Defina Dor Pélvica Crônica (DPC) considerando sua duração, localização e impacto funcional.
Dor Pélvica Crônica é a dor com duração de 6 ou mais meses que se localiza na pelve, na parede abdominal anterior abaixo da cicatriz umbilical, na região lombossacral ou nas nádegas, com intensidade suficiente para causar impedimento funcional à paciente ou levá-la ao cuidado médico.
Qual a prevalência da DPC em mulheres entre 18 e 50 anos, e a média de duração dos sintomas?
A DPC afeta 10 a 15% das mulheres entre 18 e 50 anos de idade, sendo que, em uma parcela de pacientes, a etiologia não será definida. A duração dos sintomas é de 2,5 anos.
Cite a causa isolada mais comum de DPC e identifique os diversos sistemas orgânicos que podem estar envolvidos na sua etiologia multifatorial.
A causa isolada mais comum é a endometriose. A DPC é multifatorial com localizações de dor no trato reprodutivo, urinário, gastrointestinal e nas estruturas musculoesqueléticas ou no SNC.
Quais são as três condições previamente associadas à DPC que não possuem comprovação de causalidade direta?
As condições associadas à DPC sem comprovação são: retroversão uterina, congestão pélvica e os defeitos peritoneais.
Liste as seis categorias de condições mais prevalentes associadas à DPC.
As condições mais prevalentes são: endometriose, aderências pélvicas, dismenorreia, distúrbios funcionais do intestino, distúrbios urológicos, distúrbios musculoesqueléticos, e diagnósticos psicológicos.
Aderências pélvicas estão presentes em 25% das pacientes com DPC. Em quais casos a lise de aderências é clinicamente benéfica, e em quais não há evidência de benefício?
A lise de aderências não demonstra benefício em mulheres com DPC. Somente mulheres com aderências firmes e vascularizadas relatam alívio após a lise das mesmas.
Descreva a dismenorreia e seus fatores de risco. Diferencie dismenorreia primária e secundária.
Dismenorreia é a magnificação dos sintomas crônicos no período perimenstrual, podendo ser acompanhada de dor lombar, náuseas e vômitos, cefaleia ou diarreia. Fatores de risco incluem idade < 20 anos, tentativa de perda de peso, depressão, menorragia, nuliparidade e fumo. A dismenorreia primária aparece logo após a menarca, tem caráter cíclico, com duração máxima de 72 horas. A dismenorreia secundária surge anos após a menarca e com intensidade crescente, podendo estar associada a endometriose, DIU ou hímen imperfurado.
Quais são as opções terapêuticas para dismenorreia primária e secundária que respondem bem à medicação?
Ambas respondem bem ao uso de AINEs, como ácido mefenâmico e indometacina, supressão ovariana por meio de ACO, e uso de vitamina B6 e magnésio.
Explique a fisiopatologia da Síndrome do Cólon Irritável (SCI) como causa de DPC e cite três sintomas gastrointestinais associados.
A SCI é provavelmente secundária à distensão excessiva da parede intestinal por conteúdo fecal ou gases estimulando os receptores nociceptivos, ou por hipersensibilidade visceral. Sintomas incluem frequência evacuatória anormal (4 ou mais evacuações por dia ou 2 ou menos evacuações por semana), formato anormal das fezes (constipadas ou diarreicas) e distensão abdominal.
Quais são as principais estratégias de manejo da Síndrome do Cólon Irritável na DPC, incluindo abordagens não farmacológicas e farmacológicas?
O manejo inclui alterações na dieta, suplementação de fibras, atividade física regular, psicoterapia dirigida à redução do estresse, supressão da ovulação e uso de antidepressivos tricíclicos.
Quais são os principais distúrbios urológicos associados à DPC e qual a prevalência de cistite intersticial nessas pacientes?
Os distúrbios urológicos incluem uretrite crônica, cistite intersticial, instabilidade do detrusor e cistites recorrentes. 38% das pacientes com DPC têm o diagnóstico de cistite intersticial.
Cite quatro sinais e sintomas da cistite intersticial (bexiga dolorosa) na ausência de infecção ou malignidade.
Os sinais e sintomas incluem frequência (>7 micções na vigília), urgência urinária, noctúria (>= 2 micções por noite) e dor pélvica na ausência de infecção, carcinoma vesical, cistite actínica ou medicamentosa.
Quais as características da dor musculoesquelética na DPC e quais etiologias são frequentemente encontradas?
A dor musculoesquelética é restrita a uma área bem localizada e pode ser reproduzida ou exacerbada pela palpação da parede abdominal. A etiologia pode ser fibrose disfuncional e retração da incisão cirúrgica prévia ou bandas musculares ou nervosas que servem de gatilho para a dor.
Quais infecções ginecológicas estão associadas à DPC e qual a intervenção para a endometrite crônica causada pelo DIU?
Infecções por Clamídia ou Micoplasma não provocam, uniformemente, dor nas pacientes atingidas. A retirada do DIU proporciona alívio dos sintomas de endometrite crônica.
Defina Vulvodinia e descreva seus sintomas associados, além das opções de tratamento não farmacológico e farmacológico.
Vulvodinia é a síndrome da ardência vulvar, caracterizada por dor vulvar sem causa visível identificável presente por mais de 3 meses. Sintomas associados incluem dispareunia superficial, impossibilidade de penetração vaginal e vaginismo. O tratamento abrange a não utilização de sabonetes, cremes, duchas e outros potenciais irritantes locais, antidepressivos tricíclicos como amitriptilina, e terapia de suporte emocional e psicológico.
Qual a prevalência de diagnósticos psicológicos em mulheres com DPC e como a dor, incapacidade e alterações de humor interagem nesse contexto?
60% das mulheres com DPC apresentam diagnósticos psicológicos. Os transtornos do afeto, incluindo depressão, são os mais frequentes. A dor, a incapacidade e as alterações de humor fazem parte de um círculo vicioso em que cada fator reforça os demais.
Quais aspectos devem ser investigados na anamnese de uma paciente com DPC para caracterizar a dor e identificar fatores modificadores?
Na anamnese, devem ser investigadas as características da dor: qualidade, duração e fatores modificadores da dor como menstruação, atividade sexual, micção, defecação e tratamento radioterápico prévio.
Como a história de cirurgia pélvica, infecção ou uso de DIU pode orientar a suspeita diagnóstica na DPC?
A história de cirurgia pélvica, infecção ou uso de DIU pode levar a suspeita de aderências pélvicas.
Cite três pontos-chave do exame físico na DPC para identificar a origem da dor, incluindo palpação abdominal e avaliação da coluna.
O exame físico deve pesquisar pontos álgicos na pele do abdômen à palpação superficial, palpação profunda à procura de massas intra-abdominais e observar contratura voluntária do abdômen. Também é importante palpar a coluna vertebral, o sacro e a musculatura paravertebral.
Quais exames complementares de rotina são indicados na avaliação diagnóstica da DPC para exclusão de outras condições?
Exames complementares incluem exclusão de um quadro gestacional, citologia ecto e endocervical, hemograma, urina I e cultura, sangue oculto nas fezes, ultrassom transvaginal, RM e TC, e laparoscopia diagnóstica.
Quando a laparoscopia diagnóstica é indicada na investigação da DPC?
A laparoscopia diagnóstica é indicada como exame complementar na investigação da DPC.
Qual o principal objetivo do manejo da DPC e como ele deve ser direcionado quando a causa é ou não identificável?
O principal objetivo é manejar a dor mais que curá-la. O tratamento é direcionado à causa da DPC, quando identificável. Quando a causa não é identificável, o manejo deve ser multidisciplinar.
Quais são as opções de tratamento hormonal e analgésico para DPC com dor cíclica?
Para dor cíclica, ACO de baixa dosagem, progestágenos ou análogos do GnRH podem ser considerados. Analgésicos orais como paracetamol, AINES e analgésicos opioides também são utilizados.
Explique o mecanismo de ação dos antidepressivos tricíclicos no alívio da dor na DPC e a eficácia da associação com gabapentina.
Antidepressivos tricíclicos aliviam a dor por meio do bloqueio nervoso periférico, elevando o limiar à dor e por estimulação central (amitriptilina, imipramina e nortriptilina). A associação de gabapentina com amitriptilina ou nortriptilina demonstra boa eficácia.