O que é a doença celíaca?
É uma doença autoimune em que o corpo reage de forma permanente ao glúten (presente no trigo, centeio e cevada), causando inflamação e lesão no intestino delgado.
Qual a base genética da doença celíaca?
A maioria dos pacientes tem os genes HLA‑DQ2 (cerca de 95%) ou HLA‑DQ8. Se o exame HLA é negativo para DQ2/DQ8, praticamente exclui doença celíaca( alto valor preditivo negativo)
Quem tem maior risco de desenvolver doença celíaca?
Pessoas com:
(1) doenças autoimunes (diabetes tipo 1, tireoidite autoimune, hepatite autoimune);
(2) síndromes genéticas (Down, Turner, Williams);
(3) deficiência de IgA;
(4) parentes de 1º grau de celíacos.
Quais são as formas de apresentação da doença celíaca?
✨Clássica: diarreia crônica, fezes gordurosas, perda de peso, atraso do crescimento.
✨Não clássica: anemia por ferro, osteoporose, infertilidade, alterações neurológicas/psiquiátricas.
✨Assintomática: achado em rastreamento.
Qual lesão típica do intestino na doença celíaca?
Atrofia das vilosidades e hiperplasia das criptas no intestino delgado, levando a má absorção.
Qual exame inicial de escolha na investigação da doença celíaca?
Sorologia: antitransglutaminase tecidual (tTG) classe IgA junto com IgA total (para checar deficiência de IgA).
O que fazer se o paciente tiver deficiência de IgA?
Usar sorologias da classe IgG: tTG‑IgG e peptídeo de gliadina deamidada (anticorpo antipeptídeo de gliadina deamidada‑IgG).
É necessário estar consumindo glúten para realizar os exames de diagnóstico?
Sim. Se o paciente retira o glúten antes, os exames podem dar falsamente negativos.
Quando a biópsia do intestino é indicada no diagnóstico?
Na maioria dos adultos, para confirmar após sorologia positiva. Em algumas crianças com tTG muito alto + HLA positivo pode-se discutir diagnóstico sem biópsia (tema ainda controverso).
O que significa o exame HLA‑DQ2/DQ8 na investigação?
Se for negativo, praticamente exclui doença celíaca. Se for positivo, não confirma sozinho, mas aumenta a suspeita.
O que é o ‘teste de provocação com glúten’?
Reintrodução de pelo menos ~3 g de glúten/dia por ~2 semanas para repetir sorologias em quem já retirou glúten antes do diagnóstico.
O que é a classificação de Marsh?
Sistema histológico da biópsia: 0 (normal), 1 (linfocitose intraepitelial), 2 (hiperplasia de criptas), 3 (atrofia de vilosidades).
Qual é o tratamento da doença celíaca?
Dieta 100% isenta de glúten por toda a vida, incluindo atenção a alimentos, medicamentos e cosméticos.
O paciente celíaco pode consumir aveia?
Apenas se for aveia certificada ‘livre de glúten’. Aveia comum pode estar contaminada (contaminação cruzada).
Quais complicações podem ocorrer na doença celíaca não tratada?
Osteoporose, infertilidade, deficiência de ferro/folato/vitamina D/B12, risco aumentado de câncer (especialmente linfoma intestinal).
Como é feito o acompanhamento após diagnóstico?
Reavaliação clínica e sorológica a cada 3–6 meses no início; depois anual. Biópsia pode ser repetida após 1–2 anos se necessário.
O que é dermatite herpetiforme?
Erupção cutânea com coceira e pequenas bolhas, muito sugestiva de doença celíaca.
O que é sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC)?
Condição com sintomas intestinais e extraintestinais parecidos com a celíaca, mas sem anticorpos específicos nem alterações típicas na biópsia.
Como se diagnostica a sensibilidade ao glúten não celíaca?
Primeiro exclui-se doença celíaca e alergia ao trigo. Depois observa-se melhora com retirada e retorno dos sintomas ao reintroduzir glúten.
Qual a diferença principal no tratamento entre celíaca e SGNC?
Celíaca: glúten zero, para sempre.
SGNC: pode melhorar com redução de glúten e, muitas vezes, com dieta pobre em FODMAPs; não exige exclusão total sempre.
O que é alergia ao trigo e como difere da celíaca?
Reação alérgica (geralmente IgE) com sintomas agudos (urticária, chiado, anafilaxia). Já a celíaca é autoimune e crônica.
Quais vacinas são recomendadas para doença celíaca?
Vacina contra pneumococo (maior risco de infecção).
Existe uma quantidade ‘segura’ de glúten para celíacos?
Alguns estudos estimam 10–30 mg/dia como faixa possivelmente segura; porém, na prática, recomenda-se glúten zero.
Quais marcadores ‘futuros’ estudados para acompanhamento?
Citrulina (baixa com atrofia intestinal) e FABP (proteína de ligação de ácidos graxos). Úteis em pesquisa; uso clínico rotineiro ainda limitado.