DPC Flashcards

(30 cards)

1
Q

Defina Dor Pélvica Crônica (DPC) considerando sua duração, localização e impacto funcional.

A

Dor Pélvica Crônica é a dor com duração de 6 ou mais meses que se localiza na pelve, na parede abdominal anterior abaixo da cicatriz umbilical, na região lombossacral ou nas nádegas, com intensidade suficiente para causar impedimento funcional à paciente ou levá-la ao cuidado médico.

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2
Q

Qual a prevalência da DPC em mulheres entre 18 e 50 anos, e a média de duração dos sintomas?

A

A DPC afeta 10 a 15% das mulheres entre 18 e 50 anos de idade, sendo que, em uma parcela de pacientes, a etiologia não será definida. A duração dos sintomas é de 2,5 anos.

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3
Q

Cite a causa isolada mais comum de DPC e identifique os diversos sistemas orgânicos que podem estar envolvidos na sua etiologia multifatorial.

A

A causa isolada mais comum é a endometriose. A DPC é multifatorial com localizações de dor no trato reprodutivo, urinário, gastrointestinal e nas estruturas musculoesqueléticas ou no SNC.

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4
Q

Quais são as três condições previamente associadas à DPC que não possuem comprovação de causalidade direta?

A

As condições associadas à DPC sem comprovação são: retroversão uterina, congestão pélvica e os defeitos peritoneais.

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5
Q

Liste as seis categorias de condições mais prevalentes associadas à DPC.

A

As condições mais prevalentes são: endometriose, aderências pélvicas, dismenorreia, distúrbios funcionais do intestino, distúrbios urológicos, distúrbios musculoesqueléticos, e diagnósticos psicológicos.

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6
Q

Aderências pélvicas estão presentes em 25% das pacientes com DPC. Em quais casos a lise de aderências é clinicamente benéfica, e em quais não há evidência de benefício?

A

A lise de aderências não demonstra benefício em mulheres com DPC. Somente mulheres com aderências firmes e vascularizadas relatam alívio após a lise das mesmas.

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7
Q

Descreva a dismenorreia e seus fatores de risco. Diferencie dismenorreia primária e secundária.

A

Dismenorreia é a magnificação dos sintomas crônicos no período perimenstrual, podendo ser acompanhada de dor lombar, náuseas e vômitos, cefaleia ou diarreia. Fatores de risco incluem idade < 20 anos, tentativa de perda de peso, depressão, menorragia, nuliparidade e fumo. A dismenorreia primária aparece logo após a menarca, tem caráter cíclico, com duração máxima de 72 horas. A dismenorreia secundária surge anos após a menarca e com intensidade crescente, podendo estar associada a endometriose, DIU ou hímen imperfurado.

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8
Q

Quais são as opções terapêuticas para dismenorreia primária e secundária que respondem bem à medicação?

A

Ambas respondem bem ao uso de AINEs, como ácido mefenâmico e indometacina, supressão ovariana por meio de ACO, e uso de vitamina B6 e magnésio.

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9
Q

Explique a fisiopatologia da Síndrome do Cólon Irritável (SCI) como causa de DPC e cite três sintomas gastrointestinais associados.

A

A SCI é provavelmente secundária à distensão excessiva da parede intestinal por conteúdo fecal ou gases estimulando os receptores nociceptivos, ou por hipersensibilidade visceral. Sintomas incluem frequência evacuatória anormal (4 ou mais evacuações por dia ou 2 ou menos evacuações por semana), formato anormal das fezes (constipadas ou diarreicas) e distensão abdominal.

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10
Q

Quais são as principais estratégias de manejo da Síndrome do Cólon Irritável na DPC, incluindo abordagens não farmacológicas e farmacológicas?

A

O manejo inclui alterações na dieta, suplementação de fibras, atividade física regular, psicoterapia dirigida à redução do estresse, supressão da ovulação e uso de antidepressivos tricíclicos.

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11
Q

Quais são os principais distúrbios urológicos associados à DPC e qual a prevalência de cistite intersticial nessas pacientes?

A

Os distúrbios urológicos incluem uretrite crônica, cistite intersticial, instabilidade do detrusor e cistites recorrentes. 38% das pacientes com DPC têm o diagnóstico de cistite intersticial.

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12
Q

Cite quatro sinais e sintomas da cistite intersticial (bexiga dolorosa) na ausência de infecção ou malignidade.

A

Os sinais e sintomas incluem frequência (>7 micções na vigília), urgência urinária, noctúria (>= 2 micções por noite) e dor pélvica na ausência de infecção, carcinoma vesical, cistite actínica ou medicamentosa.

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13
Q

Quais as características da dor musculoesquelética na DPC e quais etiologias são frequentemente encontradas?

A

A dor musculoesquelética é restrita a uma área bem localizada e pode ser reproduzida ou exacerbada pela palpação da parede abdominal. A etiologia pode ser fibrose disfuncional e retração da incisão cirúrgica prévia ou bandas musculares ou nervosas que servem de gatilho para a dor.

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14
Q

Quais infecções ginecológicas estão associadas à DPC e qual a intervenção para a endometrite crônica causada pelo DIU?

A

Infecções por Clamídia ou Micoplasma não provocam, uniformemente, dor nas pacientes atingidas. A retirada do DIU proporciona alívio dos sintomas de endometrite crônica.

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15
Q

Defina Vulvodinia e descreva seus sintomas associados, além das opções de tratamento não farmacológico e farmacológico.

A

Vulvodinia é a síndrome da ardência vulvar, caracterizada por dor vulvar sem causa visível identificável presente por mais de 3 meses. Sintomas associados incluem dispareunia superficial, impossibilidade de penetração vaginal e vaginismo. O tratamento abrange a não utilização de sabonetes, cremes, duchas e outros potenciais irritantes locais, antidepressivos tricíclicos como amitriptilina, e terapia de suporte emocional e psicológico.

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16
Q

Qual a prevalência de diagnósticos psicológicos em mulheres com DPC e como a dor, incapacidade e alterações de humor interagem nesse contexto?

A

60% das mulheres com DPC apresentam diagnósticos psicológicos. Os transtornos do afeto, incluindo depressão, são os mais frequentes. A dor, a incapacidade e as alterações de humor fazem parte de um círculo vicioso em que cada fator reforça os demais.

17
Q

Quais aspectos devem ser investigados na anamnese de uma paciente com DPC para caracterizar a dor e identificar fatores modificadores?

A

Na anamnese, devem ser investigadas as características da dor: qualidade, duração e fatores modificadores da dor como menstruação, atividade sexual, micção, defecação e tratamento radioterápico prévio.

18
Q

Como a história de cirurgia pélvica, infecção ou uso de DIU pode orientar a suspeita diagnóstica na DPC?

A

A história de cirurgia pélvica, infecção ou uso de DIU pode levar a suspeita de aderências pélvicas.

19
Q

Cite três pontos-chave do exame físico na DPC para identificar a origem da dor, incluindo palpação abdominal e avaliação da coluna.

A

O exame físico deve pesquisar pontos álgicos na pele do abdômen à palpação superficial, palpação profunda à procura de massas intra-abdominais e observar contratura voluntária do abdômen. Também é importante palpar a coluna vertebral, o sacro e a musculatura paravertebral.

20
Q

Quais exames complementares de rotina são indicados na avaliação diagnóstica da DPC para exclusão de outras condições?

A

Exames complementares incluem exclusão de um quadro gestacional, citologia ecto e endocervical, hemograma, urina I e cultura, sangue oculto nas fezes, ultrassom transvaginal, RM e TC, e laparoscopia diagnóstica.

21
Q

Quando a laparoscopia diagnóstica é indicada na investigação da DPC?

A

A laparoscopia diagnóstica é indicada como exame complementar na investigação da DPC.

22
Q

Qual o principal objetivo do manejo da DPC e como ele deve ser direcionado quando a causa é ou não identificável?

A

O principal objetivo é manejar a dor mais que curá-la. O tratamento é direcionado à causa da DPC, quando identificável. Quando a causa não é identificável, o manejo deve ser multidisciplinar.

23
Q

Quais são as opções de tratamento hormonal e analgésico para DPC com dor cíclica?

A

Para dor cíclica, ACO de baixa dosagem, progestágenos ou análogos do GnRH podem ser considerados. Analgésicos orais como paracetamol, AINES e analgésicos opioides também são utilizados.

24
Q

Explique o mecanismo de ação dos antidepressivos tricíclicos no alívio da dor na DPC e a eficácia da associação com gabapentina.

A

Antidepressivos tricíclicos aliviam a dor por meio do bloqueio nervoso periférico, elevando o limiar à dor e por estimulação central (amitriptilina, imipramina e nortriptilina). A associação de gabapentina com amitriptilina ou nortriptilina demonstra boa eficácia.

25
Uma paciente com DPC apresenta dor crônica com componentes de hiperestesia em áreas localizadas. Que tipo de distúrbio musculoesquelético é mais provável e quais tratamentos alternativos podem ser considerados?
O distúrbio musculoesquelético mais provável é a dor restrita a uma área bem localizada, reproduzida ou exacerbada pela palpação da parede abdominal, podendo ser etiologia de fibrose disfuncional e retração da incisão cirúrgica prévia ou bandas musculares ou nervosas que servem de gatilho para a dor. Tratamentos alternativos incluem acupuntura, estimulação elétrica nervosa, fisioterapia e toxina botulínica.
26
Como a anamnese pode diferenciar a dor pélvica de origem hormonal da não hormonal?
Dor secundária a alterações hormonais pode estar associada a endometriose ou adenomiose (padrão cíclico). Padrão não hormonal leva a pensar em causas musculoesqueléticas, aderências ou cistite intersticial (padrão não cíclico ou sem relação com o ciclo hormonal).
27
Qual a importância da integração de profissionais e um plano de avaliação e tratamento integrado no manejo da DPC?
As medidas terapêuticas devem integrar intervenção médica com identificação e manejo dos problemas socioambientais e psicológicos. Pacientes devem ser atendidas/manejadas em serviços que possam realizar a integração de profissionais para realizar um plano de avaliação e tratamento integrado.
28
Em que idade o exame físico de mamas e dos genitais, juntamente com a coleta de colpocitologia oncótica, são considerados parte da rotina de avaliação da DPC?
O exame das mamas e dos genitais, juntamente com a coleta de colpocitologia oncótica, é parte da avaliação diagnóstica da DPC.
29
Para além do Beta-hCG, qual a relevância da Urina I e cultura, e do sangue oculto nas fezes na investigação inicial da DPC?
A Urina I e cultura são relevantes para descartar infecções do trato urinário. O sangue oculto nas fezes é importante para pesquisar a síndrome do cólon irritável ou outras patologias gastrointestinais que podem mimetizar a dor pélvica.
30
Descreva os objetivos do manejo da DPC em termos de função normal, incapacidade e prevenção de incapacidade.
Os objetivos do manejo da DPC são o tratamento das causas identificáveis, restaurando a função normal, minimizando a incapacidade e prevenindo a incapacidade.