o estado neurológico.
451
Como é avaliado o estado neurológico no Método Start?
Deve-se pedir ao paciente para executar um comando simples, como um aperto de mão. Se executa adequadamente, classifica-se como 2ª prioridade. Caso contrário, como 1ª prioridade.
452
Qual a lógica final do Método Start na classificação?
Pacientes que não andam, permanecem na cena e não cumprem os padrões em qualquer etapa são classificados como 1ª prioridade. Pacientes que não andam, mas cumprem os padrões da avaliação, são classificados como 2ª prioridade.
453
Para quais pacientes é indicado o Método JumpStart?
Em caso de crianças de até 8 anos devemos considerar critérios próprios para o público pediátrico. Com base nessa diferença anatomofisiológica entre adultos e crianças, é proposto o JumpStart.
454
O Método JumpStart é baseado em qual outro método e em que situação pode ser aplicado?
Esse método é baseado no Método Start e pode ser usado de forma simultânea ao Start em uma cena de IMV que reúna adultos e crianças.
455
Qual a principal diferença do Método JumpStart em relação ao Start?
Além disso, leva em consideração a aplicação de ventilações de resgate em crianças que não respiram e os parâmetros respiratórios próprios dessa faixa etária.
456
Como decidir entre usar o Start ou o JumpStart?
Se uma vítima parece ser criança, usar o método JumpStart; se a vítima parece ser adolescente ou adulto, utilizar o método Start.
457
Quais são os passos iniciais da aplicação do Método JumpStart?
1. orientar verbalmente todas as vítimas que estiverem andando pela cena do IMV (ou que consigam andar) para que saiam da cena; 2. identificá-las com a cor “VERDE”; 3. direcioná-las para a área mais apropriada, onde devem ser submetidas a uma nova triagem (triagem secundária).
458
Como devem ser triadas crianças carregadas por adultos capazes de deambular?
Crianças que saírem no colo de adultos capazes de deambular devem seguir assim para a área verde designada para o adulto, onde devem ser submetidas a uma nova triagem (triagem secundária).
459
Quais procedimentos são permitidos durante a avaliação no JumpStart?
Durante a avaliação são permitidos procedimentos breves, como abertura de vias aéreas ou controle de sangramento intenso.
460
Como deve ser feita a avaliação da respiração no JumpStart?
Nas crianças que permanecerem na cena, avaliar a respiração: se a vítima não respirar, realizar manobra manual de abertura de vias aéreas, verificar se há corpo estranho visível na boca e desobstruir se possível.
461
O que fazer se a criança respirar após a abertura das vias aéreas?
Se a vítima respirar, após a abertura das vias aéreas classificá-la e identificá-la como “VERMELHO”.
462
O que fazer se a criança não respirar após a abertura das vias aéreas?
Se a vítima não respirar, após a abertura das vias aéreas deve-se avaliar a presença de pulso palpável. Se não houver pulso, a classificação é “CINZA”.
463
Como proceder se a criança não respira, mas tem pulso no JumpStart?
Se o pulso for palpável, deve-se aplicar cinco ventilações de resgate para restabelecer a respiração. Se a criança respirar após as ventilações, ela é considerada “VERMELHO”. Caso contrário, ela é considerada ‘’CINZA’’.
464
O que é o protocolo de Manchester?
é um sistema de classificação de risco usado em serviços de urgência e emergência para priorizar o atendimento com base na gravidade dos casos, utilizando um sistema de cores para identificar os níveis de urgência dos pacientes.
465
Classificação por Cores (protocolo de Manchester)?
- Vermelho (Emergência): Risco de morte ou gravidade extrema. Atendimento imediato. - Laranja (Muito Urgente): Casos urgentes, com tempo de espera de até 10 minutos. - Amarelo (Urgente): Risco para o paciente, mas não imediato. Podem esperar até 60 minutos. - Verde (Pouco Urgente): Casos menos graves, com tempo de espera de até 2 horas. - Azul (Não Urgente): Casos sem urgência imediata. Podem esperar até 4 horas.
466
Como a Organização Mundial da Saúde (OMS) define afogamento?
Afogamento é o processo resultante da insuficiência respiratória causada por aspiração de líquido por submersão ou imersão.
467
Qual a diferença entre imersão e submersão no afogamento?
O afogamento ocorre em qualquer situação em que o líquido entre em contato com as vias aéreas por imersão (meio líquido na face) ou por submersão (abaixo da superfície do líquido).
468
O afogamento pode levar a qual condição grave?
O afogamento é uma importante causa de parada cardiorrespiratória.
469
Quais fatores aumentam a probabilidade de sobrevida no afogamento?
Uma maior probabilidade de sobrevida está associada à temperatura da água e ao tempo de submersão.
470
Quando a reanimação com bom prognóstico neurológico é improvável no afogamento?
É extremamente improvável quando há submersão por tempo maior que 30 minutos (em água > 6 ºC) e submersão maior que 90 minutos (em água < 6 ºC).
471
Quem propôs a cadeia de sobrevivência do afogamento e qual seu objetivo?
Foi proposta por Szpilman e colaboradores, reforçando ações para evitar o pior quadro clínico.
472
Quais são os elos da cadeia de sobrevivência do afogamento?
Prevenção → Reconheça o afogado → Peça para ligarem 193 → Forneça flutuação → Evite a submersão → Remova da água (se for seguro) → Suporte de vida → Hospital, se necessário.
473
Cite cinco medidas de prevenção do afogamento.
1- Crianças a distância de um braço, mesmo que saibam nadar; 2- Nade onde exista a segurança de guarda-vidas; 3- Restrinja o acesso a piscinas e tanques com cercas; 4- Utilize colete salva-vidas em barcos e esportes aquáticos; 5- Aprenda natação, segurança na água e primeiros socorros.
474
Quais condutas ao ajudar alguém em perigo na água?
- Reconheça o afogamento; - peça socorro (193); - vigie a vítima; - forneça flutuação; - ajude sem entrar na água; - use vara ou corda; - só entre se for seguro e usando material flutuante.
475
O que deve fazer uma pessoa que está se afogando?
Não entrar em pânico e acenar por socorro.
476
Quais condutas fazem parte do suporte de vida em afogamento?
Se não respirar, iniciar RCP com ventilação; se houver respiração, permanecer junto até a ambulância; procurar hospital em caso de sintomas.
477
O que é prevenção ativa e reativa no afogamento?
Prevenção ativa: restringir acesso, sinalizar, abrir postos de guarda-vidas, medidas antissucção em piscinas. Prevenção reativa: orientar, advertir ou deslocar pessoas de locais de risco.
478
Quem apresenta maior risco de afogamento fora da água?
Indivíduos nos extremos etários (idosos e crianças), obesos, pessoas alcoolizadas ou com condições físicas/mentais incompatíveis com permanência na água.
479
Quais sinais podem indicar risco de afogamento dentro da água?
Comportamento de risco; falsa sensação de segurança com boias improvisadas; roupas inadequadas; brincadeiras espalhafatosas; estilo de nado estranho; boiar para descansar.
480
Quais sinais indicam vítima em afogamento?
Expressão facial assustada, vítima afunda e volta em pé, cabelo cobrindo o rosto etc.
481
O que representa o fornecimento de flutuação na cadeia de sobrevivência?
Significa que houve falha na prevenção; deve-se oferecer material de flutuação (boias, isopores, garrafas pet, galhos), sem deixar de acionar o socorro.
482
Qual a recomendação para leigos não treinados no resgate de afogados?
Tentar resgatar de fora da água, fornecendo materiais de flutuação (cordas, galhos, boias, isopores).
483
Quais riscos envolvem a remoção física da vítima da água?
O afogado pode agarrar o socorrista em desespero, tornando a situação perigosa. Recomenda-se que apenas profissionais ou leigos treinados (nadadores, surfistas, remadores) façam esse resgate.
484
Qual o último elo da cadeia de sobrevivência do afogamento?
O oferecimento de suporte básico de vida.
485
Qual é a condição clínica central do afogado?
O afogado é um paciente com hipóxia em vários graus, além de complicações pela aspiração de água.
486
Como pode ser estimada a gravidade do estado do afogado?
Pela classificação em graus do afogamento, sendo o grau 1 o mais leve e o grau 6 o pior quadro.
487
Qual a conduta geral do atendimento pré-hospitalar ao afogado em terra?
CONDUTA: assistência pré-hospitalar ao afogado em terra, ainda que ventilações de resgate possam ser realizadas por guarda-vidas dentro da água. Na maioria dos casos em que a Unidade de Resgate chega a uma cena de afogamento, a vítima já foi retirada da água.
488
Quais os sinais, sintomas e condutas no Afogamento Grau 1?
Grau 1 – Vítima responsiva e consciente, com tosse mas sem espuma na boca e/ou nariz, não apresenta dificuldade respiratória. * Tranquilizar a vítima. * Colocá-la em repouso. * Disponibilizar aquecimento. * Sem necessidade de atenção médica avançada ou hospitalização. * 100% de taxa de sobrevivência.
489
Quais os sinais, sintomas e condutas no Afogamento Grau 2?
Grau 2 – Vítima responsiva e consciente com pouca quantidade de espuma na boca e/ou nariz, pode apresentar algum grau de dificuldade respiratória, com estertores em alguns focos pulmonares. * Prover oxigenoterapia em baixo fluxo 5L/min. * Tranquilizar a vítima. * Colocá-la em repouso. * Prover aquecimento. * Realizar contato com a regulação médica. * Fornecer transporte e monitoramento. * Manter a vítima em decúbito lateral (recomenda-se o direito). * 99% de taxa de sobrevivência.
490
Quais os sinais, sintomas e condutas no Afogamento Grau 3?
Grau 3 – Vítima responsiva, podendo apresentar alteração do nível de consciência e dificuldade respiratória, muita espuma na boca e/ou nariz, e estertores disseminados. Sem sinais de choque presentes, com pressão arterial normal (normotenso). * Prover oxigenoterapia em alto fluxo por máscara facial. * Promover aquecimento. * Realizar contato com a regulação médica. * Providenciar transporte e monitoramento. * Manter a vítima em decúbito lateral (recomenda-se o direito). * Requer cuidados avançados e hospitalização. * 95% - 96% de taxa de sobrevivência.
491
Quais os sinais, sintomas e condutas no Afogamento Grau 4?
Grau 4 – Vítima responsiva, podendo apresentar alteração do nível de consciência e dificuldade respiratória, muita espuma na boca e/ou nariz, e estertores disseminados. Apresenta sinais de hipotensão ou choque. * Prover oxigenoterapia: 15L/min. * Providenciar aquecimento. * Realizar contato com a regulação médica. * Realizar transporte e monitoramento. * Manter a vítima na posição lateral de segurança (decúbito lateral direito). * 78% - 82% de taxa de sobrevivência.
492
Quais os sinais, sintomas e condutas no Afogamento Grau 5?
Grau 5 – Vítima em parada respiratória com pulso. * Iniciar reanimação respiratória conforme faixa-etária. * 56% - 69% de taxa de sobrevivência.
493
: Quais os sinais, sintomas e condutas no Afogamento Grau 6?
Grau 6 – Vítima em parada cardiorrespiratória. * Iniciar reanimação cardiorrespiratória, com 2 minutos de 30 compressões torácicas por 2 ventilações, se com um socorrista apenas, independente da faixa-etária. * Iniciar reanimação cardiorrespiratória, com 15 compressões torácicas por 2 ventilações, se com dois ou mais socorristas, independente da faixa-etária. * Se houver retorno da circulação e da respiração espontâneas, tratar como grau 4. * 7% - 12% de taxa de sobrevivência.
494
Quais outras duas situações relacionadas ao afogamento podem ocorrer, além da classificação em graus?
1. Vítima sai ou é retirada da água sem nenhum tipo de alteração clínica – condição denominada apenas de Resgate. 2. Afogamento em que o indivíduo ficou mais de 60 minutos submerso ou tem sinais de morte evidente – não demanda nenhum tipo de assistência pré-hospitalar.
495
Qual a lógica da sequência de atendimento ao afogado?
A sequência de atendimento segue uma lógica de avaliação e intervenções que se inicia com o que pode mais rápido levar à morte se não resolvido. Como o afogado apresenta hipóxia em graus variados, a abordagem deve começar pelas vias aéreas, seguir para a ventilação e depois circulação. Acrônimo: ABC.
496
Qual o papel da avaliação do nível de consciência no afogado?
Avaliar o nível de consciência serve como norteador das ações seguintes. Um paciente consciente será classificado no máximo em grau 4, independente da qualidade dessa consciência.
497
Qual a importância da avaliação das vias aéreas no afogado?
Avaliar a via aérea é fundamental. Pacientes rebaixados muitas vezes não conseguem proteger suas vias aéreas. Muitos afogados estão hipóxicos, parte pela via aérea não patente. Pacientes inconscientes devem ter a via aérea manejada.
498
Como deve ser feita a avaliação da ventilação?
Paciente consciente apresenta ventilação espontânea, mas pode ter dificuldade respiratória e muita espuma na boca/nariz (grau 3 ou 4). Se não está respirando, oferecer 5 ventilações de resgate imediatamente.
499
Como deve ser feita a avaliação da circulação?
Define o grau do afogamento: - Se paciente consciente, ventilando, com espuma, mas sem sinais de hipotensão/choque → Grau 3. - Se houver hipotensão/choque → Grau 4. - Avaliar pulso radial, coloração, umidade e temperatura da pele e tempo de enchimento capilar. - Se inconsciente → avaliar respiração e pulso central em até 10 segundos → Grau 5 ou 6.
500
Quais cuidados adicionais na RCP do afogado?
Socorristas devem inverter funções a cada 2 minutos para manter qualidade das compressões. O resgate pode ser fisicamente extenuante. Sempre que possível, a RCP deve ser feita por quem não participou da retirada da vítima da água.
501
Qual a recomendação sobre o uso do DEA em afogados?
O uso de desfibriladores externos (DEA) em afogados é controverso, pois geralmente o ritmo encontrado é AESP ou assistolia. Mesmo assim, recomenda-se sua utilização, pois a PCR pode ter sido causada por outra patologia que levou ao afogamento.
502
Quais reações orgânicas podem ser causadas pelo veneno?
1.Anticoagulante: → O veneno atua destruindo o fibrinogênio, fazendo com que o sangue não coagule, podendo levar o indivíduo ao óbito por hemorragia. 2.Hemolítica: → Ao atingir a corrente sanguínea, esse tipo de veneno age destruindo as hemácias do sangue provocando uma anemia hemolítica aguda, e levando o indivíduo ao óbito, por asfixia celular. 3.Neurotóxica: → O veneno age sobre o SNC causando mudanças no equilíbrio, consciência, distúrbios na visão e demais sentidos, ptose palpebral, dormência no local da picada ou mordedura, podendo levar o indivíduo ao estado de choque, a IRA e consequentemente ao óbito. 4.Proteolítica: → Após injetado, o veneno desencadeia um processo de decomposição das proteínas, causando a necrose do tecido, caso não seja tratado em tempo hábil, poderá causar por conseguinte a perda do membro afetado, e até o óbito.
503
Sinais e sintomas de picadas e ferroadas de animais peçonhentos?
➢Marcas da picada; ➢Dor, edema; ➢Manchas roxas, hemorragia; ➢Febre, náuseas; ➢Sudorese, urina escura; ➢Calafrios, perturbações visuais; ➢Eritema, cefaléia; ➢Distúrbios visuais; ➢Ptose palpebral; ➢Convulsões; ➢ Dispnéia.
504
Quais são as condutas no caso de picada de cobra peçonhenta?
➢Havendo possibilidade, capturar o animal agressor; ➢Manter a vítima deitada em repouso absoluto; ➢Lavar a picada com água e sabão; ➢Colocar gelo ou água fria sobre o local; ➢Remover anéis, relógios, prevenindo assim complicações decorrentes do edema; ➢Encaminhar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, para que possa receber o soro em tempo; ➢Não fazer garroteamento ou torniquete; ➢Não aspirar (chupar) o local na tentativa de retirar o veneno; ➢Não cortar ou perfurar o local da picada nem usar quaisquer produtos.
505
Quais são as 4 cobras peçonhentas do Brasil?
1- CASCAVEL → CroCa; (gênero: Crotalus) 2- JARARACA → BoJa; (gênero: Bothrops) 3- SURUCUCU → LaSu; (gênero: Lachesis) 4- CORAL → ECaV. (gênero: Micrurus e Leptomicrurus)
506
Ação do veneno e soro?
- Cascavel – Ação do veneno -> Hemolítico Neurotóxico – Soro : Anticrotálico. - Jararaca – Ação do veneno -> Proteolítica Anticoagulante - Soro : Antibotrópico. (ação do veneno maios rápido que a da Surucucu) - Surucucu – Ação do veneno -> Proteolítica Anticoagulante – Soro : Antilaquético. - Coral - Ação do veneno -> Neurotóxico – Soro : Antielapídico.
507
Picadas e ferroadas de insetos
- Sinais e sintomas: ➢Eritema local que pode se estender pelo corpo todo; ➢Prurido (coceira); ➢Dificuldade respiratória (Edema de glote). - Primeiros socorros ➢Retirar os ferrões introduzidos pelo inseto sem espremer; ➢Aplicar gelo ou lavar o local da picada com água corrente; ➢ Encaminhar a vítima imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, para avaliar a necessidade de soro específico.
508
Como o Conselho Federal de Medicina define “urgência”?
O Conselho Federal de Medicina define “urgência” como a ocorrência imprevista de agravo à saúde com ou sem risco potencial de vida, cujo portador necessita de assistência médica imediata.
509
Como o Conselho Federal de Medicina define “emergência”?
A “emergência”, por sua vez, é definida como a constatação médica de condições de agravo à saúde que impliquem risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato.
510
Quais pacientes terão prioridade no atendimento às urgências e emergências em saúde mental?
Terão prioridade os pacientes que adentrem a rede de atenção por meio dos serviços de atendimento do Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal (CBMDF) e do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU).
511
Como devem ser atendidos os pacientes com contenção física?
Pacientes com contenção física deverão ser atendidos com prioridade nos serviços de urgência e emergência. Contenções mecânicas só deverão ser retiradas após avaliação e autorização médica.
512
Onde serão atendidas inicialmente as emergências em saúde mental?
As emergências em saúde mental serão atendidas inicialmente pela clínica médica dos hospitais regionais.
513
Para onde os pacientes podem ser transportados se necessitarem de atendimento específico em emergências de saúde mental?
Em situações nas quais os pacientes necessitem de atendimento específico eles podem ser transportados para unidades de trauma, unidades de pronto atendimento obstétrico, saúde mental, entre outros.
514
Quais sinais podem indicar a presença de crise em saúde mental?
Alvoroço, agitação, medo, choro, tristeza, insegurança, alterações de percepção da realidade.
515
Quais procedimentos importantes devem ser adotados pelo socorrista em crises de saúde mental?
Não se aproximar do local com sinais luminosos e sonoros ligados; avaliar a segurança da cena; definir um mediador; substituir o mediador se necessário; identificar-se e informar o motivo de estar ali; oferecer ajuda; ser receptivo; estabelecer comunicação clara, tranquila e serena; ficar atento à linguagem verbal e não verbal do paciente; não duvidar dos relatos; tentar identificar eventos ou relações conflituosas; negociar formas de resolução; acolher familiares e envolvidos; ter em mente que a comunicação é resolutiva; identificar hiperatividade, inquietude, angústia, irritabilidade, verborreia e atitudes hostis; identificar objetos que possam ser usados para agressão ou autoagressão; em caso de armas, é imperativa a presença de órgãos policiais; solicitar apoio à Central de Operações e Comunicações BM; informar-se sobre motivos do comportamento.
516
Como o socorrista deve lidar com sinais de raiva, euforia, medo e confusão mental?
- Raiva: explicitar que reconhece a raiva, mas dialogar em busca de outras soluções. - Euforia: manter o diálogo com atitudes claras, indicando limites e possibilidades, proporcionando ambiente com poucos estímulos. - Medo: avisar que reconhece o medo, ter atitude protetiva, escuta e fala acolhedoras. - Confusão mental: procurar não contrariar a percepção do paciente e evitar discordar de suas impressões.
517
Quando a contenção deve ser utilizada em crises de saúde mental?
Vale lembrar que a contenção é uma possibilidade e deve ser sempre considerada como último recurso. Em nenhuma hipótese ela deve ser utilizada como forma de punição ou disciplinarmente.
518
Qual a importância da comunicação terapêutica em urgências e emergências em saúde mental?
É de suma importância identificar na guarnição de atendimento o militar de melhor trato e/ou preparo para estabelecer o vínculo comunicativo com o paciente. O estabelecimento da confiança entre o mediador e o paciente é fundamental para desfechos favoráveis.
519
Quais são as três modalidades de transmissão da mensagem na comunicação terapêutica?
Linguagem verbal (palavra falada, exigindo adaptação coloquial); linguagem não verbal (posturas corporais e gestuais que transmitem mensagens, evitando formação de círculo ou postura agressiva); linguagem para verbal (tom de voz e uso do silêncio como instrumento de confiança).
520
Como deve agir a equipe caso ocorra falha na empatia entre o mediador e o paciente?
A equipe não deve tardar em indicar o segundo mediador para assumir o diálogo.
521
Qual é o objetivo da contenção física?
Evitar movimentos de uma possível agressão ou situações que coloquem em risco a integridade física do paciente e a dos demais envolvidos no evento.
522
Qual é o objetivo da contenção mecânica?
Conter o paciente em prancha rígida para o transporte, evitando o risco de acidentes durante o deslocamento.
523
Quais cuidados devem ser tomados na contenção física?
Iniciar a técnica somente com o mínimo de 5 profissionais; explicar a decisão aos familiares; realizar o controle do espaço; posicionar a equipe em semicírculo; definir palavra-chave para início da ação; manter tom de voz; dois profissionais conter os membros superiores; dois conter os inferiores; mediador imobilizar cabeça e tórax.
524
Quais são os procedimentos da contenção mecânica?
Posicionar paciente em prancha rígida em decúbito dorsal; imobilização em posição anatômica; membros inferiores afastados e fixados; membros superiores ao longo do corpo com palma da mão para cima e fixação dos punhos; faixas sob articulações até punhos e tornozelos com nós anteriores; faixa no tórax (homens altura dos mamilos, mulheres abaixo das mamas); evitar compressão do tórax/diafragma; elevação do tronco não deve ultrapassar 30°.
525
O que são transtornos mentais e qual sua prevalência no Brasil?
Transtornos mentais são alterações psíquicas que podem afetar qualquer pessoa e em qualquer idade, muitas vezes com repercussões físicas, sociais e laborais. São vários os transtornos mentais, e sua origem é multifatorial, o que significa dizer que eles decorrem não de uma causa única, mas de múltiplos fatores (modificações genéticas, personalidades, alterações ambientais, que podem ser “gatilhos”/fatores estressores). Estima-se uma prevalência de 17 a 35% de transtornos mentais na população brasileira.
526
Qual transtorno mental mais prevalente e quais suas características principais?
Entre os transtornos mentais mais prevalentes, a depressão tem grande importância. Ela afeta o humor, a disposição e os sentimentos. Ao longo da vida, estima-se que poderá atingir até um terço da população, sendo mais frequente em mulheres do que em homens. A maior frequência de casos ocorre na 2ª e na 3ª década de vida, e essa é a doença mais associada ao suicídio.
527
Quais são os principais fatores de risco associados à depressão?
Alguns importantes fatores de risco associados à depressão são: - presença de transtornos depressivos em familiares; - presença de episódios depressivos prévios; - eventos negativos na vida; - exposição à violência; e - ausência de suporte familiar e social.
528
Quais critérios diagnósticos do DSM-V identificam depressão maior?
Para identificar depressão maior, segundo o DSM-V, devem estar presentes ≥ 5 dos seguintes sintomas, quase todos os dias, durante pelo menos duas semanas, sendo obrigatório humor deprimido ou perda de interesse/prazer: - Humor deprimido durante a maior parte do dia; - Diminuição acentuada do interesse ou prazer; - Alterações de peso/apetite; - Insônia ou hipersonia; - Agitação ou retardo psicomotor; - Fadiga ou perda de energia; - Sentimentos de inutilidade ou culpa; - Dificuldade de concentração/indecisão; - Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.
529
Quais sinais podem indicar possível depressão?
Sofrimento profundo; angústia e rebaixamento do humor; redução da volição; irritabilidade; baixa autoestima; culpa; fadiga; atenção e concentração reduzidas; alteração do sono, do apetite e da motricidade; autonegligência; comportamento suicida.
530
O que torna a depressão mais grave?
Sintomas psicóticos; comportamento suicida; agravamento dos sintomas; cronicidade dos sintomas; ausência de resposta a tratamentos prévios; presença de comorbidades (ansiedade, TEPT, fobias, uso de substâncias, transtorno do pânico).
531
Como é o tratamento da depressão maior?
O tratamento é multidisciplinar, envolvendo psicoterapia, tratamento psiquiátrico com medicações, modificações ambientais, sociais e laborais. Em casos graves, podem ser usadas eletroconvulsoterapia e estimulação magnética transcraniana como adjuvantes.
532
O que caracteriza o Transtorno Afetivo Bipolar (TAB)?
É uma doença em que, além dos episódios depressivos, o paciente também apresenta episódios de mania ou de hipomania.
533
O que é mania e hipomania?
- Mania: humor elevado, expansivo ou irritável por ≥ 1 semana (ou menos se internado). Sintomas: agitação, sudorese, desinibição sexual, verborreia, grandiosidade, falta de sono, fala acelerada, podendo haver delírios, alucinações e agressividade. - Hipomania: até 4 dias, semelhante à mania, mas com menor intensidade, sem prejuízo funcional grave.
534
Quais os tipos de TAB?
- TAB I: pelo menos um episódio maníaco (pode haver episódios depressivos). - TAB II: pelo menos um episódio hipomaníaco e um de depressão maior, sem mania.
535
Qual a conduta no APH para transtorno bipolar?
O TAB necessita de tratamento medicamentoso contínuo. Em crises, pode haver necessidade de internação ou manejo clínico próximo. Indicações principais de internação: risco para o paciente/terceiros e não adesão ao tratamento. Psicoterapia é adjuvante. Família deve ser orientada e paciente inserido na rede de saúde mental.
536
O que é esquizofrenia e quais seus sintomas?
A esquizofrenia é uma enfermidade complexa caracterizada por distorções do pensamento, percepção de si/realidade e embotamento afetivo (perda da capacidade de sentir e expressar emoções), e geralmente tem início ao fim da adolescência ou no começo da vida adulta. Sintomas positivos: delírios, alucinações, comportamento bizarro. Sintomas negativos: perdas cognitivas, sociais e emotivas, evoluindo para isolamento e limitação funcional.
537
Como é o tratamento da esquizofrenia?
Uso contínuo de antipsicóticos para controlar sintomas e reduzir progressão, associado a psicoterapia como adjuvante. No APH, crises ocorrem frequentemente por abandono de medicação.
538
O que é ansiedade e como pode se manifestar?
A ansiedade é resposta biológica/psicológica normal, adaptativa em níveis não excessivos. Origem multifatorial (psicanalítica, comportamental, existencial). Manifestações psíquicas: apreensão sobre o futuro, medo sem objeto, preocupações excessivas, mal-estar difuso, hipervigilância. Sintomas físicos: tensão muscular, aperto no peito, sintomas GI, taquicardia, sudorese fria, formigamentos.
539
Quais técnicas ajudam em crises de ansiedade?
Comunicação terapêutica, controle da respiração, relaxamento muscular progressivo, respiração em saco de papel.
540
Quais são as diretrizes gerais para abordagem no APH em crises de ansiedade?
Manter calma; identificar-se; ser breve e claro; validar ansiedade como resposta normal; não julgar; ouvir o paciente; ajudar a aceitar situação; permitir silêncio; evitar frases banais; ensinar técnicas de respiração e relaxamento.
541
O que são crises conversivas e episódios de somatização?
- Situações em que, diante de sofrimento psíquico intenso, surgem sintomas físicos sem causa médica típica (ex.: contorções, dores, gemidos). - São defesas inconscientes. - O socorrista deve acolher e orientar paciente/família, sem julgamentos ou punições.
542
Qual a importância da boa abordagem em situações de crise e violência?
Uma boa abordagem é fundamental para desfecho positivo e prevenção de adoecimento crônico. Deve haver acolhimento e encaminhamento às redes adequadas (NEPAVS para mulheres; Conselho Tutelar para crianças/adolescentes; conselhos do idoso; rede policial e justiça para apoio).
543
O que é demência?
A demência é uma síndrome neurocognitiva crônica e progressiva, caracterizada por um declínio das funções cognitivas, suficientemente grave para interferir na vida diária, no trabalho e na autonomia da pessoa.
544
Quais são as principais características da demência?
- Comprometimento da memória (principalmente a recente). - Alterações de linguagem. - Desorientação temporal e espacial. - Alterações de julgamento e raciocínio. - Mudanças de comportamento e personalidade. - Dificuldade em realizar atividades do cotidiano.
545
Quais são as causas mais comuns de demência?
- Doença de Alzheimer (mais frequente). - Demência vascular. - Demência por corpos de Lewy. - Demência frontotemporal. - Outras: traumatismos, alcoolismo, infecções, deficiências vitamínicas.
546
Quais são os principais fatores de risco para demência?
Idade avançada, histórico familiar, hipertensão, diabetes, obesidade, sedentarismo, tabagismo, alcoolismo e baixo nível educacional.
547
Como é feito o diagnóstico da demência?
Por avaliação clínica e neuropsicológica, exames laboratoriais e de imagem, e exclusão de causas reversíveis de déficit cognitivo.
548
O tratamento da demência pode curar o paciente?
Não, mas pode retardar a progressão e melhorar a qualidade de vida com medicamentos, controle de fatores de risco, estimulação cognitiva e apoio multiprofissional.
549
Como deve ser a abordagem do paciente com demência no atendimento pré-hospitalar (APH)?
- Abordagem calma e empática. - Comunicação clara e simples. - Garantir segurança do paciente. - Verificar uso de medicamentos e condições associadas. - Colher informações com familiares ou cuidadores.
550
Qual é o objetivo de uma boa assistência ao parto?
O objetivo de uma boa assistência ao parto é tentar garantir (salvaguardar) a saúde da mulher e do recém nascido (RN) antes, durante e após o parto.
551
Quais são os períodos do desenvolvimento humano correlacionados à idade gestacional?
- Período embrionário: estende-se da fecundação até o final da oitava semana de gestação. Ao final desse período, o embrião terá os primórdios das principais estruturas orgânicas; - Período fetal: começa no primeiro dia da nona semana de gestação e se prolonga até o nascimento. Ao longo de todo esse período, ocorrem a diferenciação e o crescimento dos tecidos e dos órgãos. Nesta fase, o ser humano em desenvolvimento é chamado de feto.
552
Como a OMS define abortamento?
O abortamento é definido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como a interrupção da gravidez, espontânea ou provocada, antes de 22 semanas ou com um feto até 500 g ou de 16,5 cm, ou seja, antes de atingida a viabilidade (capacidade de sobreviver no ambiente externo ao útero materno).
553
Quais mudanças ocorrem no sistema materno durante a gravidez?
No geral, os sistemas maternos modificam-se para fornecer o suporte ideal para o feto. Ocorre um aumento do volume sanguíneo em torno de 30% a 50% e a formação de vasos importantes à fixação da placenta.
554
Como é formado o cordão umbilical?
O cordão umbilical é formado por duas artérias e uma veia que conectam a placenta ao concepto para que este possa receber oxigênio e nutrientes da mãe e excretar os subprodutos de seu metabolismo.
555
: Quais são as faces da placenta?
A placenta tem duas faces, sendo a mais lisa a que fica voltada para o feto, e a granulosa a que fica aderida à parede uterina.
556
Qual é a função do líquido amniótico?
O feto fica envolto pelo líquido amniótico, que fica dentro do saco amniótico, sendo este responsável pela proteção contra impactos, permitindo ainda que o feto realize movimentos necessários para o desenvolvimento de ossos e músculos. O líquido amniótico é composto por uma pequena quantidade de nutrientes, hormônios e anticorpos. O feto inspira, expira e engole esse líquido, favorecendo a maturação dos sistemas pulmonar, digestivo e urinário.
557
O que é o tampão mucoso e qual sua função?
No início da gravidez, o útero produz uma secreção que forma o tampão mucoso e oclui o colo uterino, evitando com isso a entrada de bactérias e protegendo o feto contra possíveis infecções. Esse tampão pode ser expulso no trabalho de parto ou até mesmo alguns dias antes, indicando que o nascimento está próximo.
558
O que é hipotensão postural supino e como preveni-la?
O fator mecânico afeta ainda mais a gestante quando ela fica em decúbito dorsal, ocasionando a hipotensão postural supino, quando a veia cava inferior é pressionada pelo útero, dificultando o retorno sanguíneo para o coração. A gestante pode queixar-se de tontura e mal-estar, e para impedir que isso ocorra é importante que ela evite essa posição, sendo preferível a posição lateral esquerda, que descomprime a veia cava.
559
Quando se considera o início do trabalho de parto?
De modo geral, tem como critério de partida a presença de contrações uterinas rítmicas, prolongadas (30 a 60 segundos) e de forte intensidade. Aceita-se o início do trabalho de parto quando essas contrações acontecem de duas a quatro vezes em dez minutos, sendo o número mais aceito o de três contrações acompanhadas de dilatação do colo uterino de 4 cm.
560
Quais são as fases do trabalho de parto?
1- Dilatação: inicia com as primeiras contrações efetivas (intensas, regulares e dolorosas) e termina com a dilatação completa do colo uterino (10 cm), momento em que o feto entra no canal de parto. 2- Expulsão: estende-se do momento em que o feto adentra o canal de parto até o final do processo de nascimento. 3- Dequitação: do nascimento até a completa expulsão da placenta.
561
Quais são as principais complicações do trabalho de parto?
Hemorragia excessiva (antes ou após o parto), apresentação anômala (pélvica ou membros, de ombro), prolapso do cordão e distócia de ombros (quando apenas a cabeça fetal saiu e os ombros ficaram presos).
562
Como classificar o feto de acordo com a idade gestacional?
- Pré-termo: feto com menos de 37 semanas completas. - A termo: de 37 semanas até menos que 42 semanas completas. - Pós-termo: a partir de 42 semanas completas.
563
Quais informações devem ser incluídas na entrevista feita pelo socorrista com a parturiente?
- Realização de pré-natal: solicitar o cartão da parturiente e avaliar informações. - Histórico de paridade (número de filhos e tipos de parto). - Perda vaginal atual (muco, sangue, líquido amniótico). - Presença de comorbidades. - Alergias, especialmente a medicamentos. - Uso de medicação. - Sinais vitais. - Idade gestacional e/ou data provável do parto. - Contrações uterinas (frequência e duração). - Inspeção da vulva: abaulamento e coroamento.
564
Quais são os tipos de parto que o socorrista deve diferenciar?
Não expulsivo, iminente, consumado ou anômalo.
565
Quais são os sinais de um parto iminente?
Idade gestacional maior ou igual a 22 semanas; contrações fortes e frequentes (três ou mais em 10 minutos), com duração acima de 30 segundos; presença de puxos espontâneos; sensação de pressão no períneo ou de evacuação; visualização da distensão perineal e/ou apresentação fetal na vulva.
566
Quais posições podem ser adotadas para o parto iminente?
- Posições verticalizadas (cócoras ou Laborie-Duncan). - Posição de quatro apoios. - Posição de decúbito lateral esquerdo (Sims). - Posição de decúbito dorsal (tradicional).
567
Como deve ser feito o clampeamento do cordão umbilical?
1º clamp: 15 a 20 cm a partir do abdome do RN. 2º clamp: 3 a 4 cm à frente do 1º clamp. Cortar com lâmina de bisturi estéril, no sentido de baixo para cima, entre os dois clamps umbilicais.
568
Quais cuidados devem ser dados à puérpera após a dequitação?
A expulsão completa da placenta pode ocorrer de 10 a 30 minutos. A parturiente deve receber assistência: proteger o períneo durante avanço do feto; avaliar circular de cordão; acompanhar desprendimento dos ombros; apoiar o RN lateralizado sobre o abdome da mãe; aguardar 1 a 3 minutos para clampear o cordão (exceto em casos de sofrimento fetal, isoimunização ou HIV); acondicionar placenta em saco coletor; anotar dados da mãe e do RN; registrar procedimentos e condições do parto.
569
Qual assistência a parturiente deve receber após o nascimento?
1- realizar a avaliação primária com ênfase nos sinais de choque circulatório; 2- fazer a limpeza da região genital; 3- colocar absorvente higiênico; 4- fazer massagem abdominal para estimular a involução uterina logo após o nascimento do RN; 5- oferecer suporte emocional durante todo o atendimento
570
Como deve ser classificado e assistido o RN a termo que respira ou chora e tem bom tônus muscular?
Após a expulsão completa, o RN a termo que respira ou chora e tem bom tônus muscular é classificado com boa vitalidade e não necessita de manobras de reanimação.
571
Quais são os cuidados iniciais com o RN de boa vitalidade?
1- Com o RN ainda envolvido em campo estéril, retirá-lo do abdome materno ou do espaço entre as pernas da mãe e colocá-lo sobre superfície plana. 2- Posicionar a cabeça do RN em leve extensão, observando a respiração. 3- Aspirar boca e nariz (sonda n. 8 ou 10) somente se houver secreção. A aspiração de vias aéreas não deve ser realizada de rotina e, sim, reservada somente ao RN com excesso de secreções nas vias aéreas, causando obstrução ao padrão respiratório. 4- Secar o corpo e a cabeça, em especial a região das fontanelas, e desprezar os campos (ou compressas) úmidos. 5- Colocar touca de lã ou de algodão no RN, se disponível, caso contrário cobrir a cabeça do bebê com pano limpo. 6- Envolver o RN em outro campo estéril limpo e seco, mantendo abertura frontal suficiente para terminar a avaliação. 7- Se necessário, reposicionar a cabeça em leve extensão.
572
Como deve ser feita a avaliação do RN nos primeiros minutos de vida?
Avaliar e classificar no primeiro minuto de vida a frequência cardíaca (FC) com o estetoscópio no precórdio, o tônus muscular, a respiração/choro e a coloração da pele; depois, observar continuamente a atividade no quinto minuto de vida e classificar de acordo com o Escore de Apgar.
573
Qual é a temperatura axilar normal do RN e como proceder se estiver alterada?
A temperatura axilar normal está entre 36,5 °C e 37,5 °C. - Se normal: envolver o RN em campo estéril e colocar manta metálica sobre o campo (sem tocar a pele do RN). - Se < 36,5 °C: envolver o RN em campo estéril, colocar sobre esse campo um cobertor e sobre o cobertor a manta metálica. - Se > 37,5 °C: envolver o RN somente em campo estéril.
574
O que deve ser feito após os cuidados iniciais e estabilização do RN?
1- Apresentá-lo à mãe e ao pai e identificar a mãe e o RN com pulseiras. 2- Preparar o RN para o transporte, de preferência o auxiliar ou o acompanhante devem segurá-lo ao lado da mãe. 3- Entrar em contato com a regulação médica e passar as informações de forma sistematizada.
575
O que caracteriza o parto consumado e quais devem ser as condutas iniciais do socorrista?
O parto consumado é aquele em que o recém-nascido com idade gestacional maior ou igual a 22 semanas foi completamente expulso. Na assistência ao parto consumado o socorrista deve, de imediato, realizar a avaliação primária da parturiente e do RN, com ênfase no padrão respiratório, na frequência cardíaca e na presença de hemorragias. Caso os pacientes estejam estáveis, realizar a avaliação secundária acrescentando o tempo decorrido desde o nascimento, seguindo os cuidados com a paciente e com o RN, de acordo com os procedimentos do parto iminente e da assistência ao RN.
576
O que deve ser feito diante de sinais de parto iminente com apresentação anômala?
Quando os sinais e os sintomas de parto iminente estão presentes, mas a apresentação fetal não é cefálica (ombros, pelve ou membros), DEVE-SE proceder à assistência ao parto com apresentação anômala. Após as avaliações primária e secundária, o socorrista que identificar na inspeção da vulva um parto iminente com apresentação anômala deve informar a paciente e os familiares, realizar contato com a regulação médica para passar as informações e receber orientações sobre procedimentos e transporte da paciente. No caso de aguardar apoio ou se for realizar o transporte, a paciente deve ser posicionada em decúbito lateral esquerdo ou POSIÇÃO GENUPEITORAL (posição de prece).
577
Como deve agir o socorrista em caso de parto com apresentação de ombros, membros ou pélvica?
Quando há apresentação de ombros ou membro superior é improvável o nascimento ocorrer por via vaginal; a apresentação pélvica é mais bem assistida com a paciente na posição de quatro apoios, devendo o socorrista: monitorar possível saída do bebê e entrar em contato com regulação para solicitar orientações; em caso de expulsão natural, amparar a saída do corpo fetal sem tracionar e sem estimular em excesso o tórax fetal (para evitar a deflexão da cabeça fetal); após a saída do abdome fetal, realizar alça de cordão umbilical (puxar cerca de 20 centímetros do cordão umbilical).
578
O que é pré-eclâmpsia e o que define a eclâmpsia?
A pré-eclâmpsia é uma complicação da gravidez em que a pressão arterial AUMENTA (sistólica ≥ 140 mmHg e/ou pressão arterial diastólica ≥ a 90 mmHg) e ocorre após a 20ª semana de gestação, estando associada à proteinúria (presença de proteína) ou sinais de gravidade. A eclâmpsia é a situação mais grave, na qual a paciente com pré-eclâmpsia evolui com crises epilépticas.
579
Quais sinais e sintomas indicam eclâmpsia grave e/ou iminência de eclâmpsia?
A presença de apenas um destes sinais ou sintomas já indica eclâmpsia grave e/ou iminência de eclâmpsia: cefaleia intensa, distúrbios visuais, dor na região epigástrica e/ou dor torácica (associada ou não à dispneia), náuseas, vômitos, pressão arterial maior que 160/110 mmHg e disfunção renal (oligúria), sendo, portanto, definidores de urgência obstétrica.
580
Quais as principais condutas do socorrista diante de gestante com sinais de pré-eclâmpsia/eclâmpsia?
Solicitar consentimento para o atendimento; garantir a privacidade da paciente; realizar exame primário, priorizando a ventilação e a circulação da gestante; oferecer O₂ sob máscara com reservatório (não reinalante) se a saturação estiver abaixo de 95%; posicioná-la em decúbito lateral esquerdo; fazer a entrevista direcionada; questionar se a parturiente já tem histórico de aumento de pressão e/ou pré-eclâmpsia/eclâmpsia; pesquisar se houve perda de consciência ou crise epiléptica; seguir com o exame secundário (sinais vitais); caso sejam identificados sinais de iminência ou eclâmpsia, reportar a situação à Central de Regulação, preparar a paciente para transporte; em crise epiléptica, manter lateralização à esquerda e tratar conforme capítulo sobre crise epiléptica; solicitar acompanhante, oferecer apoio emocional e promover transporte imediato à unidade de saúde.
581
O que caracteriza hemorragia puerperal e como deve ser a conduta do socorrista?
A hemorragia puerperal é identificada quando a paciente apresenta sangramento excessivo no pós-parto (principalmente associado à atonia ou à hipotonia uterina), acompanhada ou não de dor pélvica e possíveis sinais de choque. A conduta inclui: garantir a privacidade da paciente; realizar exame primário, dando destaque aos sinais de choque circulatório; ofertar oxigênio conforme a saturação; aquecer a puérpera; colocar absorvente higiênico e/ou lençol limpo; verificar sinais vitais e anotar dados; entrar em contato com regulação médica; transportar paciente na posição mais confortável possível, garantindo aquecimento e avaliação contínua.
582
Quais são os tipos mais comuns de traumas na gestante e suas complicações?
Trauma fechado: 90% dos casos (acidente automobilístico, quedas, acidentes com pedestres e agressões). Trauma penetrante: arma de fogo e penetrantes – 60% a 90% dos casos em que há lesão uterina, mortalidade fetal em torno de 70%, rompimento de cordão umbilical e demais membranas. Complicações: 1. Descolamento prematuro de placenta; 2. Rotura uterina; 3. Trauma fetal; 4. Trauma perfurante; 5. Queimaduras na gestante; 6. Choque elétrico; 7. Agressões e violência sexual.
583
Quais alterações fisiológicas típicas da gestação influenciam o desfecho em situações de trauma?
Aumento do volume uterino (maior risco de trauma uterino); aumento do volume sanguíneo (dificulta identificação de perda sanguínea e favorece choque hemorrágico); aumento dos fatores de coagulação (risco de tromboembolismo venoso); aumento da frequência respiratória (alcalose respiratória); diminuição da área pulmonar; plenitude gástrica (maior risco de broncoaspiração, sendo necessária passagem de sonda nasogástrica ainda na cena).
584
O que é a cesárea perimortem e quando pode ser indicada?
O índice de êxito dessa intervenção está relacionado à idade gestacional maior que 24 a 28 semanas. Pode apresentar-se como possibilidade quando após 4 minutos de RCP de qualidade na gestante não ocorrer o retorno da circulação espontânea. Nesse caso, a retirada do concepto deverá ocorrer no quinto minuto, visando preservar sua viabilidade neurológica.
585
O que é o diabetes mellitus?
É uma doença metabólica crônica caracterizada por hiperglicemia devido à falta de produção de insulina ou resistência à sua ação no organismo.
586
Qual é o hormônio envolvido no controle da glicose?
A insulina, produzida pelas células beta do pâncreas, responsável por permitir que a glicose entre nas células. Obs.: A Tirosina quinase é responsável por abrir a célula para que a glicose entre.
587
O que acontece na fisiopatologia do diabetes?
A glicose não entra nas células, acumulando-se no sangue. As células passam a usar gordura e proteínas, gerando corpos cetônicos e podendo causar cetoacidose diabética.
588
Quais são os principais tipos de diabetes?
-Tipo 1 – O corpo não produz insulina (autoimune). - Tipo 2 – O corpo resiste à insulina (ligado à obesidade e sedentarismo). - Gestacional – Surge na gravidez, por alterações hormonais.
589
Quais são as causas do diabetes tipo 1 e tipo 2?
- Tipo 1: destruição autoimune das células beta, mas como em jovens (10 a 14 anos). - Tipo 2: resistência à insulina, obesidade, má alimentação, sedentarismo e fatores genéticos. (exaustão das células beta)
590
Quais são os principais sintomas do diabetes?
Sede excessiva, urina frequente, fome aumentada, cansaço, perda de peso e visão turva.
591
Quais são as principais complicações do diabetes?
1- Cardíacas: infarto e AVC 2- Renais: insuficiência renal 3- Oculares: retinopatia (cegueira) 4- Neuropáticas: perda de sensibilidade 5- Úlceras e amputações em membros inferiores
592
Qual é a conduta do socorrista em caso de hipoglicemia?
- Se consciente, oferecer algo com açúcar. - Se inconsciente, não dar nada por via oral, manter vias aéreas livres, colocar em posição lateral de segurança e acionar o SAMU (192).
593
O que é hipoglicemia?
A hipoglicemia é definida como o conjunto de sinais e sintomas resultantes da queda da concentração de glicose no sangue (glicemia).
594
Quais são os níveis glicêmicos abaixo dos quais o paciente apresenta clínica de hipoglicemia?
Podem variar de pessoa para pessoa, sendo, habitualmente, por volta de 50-70 mg/dL (miligramas por decilitro).
595
O que é a tríade de Whipple?
Concentração de glicose plasmática baixa, sintomas compatíveis com hipoglicemia e reversão dos sintomas após correção glicêmica.
596
Qual o conceito de hipoglicemia segundo a American Diabetes Association (ADA)?
A ADA adota como conceito de hipoglicemia em pacientes diabéticos a glicemia plasmática <70 mg/dL, independentemente da faixa etária, por estar correlacionada com alterações dos hormônios contra reguladores, essenciais na reversão espontânea da hipoglicemia.
597
Como a Sociedade Brasileira de Diabetes (SBD) 2019-2020 classifica os níveis de hipoglicemia?
- nível 1 (baixo) – entre 55 e 70 mg/dL; - nível 2 (severamente baixo) – menor ou igual a 54 mg/dL; - nível 3 – quando ocorre o comprometimento cognitivo, com necessidade de terceiros para recuperação, sem limites glicêmicos definidos.
598
Qual é a emergência endócrina mais frequente em pacientes diabéticos?
A hipoglicemia.
599
Quais são as principais causas de hipoglicemia em pacientes diabéticos?
Doses excessivas de insulina e/ou de hipoglicemiantes orais. Outras causas incluem ingestão deficiente de carboidratos, consumo excessivo de álcool, exercícios físicos extenuantes, insulinomas (tumores produtores de insulina) e hepatopatia crônica (cirrose).
600
Quais os sinais e sintomas de hipoglicemia?
*Alteração do nível de consciência * Cefaleia * Tremores * Confusão mental * Fraqueza * Taquicardia * Sudorese * Convulsões * Alterações visuais * Coma.
601
O que deve ser feito em caso de hipoglicemia grave (em torno de 40 mg/dL)?
Os pacientes geralmente apresentam rebaixamento de consciência, crises epilépticas e coma. A diminuição contínua dos níveis de glicemia para valores abaixo de 30 mg/dL pode levar o paciente à morte.
602
Quais condutas o socorrista deve tomar diante de um paciente com suspeita de hipoglicemia no APH?
- Realizar exame primário e proteger vias aéreas. - Administrar oxigênio se SatO₂ <95%. - No exame secundário, aferir sinais vitais e fazer anamnese pelo SAMPLA. - Se habilitado, medir glicemia capilar. - Administrar glicose EV conforme médico regulador. - Se nível de consciência preservado, oferecer açúcar, suco de laranja ou refrigerante. - Transportar a hospital de referência.
603
O que é hiperglicemia?
A hiperglicemia consiste no aumento das taxas de glicose sanguínea, sendo uma das principais e mais recorrentes alterações no paciente portador do diabetes mellitus (DM), doença caracterizada pela produção insuficiente de insulina, hormônio regulador da glicose no sangue, ou incapacidade desta de desempenhar sua função normalmente. Obs.: A hipoglicemia é causada, pois o pâncreas produz células betas, que produzem a insulina, que carreia a glicose para a célula muscular, mas quando esse transporte não ocorrer de forma eficiente a glicose fica acumulada na corrente sanguínea. Causando a hiperglicemia.
604
Quais os valores glicêmicos para diagnóstico do diabetes mellitus?
126 mg/dL no indivíduo em jejum ou 200 mg/dL quando coletada ao acaso.
605
Quais os níveis glicêmicos geralmente encontrados em emergências hiperglicêmicas?
Emergências médicas relacionadas à hiperglicemia estão presentes, geralmente, em níveis glicêmicos maiores que 250 mg/dL nos casos de cetoacidose diabética (CAD) e maiores que 600 mg/dL no estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH).
606
O que caracteriza a cetoacidose diabética (CAD)?
Resulta da deficiência intensa de insulina e do excesso de hormônios hiperglicemiantes, como cortisol, catecolaminas, glucagon e GH. Há produção de ácidos graxos no fígado, corpos cetônicos e consequente acidose metabólica (pH sanguíneo reduzido). Obs.: característica de DM 1.
607
O que caracteriza o estado hiperosmolar hiperglicêmico (EHH)?
Quadro em pacientes >40 anos, instalação em dias, desidratação acentuada, rebaixamento do nível de consciência, convulsões, pH > 7,3. Apresenta morbimortalidade maior que a CAD. Obs.: Característica de DM2
608
Quais os sinais e sintomas da hiperglicemia?
*Náuseas e vômitos * Sonolência * Dor abdominal * Fadiga * Hálito cetônico * Alteração do nível de consciência * Poliúria (aumento do volume urinário) * Polidipsia (aumento da sede) * Polifagia (aumento do apetite) * Pele seca e com turgor diminuído * Taquicardia * Hipotensão * Taquipneia.
609
Quais condutas devem ser tomadas diante de crise hiperglicêmica no APH?
- Avaliar condições que ameacem a vida. - Prevenir broncoaspiração em caso de vômitos. - Avaliar e monitorar nível de consciência. - Proteger vias aéreas se necessário. - Administrar oxigênio se SatO₂ <95%. - Se habilitado, iniciar hidratação com solução fisiológica conforme médico regulador. - Verificar sinais vitais e realizar anamnese com SAMPLA. - Comunicar médico regulador e providenciar transporte para hospital de referência.
610
Quais são os principais locais do corpo para aplicar insulina?
Os principais locais do corpo para aplicar insulina são o abdómen, as coxas, os braços e as nádegas. É fundamental fazer um rodízio desses locais para evitar problemas como a lipodistrofia, que pode prejudicar a absorção da insulina e causar alterações nos níveis de açúcar no sangue.
611
Como deve ser feita a aplicação da insulina?
- Abdómen: Região lateral direita e esquerda do abdómen, mantendo uma distância de pelo menos 3 a 4 dedos do umbigo; (absorção rápida) - Coxas: Porção frontal e lateral externa da coxa, na área entre 3 a 4 dedos acima do joelho e 3 a 4 dedos abaixo da virilha; (absorção lenta) - Braços: Região posterior e externa do braço, a uma distância de 3 a 4 dedos abaixo da axila e acima do cotovelo; (absorção média) - Nádegas: Parte superior lateral externa dos glúteos, tendo como referência a prega interglútea. (absorção lenta) - Rodízio de locais: Nunca aplique no mesmo ponto de aplicação. Mude o local em cada aplicação e espere pelo menos 14 dias para retornar ao mesmo ponto.
612
Qual deve ser a distância entre os pontos de aplicação de insulina?
Distância entre os pontos: Deixe um espaço de aproximadamente 1 a 2 centímetros (ou 1 dedo) entre as aplicações.
613
Quais áreas devem ser evitadas na aplicação de insulina?
Evitar áreas problemáticas: Não aplique insulina em locais com feridas, veias visíveis, áreas inflamadas ou cicatrizes.
614
Quais sinais devem ser observados na pele antes da aplicação de insulina?
Observar a pele: Fique atento a sinais de lipodistrofia (caroços ou inchaços) e evite aplicar nestas áreas.
615
O que é hipoxemia e qual sua principal consequência?
A redução da concentração de oxigênio no sangue arterial é chamada de hipoxemia, e a principal consequência dessa situação é a hipóxia, redução do nível de oxigênio nos tecidos.
616
Como o choque circulatório pode levar à hipoxemia?
O choque circulatório pode levar o paciente a um quadro de hipoxemia devido à redução do sangue circulante e consequente redução na concentração de oxigênio. Neste cenário é comum, além da hipoxemia, a redução do tempo de enchimento capilar.
617
O que é volume minuto e como é calculado?
O volume minuto é definido pela quantidade de ar que entra e sai dos pulmões durante um minuto, e a forma de ser calculado é multiplicando o volume corrente (volume de ar que adentra aos pulmões em cada ventilação) pela frequência respiratória (quantidade de incursões respiratórias por minuto). Em repouso, um indivíduo adulto e saudável necessita de aproximadamente 7 L/min para realizar efetivamente as trocas gasosas.
618
Como pode ser avaliada a oxigenação tecidual?
A oxigenação tecidual pode ser avaliada, de forma confiável, pela monitorização contínua e não invasiva do oxímetro de pulso (espectrofotometria), que expressa a taxa (saturação de oxigênio ou SpO₂) de hemoglobina associada ao oxigênio (oxihemoglobina).
619
Qual o valor considerado normal para a SpO₂?
O valor considerado normal para a SpO₂ é ≥ 95%.
620
Quais sintomas podem surgir quando a SpO₂ < 95%?
Uma SpO₂ < 95% pode gerar dispneia, dor de cabeça, forte cansaço, sonolência, náuseas, diarreia, falta de apetite, raciocínio lento, redução da coordenação motora, taquicardia, entre outros.
621
O que ocorre quando a saturação cai abaixo de 90%?
Quando a saturação atinge níveis abaixo de 90%, a oxigenação tecidual pode ficar seriamente comprometida, com declínio das funções orgânicas.
622
Conceitos importantes de oxigenoterapia: o que é ventilação, oxigenação, SpO₂ e FiO₂?
- Ventilação: entrada e saída de ar entre alvéolos e o meio externo. - Oxigenação: concentração de oxigênio nos tecidos. - SpO₂: porcentagem de hemoglobina ligada ao oxigênio. - FiO₂: porcentagem de oxigênio no ar inspirado. Em ar ambiente, ao nível do mar, FiO₂ = 21%.
623
Como funciona o oxímetro de pulso?
O oxímetro possui LEDs e um fotodetector. Feixes de luz atravessam os tecidos, sendo absorvidos de acordo com a saturação da hemoglobina. O fotodetector capta a luz transmitida e o microprocessador calcula o valor da SpO₂.
624
Quais fatores podem interferir na leitura do oxímetro?
Luz ambiente excessiva, tremores, pulso fraco/irregular, vasoconstrição periférica, intoxicação por monóxido de carbono (que gera leitura falsamente alta).
625
O que é oxigenoterapia e qual seu objetivo?
A oxigenoterapia é o uso do oxigênio como medicamento no tratamento de hipoxemia. O objetivo é manter SpO₂ ≥ 95% para preservar a oxigenação celular, evitando hipóxia.
626
Quais os benefícios da oxigenoterapia?
Melhora da oxigenação tecidual, redução da sobrecarga cardíaca e atenuação da insuficiência respiratória.
627
Quais riscos existem no uso incorreto da oxigenoterapia?
Pode causar toxicidade do oxigênio, produção de radicais livres, lesões pulmonares, piora da função cardiopulmonar e neurológica, depressão respiratória, aumento de CO₂, alteração da relação ventilação/perfusão e ressecamento de mucosas.
628
Quais são os dispositivos auxiliares na oxigenoterapia?
- Cânula orofaríngea: evita oclusão da faringe pela língua, usada em inconscientes. - Cânula nasofaríngea: introduzida pela cavidade nasal, pode ser usada em conscientes e inconscientes (exceto em trauma de face).
629
Quais os dispositivos de distribuição de O₂ e suas características?
- Cateter nasal: 1 a 6 L/min, 24 a 44%. - Máscara facial: 6 a 10 L/min, 35 a 60%. - Máscara de Venturi: 2 a 12 L/min, 24 a 60% (precisão, usada em DPOC). - Máscara facial com reservatório: 12 a 15 L/min, 60 a 90%. - Bolsa-valva-máscara (BVM): 15 L/min, 100%.
630
O que é a asma e quais são suas principais características?
A asma é uma doença inflamatória com obstrução reversível das vias aéreas e a inflamação das vias aéreas inferiores causa estreitamento brônquico devido à constrição da musculatura, à hiperprodução de muco e à hipersensibilidade a alérgenos. Como consequência, há episódios de exacerbações com dispneia, tosse e sibilos (ruídos pulmonares semelhantes a “chiados”).
631
Quais são os principais desencadeantes de crises de asma?
A infecção viral costuma ser o principal desencadeante das crises, mas também estão presentes partículas ambientais nocivas, como pólen de grama, árvores, ervas daninhas, mofo, odores ou perfumes fortes, entre outros.
632
Qual é o papel das células defensoras na asma?
Células defensoras do nosso organismo possuem um papel fundamental na reação inflamatória da asma, pois quando ativadas liberam mediadores químicos que geram a resposta inflamatória.
633
Como a asma evolui com a progressão da doença?
Com a progressão da doença ela se torna mais persistente, e outros fatores como edema das vias respiratórias, hipersecreção de muco e formação de tampões agem na limitação do fluxo de ar.
634
O que caracteriza a doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC)?
A DPOC é caracterizada por limitação do fluxo de ar (não totalmente reversível), geralmente progressiva e associada à resposta inflamatória pela exposição a partículas e/ou gases nocivos.
635
Quais doenças a DPOC abrange?
- Bronquite obstrutiva crônica: tosse produtiva por pelo menos três meses em dois anos consecutivos. - Enfisema pulmonar: compromete a troca gasosa e destrói estruturas alveolares.
636
Quais os principais fatores de risco para a DPOC?
Tabagismo, poluição do ar ambiente e exposição ocupacional.
637
: Quais são os sinais e sintomas de emergência respiratória na asma?
Tosse com ou sem muco, dispneia, sibilos na inspiração e expiração, sensação de aperto torácico, expirações prolongadas e difíceis. Em casos graves: sudorese, taquicardia, cianose e hipóxia. Crises são mais frequentes à noite e/ou pela manhã.
638
O que é estado de mal asmático?
Quando os sintomas da asma apresentam-se de forma persistente e com progressão rápida, podendo evoluir para asfixia e parada respiratória.
639
Quais sintomas respiratórios específicos podem aparecer na DPOC e também na asma?
- sibilância; - tosse (com ou sem muco); - respiração dificultosa; - esforço na inspiração/expiração; - uso da musculatura acessória; - dificuldade para respirar em esforço físico; - sensação de aperto torácico; - dispneia.
640
Como identificar a gravidade de uma emergência respiratória?
Avaliar dispneia, uso da musculatura acessória, respiração paradoxal e cianose. Esses sinais indicam maior gravidade do quadro.
641
Como deve ser mantida a via aérea em emergências respiratórias?
A via aérea deve ser mantida pérvia, se necessário com manobra de posicionamento (inclinação da cabeça e elevação do queixo em pacientes sem suspeita de trauma). Caso contrário, informar ao médico regulador para providenciar Suporte Avançado de Vida.
642
Quais parâmetros devem ser avaliados na ventilação em emergências respiratórias?
O socorrista deve avaliar o ritmo ventilatório (rápido/lento) e inspecionar o tórax para verificar o uso da musculatura acessória.
643
Quando utilizar oxigênio suplementar na asma e na DPOC?
- Asma: iniciar O₂ quando SpO₂ < 95%. - DPOC: quando SpO₂ < 90%, sem ultrapassar 1–3 L/min.
644
O que deve ser priorizado na avaliação do paciente com emergência respiratória?
Avaliar estado circulatório, sinais vitais, anamnese e frequência respiratória. Frequência >30 ou <6 ventilações/min indica insuficiência respiratória.
645
Quais cuidados adicionais devem ser tomados com o paciente em emergência respiratória?
Evitar que caminhe ou faça esforço físico, oferecer suporte emocional para prevenir agravamento do quadro clínico.
646
Posições x Tipos de Choque
1- posição recomendada para o choque hipovolêmico: Decúbito dorsal com elevação dos membros inferiores (Trendelenburg modificado). Favorece o retorno venoso; não usar em casos de TCE ou fraturas de membros inferiores/pelve. 2- posição recomendada para o choque cardiogênico: Semi-Fowler (cabeceira elevada a 30–45°). Facilita o trabalho cardíaco e melhora a respiração. Evitar elevar as pernas, pois pode piorar a congestão. 3- posição recomendada para o choque anafilático: Decúbito dorsal com pernas elevadas, se o paciente estiver consciente. Se houver dificuldade respiratória → posição semi-sentada para facilitar a ventilação. 4- posição recomendada para o choque séptico: Decúbito dorsal com pernas elevadas (posição supina modificada). Visa manter perfusão; priorizar oxigenação e expansão volêmica. 5- posição recomendada para o choque neurogênico: Decúbito dorsal com alinhamento cervical. Atenção à estabilização da coluna cervical; pernas elevadas apenas se não houver contraindicação. 6- posição recomendada para o choque obstrutivo: Semi-Fowler (tronco elevado). Facilita expansão pulmonar e melhora o retorno venoso; depende da causa e da estabilidade clínica. 7- posição recomendada em casos de TCE com choque associado: Cabeceira elevada a 30°, corpo alinhado. Nunca usar Trendelenburg, pois aumenta a pressão intracraniana.