Celiaca Flashcards

(38 cards)

1
Q

O que é a doença celíaca?

A

É uma doença autoimune em que o corpo reage de forma permanente ao glúten (presente no trigo, centeio e cevada), causando inflamação e lesão no intestino delgado.

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2
Q

Qual a base genética da doença celíaca?

A

A maioria dos pacientes tem os genes HLA‑DQ2 (cerca de 95%) ou HLA‑DQ8. Se o exame HLA é negativo para DQ2/DQ8, praticamente exclui doença celíaca( alto valor preditivo negativo)

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3
Q

Quem tem maior risco de desenvolver doença celíaca?

A

Pessoas com:
(1) doenças autoimunes (diabetes tipo 1, tireoidite autoimune, hepatite autoimune);
(2) síndromes genéticas (Down, Turner, Williams);
(3) deficiência de IgA;
(4) parentes de 1º grau de celíacos.

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4
Q

Quais são as formas de apresentação da doença celíaca?

A

✨Clássica: diarreia crônica, fezes gordurosas, perda de peso, atraso do crescimento.
✨Não clássica: anemia por ferro, osteoporose, infertilidade, alterações neurológicas/psiquiátricas.
✨Assintomática: achado em rastreamento.

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5
Q

Qual lesão típica do intestino na doença celíaca?

A

Atrofia das vilosidades e hiperplasia das criptas no intestino delgado, levando a má absorção.

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6
Q

Qual exame inicial de escolha na investigação da doença celíaca?

A

Sorologia: antitransglutaminase tecidual (tTG) classe IgA junto com IgA total (para checar deficiência de IgA).

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7
Q

O que fazer se o paciente tiver deficiência de IgA?

A

Usar sorologias da classe IgG: tTG‑IgG e peptídeo de gliadina deamidada (anticorpo antipeptídeo de gliadina deamidada‑IgG).

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8
Q

É necessário estar consumindo glúten para realizar os exames de diagnóstico?

A

Sim. Se o paciente retira o glúten antes, os exames podem dar falsamente negativos.

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9
Q

Quando a biópsia do intestino é indicada no diagnóstico?

A

Na maioria dos adultos, para confirmar após sorologia positiva. Em algumas crianças com tTG muito alto + HLA positivo pode-se discutir diagnóstico sem biópsia (tema ainda controverso).

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10
Q

O que significa o exame HLA‑DQ2/DQ8 na investigação?

A

Se for negativo, praticamente exclui doença celíaca. Se for positivo, não confirma sozinho, mas aumenta a suspeita.

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11
Q

O que é o ‘teste de provocação com glúten’?

A

Reintrodução de pelo menos ~3 g de glúten/dia por ~2 semanas para repetir sorologias em quem já retirou glúten antes do diagnóstico.

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12
Q

O que é a classificação de Marsh?

A

Sistema histológico da biópsia: 0 (normal), 1 (linfocitose intraepitelial), 2 (hiperplasia de criptas), 3 (atrofia de vilosidades).

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13
Q

Qual é o tratamento da doença celíaca?

A

Dieta 100% isenta de glúten por toda a vida, incluindo atenção a alimentos, medicamentos e cosméticos.

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14
Q

O paciente celíaco pode consumir aveia?

A

Apenas se for aveia certificada ‘livre de glúten’. Aveia comum pode estar contaminada (contaminação cruzada).

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15
Q

Quais complicações podem ocorrer na doença celíaca não tratada?

A

Osteoporose, infertilidade, deficiência de ferro/folato/vitamina D/B12, risco aumentado de câncer (especialmente linfoma intestinal).

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16
Q

Como é feito o acompanhamento após diagnóstico?

A

Reavaliação clínica e sorológica a cada 3–6 meses no início; depois anual. Biópsia pode ser repetida após 1–2 anos se necessário.

17
Q

O que é dermatite herpetiforme?

A

Erupção cutânea com coceira e pequenas bolhas, muito sugestiva de doença celíaca.

18
Q

O que é sensibilidade ao glúten não celíaca (SGNC)?

A

Condição com sintomas intestinais e extraintestinais parecidos com a celíaca, mas sem anticorpos específicos nem alterações típicas na biópsia.

19
Q

Como se diagnostica a sensibilidade ao glúten não celíaca?

A

Primeiro exclui-se doença celíaca e alergia ao trigo. Depois observa-se melhora com retirada e retorno dos sintomas ao reintroduzir glúten.

20
Q

Qual a diferença principal no tratamento entre celíaca e SGNC?

A

Celíaca: glúten zero, para sempre.
SGNC: pode melhorar com redução de glúten e, muitas vezes, com dieta pobre em FODMAPs; não exige exclusão total sempre.

21
Q

O que é alergia ao trigo e como difere da celíaca?

A

Reação alérgica (geralmente IgE) com sintomas agudos (urticária, chiado, anafilaxia). Já a celíaca é autoimune e crônica.

22
Q

Quais vacinas são recomendadas para doença celíaca?

A

Vacina contra pneumococo (maior risco de infecção).

23
Q

Existe uma quantidade ‘segura’ de glúten para celíacos?

A

Alguns estudos estimam 10–30 mg/dia como faixa possivelmente segura; porém, na prática, recomenda-se glúten zero.

24
Q

Quais marcadores ‘futuros’ estudados para acompanhamento?

A

Citrulina (baixa com atrofia intestinal) e FABP (proteína de ligação de ácidos graxos). Úteis em pesquisa; uso clínico rotineiro ainda limitado.

25
Não retire o glúten antes dos exames — por quê?
Porque retirar o glúten pode 'apagar' as evidências (anticorpos e biópsia), gerando resultados falsamente negativos e atrasando o diagnóstico.
26
Manifestações extraintestinais comuns na doença celíaca
Anemia por falta de ferro, osteoporose, alterações neurológicas/psiquiátricas, infertilidade, atraso puberal/baixa estatura em crianças, dermatite herpetiforme.
27
Comparativo rápido: celíaca × SGNC × alergia ao trigo
✨Celíaca: autoimune, anticorpos específicos, biópsia alterada, HLA positivo frequente; tratamento = glúten zero. ✨SGNC: sem anticorpos/biópsia típica; melhora ao reduzir glúten e FODMAPs; HLA pode ser positivo até em ~50%. ✨Alergia ao trigo: reação alérgica (IgE), quadro agudo.
28
Passo a passo de investigação (fluxo prático)
1) Se o paciente consome glúten: pedir IgA total + antitransglutaminase (tTG‑IgA). 2) Se tTG‑IgA positivo: endoscopia com biópsia para confirmar (adultos). Em crianças com tTG muito alto + HLA positivo, pode-se discutir diagnóstico sem biópsia (controverso). 3) Se IgA total baixa/deficiência: usar tTG‑IgG e anticorpo antipeptídeo de gliadina deamidada‑IgG. 4) Se sorologia negativa, mas suspeita clínica alta: considerar biópsia mesmo assim. 5) Se já retirou glúten: dosar HLA‑DQ2/DQ8. Se negativo, praticamente exclui doença. Se positivo, fazer teste de provocação (≥3 g/dia por ~2 semanas) e repetir sorologias. 6) Após diagnóstico: orientar glúten zero, avaliar deficiências (ferro, folato, vitamina D, cálcio, B12) e acompanhar.
29
Quando pedir HLA‑DQ2/DQ8 e como interpretar
Indicado quando há dúvida diagnóstica (ex.: sorologia e biópsia não batem) ou paciente já retirou glúten. Resultado negativo praticamente exclui doença; positivo não confirma sozinho.
30
Quando indicar biópsia de intestino delgado
Na maioria dos adultos com sorologia positiva para confirmar. Também quando a sorologia é negativa, mas a suspeita clínica é alta. Em crianças selecionadas com anticorpos muito altos + HLA positivo, pode ser adiada (tema controverso).
31
Quando e por que dosar cada imunoglobulina
Sempre peça IgA total junto com tTG‑IgA (primeira linha). Se houver deficiência de IgA, mude para testes da classe IgG: tTG‑IgG e anticorpo antipeptídeo de gliadina deamidada‑IgG.
32
Quem rastrear mesmo sem sintomas
Parentes de 1º grau de celíacos; pessoas com diabetes tipo 1, tireoidite autoimune, hepatite autoimune, síndromes de Down/Turner/Williams, deficiência seletiva de IgA.
33
Quando pensar em doença celíaca pelo 'perfil laboratorial'
Elevação persistente e não explicada de transaminases (enzimas do fígado) deve acender alerta e motivar investigação para doença celíaca.
34
Acompanhamento após o diagnóstico — o que revisar
Nos primeiros 3–6 meses: sintomas, sorologia, composição corporal, suplementação necessária e vacinação (pneumococo). Depois, seguimento anual. Biópsia pode ser repetida após 1–2 anos, se indicado.
35
Aveia e contaminação cruzada
Aveia não contém glúten por si, mas pode estar contaminada. Use apenas aveia certificada 'sem glúten'; evite a granel.
36
Existe 'limite seguro' de glúten? Por que insistir em 'zero'?
Há estimativas teóricas (10–30 mg/dia), mas é impraticável medir na vida real e a sensibilidade varia. Por segurança, recomenda-se glúten zero.
37
Substitutos seguros do trigo + rótulos no Brasil
Arroz, mandioca, tapioca, polvilho e tubérculos são opções. No Brasil, desde 2003 os rótulos devem informar 'contém' ou 'não contém glúten' — leia sempre.
38
SGNC: tratamento prático
Reduzir glúten e considerar dieta pobre em FODMAPs conforme sintomas. Probióticos podem ajudar em SGNC; para doença celíaca não há evidência de benefício de probiótico como tratamento.